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28/08/2008

Parlamento recorre ao suporte electrónico

A partir da próxima sessão legislativa, os deputados passam a utilizar apenas um formulário electrónico específico para perguntas e requerimentos, o que, segundo o coordenador do grupo de trabalho responsável pelo “Guia de Boas Práticas sobre Requerimentos e Perguntas”, tornará possível perguntas e também respostas “mais objectivas”.
O novo guia esteve em período experimental no final da última sessão legislativa e passará a ser definitivo a partir da nova sessão, que se inicia em Setembro. O novo sistema electrónico de perguntas e requerimentos dos deputados do Parlamento entrará em vigor, a título definitivo, a partir de Setembro e permitirá “uma economia de papel de mais de 60 mil ofícios por ano”.
“Vamos adoptar um sistema ‘sem papel’, em que as perguntas e os requerimentos serão entregues electronicamente, o que vai permitir uma economia de papel de mais de 60 mil ofícios por ano”, pelo que “vão ser distribuídas assinaturas electrónicas aos deputados”, que, dessa forma, poderão fazer perguntas e requerimentos de “qualquer local”, não sendo necessário estar na Assembleia da República.
“Assim é possível comprovar melhor os prazos de resposta, pois caso uma pergunta ou um requerimento seja enviado por engano para um Ministério, esse tem de o devolver à Assembleia da República no prazo de 5 dias”, disse, o coordenador, acrescentando que tal “impossibilita que os documentos sejam esquecidos”.
Quando através das figuras jurídicas da Pergunta e do Requerimento, os deputados interpelam o Governo e a Administração Pública, estas são obrigados, por lei, a responder no prazo de trinta dias (anteriormente, o prazo era de sessenta dias).

Ver Lusa doc. nº 8710848, 27/08/2008 - 13:37

10/08/2008

Volta ao mundo num laptop

Os noticiários abriram há dias, com pompa e circunstância, anunciando o lançamento do “Primeiro computador portátil português”, de nome ‘Magalhães’. Mas não é bem assim. O Magalhães é originalmente o Classmate PC, produto concebido pela Intel no sector dos NetBooks, que surge em reacção ao OLPC XO-1, que foi idealizado por Nicholas Negroponte.
Será, no fundo, um computador montado em Portugal, mais propriamente por uma empresa de Matosinhos. Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto 1.
A RTP refere que é “um projecto português produzido em Portugal”. A SIC refere que se trata de “um produto desenvolvido por empresas nacionais e pela Intel” e que a “concepção é portuguesa e foi desenvolvida no âmbito do Plano Tecnológico”.
Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é verdadeiro. O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel. Chama-se ‘Classmate PC’ e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.
As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o ‘Magalhães’ é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Não é verdade. Felizmente, existem alguns blogues atentos 2.
Na imprensa escrita salvou-se, que se tenha dado conta, a notícia do Portugal Diário: “Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto”. Pelos vistos, apenas o foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.
A ideia é destruir os esforços de Negroponte para o OLPC. O criador do MIT Media Lab criou esta inovação: o portátil de 100 dólares... A Intel foi um dos parceiros até ver o seu concorrente AND ser escolhida como fornecedor. Saiu do consórcio e criou o Classmate, que está a tentar impor aos países em desenvolvimento.
Se não fosse a blogosfera - que o Ministro dos Assuntos Parlamentares ainda não controla - esta propaganda não seria desmascarada. Os jornalistas da imprensa tradicional têm vindo a revelar-se de uma ignorância, seguidismo e preguiça atroz.
Entretanto, a Intel anunciou estar já a trabalhar na próxima geração - a terceira - do seu computador portátil de baixo custo inicialmente destinado às crianças em idade escolar dos países em desenvolvimento, o Classmate PC 3.
O que significa que o ‘Magalhães’, a curtíssimo prazo, ‘já era’. É afinal apenas a globalização de um laptop, que de nacional praticamente nada tem.

