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16/06/2015

«Os Verdes» defendem destino público para os terrenos da antiga Feira Popular, mas PS quer privatizá-los

O Grupo Municipal do Partido Ecologista «Os Verdes» defende que os terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, devem ter um destino público e utilização colectiva, tendo apresentado uma recomendação nesse sentido, hoje, na reunião da Assembleia Municipal.

Nessa recomendação, o PEV propunha que a CML procedesse à suspensão do processo em curso para a alienação dos terrenos da antiga Feira Popular, até à conclusão do processo que decorre em sede de tribunal arbitral. 
   
No entanto, o PS – com o apoio do PSD e Deputados Independentes - quer privatizar este património municipal a qualquer custo, tal como fez com a alienação de parte dos terrenos do aeroporto da cidade de Lisboa. Estamos a falar de um terreno estratégico no centro da cidade com cerca de 140 mil metros quadrados que a autarquia quer destinar para a construção de habitações e espaços de serviços, comércio e hotelaria, sem que os moradores da área circundante, a população em geral e a cidade tenham o direito de serem ouvidos num processo transparente de discussão pública alargada sobre o que é que ali poderá e deverá ser construído.  
   
Desta forma, «Os Verdes» lamentam a cegueira privatizadora do PS que só prejudica a cidade e os lisboetas.  

No âmbito desta discussão, foi decidido, por iniciativa da Mesa da Assembleia e do Grupo Municipal do PEV, realizar uma audição pública na Assembleia Municipal de Lisboa pois o que ali vier a ser construído terá, não só implicações directas em toda a zona circundante, mas também em toda a cidade.

Gabinete de Imprensa do Grupo Municipal de Lisboa de “Os Verdes”.
Lisboa, 16 de Junho de 2015

13/03/2014

Proposta nº 3/2014 - Compromisso plurianual previsto na cláusula 6ª da minuta (Parque Mayer e Feira Popular)


Assembleia Municipal de Lisboa, 11 de Março de 2014

O Município requer que esta AML delibere sobre o compromisso plurianual, e respectiva repartição de encargos, previsto na cláusula 6ª da minuta de transacção judicial e compromisso arbitral, no âmbito das acções judiciais respeitantes ao Parque Mayer e aos terrenos da antiga Feira Popular.
Esta Proposta nº 3/2014 decorre ainda da Proposta nº 36/2005, que aprovou a desafectação do domínio público municipal e respectiva integração no domínio privado municipal de uma parcela de terreno, tendo autorizado a permuta de terrenos entre o Município de Lisboa e a Sociedade Parque Mayer - Investimentos Imobiliários, S.A., e cujo processo se encontra há anos em litígio judicial.
Recordemos que esta Proposta fora submetida a votação nesta AML no dia 1 de Março de 2005, tendo a Assembleia deliberado aprová-la, por maioria, com os votos favoráveis de PSD, PS, CDS, PPM, BE, um deputado municipal independente e apenas os votos contra dos Grupos Municipais do PCP e de “Os Verdes”.
Sustenta hoje o sr. Presidente da CML que «as partes negociaram um projecto de acordo que permite consolidar no Município a propriedade, quer dos terrenos da antiga Feira Popular, quer do conjunto dos prédios designados por Parque Mayer, invertendo a alienação prevista na permuta e hasta pública». O acordo, que diz ter alcançado, «prevê a restituição das quantias desembolsadas a título de preço e encargos fiscais e administrativos na aquisição daqueles terrenos à Bragaparques - Estacionamentos, S.A. e à Parque Mayer S.A., actualizadas pelo índice de inflação».
O reembolso previsto pela CML corresponderia assim à «restituição das quantias relativas ao preço da aquisição do Parque Mayer e do lote submetido a hasta pública, acrescido dos encargos fiscais e administrativos destas aquisições, impostos e taxas pagas desde a aquisição, e outras despesas efectivamente comprovadas, e da actualização destes valores pelo índice de preços do consumidor fixado pelo INE, a pagar faseadamente».
O principal mérito desta Proposta radicaria na devolução à cidade de Lisboa de 2 espaços privilegiados, estando um deles “no top 10 dos melhores terrenos da cidade”. Subsistem, contudo, matérias relativamente às quais as partes não lograram acordo. E quanto a estas «o projecto de acordo prevê a sua remessa para apreciação e decisão em tribunal arbitral». Torna-se óbvio que a resolução está, infelizmente, longe de ser alcançada.
Quando destrinçamos os pormenores deste acordo, apercebemo-nos que a CML se prepara afinal para fazer um contrato de cordeirinho, deixando à Bragaparques e à Parque Mayer S.A. uma futura choruda parte de leão, que, cedo ou tarde, reverterá sobre futuros orçamentos municipais. Basta ler as declarações à Comunicação Social do administrador da empresa. Mas já lá iremos.
A Cláusula 6ª define o que constitui ser crédito da Parque Mayer, reconhecido pelo Município, num montante global de 101.673.436,05 € e que este pagamento se fará em 16 prestações semestrais até Outubro de 2023, a que acrescem juros à taxa Euribor a 6 meses, acrescido de um spread 4,2 % ao ano até 2016, e de 4,55 % ao ano no período subsequente.
Sobram, como objecto de litígio para posterior compromisso arbitral, o direito da Parque Mayer ser ressarcida de juros e encargos financeiros e tributários por si já suportados; sobra o direito da Parque Mayer a um montante superior aos 18.223.821 € da avaliação efectuada em 2003, e que poderá ascender a cerca de 54,6 milhões, se tal for determinado pelo Tribunal Arbitral; sobra o direito do Município a ser ressarcido dos valores pagos a ocupantes e arrendatários até 3 milhões de euros.
Afirma o sr. Presidente, 1º, que a Proposta procura estabilizar o património do município; 2º, que se acordou sobre o que a CML tem de devolver à parte contrária, havendo, porém, divergência sobre os critérios de avaliação patrimonial; 3º, que ficam por resolver as indemnizações a que a CML diz querer ser ressarcida; 4º, a Bragaparques continua a questionar o valor do preço do Parque Mayer; 5º, vai ser necessário recorrer a um Tribunal Arbitral; 6º, para já, apenas houve acordo sobre as condições de pagamento da CML em prestações anuais durante 10 anos, cujo compromisso plurianual, contido na Cláusula 6ª, esta AML tem aqui de deliberar.
Em 2008, o Ministério Público calculou que o processo já tinha custado, até então, mais de 40 milhões de euros ao Município, entre taxas que ficaram por receber, investimento em projectos e indeminizações. A CML reconhece que não tem propriamente em Tesouraria 101 milhões de euros disponíveis para pagar. Também reconhece que se o Município aprovar as cláusulas contratuais deste acordo, o que “decidirmos pagar, é aquilo que sempre teríamos que pagar”. Será mesmo? As partes reconhecem que optaram por não aguardar pela decisão do Supremo Tribunal. Reconhecem que não conseguiram alcançar um acordo global. Reconhecem que se está à beira de se chegar a um impasse negocial, com a autarquia a ceder em toda a escala à Bragaparques.
Do montante de 101 milhões de euros, a parcela de 77.379.997 € corresponde ao pagamento pelo Lote 2 dos terrenos da Feira Popular, mais encargos fiscais e emolumentos pagos na sua aquisição; a parcela de 3.259.345 € diz respeito ao IMI e impostos de Selo dos terrenos da Feira Popular pagos até 2013; a parcela de 2.810.273,50 € reporta-se a obras que a Parque Mayer diz ter suportado nestes terrenos; sobra uma parcela de 18.223.821 € respeitante à restituição dos encargos suportados pela Parque Mayer com a aquisição dos prédios do Parque Mayer.
E o recurso ao Tribunal Arbitral abre a porta a que a CML possa ainda ter de vir a despender outras importâncias. Esta Assembleia tem o dever de alertar o executivo camarário para o que vai para além das cláusulas contratuais desta minuta de “Transacção Judicial e Compromisso Arbitral”. Há mesmo uma incógnita relativamente aos encargos futuros que a CML terá de desembolsar no âmbito das acções em Tribunal Arbitral.
A saber: sobre o valor global de 101 milhões de euros acrescerão juros de 29,5 milhões de euros. E a autarquia poderá ainda ter de pagar pelo menos mais 50 milhões de euros à Bragaparques para reaver de forma extrajudicial o Parque Mayer e os terrenos da Feira Popular que ainda são propriedade da empresa. Tudo isto totaliza, para além dos 101 milhões, mais 80 milhões de euros. Ou seja, se a Bragaparques ganhar poderá vir a receber no mínimo um valor total superior a 180 milhões de euros.
Mas isto não é tudo. O acordo surgia quando se aguardava a decisão do Supremo sobre a anulação, quer da permuta do Parque Mayer por um lote da Feira Popular, quer da aquisição em hasta pública de outro lote, conseguidas pelo Município na primeira instância em 2010 e na Relação em 2011. Mas mal a minuta do acordo entrou para debate na CML, logo o administrador da Bragaparques contradisse os valores acordados, afirmando que o acordo não estava fechado e que a procissão ainda ia no adro, ameaçando que vai pedir em Tribunal pelo menos mais 350 milhões € por prejuízos causados à empresa pelo processo judicial que envolve a permuta do Parque Mayer pelos terrenos da Feira Popular.
Sr. Presidente, independentemente das eventuais boas intenções da CML, o GM de “Os Verdes” não pode comprometer o seu sentido de voto com tantas indefinições em compromissos plurianuais do orçamento municipal, pelo que votaremos contra.
J. L. Sobreda Antunes
Grupo Municipal de “Os Verdes”

