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20/12/2017

Os Verdes exigem esclarecimentos sobre a extinção do Projecto Refeições Saudáveis na Escola Básica Santa Clara

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes entregou, na Assembleia Municipal de Lisboa, um requerimento relativamente ao Projecto Refeições Saudáveis na Escola Básica Santa Clara.

O PEV teve conhecimento, através de uma denúncia, que o Projecto Refeições Saudáveis, que pretende implementar nas escolas hábitos de alimentação saudável e de redução do desperdício alimentar, foi extinto na Escola Básica Santa, pioneira deste projecto. Para além disso, as refeições escolares deixaram de ser confeccionadas no local por meios próprios para passar a ser contratada uma empresa privada para esse efeito.

Deste modo, o PEV pretende saber qual a razão para o Projecto Refeições Saudáveis ter sido extinto na Escola Básica Santa Clara; qual a avaliação que a Câmara Municipal de Lisboa faz deste projecto; quantas escolas no Município de Lisboa integram, actualmente, o referido projecto e ainda qual a razão para ter sido contratada uma empresa privada para a confecção de refeições na Escola Básica Santa Clara, quando as refeições eram confeccionadas no local por meios próprios.

18/10/2016

Intervenções de Os Verdes na Assembleia Municipal de Lisboa de 18 de Outubro


Sobreda Antunes, dirigente do PEV, apresenta as propostas do PEV na reunião de 18 de Outubro da Assembleia Municipal de Lisboa e afirma:

"a cortiça constitui uma matéria de origem natural que pode ser transformada e reutilizada em inúmeros produtos, desde a construção ao vestuário, entre muitas outras aplicações. Devido ao seu vasto potencial, seria irracional e insensato deitar para o lixo, por exemplo, rolhas de cortiça, uma vez que a sua reciclagem permite contribuir para a preservação do sobreiro e da floresta autóctone portuguesa."
 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV.
 
 
 
Cláudia Madeira, dirigente do PEV, fez uma intervenção sobre a Petição nº 7/2016 - Mudança de Instalações de Serviços Camarários para o Edifício Entreposto e afirma: 
 
"Tirar trabalhadores de um local para outro que, tal como estava projectado, não reunia as devidas condições, e ter que pagar a terceiros por isso, parece-nos, no mínimo, irracional. Esta petição remete-nos para um conjunto de preocupações por parte dos trabalhadores, no âmbito desta transferência, e apresenta dois objectivos principais: a audiência prévia aos trabalhadores e a correcção do projecto para o Edifício Entreposto"

 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV.
 
 
 
Também Sobreda Antunes pronunciou-se sobre a Petição nº 10/2016 - Pelo fim imediato da utilização de herbicidas/glifosato no espaço público de Lisboa e afirmou:
 
"A solução para estes herbicidas terá de passar pela que se tomou sobre o DDT: serem proibidos por causa dos enormes riscos e consequências para o ambiente e a saúde humana, ainda para mais porque as autarquias já têm ao seu dispor a possibilidade de aplicação de métodos alternativos, tanto mecânicos como biológicos"
 
 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV
 
 
 
 
Cláudia Madeira fez uma intervenção sobre a Adesão de Lisboa ao Pacto de Milão - Política Alimentar Urbana, tendo afirmado:

"Do ponto de vista ambiental, são esbanjados recursos naturais para produzir bens alimentares que depois acabam no lixo. Há degradação do solo, saturação de recursos hídricos, perda de biodiversidade, produção de resíduos, gasto de energia, emissão de gases com efeito de estufa, e tudo isto poderia ser significativamente reduzido se não houvesse níveis tão elevados de desperdício."
 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV.
 
 
 
 
Cláudia Madeira, numa outra intervenção, pronunciou-se sobre o Parque Vale Grande e afirmou:
 
"Os Verdes concordam com as recomendações da Comissão à Câmara Municipal, nomeadamente para que a autarquia “apresente um plano que inclua o aumento de equipamentos no Parque Vale Grande”, “verifique o funcionamento dos sistemas de rega automática”, “salvaguarde a segurança no acesso aos lagos”, “fomente a utilização do parque através da programação de eventos” e “seja tomado o máximo partido da potencialidade dos lagos"

 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV.
 