1. Ver
http://diario.iol.pt/tecnologia/magalhaes-intel-olpc-socrates/977089-4069.html e http://diario.iol.pt/tecnologia/intel-magalhaes-tecnologia-socrates/977084-4069.html
2. Ver http://blasfemias.net/2008/07/31/outros-nomes-para-o-classmate-pc3. Ver http://ciberia.aeiou.pt/?st=9718

26/06/2008

Reciclagem de lixo electrónico

O principal objectivo da Convenção de Basileia é o de contribuir para a protecção do ambiente e saúde pública no domínio dos resíduos através de um controlo mais rigoroso dos movimento transfronteiriços dessas substancias, e através da sua gestão ecologicamente correcta em aplicação do princípio de que os resíduos devem ser eliminados no país onde são produzidos.
Esta Convenção foi ratificada por sessenta países, incluindo Portugal, (Estados Unidos, Canadá e Austrália ainda não assinaram) e reflecte a resposta da comunidade internacional ao problema causado pela produção mundial anual estimada de 400 milhões de toneladas de resíduos tóxicos, corrosivos, explosivos, inflamáveis, eco-tóxicos ou infectados, o denominado ‘e-waste’.
A eliminação ecológica do lixo electrónico no Mundo, sobretudo a reciclagem de telemóveis e computadores, constituem, por isso, alguns dos principais assuntos em debate na conferência internacional sobre resíduos perigosos, que começou esta 2ª fª em Bali, Indonésia.
Especialistas de cerca de 170 países reúnem-se até ao próximo sábado na capital da Indonésia para encontrar meios mais eficientes para remover os “dejectos electrónicos” no Mundo e analisar a criação de novas leis que abranjam a eliminação ecológica de telemóveis e computadores, cujo tratamento incorrecto tem fortes impactos sobre a saúde humana e o ambiente.
Durante a 9ª Conferência das Partes da Convenção da Basileia sobre o Controle dos Movimentos Transfronteiriços dos Resíduos Perigosos e Sua Eliminação, procurar-se-á também “aumentar a actual proibição de exportação de lixo tóxico para países em desenvolvimento que não tenham infra-estruturas necessárias ou conhecimentos” para realizar um tratamento ecológico desses detritos, segundo a organização do evento.
Segundo a organização não-governamental norte-americana Basel Action Network (BAN), cada vez mais aparelhos electrónicos usados são vendidos e exportados pelas nações mais ricas «para uma suposta reutilização nos países em desenvolvimento”. Porém, a “maioria destes aparelhos não podem ser reutilizados e acabam por ser depositados em grandes lixeiras ou mesmo queimados, o que provoca grandes danos ambientais e para a saúde humana”.
Para combater o problema, a BAN reivindica a introdução global de testes obrigatórios e uma monitorização antes qualquer exportação de lixo electrónico. Os esforços para assegurar o tratamento correcto do chamado ‘e-waste’ são também apoiados por várias outras organizações ecologistas internacionais, como a Greenpeace, que apela aos participantes do encontro para criarem medidas adicionais para tratar da questão do lixo electrónico.
Para a organização, a solução passa pela criação de uma legislação internacional que exija dos fabricantes assumir os custos da reciclagem ecológica dos seus produtos, que poderiam ser incorporados nos preços dos aparelhos.

21/07/2007

Computadores poluentes

O computador pessoal é um gastador de energia e metade da que lhe é fornecida acaba desperdiçada. O aviso é de uma coligação de várias empresas informáticas, a Climate Savers Computing Initiative (Iniciativa Climática para a Poupança Informática www.climatesaverscomputing.org), o World Wildlife Fund e a Agência para a Protecção Ambiental norte-americana, lançada pela Google e pela fabricante de microprocessadores Intel, num esforço de contenção energética e na emissão de gases de efeito de estufa.
O alerta é tanto mais oportuno quanto se calcula que no final de 2008 estejam em utilização mundial mais de mil milhões de computadores, e mais de dois mil milhões em 2015, devido a mercados emergentes como o Brasil, Rússia, Índia e China, responsáveis pela utilização de 775 milhões de novos computadores nessa altura.
A iniciativa pretende conseguir uma eficiência energética de 93% nas fontes de alimentação até 2010 (contra os 80% para este ano) que, “a ser atingida, reduzirá as emissões de gás de efeito de estufa em 54 milhões de toneladas por ano - e fará poupar 5500 milhões de dólares em custos energéticos”. A organização afirma que em 2010 poderá eliminar o equivalente a retirar mais de 11 milhões de veículos das estradas.
Mas há quem veja neste tipo de atitude uma simples estratégia de marketing. Num artigo publicado esta semana na revista ComputerWorld, afirma-se que “há dinheiro na história ecológica”, dado que se essa “história vender, tornando-a ecológica e interessante” para o mercado, “acaba-se por ganhar dinheiro com isso”.
Aí está, a explicação é simples: os gestores apenas compram um produto ecológico se ele permitir reduções de custo e propiciar retorno do investimento. Ou seja, o factor custo é o essencial e não as preocupações com as emissões de dióxido de carbono que sejam produzidas pela electricidade usada nos equipamentos informáticos e de telecomunicações. O lucro sobrepõe-se ao desenvolvimento sustentável.