20/08/2009

A permuta da Feira Popular pelo Parque Mayer ainda custa milhões à CML

Criada pela Fundação ‘O Século’, em 1943, com o objectivo de sustentar a sua obra social, a Feira Popular chegou a Entrecampos em 1961. Foi à instituição que a CML entregou, devido à permuta com a Bragaparques, cerca de 11 milhões de euros de indemnização, por ficar privada das receitas daquele recinto. Os feirantes que existiam no espaço também não foram esquecidos e o município abriu mãos de outros 20 milhões para os tirar dali e abrir caminho para os projectos imobiliários da empresa de Braga.
Mas, o acordo entre a CML e a empresa Parque Mayer, do universo Bragaparques, que em 2005 permitiu a troca dos terrenos municipais de Entrecampos, onde estava a Feira Popular, pelos do Parque Mayer, propriedade da empresa, custa ainda anualmente aos cofres camarários cerca de 2,6 milhões de euros.
Aquele é o valor pago pela Câmara à Fundação 'O Século' - que explorava o recinto de diversão de Entrecampos, estando ainda obrigada a actualizar tal montante, todos os anos, à taxa de 3%, até que seja criada uma nova Feira Popular, um negócio que o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa diz ser danoso para o município.
O TIC considerou este negócio ruinoso para as finanças da autarquia e aponta-o como um dos motivos por que decidiu levar a julgamento o ex-presidente da Câmara Carmona Rodrigues e os seus ex-vereadores Eduarda Napoleão e Fontão de Carvalho, além de três técnicos municipais.
Os principais arguidos são acusados pelo crime de prevaricação de titular de cargo político, tendo em conta que, na perspectiva da juíza que os pronunciou, o acordo ruinoso foi proposto por Carmona que, nas sessões camarárias de 26 de Janeiro, 1 e 4 de Fevereiro de 2005, terá contado com o apoio de Fontão e de Napoleão para realçarem os aspectos relevantes do mesmo.
Segundo o despacho, o caso começa oficialmente no início de 2005, quando os deputados municipais aprovaram a permuta por maioria - a CDU (PCP/PEV) foi excepção -, sendo que o negócio implicou ainda a venda em hasta pública de uma área pertencente à autarquia, junto à feira, e que acabou nas mãos da Bragaparques.
O despacho realça que o município começou por produzir a partir de 2003 [já na liderança PSD] decisões para eliminar os incidentes legais ou financeiros relativos aos terrenos da Feira Popular, que pudessem recair sobre futuros proprietários.
Refere a pronúncia que foi de Carmona a proposta do protocolo com a fundação para que se encontre, até Setembro de 2005, um novo terreno para a Feira Popular. Caso não se verificasse a execução desse plano o município assumiria o pagamento dos tais 2,6 milhões de euros anuais até o equipamento estar em funcionamento. Mas já passaram quatro anos.
O TIC vai mais longe e salienta que, se houve urgência em limpar e desviar os feirantes dos terrenos de Entrecampos, o ex-presidente viabilizou em benefício da Bragaparques, até Março de 2007, a continuação da exploração de um parque de estacionamento no Parque Mayer - quando este já era um terreno municipal. Carmona é ainda acusado de autorizar que o processo de desocupação da área não se iniciasse.

04/08/2009

Tribunal acusa omissão de documentos favoráveis à Parque Mayer

Na sequência de uma queixa da CDU, faz agora exactamente 4 anos 1, o Tribunal de Instrução Criminal considerou agora que um ex-presidente da CML, com o apoio de dois vereadores, lesou os cofres do município ao omitir dados que beneficiavam a Bragaparques.
Esta é uma das conclusões do despacho de pronúncia, produzido pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, que vai levar a julgamento Carmona Rodrigues, os ex-vereadores Eduarda Napoleão e Fontão de Carvalho, e ainda três funcionários municipais, todos intervenientes directos no negócio da permuta de terrenos entre a CML e a Parque Mayer, SA (do universo Bragaparques), que lesou o município em milhões de euros, há quatro anos.
Acusado pelo crime de prevaricação de titular de cargo político, Carmona terá omitido à vereação e à Assembleia Municipal de Lisboa a documentação elaborada pela Parque Mayer, SA, beneficiando com esse acto a empresa. O caso remonta a 2005, quando a CML aprovou a permuta dos terrenos municipais da Feira Popular [Entrecampos] pelos do Parque Mayer, propriedade da Parque Mayer SA.
O TIC terá considerado que Carmona não conduziu o dossiê com verdade, já que sabia que uma carta de concordância da Parque Mayer modificava substancialmente o teor da Proposta nº 36/2005, para único benefício da sociedade particular que estava envolvida na permuta.
Na altura como vice-presidente, Carmona validou o negócio, embora, terá considerado o tribunal, o conteúdo da carta de concordância da Parque Mayer SA não tinha sido debatido na autarquia.
A justificação para o facto, terá considerado o TIC, seria a necessidade de que todos os actos relativos a este negócio fossem concretizados rapidamente, antes das eleições autárquicas, que se realizaram em Outubro de 2005 e das quais Carmona saiu vencedor 2.