 
 
 
Sobreda Antunes fez uma intervenção sobre a Proposta nº 424/2016 - Adesão do Município de Lisboa às Associações Internacionais EIT Health e.V. e EIT Health InnoStars, tendo afirmado:
 
"É sabido que a maior parte dos idosos, para além de sofrer de isolamento, padece de excesso de peso, e a partir de um estudo muito recente desenvolvido pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, perto de 70% apresentam um elevado défice vitamínico, e onde “apenas 8% estão com níveis considerados normais”. Se o diagnóstico está feito, o que se espera para actuar proactivamente?"
 
 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV
 
 
Finalmente, Cláudia Madeira pronunciou-se sobre o Sistema de Protecção Civil e Segurança em Lisboa e afirmou:
 
"Os Verdes consideram fundamental resolver, com urgência, as situações que deixam o RSB numa situação frágil e precária, onde muitas vezes se torna difícil responder com a eficácia, a eficiência e a segurança necessárias, podendo mesmo colocar em causa o serviço de socorro prestado à população. "
 
 
Leia aqui o texto completo desta intervenção do PEV
 
 

Recomendação “Dia Mundial da Alimentação”


 
O Dia Mundial da Alimentação, que se celebra anualmente no dia 16 de Outubro, foi estabelecido em Novembro de 1979 pelos países membros na 20ª Conferência da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Por esta altura realizam-se habitualmente inúmeras atividades relacionadas com a nutrição e a alimentação, em largas dezenas de países, incluindo Portugal.

Os objectivos desta comemoração radicam na necessidade de alertar para as problemáticas relacionadas com a produção alimentar, a fome, a pobreza e desnutrição no mundo, bem como em encorajar a participação da população mundial na tomada de decisões que influenciem as suas condições de vida.

Para 2016, a FAO escolheu como tema central “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também”, convidando à participação das crianças na ajuda em fazer salientar como as mudanças climáticas tornam ainda mais difícil o desafio de alimentar, face ao aumento da população mundial, quando as estimativas indicam que o número de habitantes do planeta vai superar os nove biliões de pessoas em 2050, estando ameaçados pelas altas temperaturas, as secas e os desastres relacionados com uma meteorologia adversa perante as mudanças climáticas.

Também a OMS, a Organização Mundial de Saúde, recorda que a questão da alimentação está intrinsecamente ligada à da saúde humana. Com efeito, estima-se que mais de um em cada três adultos - cerca de 39% em 2014 - padece de excesso de peso e que a prevalência da obesidade mais do que duplicou desde 1980.

A OMS estimou ainda que 42 milhões de crianças com menos de cinco anos tenham excesso de peso ou obesidade, um aumento de cerca de 11 milhões nos últimos 15 anos e que também o número de pessoas a viver com diabetes tem vindo a aumentar, de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014, estimando-se que a doença tenha sido directamente responsável por 1,5 milhões de mortes só em 2012. Neste contexto, acabou recentemente de apelar à contenção no uso de alimentos calóricos, como forma de reduzir o seu consumo e os seus impactos na saúde, nomeadamente no aumento da obesidade, da diabetes e das cáries dentárias.

Assim, considerando a necessidade de promoção e disponibilização pelos circuitos comerciais e pelos consumidores finais de alternativas alimentares equilibradas e mais saudáveis, como legumes e frutas frescas;

Considerando a pertinência de acções de divulgação sobre alimentação saudável, nomeadamente junto dos mais jovens, e em particular de projectos de combate à obesidade infantil;

Considerando as vantagens do envolvimento dos alunos desde o ensino básico, capacitando-os e educando-os para uma alimentação saudável e a práctica do exercício físico;

Considerando que a oferta de alimentos em espaços escolares deverá constituir um exemplo positivo, evitando o excesso de calorias, de açúcar, de gorduras ou de sal, a par da promoção das actividades físicas.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta dos eleitos do Partido Ecologista “Os Verdes”, delibera:

1 - Saudar as iniciativas públicas encetadas no âmbito do Dia Mundial da Alimentação.

Mais delibera recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que:

2 - Incentive e desenvolva campanhas de saúde pública preventiva, junto dos agrupamentos de escolas básicas do Município, com o apoio de docentes, discentes e suas famílias.

3 - Integre iniciativas governamentais de sensibilização e educação sobre nutrição e acompanhe a promoção de projectos escolares sobre as vantagens de uma alimentação saudável para a saúde humana e de combate à obesidade infantil

4 - Estimule e organize iniciativas municipais que conduzam a uma melhor integração de educandos e famílias em condições de evidente debilidade clínica e de fragilidade dos seus níveis social e económico.