23/10/2008

Cronologia do processo Parque Mayer/Feira Popular (actualização)

2001
28 Outubro - Santana Lopes (PSL), candidato à CML, propõe-se recuperar o Parque Mayer em oito meses.
2002
27 Agosto - Início da operação de limpeza e demolição de pequenas construções em ruína no Parque Mayer.
05 Setembro - PSL apresenta projecto de reabilitação do Parque Mayer, que inclui casino, 15 salas de cinema, três salas de teatro, dois teatros-estúdio, um museu dedicado ao cinema, áreas comerciais, escritórios e um parque de estacionamento subterrâneo com 1500 lugares.
2003
18 Janeiro - Jorge Sampaio promulga o decreto que permite a instalação de um casino em Lisboa.
21 Janeiro - Frank Gehry, arquitecto norte-americano responsável pelo projecto de reabilitação, anuncia que o novo Parque Mayer estará concluído em 2008.
29 Abril - PSL anuncia que casino será instalado junto ao Rio Tejo, próximo do mercado da Ribeira.
28 Maio - PSL apresenta projecto que prevê a manutenção da Feira Popular em Entrecampos, ao lado de um empreendimento privado.
05 Junho - O presidente da CML anuncia que o casino vai para a zona do Jardim do Tabaco, próximo de Santa Apolónia.
22 Julho - AML aprova, com a abstenção do PCP, a permuta de terrenos que permite a reconversão do Parque Mayer e da Feira Popular.
30 Julho - CML aprova por unanimidade o financiamento da obra social da Fundação “O Século”, que geria a Feira Popular, durante a construção do novo parque de diversões.
01 Outubro - Grupo Amorim e Bragaparques dissolvem a sociedade, ficando apenas esta como proprietária do Parque Mayer.
05 Outubro - Diversões da Feira Popular encerram definitivamente, mas os restaurantes mantêm-se abertos.
29 Outubro - PSL anuncia que a construção do Parque Mayer vai custar 100 milhões de euros.
17 Dezembro - PSL põe de parte a expropriação dos terrenos do Parque Mayer para avançar com o projecto de recuperação, por considerar muito elevado o valor estabelecido para aqueles terrenos privados.
2004
03 Fevereiro - PSL anuncia que a Feira Popular será instalada no parque do Alvito, em Monsanto.
15 Março - CML anula permuta dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular, depois de frustrado o acordo com a Bragaparques e transfere a responsabilidade da requalificação do Parque Mayer para a EPUL. Autarquia aprova elaboração de plano de pormenor para o Parque Mayer, com base nos conceitos do arquitecto Frank Gehry.
14 Abril - PSL admite vender os terrenos da Feira Popular em hasta pública.
21 Maio - CML aprova o adiantamento de 2,5 milhões de euros aos feirantes pelo encerramento da Feira Popular e aprova indemnização de cerca de 11 milhões de euros, valor que não satisfaz os comerciantes.
28 Junho - PSL afirma que o Alvito, em Monsanto, vai acolher um parque de diversões com temática ligada à componente ecológica e florestal e não uma Feira Popular como a que existiu em Entrecampos.
27 Julho - Presidente da Associação de Turismo de Lisboa e vereador das Obras na CML anuncia que o casino será construído no Parque das Nações.
07 Outubro - Presidente da CML apresenta proposta com uma solução conjunta para o Parque Mayer e a Feira Popular, que prevê a constituição de um fundo de investimento imobiliário fechado.
23 Novembro - Anuncia que Feira Popular, com 2,5 hectares, será instalada junto ao Jardim do Tabaco.
09 Dezembro - A CML aprova uma proposta que viabiliza a reabilitação do Parque Mayer, mas PS e PCP votaram contra aquele que dizem ser “um mau negócio” para o município. A proposta prevê a constituição de um fundo de investimento imobiliário fechado, em que participam a EPUL, pertencente à autarquia, a Parque Mayer Investimentos Imobiliários (detida pela Bragaparques, proprietária dos terrenos da Avenida da Liberdade) e a Espart, do Grupo Espírito Santo.
2005
11 Janeiro - Partidos da esquerda na AML chumbam proposta de constituição de fundo imobiliário de investimento, por o considerarem “um mau negócio” para a autarquia. Feirantes pedem indemnização, pelo encerramento da Feira Popular, de 36 milhões de euros (o valor decidido por uma comissão arbitral era de 10 milhões de euros).
04 Fevereiro - Maioria PSD-CDS na CML e PS chegam a acordo e aprovam por maioria, com os votos contra do PCP, uma permuta entre parte dos terrenos municipais da Feira Popular e os terrenos do Parque Mayer. É também aprovada a realização de uma hasta pública do remanescente dos terrenos da Feira Popular.
24 Fevereiro - Vereador das Finanças afirma que CML desistiu da transferência da Feira Popular para o Jardim do Tabaco e admite que poderá não haver novo parque de diversões na cidade devido à dificuldade em encontrar um novo espaço.
03 Junho - A CML aprova por maioria o loteamento dos terrenos de Entrecampos, que viabiliza a permuta com o Parque Mayer, e a hasta pública de parte da zona onde antes se situava a Feira Popular, com votos contra do PCP. Na AML os votos contra são do PCP e do PEV.
15 Julho - A CML leiloa 59 mil metros quadrados dos terrenos de Entrecampos, com base de licitação de 56 milhões de euros, que foram arrematados por cerca de 62 milhões de euros pela empresa Parque Mayer Investimentos Imobiliários. No início do mês, a empresa, propriedade da Bragaparques, já tinha adquirido, por permuta com a CML, os restantes 61 mil metros quadrados do terreno.
18 Julho - A CDU de Lisboa (PCP e PEV) anuncia a intenção de impugnar junto dos tribunais o negócio que envolve os terrenos do Parque Mayer e de Entrecampos onde se situava a Feira Popular, acusando a CML de “gestão danosa”.
19 Julho - O vice-presidente da CML justifica o direito de preferência exercido pela Sociedade Parque Mayer para comprar em hasta pública os terrenos municipais de Entrecampos com o interesse urbanístico.
06 Dezembro - A CML e a Bragaparques confirmam que a Polícia Judiciária está a investigar a permuta dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, mas manifestaram-se "tranquilas" quanto à legalidade do processo.
2006
18 Fevereiro - O vereador dos espaços verdes da CML anuncia ter sido alvo de uma tentativa de corrupção por parte do sócio principal da empresa Bragaparques no âmbito do processo feira Popular/Parque Mayer.
21 Fevereiro - A AML aprova por unanimidade uma moção do PCP que incumbe a Comissão de Urbanismo de analisar o negócio do Parque Mayer e Feira Popular, incluindo a alegada tentativa de suborno ao referido vereador.
2007
25 Janeiro - O executivo da CML reúne-se para debater a situação da autarquia, após buscas da PJ no âmbito do processo do Parque Mayer. Em causa estão as investigações da Polícia Judiciária e do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) no âmbito do processo da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular.
01 Fevereiro - O director-geral da Bragaparques defende a legalidade do direito de preferência usado na hasta pública dos terrenos da Feira Popular, sublinhando tratar-se de uma condição da permuta dos terrenos do Parque Mayer com os do parque de diversões.
26 Abril - O presidente da CML é formalmente constituído arguido no caso Bragaparques, relativo à permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. No âmbito deste caso tinham sido também constituídos arguidos o vice presidente (eleito pelo PSD), a vereadora do Urbanismo (idem pelo PSD), o director municipal dos Serviços Gerais, que presidiu ao júri da hasta pública, e a vereadora do Urbanismo no executivo de PSL.
O sócio-gerente da Bragaparques, tinha sido acusado em Janeiro de corrupção activa na sequência da denúncia feita em 2005, também neste processo.
09 Maio - A Câmara cai por falta de quórum devido à renúncia dos mandatos dos vereadores do PSD, do PS e do BE, mas o presidente não renuncia ao mandato. Porém, na sequência da dissolução do executivo são convocadas eleições intercalares antecipadas.
11 Dezembro - A comissão do Parque Mayer na AML alerta para o “risco de ruína eminente” de edifícios e para as contrapartidas financeiras que a Bragaparques, antiga proprietária do espaço, deve aos comerciantes do local.
12 Dez - A CML aprovou a abertura de um concurso internacional para a reabilitação do Teatro Capitólio, um edifício classificado que a autarquia quer transformar na “âncora” do Parque Mayer.
2008
23 Janeiro - O presidente da CML (PS), defende que a permuta dos terrenos da Feira Popular com o Parque Mayer é nula porque a operação de loteamento que a antecedeu violou o Plano Director Municipal (PDM).
24 Janeiro - A audiência prévia do julgamento da acção popular contra a permuta dos terrenos do Parque Mayer é adiada, porque a CML não se fez representar (?) e devido à existência de novos documentos.
23 Janeiro - O presidente da CML afirmou que a compra dos terrenos do Parque Mayer, através de acordo ou expropriação, será financiada por “um bom negócio sobre os terrenos da Feira Popular”.
25 Jan - O concurso de ideias para o Parque Mayer recebeu trinta propostas, sendo os melhores projectos escolhidos dentro de cerca de três semanas para servirem de base ao plano de pormenor para aquela zona.
23 Fevereiro - A CML abriu o concurso público para a requalificação do edifício do antigo teatro Capitólio, divulgou a autarquia na página da Internet.
03 Mar - O gabinete de arquitectos Aires Mateus & Associados Lda ficou em primeiro lugar no concurso de ideias para a requalificação do Parque Mayer, com uma classificação de 100%, anunciou o presidente do júri.
03 Mar - O presidente da CML anunciou que o plano de pormenor para a zona do Parque Mayer elaborado a partir dos projectos finalistas do concurso de ideias será discutido em Agosto em reunião de CML.
07 Abr - CML promove, nos Museus da Politécnica, o primeiro de vários debates sobre as cinco propostas finalistas do concurso de ideias para a recuperação do Parque Mayer.
14 Abr - CML recebeu nove propostas para a reabilitação do teatro Capitólio, no Parque Mayer, que serão avaliadas por um júri presidido pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que chegará a uma decisão a 20 de Maio.
20 Mai - O concurso de propostas para reabilitação do teatro Capitólio, no Parque Mayer, Lisboa, foi suspenso depois de um candidato ter declarado que vai recorrer da decisão do júri.
29 Mai - Concurso público para requalificação do teatro Capitólio, Lisboa, continua suspenso após um dos sete concorrentes ter requerido certidão do relatório de hierarquização do júri.
04 Jun - Concurso público para requalificação do Capitólio continua suspenso depois de um concorrente ter invocado falta de cumprimento do princípio de anonimato que é exigido por lei.
07 Set - Dois concorrentes do concurso público para a requalificação do teatro Capitólio, em Lisboa, vão impugnar em tribunal o processo, que será retomado segunda-feira pela CML quatro meses após a sua suspensão.
08 Set - A Câmara de Lisboa retomou concurso público para a requalificação do teatro Capitólio, no Parque Mayer, mais de quatro meses após a sua suspensão devido a recursos apresentados por dois concorrentes.
21 Out - O projecto do atelier do arquitecto Souza Oliveira, que integrou a equipa do PDM de Lisboa, foi o vencedor do concurso público para a reabilitação do edifício do Capitólio, no Parque Mayer.

Ver Lusa doc. nº 8920553, 22/10/2008 - 17:48
O essencial das ilegalidades no negócio Parque Mayer / Entrecampos pode ser lido em
www.dorl.pcp.pt/cdulisboa/index.php?option=com_content&task=view&id=164&Itemid=37

Comerciantes do Parque Mayer duvidam da recuperação do espaço

Os comerciantes do Parque Mayer ainda continuam com dúvidas em relação à anunciada recuperação do espaço, no dia em que a CML acaba de aprovar o projecto de reabilitação do edifício do Capitólio, pois, “enquanto não resolverem quem é o proprietário do Parque Mayer” tudo se mantém por definir, dizem, a propósito do processo que decorre em tribunal da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular entre a autarquia e a Bragaparques.
Acrescentam que “não estou a ver o teatro entrar em obras. Será mais um presidente que disse que ia resolver as coisas e fica tudo na mesma. Mas se a recuperação do Capitólio vier resolver os problemas dos comerciantes fico feliz”. É que até ao momento, “passaram três presidências de CML e quatro presidentes e não se resolve nada. Resolve-se tudo em Lisboa, menos a situação do Parque Mayer”.
O projecto inicial de reabilitação do Parque Mayer da autoria de Frank Ghery - aprovado pelo anterior executivo camarário, a 4 de Fevereiro de 2006, contemplava a edificação de cerca de 30 mil m2 destinados a habitação e serviços e ainda cerca de 18 mil m2 repartidos por um anfiteatro, três teatros, uma escola de Jazz e seis salas de ensaio e ainda um centro de exposições e com o qual o município dispendeu milhões, só para ver uma simples maqueta
A recuperação do edifício do Capitólio será agora a âncora do reabilitado Parque Mayer e custará 10 milhões de euros, provenientes das contrapartidas do Casino Lisboa. O teatro poderá tornar-se um espaço para várias artes de palco funcionando como o centro da reabilitação do Parque Mayer, cujo plano de pormenor foi sujeito a um concurso de ideias e que se encontra em debate público.
Em 2005, a Câmara Municipal de Lisboa comprou o Parque Mayer à Bragaparques - que tinha comprado o espaço por 11 milhões de euros - por 54 milhões de euros, cedendo metade dos terrenos da Feira Popular à empresa, que comprou o restante espaço da Feira por 62 milhões numa hasta pública em que invocou um incorrecto direito de preferência.
Segundo o Ministério Público, a Bragaparques exerceu indevidamente aquele direito, pelo que devia ter pago 1,1 milhões de euros à autarquia.
Depois de ter mudado de posição, a CML defende agora em tribunal a nulidade do negócio, alegando que a operação de loteamento que a antecedeu violou o PDM. A factura do negócio de permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular já custou à autarquia dezenas de milhões de euros, entre taxas que ficaram por receber, investimento em projectos e indemnizações.
Tudo à custa dos impostos sobre os munícipes.