Mais delibera ainda:

5 - Enviar a presente deliberação aos Grupos Parlamentares na Assembleia da República, ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, ao Ministério da Educação, ao Ministério da Saúde, à Câmara Municipal de Lisboa e ao Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.

Assembleia Municipal de Lisboa, 18 de Outubro de 2016

O Grupo Municipal de “Os Verdes
 
Cláudia Madeira                                                        J. L. Sobreda Antunes

07/07/2016

Aprovação da Recomendação sobre o Combate ao desperdício alimentar


 
Na Assembleia Municipal de Lisboa do passado dia 5 de Julho, o PEV escolheu como tema para a sua declaração política o tema do Combate ao Desperdício Alimentar, tendo apresentado uma Recomendação que foi aprovada por unanimidade. Nesse documento, Os Verdes alertam para o facto da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) estimar que, todos os anos, cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no mundo, para consumo humano, serem perdidos ou desperdiçados ao longo da cadeia de produção alimentar.

Esta iniciativa do GM-PEV surge na sequência da aprovação na Assembleia da República, por unanimidade, de um Projecto de Resolução do Grupo Parlamentar de Os Verdes que declarou o ano de 2016 como Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar e por o Município de Lisboa ter aprovado, em 2014, a criação de um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.

Como se prevê que as funções deste Comissariado se extingam no final do ano em curso, a questão que subsiste é depreender qual o nível de capacidade de resposta que a rede local, entretanto criada na capital, vai ou não conseguir perpetuar se, entretanto, não lhe subsistir uma estrutura colaborativa sólida que minimize o desperdício alimentar.

Perante algumas das dificuldades surgidas no funcionamento desta rede entretanto criada na capital, o PEV requereu ao Governo urgência na definição de uma estratégia nacional que configure um plano de acção de combate ao desperdício alimentar, potenciando a articulação de recursos e iniciativas públicas e privadas, bem como que a CML promova o necessário apoio logístico, salvaguardando o bom estado de conservação e dos prazos definidos como de segurança e qualidade, ao longo dos circuitos de distribuição de produtos alimentares. Mais se apelou para que sejam encontradas repostas urgentes para as famílias em condições de evidente debilidade clínica e de fragilidade dos seus níveis social e económico.


Lisboa, 07 de Julho de 2016
Gabinete de Imprensa do Grupo Municipal de Lisboa de Os Verdes

05/07/2016

Intervenção do PEV na Declaração política sobre o "Combate ao Desperdício Alimentar", proferida em 5 de Julho de 2016