Ler Lusa doc. nº 8921919, 22/10/2008 - 17:35
Ver
http://osverdesemlisboa.blogspot.com/search/label/Parque%20Mayer

05/09/2008

Parque Mayer com indemnizações parciais

O Tribunal Cível de Lisboa condenou a Bragaparques a indemnizar os comerciantes do Parque Mayer pelos prejuízos causados com o encerramento do parque de estacionamento, entre 2000 e 2002, e a consequente perda de clientes até hoje. O Tribunal deu como provada a prática de diversos actos lesivos, que determinaram “a diminuição da clientela, a instalação de um ambiente de insegurança, um aspecto de degradação geral que afectou a actividade comercial”.
Mas a decisão judicial foi bastante limitada, deixando ainda de fora o cerne da questão: a pouco clara permuta dos terrenos de Entrecampos com os do Parque Mayer 1.
Nesta recente decisão, datada de final de Julho, o mesmo Tribunal obriga a CML a manter o espaço em condições de segurança, a não utilizar o Parque Mayer como estaleiro de obras e a manter o acesso de pessoas e veículos dos clientes ao parque. A CML é também instada a assegurar a limpeza regular do local.
A decisão é resultado de uma providência cautelar interposta pelos comerciantes do Parque Mayer em Fevereiro de 2000 e que teve uma primeira decisão em 17 de Julho desse ano, favorável aos comerciantes e da qual a Bragaparques foi sempre recorrendo até este julgamento.
Na decisão do Tribunal pode ler-se: “Condena-se a ré CML a abster-se em definitivo de praticar quaisquer actos lesivos” dos direitos dos três comerciantes que moveram a acção. O Tribunal “condena a ré Bragaparques ao pagamento de uma indemnização - aos três requerentes - correspondente à diferença do rendimento patrimonial dos autores na data mais recente anterior a 2000 e aquele que os mesmos auferiram desde Janeiro de 2000 até ao cumprimento da decisão transitada em julgado”. O valor da indemnização devida pela Bragaparques depende do apuramento dos prejuízos sentidos pelos comerciantes 2.
Os comerciantes do Parque Mayer congratularam-se com a condenação da Bragaparques ao pagamento de uma indemnização pelos danos causado pelo fecho do parque de estacionamento, considerando que se fez ‘justiça’, mas, cautelosamente, afirmam que “agora é como São Tomé: ver para crer”. A CML já disse acatar a decisão judiciária, mas a Bragaparques já anunciou que vai recorrer da decisão do Tribunal Cível de Lisboa 3.

06/07/2008

Processo Bragaparques em tribunal

Começou a ser julgado no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa o processo entre a CML, a EPUL e a sociedade Parque Mayer, a propósito do negócio que envolveu a permuta de terrenos do Parque Mayer com os da Feira Popular.
O então presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, e actual vereador na CML, o à altura vice-presidente e vereador das Finanças, Fontão de Carvalho, e a ex-vereadora do Urbanismo Gabriela Seara, todos acusados pelo Ministério Público no processo-crime sobre o mesmo caso - são apenas três das 20 pessoas que vão testemunhar a favor do sócio-gerente da empresa Bragaparques.
Dúvidas sobre a avaliação feita aos terrenos alvo de permuta, a edificabilidade calculada para cada um dos locais, a decisão da autarquia de levar a hasta pública um único lote em Entrecampos (quando estavam inicialmente previstos 15) e um polémico direito de preferência exercido pela Bragaparques na venda dos terrenos remanescentes da Feira Popular, dominaram o primeiro dia.
Para a próxima sessão de 4ª fª, o juiz-presidente do colectivo mandou convocar a maioria das restantes testemunhas de acusação e no dia 14, última sessão antes das férias judiciais, serão ouvidas as três testemunhas da autarquia.
Um dos arquitectos que representa a CML adiantou que três das testemunhas são arquitectos que participaram nesta operação. Curiosamente, dois deles são profissionais visados na sindicância ao departamento do Urbanismo da autarquia, que identificou vários procedimentos irregulares.
Um era chefe da Divisão de Estudos e Valorização do Património, entretanto exonerado do cargo, e o outro desempenhava o cargo de director municipal de Gestão Urbanística, que se demitiu depois de se ter descoberto que era sócio do atelier de arquitectura que concebeu o polémico loteamento previsto para os terrenos da antiga Sociedade Nacional dos Sabões, para onde estava prevista a passagem da futura nova travessia do Tejo.
A avaliar pelo tempo que demorou cada uma das primeiras inquirições – e foram ouvidas apenas três das 12 testemunhas -, o julgamento promete andar a passo de caracol.

30/01/2008

O regresso da Bragaparques?

A CML aprovou na 6ª fª passada a proposta do presidente para a autarquia passar a defender em tribunal a nulidade da permuta dos terrenos da Feira Popular com o Parque Mayer, determinando que, depois de “declarada judicialmente a nulidade da permuta” com a empresa Bragaparques pelos terrenos da antiga Feira Popular em Entrecampos, a CML mantém a intenção de “proceder à aquisição do Parque Mayer, por via de acordo ou, e caso seja necessário, mediante expropriação pública” 1.
No Parque Mayer, localizado a meio da Avenida da Liberdade, onde durante décadas foi espaço de artistas e sátira ao poder e à sociedade, ainda funcionam o Teatro Maria Vitória, três restaurantes, o Sindicato das Artes e Espectáculos, a Livraria Fumaça e onde habita a septuagenária ‘Mimi’.
Mas residentes e comerciantes do Parque estão de ‘pé atrás’. “Sabemos o que temos passado ao longo dos anos com as permutas e negócios deste espaço e por isso vamos continuar a tentar resistir”. Questionando a simples “anulação da permuta dos terrenos para a Bragaparques”, querem que a situação seja resolvida pela CML. “Não podemos reparar, melhorar ou arranjar, mesmo que queiramos, as instalações dos nossos negócios”, em virtude dos imóveis não lhes pertencerem e “existe um total alheamento das autoridades responsáveis”, explica o representante das entidades ainda de portas abertas naquele espaço.
Sobre uma solução para os últimos rendeiros, desabafam que “a CML tem responsabilidade nisto tudo”, acusando o desgaste e o cansaço de “tantas promessas” ao longo de todo o processo. O gerente comercial de um restaurante alega que prefere a CML como “titular do espaço e cobradora de rendas, do que a Bragaparques”, não reconhecendo à empresa de Braga “vontade para resolver os problemas”.
Já Vasco Morgado Júnior herdeiro de três gerações ligadas ao teatro de revista e um dos contestatários dos negócios dos terrenos do parque, apela para a recuperação do património, afirmando que “o Parque Mayer criticava o governo antes do 25 de Abril, agora faz cair câmaras”, reforçando que já “não sabe o que acreditar” mas mantém a convicção de que “não se pode perder a tradição e a história” do Parque Mayer.
Para outros ‘resistentes’ que ainda habitam no parque, as classes políticas e as autoridades do país “não têm respeito por ninguém” e “nunca ligaram nenhuma às pessoas”, explicando que o negócio é prejudicado diariamente em virtude da degradação dos imóveis e do espaço que envolve os teatros do Parque Mayer.
Pelo que, a ideia do possível regresso da titularidade do espaço à Bragaparques “é mais um sofrimento para nós”, bastando “ver à sua volta, o estado a que isto tudo chegou”. “O Parque Mayer de volta para a Bragaparques… jamais!” 2.

1. Ver
www.cm-lisboa.pt/?id_item=15503&id_categoria=11
2. Ver Lusa doc. nº 7943143, 29/01/2008 - 10:30

25/01/2008

Negócio Bragaparques

"A factura do negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular já custou à câmara dezenas de milhões de euros, entre taxas que ficaram por receber, investimento em projectos e indemnizações. O despacho do Ministério Público que acusa o ex-presidente da Câmara Carmona Rodrigues e os ex-vereadores Eduarda Napoleão e Fontão de Carvalho refere que a actuação dos autarcas lesou a autarquia em mais de 10 milhões de euros, enquanto com a desactivação da Feira Popular, a autarquia teve de desembolsar mais de 30 milhões de euros.
Em 2005, a Câmara Municipal comprou o Parque Mayer à Bragaparques - que tinha comprado o espaço por 11 milhões de euros - por 54 milhões de euros, cedendo metade dos terrenos da Feira Popular à empresa, que comprou o restante espaço da Feira por 62 milhões numa hasta pública em que invocou o direito de preferência. Segundo o Ministério Público, a Bragaparques exerceu indevidamente aquele direito, pelo que devia ter pago 1,1 milhões de euros à autarquia.
A oposição camarária denunciou o negócio, afirmando que a Câmara pagou dinheiro demais pelo Parque Mayer e que a Bragaparques pagou abaixo do valor real dos terrenos de Entrecampos. No despacho que acusa Carmona e os seus vereadores, refere-se ainda que foi permitido um loteamento ilegal nos terrenos de Entrecampos, que fez com que a Bragaparques deixasse de pagar quase 9,2 milhões de euros em taxas.
São estes valores que a Câmara deixou de receber que justificam as acusações do Ministério Público a Carmona e aos membros da sua equipa de vereadores.
Com a desactivação da Feira Popular, em fins de 2003, o Ministério Público contou mais de trinta milhões gastos em indemnizações aos 200 feirantes que exploravam o espaço - cerca de 20 milhões - e à Fundação "O Século" - dez milhões.
A Câmara pagou para que o espaço ficasse livre e a Bragaparques pudesse continuar a arrecadar dinheiro pela exploração de um parque de estacionamento. Enquanto não existir um novo parque de diversões em Lisboa, a Câmara tem que pagar 2,6 milhões de euros por ano à Fundação, um valor calculado em função do lucro que a Feira Popular dava. Parte deste valor, que faz subir para mais de 40 milhões o valor que a autarquia já pagou desde o fecho da Feira, destina-se a pagar a antigos funcionários do espaço, que por enquanto não fazem nada e esperam ainda por um novo parque de diversões. A nova Feira, que já teve vários destinos apontados por sucessivos executivos, continua no limbo, sem conclusões definitivas quanto ao sítio onde se localizará, o tipo de espaço que será ou o modelo de financiamento a seguir.
Antes da realização do negócio, a Câmara já tinha gasto dinheiro a pensar no futuro do Parque Mayer: em Junho de 2006, quando a autarquia decidiu que o Teatro Capitólio se manteria, o arquitecto norte-americano Frank Gehry, contratado durante a presidência de Santana Lopes, tinha já recebido 2,5 milhões de euros para realizar a maquete do projecto.
A revisão do projecto para manter o Capitólio iria custar mais 120 mil euros. Entretanto, em 2007, o actual presidente da autarquia, o socialista António Costa, descartava "projectos megalómanos" para o Parque Mayer, ficando de parte o projecto de Gehry. Em Novembro passado, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, afirmou que as obras de recuperação do Capitólio deveriam arrancar no prazo de dois anos", estimando que a recuperação do teatro custará "entre 8,5 milhões e 10 milhões de euros", custeados com verbas do Casino de Lisboa."
Lusa, 25/01/2008

20/01/2008

Financiamento suspeito

A Bragaparques financiou a campanha do PSD em Lisboa, em 2005, embora a quantia apurada (20 mil euros) esteja longe do que seria expectável, tendo em conta os volumes em jogo nas permutas de terrenos. Deste modo, a investigação em curso vai continuar. Quanto a benefícios pessoais, o único caso suspeito é o do administrador da empresa, não havendo, neste caso, indícios específicos contra Carmona, Fontão e Gabriela Seara.
Porém, o caso Bragaparques ainda não terminou. Na investigação ao negócio Parque Mayer/Feira Popular, o Ministério Público (MP) encontrou um donativo de 20 mil euros, dos sócios da Bragaparques para a campanha autárquica do PSD em Lisboa, em Outubro de 2005, para o executivo liderado por Carmona e com Fontão como mandatário financeiro.
O MP detectou este donativo na investigação ao negócio do Parque Mayer/Feira Popular, mas decidiu instaurar um inquérito autónomo, que vai agora realizar-se, por suspeita de corrupção para acto lícito de titulares de cargos políticos ou de funcionários.
O donativo terá sido feito através de um cheque do director financeiro da Bragaparques, tendo-se apurado que o dinheiro veio de dois dos sócios da empresa.
Apesar da proximidade das datas - a permuta de terrenos e a hasta pública que permitiu à Bragaparques ficar com a totalidade dos terrenos da Feira Popular foi em Julho de 2005 e o cheque surgiu um mês depois - o MP considerou que o donativo não estará relacionado com este negócio.

17/01/2008

As permutas de terrenos em Lisboa

A escassos dias da audiência preparatória sobre a acção popular para a anulação da permuta dos terrenos do Parque Mayer com a Bragaparques, o departamento jurídico da CML quer (só agora?) saber que posição deve defender em tribunal, para definir a posição da autarquia no processo cível que corre em tribunal e cuja audiência preparatória poderá servir para chegar a um acordo entre as partes.
A nulidade da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular não oferece dúvidas: a CDU “sempre defendeu a nulidade do negócio”. Por isso a CML vai reunir no dia 23 para finalmente acertar a estratégia a defender para a anulação do negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer e de Entrecampos 1.
O caso Bragaparques remonta ao início de 2005 quando a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, a 1 de Março de 2005, à excepção da CDU (PEV/PCP), a permuta dos terrenos do Parque Mayer, da Bragaparques, por parte dos terrenos camarários no espaço da antiga Feira Popular, em Entrecampos.
O negócio envolveu ainda a venda em hasta pública do lote restante de Entrecampos, que foi adquirido pela mesma empresa, que exerceu um direito de preferência que viria a ser contestado pela oposição na autarquia lisboeta 2.
Recorda-se que penas os eleitos municipais de “Os Verdes” e do PCP votaram contra a referida permuta, que obteve o beneplácito de todos os restantes agrupamentos municipais 3. O ‘eventual’ direito de preferência foi também aqui 4 escalpelizado em pormenor.