 
Os modelos e padrões de produção e de consumo alimentar são uma matéria fulcral para quem age, não apenas sob o princípio da sustentabilidade, como na procura de gerar justiça ambiental e social. Quando falamos de desperdício alimentar, falamos de alimentos destinados ao consumo humano que acabaram por ser inutilizados em quantidade ou em qualidade. Ou seja, esbanjam-se recursos naturais para produzir bens alimentares que depois acabam no lixo, gerando graves impactos ambientais e económicos ao longo das diferentes fases da cadeia alimentar.
Do ponto de vista social é angustiante que se deitem literalmente fora um conjunto significativo de alimentos que poderiam contribuir para satisfazer necessidades básicas alimentares de uma parte da população, perpetuando o empobrecimento, em vez da satisfação das mais elementares necessidades de subsistência.
Esse desperdício verifica-se desde a produção ao processamento, do armazenamento ao embalamento, do transporte aos pontos de venda para consumo. E quanto mais longa for essa cadeia, maior é a probabilidade de desperdício. É preciso perceber, com rigor, as causas que geram esta situação e criar as condições e metas para pôr fim ao problema, envolvendo a sociedade e todos os agentes implicados.
É preciso que o combate ao desperdício alimentar inclua um programa de acção nacional que congregue iniciativas municipais já em curso, como no caso de Lisboa, com ampla participação dos cidadãos e dos agentes envolvidos. É preciso consciencializar os consumidores sobre a diferença entre data limite e data preferencial de consumo. Para além da redução e eliminação do desperdício alimentar, é urgente que se solucionem os problemas estruturais de pobreza, garantindo formas dignas de subsistência das famílias portuguesas.
É necessário sensibilizar para a disponibilização de embalagens mais reduzidas, que se adequem às dimensões dos agregados familiares, bem como promover o princípio da produção e consumo locais, reduzindo fases da cadeia de distribuição.
Há exactamente um ano (3/6/2015), por proposta do GP de Os Verdes, Portugal declarou o ano de 2016 como o ano nacional contra o desperdício alimentar, mas a grande maioria dos princípios aprovados nunca entrou em prática. Entretanto, já no final de 2014, Lisboa criara e reunira pela primeira vez o Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.
Este Comissariado estabeleceu um conjunto inicial de objectivos, tais como criar uma rede citadina de forma sustentável, com a finalidade de optimizar a recolha do desperdício alimentar em tempo útil, alargar a distribuição de excedentes alimentares, recolocando-os nos núcleos familiares, através de uma rede de organizações de voluntariado, que deveriam garantir a distribuição de bens alimentares para doação, em condições de qualidade, higiene e segurança. Estabeleceu parcerias com associações de voluntariado e subscreveram-se protocolos com 23 das 24 Freguesias de Lisboa.
Estas comprometeram-se a participar com um conjunto de iniciativas locais.
1º, criando um núcleo de agentes, composto pelas diversas instituições que actuem no território da sua Freguesia, com condições para oferecer uma resposta alimentar aos residentes.
2º, promovendo, colaborando e facilitando a articulação com as diversas instituições, de modo a optimizar as doações de excedentes alimentares e a sua canalização para a população necessitada.
3º, articulando com o Município e com outros núcleos e restantes instituições, por forma a garantir a qualidade e melhorar a resposta no âmbito das áreas de intervenção do combate ao desperdício alimentar.
4º, contribuindo para um Observatório de Combate ao Desperdício Alimentar.
5º, desenvolvendo, participando e apoiando localmente acções de sensibilização de Combate ao Desperdício Alimentar.
Montada esta rede com voluntários, associações e freguesias, previa-se inicialmente que o Comissariado fosse extinto até Novembro de 2016. Acontece que, inesperadamente, este foi confrontado com algumas recentes dificuldades por ultrapassar, equacionando-se agora o seu eventual prolongamento até ao 1º trimestre de 2017.
Para Os Verdes, a questão que subsiste é: após o encerramento do Comissariado, afinal, qual é a capacidade de resposta que a rede local entretanto criada vai conseguir perpetuar se não lhe subsistir uma estrutura colaborativa sólida que minimize o desperdício alimentar? Que debilidades entretanto sentidas são essas e como as ultrapassar?
Primeiro, de acordo com o representante da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em Portugal, o preço do que comemos está sujeito à oferta e à procura, pelo que, quando se deita comida fora está-se a inflacionar os preços. Verifica-se que se produz em função do lucro e não em função das carências reais das populações. Daí que deveriam ser as necessidades dos consumidores a ditar as formas de produção e não o lucro pelo lucro.
Em segundo lugar, há que sensibilizar todos os intervenientes no processo, incluindo produtores, distribuidores e consumidores, o que extravasa as competências do Comissariado. Neste contexto, é fundamental que o Governo defina, com urgência, uma estratégia nacional que configure não apenas um plano de intervenção, como de educação para a sustentabilidade, tendo em vista a gestão eficiente dos alimentos, ao logo da cadeia de produção e distribuição, orientando campanhas de sensibilização junto dos agentes económicos, dos consumidores e mesmo nas escolas, para se evitar o desperdício alimentar.
Em terceiro lugar, algumas freguesias queixaram-se, recentemente, da deficiente qualidade alimentar dos produtos em doação, pois chegam aos seus destinatários já estragados. Assim, é fulcral não apenas explicar as diferenças entre “consumir antes de” e “consumir de preferência até”, como as sobras de comida terem de cumprir regras de conservação. De acordo com a ASAE, existe mau manuseio e falta de refrigeração, pelo que, para assegurar que os géneros alimentícios são de qualidade, eles têm de passar a contar com um selo de qualidade.
Em quarto lugar, talvez inesperadamente, uma ou outra freguesia deixou de apoiar as equipas de voluntários, rescindindo a cedência de espaços para a recolha e distribuição dos alimentos desperdiçados. Deslocalizadas, estas equipas voltaram a andar com ‘a casa às costas’, montando e desmontando estruturas de apoio à distribuição dos alimentos, o que faz que “com este calor e ao ar livre, o pão endurece muito mais facilmente e não é consumível” e outros produtos se tornem perecíveis, comprometendo a qualidade dos alimentos. São situações nas quais o Comissariado pouco pode intervir, mas que poderão ser ultrapassadas com os devidos apoios governamentais.
Em quinto lugar, há que reconhecer que os produtos alimentícios não podem ser distribuídos independentemente de situações alergológicas e dos casos clínicos dos consumidores, como hipertensão, diabetes, etc., pelo que há que garantir níveis de saúde pública, por meio do acompanhamento clínico dos destinatários dos produtos alimentares.
Em suma, é fundamental esclarecer que, quando estamos a falar de combate ao desperdício alimentar, é preciso que se tenha consciência de que não estamos a falar de meras medidas assistencialistas. Combater o desperdício alimentar não é dar as sobras aos pobres, é antes fazer com que todas as pessoas tenham condições de acesso aos bens alimentares que já existem no mercado.
Mas é também o alertar para regras quanto à retirada de determinados alimentos dos circuitos comerciais, como frutas e produtos hortícolas, onde indevidamente se associam a qualidade do produto ao seu aspecto, dimensão e calibragem, critério que não tem rigorosamente nada que ver com qualidade e que contribui extraordinariamente para grandes lógicas de desperdício alimentar, que têm de ser combatidas. Felizmente, já existem circuitos de oferta da denominada ‘fruta feia’.
Falta, enfim, encontrar respostas sustentáveis para a inevitabilidade da integração de pessoas e famílias em condições de evidente debilidade clínica e de fragilidade dos seus níveis social e económico.
É neste sentido que Os Verdes apresentam a sua recomendação, para que o trabalho inicial coordenado pelo Comissariado não se fique pelo caminho após a sua extinção. Falta agora a sua integração numa rede de apoios de âmbito nacional que lhe dê continuidade.