15/01/2008

Penúltimos capítulos judiciais

O polémico processo ‘Bragaparques’, em que é arguido o ex-presidente da CML e outros dois ex-autarcas, sobre quem recaem suspeitas de prevaricação e participação económica em negócio, está praticamente concluído e o resultado deverá ser conhecido ainda esta semana ou no início da próxima.
Em causa está a permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular e um polémico direito de preferência exercido pela Bragaparques, sem que tivesse sido aprovado pela Câmara e Assembleia Municipais.
O ‘Bragaparques’ foi um dos processos classificados como urgente, em Julho do ano passado, pela procuradora designada pelo procurador geral da República para coordenar os inquéritos à CML e os que surgissem no âmbito da sindicância aos serviços do Urbanismo, concluída no final do ano passado. No entanto, já na altura o inquérito ‘Bragaparques’ estava bastante avançado e os últimos passos foram dados há duas semanas, quando o ex-presidente voltou a prestar declarações no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.
O processo começou por ter cinco arguidos que deixaram os cargos na sequência da investigação: os ex-presidente e vice-presidente, duas vereadoras, e o director municipal dos Serviços Centrais da CML. No entanto, mais três elementos da CML, eventualmente quadros técnicos, foram constituídos arguidos, fazendo subir o número de cinco para oito.
Também a venda, por parte da EPUL, de lotes de terreno no Vale de Santo António sem plano de urbanização e a construção de um empreendimento sem licença na Avenida Infante Santo foram outros casos denunciados à PJ. No final do ano, informações públicas apontavam para mais de 30 inquéritos no DIAP envolvendo a CML.
Também neste caso, o ex-vice-presidente da CML, uma ex-vereadora do Urbanismo e três ex-administradores da EPUL foram acusados de peculato (apropriação de bens públicos) no processo dos prémios de desempenho pagos a administradores, considerando o Ministério Público haver motivos para julgamento.
Ambos os capítulos aparentam aproximar-se do seu epílogo.

16/11/2007

Parque Mayer aguarda indemnizações

Os comerciantes do Parque Mayer voltaram ontem a alertar o vereador do Urbanismo na CML para o facto de continuarem sem receber as indemnizações que, reclamam, lhes são devidas pela Bragaparques, a antiga proprietária do espaço, tendo apenas recebido “a promessa de que a nossa situação está a ser analisada”, afirmou um representante dos comerciantes à margem da apresentação do concurso público de ideias para a requalificação do Parque Mayer.
Recordou depois que a CML devia ter recebido o Parque Mayer, livre de ónus, sem estar ocupado pelos comerciantes, que abandonariam o local mediante o pagamento de indemnizações, no âmbito da permuta deste terreno com parte dos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, propriedade da autarquia. As indemnizações reclamadas pelos comerciantes seriam pagas pela Bragaparques, à semelhança do que a Câmara fez com os feirantes da antiga Feira Popular. Porém, lamentou, “a nossa situação continua por resolver” 1.
Entretanto, a CML abriu ontem um concurso de ideias para o Parque Mayer, abandonando definitivamente o anterior projecto do arquitecto Frank Gehry. O júri deste concurso de ideias será presidido pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira e incluirá um representante da Universidade de Lisboa, outro da Assembleia Municipal, um da Ordem dos Arquitectos, outro da Associação dos Paisagistas e duas personalidades a indicar pela CML. As propostas começam a ser recebidas já na próxima 3ª fª e até 4 de Janeiro 2.
No recinto do Parque Mayer permanecem ainda o Sindicato dos Artistas, três restaurantes e um guarda-roupa.
Recorda-se que no início de 2005 a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, com excepção dos votos da CDU (PEV e PCP), a permuta dos terrenos do Parque Mayer com parte dos terrenos camarários no espaço da antiga Feira Popular, em Entrecampos. O negócio envolveu ainda a venda em hasta pública do lote restante de Entrecampos, que foi adquirido pela mesma empresa, que exerceu um direito de preferência que viria a ser contestado pela oposição na autarquia lisboeta.
Perante suspeitas de ilegalidade, a 1 de Agosto desse ano a CDU fez também uma participação do negócio ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, tendo solicitado a impugnação judicial do negócio 1. A investigação continua, aguardando-se novos desenvolvimentos.
Para os comerciantes, trata-se de uma ‘estória’ que começa a ter barbas ou uma de novela quase sem fim à vista 3.

06/07/2007

Parque Mayer: a ‘novela’ continua

Os comerciantes do Parque Mayer alertaram ontem para os encargos que a CML poderá ter com a reparação de edifícios degradados no recinto, que serão demolidos posteriormente, caso a permuta com a Bragaparques não seja cumprida.
“A Câmara de Lisboa vai ter mais um ónus com a reparação dos edifícios que serão para deitar abaixo”, no âmbito de um projecto de reabilitação", afirmou um dos representantes dos moradores e comerciantes que ainda sobrevivem no espaço. O gerente do restaurante “O Manel”, sublinhou que “há um problema grave que são uma série de edifícios que necessitam de obras urgentes de manutenção”, que podem representar um gasto de “milhões de euros” para a autarquia.
Dois anos depois da escritura da permuta entre os terrenos do Parque Mayer, que pertenciam à Bragaparques, e parte dos terrenos municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular, assinalados nesta quinta-feira, os residentes no espaço aguardam a decisão do tribunal e só desejam que a “permuta seja cumprida na íntegra”. No caso da permuta ser anulada por decisão do tribunal, os comerciantes afirmam que aquilo que os “assusta é voltar a ter a Bragaparques como senhoria”.
Nestes dois anos após a polémica permuta dos terrenos, o Parque Mayer voltou a ser alvo de “promessas” por parte dos 12 candidatos à CML, mas os moradores estão cépticos em relação ao futuro do espaço. “Vamos ver se acaba este desgaste de assistir a uma série de projectos para o Parque Mayer que nunca se concretizam”, acrescentaram.
Para quem for eleito presidente da Câmara de Lisboa a 15 de Julho, os comerciantes lançam um repto: “obrigar a Bragaparques a cumprir a sua parte na permuta”. É que a Bragaparques tem de entregar à autarquia o terreno livres de ónus, nomeadamente indemnizando as pessoas e os estabelecimentos que ainda estão no recinto: duas moradoras, três restaurantes, o Guarda-Roupa Paiva e o Teatro Maria Vitória.

Apelaram ainda à autarquia para não começar as obras de reabilitação do espaço sem estar resolvida a situação dos residentes. “Os comerciantes não vão estar dentro do recinto quando este estiver transformado num estaleiro de obras”. Lembram ainda que o tribunal deu razão aos comerciantes na sequência de uma providência cautelar que obriga o senhorio a manter o espaço em condições de higiene para que os estabelecimentos possam funcionar. Os comerciantes têm “lutado para tentar resistir e atrair clientes”, mas, confessam, que “é difícil arranjar força para continuar”.
“Existe toda esta preocupação com o Parque Mayer, mas as pessoas continuam a pensar que o recinto está fechado e não o procuram”, comentou, rematando: “as pessoas olham para o recinto e só vêem um terreno cheio de carros, uma vez que os estabelecimentos estão escondidos atrás do parque de estacionamento”.
Em declarações anteriores à Lusa, a Bragaparques adiantou que “o compromisso assumido pela P. Mayer é de desocupar o espaço até ao início das obras de requalificação, estando previsto o realojamento dos inquilinos históricos no futuro Parque Mayer”, tendo acrescentado ainda que “o processo de indemnizações tem decorrido desde o momento da aquisição do terreno em 1999 e seguirá nos termos da legislação em vigor”.
Recorda-se que o grupo municipal de “Os Verdes” por diversas vezes tem manifestado pública 1 e institucionalmente 2 a sua preocupação com o lento desenrolar do processo.
Também Ruben de Carvalho, o cabeça-de-lista da CDU, defende a elaboração de um Plano de Pormenor para o Parque Mayer e diz que a defesa do Jardim Botânico não pode ser minimamente posta em causa. “Em relação às soluções que têm a ver com o imaginário e com a componente cultural, eu penso que é muita falta de confiança na capacidade criadora dos arquitectos, dos paisagistas, dos criadores portugueses em encontrar uma solução harmoniosa, de acordo com os interesses da cidade, que não seja um monstrengo arquitectónico, nem o desastre económico que foi, nem o disparate total que foi a permuta, que acabou por ser, além do mais, um dos embustes políticos” 3.

Fonte: Lusa
1. Ver
http://osverdesemlisboa.blogspot.com/search/label/Parque%20Mayer
2. Ver http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=36 e http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/03/ainda-propsito-do-parque-mayer-quase.html
3. Ver http://jn.sapo.pt/2007/07/05/pais/o_parque_mayer_e_candidatos.html

08/05/2007

O que a PJ está a investigar

"Pelo menos 12 dossiers estão na mira das autoridades. Financiamento partidário na mira judicial.
- EPUL I (prémios para os administradores)
- EPUL II (comissões para empresas subsidiárias)
- EPUL III (concursos do Vale de Santo António)
- EPUL IV (pagamentos ao Sport Lisboa e Benfica)
- Bragaparques I (permuta Feira Popular/P.Mayer)
- Bragaparques II (corrupção sobre José Sá Fernandes)
- Bragaparques III (plano de cérceas Av. da República)
- Contratação de assessores na CML
- Contas da Gebalis (empresa municipal)
- Infante Santo (construção sem licença camarária)
- Alcântara XXI (loteamentos sem plano de pormenor)" (Filipe Morais e João Pedro Henriques, DN, 8/5)

Uma grande lista...

04/05/2007

Rombo entre 30 a 40 milhões

O barco camarário tem andado à deriva, embora se afirme que “tal como o comandante de um navio, não serei eu o primeiro a abandonar o barco, nem permitirei que me atirem pela borda fora. Meus caros concidadãos, eu não estou agarrado ao poder...” 1.
O caso mais paradigmático é o do prejuízo para a CML com o negócio da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, que pode ter oscilado entre os 30 e os 40 milhões de euros. Este é pelo menos o valor que terá sido estimado pelas autoridades, através das peritagens pedidas pela Polícia Judiciária e juntas ao processo que agora se encontra no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP).
Segundo o Correio da Manhã, aquele valor foi obtido antes mesmo de as autoridades avançarem para as buscas na autarquia, já que os dados disponíveis eram verdadeiramente díspares. Havia avaliações de nove milhões, 46 e 60 milhões para uma mesma área, o que não permitia à PJ avaliar se teria ou não havido um prejuízo real.
O porquê de ter permitido um negócio aparentemente ruinoso para a autarquia foi um dos temas abordados durante o interrogatório de Carmona Rodrigues, que ontem demorou mais de cinco horas no DIAP e que levou à sua constituição como arguido, por suspeita da prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio.
Para além da permuta está também em causa neste processo a venda de outra parte dos terrenos da Feira Popular em hasta pública 2.
Recorda-se que apenas “Os Verdes” e o PCP votaram contra esta permuta, tendo de imediato apresentado queixa nos tribunais competentes logo no início de Agosto de 2005.

1. Ver www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=804610&div_id=291
2. Ver
www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=241080&idselect=9&idCanal=9&p=200

27/04/2007

Presidente da CML notificado no caso Bragaparques

"Carmona Rodrigues está notificado para prestar declarações no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa na qualidade de arguido, devendo ser constituído formalmente antes do início do interrogatório. Em causa está o processo Bragaparques e a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e os da Feira Popular. O PSD deverá pressionar a demissão, no caso de o autarca ser constituído arguido - tal como fez com Fontão de Carvalho." (DN, 27/4)

25/04/2007

Onde há fumo… alguém sai queimado

Segundo notícia desta última noite, o até há pouco tempo vice-presidente da CML foi constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, num inquérito em que estão a ser investigados crimes como a participação económica em negócio e a prevaricação.
Com mandato suspenso na autarquia desde Fevereiro, depois de se descobrir que havia escondido durante vários meses de toda a gente, incluindo do partido pelo qual foi eleito, a sua condição igualmente de arguido num outro processo, relacionado com a atribuição de prémios de desempenho aos administradores da EPUL. Recorde-se que o vice-presidente, já foi vereador pelo PS e que antes disso teve ligações ao CDS-PP – só interrompeu funções depois de pressionado pela hierarquia social-democrata.
Nas últimas semanas “ameaçava regressar à Câmara de Lisboa, o que estava a criar algum desconforto no PSD”. Apesar de se encontrar com o mandato suspenso, o ex-vice-presidente tem-se deslocado com alguma frequência às instalações camarárias, aparentemente para ajudar a resolver matérias relacionadas com o seu principal pelouro, o das finanças. Restava saber se, perante a sua constituição como arguido num caso de gravidade muito superior aos prémios de desempenho, optaria pela renúncia ao mandato. Tal facto foi já anunciado pelo presidente da CML durante a sessão de ontem da AML.
Quer a Bragaparques quer a CML foram alvo de buscas pelas autoridades, bem como as residências do ex-vice-presidente e das últimas vereadoras com o pelouro do urbanismo, todos do PSD. A troca dos terrenos do Parque Mayer, propriedade da Bragaparques, por cerca de metade dos terrenos camarários onde se encontrava a Feira Popular, em Entrecampos, é um dos negócios sob suspeita. O outro diz respeito ao facto de a autarquia ter concedido direito de preferência à mesma empresa na hasta pública em que foi vendido o resto da área da Feira Popular 1.
“A CDU fez a 1 de Agosto de 2005 uma participação ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, pedindo a impugnação judicial da permuta dos terrenos privados do Parque Mayer com parte dos terrenos municipais de Entrecampos. O processo previa ainda a venda em hasta pública da parte restante dos terrenos da antiga Feira Popular (que não estava incluída na permuta), que viria a ser comprada pela P.Mayer SA, antiga proprietária dos terrenos do Parque Mayer. A empresa, propriedade da Bragaparques, passou assim a deter a totalidade d o espaço do antigo parque de diversões” 2.
Os Verdes” por repetidas vezes têm denunciado a situação. Outras denúncias podem ser consultadas neste blogue, seleccionando (no lado direito da página) a etiqueta “Parque Mayer”.
Quanto às arguições, lá diz o ditado, onde há fumo, há fogo.

1. Ver www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1292105
2. Ver
http://jn.sapo.pt/2007/04/24/ultimas/Font_o_de_Carvalho_constitu_do.html