J. L. Sobreda Antunes
Grupo Municipal de Os Verdes

Recomendação “Combate ao desperdício alimentar”


 
Incluem-se na definição de Desperdício Alimentar “aqueles alimentos que não cumprem o propósito para o qual são produzidos”, sendo eliminados como excedentes, tanto os que ainda se encontram em perfeitas condições de consumo, mas já não são comercializáveis, como os que aparentam encontrar-se sem condições de segurança. De um modo geral, considera-se desperdício qualquer tipo de perda que ocorre na cadeia produtiva dos alimentos, desde a produção até ao seu consumo, incluindo as perdas deliberadas que ocorrem na comida ainda apta para o consumo, seja por rejeição, seja pela sua não utilização.

De acordo com um apuramento efectuado pela FAO em 2011, todos os anos, cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no mundo para consumo humano é perdido ou desperdiçado ao longo da cadeia alimentar. Neste cômputo avalia-se que se desperdiça, anualmente, mais de 1,3 mil milhões de toneladas da produção alimentar, o que representa um valor aproximado de 17% do seu fabrico. Em 2012, calculava-se que a nível mundial cada habitante desperdiçava em média 300 quilos de alimentos. Em 2013 estimava-se, que o total de alimentos desaproveitados representava, aproximadamente, 30% da superfície agrícola útil mundial, com um custo anual de 750 mil milhões de dólares, tendo como base o preço ao produtor.

Tal representa uma contínua e injustificável quebra dos recursos vitais do planeta e na economia das nações, sendo um factor de desequilíbrio ecológico e social, reconhecido como uma das causas do aquecimento global e um importante obstáculo à resolução do problema da fome que ainda aflige mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo, as quais se encontram cronicamente subnutridas, enquanto os baixos níveis de desemprego agravam a possibilidade de obtenção de meios de subsistência.

Na Europa, a constatação da percentagem de alimentos comestíveis perdidos ou deteriorados, ao longo de toda a cadeia alimentar até chegar ao consumidor, conduziu à aprovação de uma Resolução do Parlamento Europeu, em 19 de Janeiro de 2012, na qual se propôs a redução para metade do desperdício alimentar dentro da UE até 2025.

Em Portugal, em Maio de 2014 o Município de Lisboa deliberou, por unanimidade, aprovar a criação de um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, composto por mais de meia centena de entidades e cujas funções inicialmente se previu fossem extintas em Novembro de 2016, sendo intenção da autarquia promover parcerias, não apenas na recuperação dos produtos, salvaguardando a qualidade, higiene e segurança alimentar, como redireccioná-los para o consumo da população mais carenciada.

Ainda no ano passado, a Assembleia da República declarou o ano de 2016 como Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar, na sequência da aprovação, também por unanimidade, do Projecto de Resolução nº 1506/XII, apresentado pelo Grupo Parlamentar do Partido Ecologista Os Verdes.

Assim, tendo em consideração,

Que se desperdiçam alimentos quando existem pessoas e famílias que passam fome;

A possibilidade de existirem cadeias mais curtas entre produtores e consumidores;

A necessidade de se estabelecer uma clara diferença entre produtos perecíveis com data de validade limite e outros com data indicativa sobre consumo preferencial, designadamente, no conhecimento das diferenças entre “consumir antes de” ou data limite de consumo e “consumir de preferência até” ou data preferencial de consumo;

A vantagem de aproximação da dimensão das embalagens às necessidades dos consumidores e de voltar a estimular a venda a granel;

A importância de pugnar por uma segurança alimentar nutricional e saudável;

Nem todos os alimentos podem ser consumidos por qualquer destinatário, devido a problemas fisiológicos particulares ou mesmo alergológicos;

O valor das campanhas de sensibilização junto de produtores, distribuidores e dos cidadãos, em geral, para a importância da diminuição do desperdício ao longo da cadeia alimentar, desde o seu fabrico até ao seu consumo final.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta dos eleitos do Partido Ecologista Os Verdes, recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que:

1 - Sensibilize o Governo para a necessidade da urgente definição de uma estratégia nacional que configure um plano de acção de combate ao desperdício alimentar, potenciando a articulação de recursos e iniciativas públicas e privadas.

2 - Integre iniciativas governamentais de sensibilização e educação para a sustentabilidade, tendo em vista a gestão eficiente dos alimentos, ao logo da cadeia de produção e distribuição, orientando campanhas de sensibilização de agentes económicos e de consumidores para o problema do desperdício alimentar.

3 - Mantenha o necessário apoio logístico, promovendo a salvaguarda do bom estado de conservação e dos prazos definidos como de segurança alimentar, ao longo dos circuitos de distribuição de produtos alimentares.

4 - Pugne, junto dos seus parceiros, pela defesa, reforço e garantia da aplicação de medidas de controlo de qualidade e higiene na distribuição alimentar.

5 - No âmbito dos processos colaborativos em curso, fomente que sejam garantidos níveis de saúde pública, por meio do acompanhamento clínico dos destinatários dos produtos alimentares em distribuição.

6 - Planeie e execute acções que conduzam a uma melhor integração de pessoas e famílias em condições de evidente debilidade clínica e de fragilidade dos seus níveis social e económico.

Mais delibera ainda:

- Enviar a presente deliberação ao Governo, ao Ministério da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República às Confederações de Agricultores, às Associações de Defesa do Consumidor e às Associações Ambientalistas e ao Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar.

Assembleia Municipal de Lisboa, 5 de Julho de 2016
O Grupo Municipal de Os Verdes
 

Cláudia Madeira                                                        J. L. Sobreda Antunes

04/07/2016

Combate ao desperdício alimentar na agenda da Assembleia Municipal de Lisboa por proposta de Os Verdes


 
Amanhã, dia 5 de Julho, a Assembleia Municipal de Lisboa vai debater o combate ao desperdício alimentar por proposta de Os Verdes que elegeram este tema para a sessão de declarações políticas, tendo também entregue uma recomendação, uma vez que se estima que todos os anos, cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no mundo para consumo humano são perdidos ou desperdiçados ao longo da cadeia alimentar.

A Assembleia da República, na sequência da aprovação, por unanimidade, de um Projecto de Resolução do Grupo Parlamentar do Partido Ecologista Os Verdes, declarou o ano de 2016 como Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar.

Também o Município de Lisboa, em Maio de 2014, deliberou aprovar a criação de um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, composto por mais de meia centena de entidades e cujas funções inicialmente se previu fossem extintas em Novembro de 2016.

Desta forma, o PEV pretende que a CML sensibilize o Governo para a necessidade da urgente definição de uma estratégia nacional que configure um plano de acção de combate ao desperdício alimentar, potenciando a articulação de recursos e iniciativas públicas e privadas; bem como que a autarquia mantenha o necessário apoio logístico, promovendo a salvaguarda do bom estado de conservação e dos prazos definidos como de segurança alimentar, ao longo dos circuitos de distribuição de produtos alimentares.
 

Lisboa, 04 de Julho de 2016
Gabinete de Imprensa do Grupo Municipal de Lisboa de Os Verdes