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21/02/2017

Assembleia Municipal aprova a melhoria das condições de segurança na Estação de Marvila e a implementação do Prémio Mário Cesariny, propostas apresentadas pel` Os Verdes

Hoje, dia 21 de Fevereiro, por proposta do Partido Ecologista Os Verdes, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou, por unanimidade, uma Recomendação relativamente à implementação do “Prémio Mário Cesariny”, de frequência anual, na área da poesia nos anos pares e na área das artes plásticas nos anos ímpares, como forma de prestar uma justa homenagem e de incentivar a criatividade e a produção literária e artística. O prémio literário Mário Cesariny irá contemplar dois escalões: geral e juvenil.

Nesta mesma reunião foi ainda aprovada por unanimidade uma Recomendação do PEV sobre a “Estação de Marvila”. Nela se manifesta a preocupação pelo seu estado de degradação, com máquinas avariadas, falta de iluminação, bem como pela necessidade de melhoramento das passagens de peões que representam riscos para a segurança da circulação ferroviária, bem como dos utentes e, em particular, dos cidadãos com mobilidade reduzida.

Neste documento apela-se para que a CML articule com a Infraestruturas de Portugal a possibilidade de contemplar o urgente melhoramento das duas passagens de peões existentes na Estação de Marvila, no âmbito do Plano de Supressão e Requalificação de Passagens de Nível, que permita uma melhoria do atravessamento pedonal nesta Estação e eliminação da potencial sinistralidade ferroviária.

Foi ainda aprovada uma recomendação do GM-PEV para a melhoria da mobilidade na Rua Xavier Cordeiro, no Bairro Social do Arco do Cego.

20/02/2017

Lisboa: Os Verdes propõem a participação dos trabalhadores nos processos de transferência de serviços municipais, melhoria das acessibilidades e da mobilidade e Prémio Literário Mário Cesariny

Amanhã, dia 21 de Fevereiro, por proposta do Partido Ecologista Os Verdes, a Assembleia Municipal vai discutir os seguintes documentos:

Uma Recomendação sobre a “Estação de Marvila”, como forma de manifestar a preocupação pelo seu estado de degradação, com máquinas avariadas, falta de iluminação, bem como a necessidade de melhoramento das passagens de peões, pois representa riscos para a segurança das pessoas e da circulação ferroviária.

Uma Recomendação “Pela melhoria da mobilidade na Rua Xavier Cordeiro”, no Bairro do Arco do Cego, uma vez que, após a intervenção por parte da CML, esta rua ficou com uma circulação mais rápida e com dois sentidos, além de algumas das sinalizações verticais e horizontais noutras vias do bairro serem contraditórias entre si. Os Verdes propõem, por isso, que a autarquia reordene os acessos e limite os sentidos desta rua, aumentando a segurança, que introduza medidas de acalmia de tráfego e que corrija as sinalizações vertical e horizontal.


Os Verdes reivindicam também, através de uma recomendação, que os trabalhadores devem ser ouvidos desde o início nos processos de transferência de serviços municipais, antes de qualquer tomada de decisão.

O PEV considera inaceitável que estas mudanças sejam apresentadas como factos consumados, exigindo que os trabalhadores sejam envolvidos nestes processos, estudando-se várias alternativas e evitando-se decisões precipitadas, que poderão ter implicações na sua vida pessoal e profissional, assim como na qualidade do serviço prestado.

Por fim, uma Recomendação que propõe que a CML implemente o Prémio Literário Mário Cesariny, de frequência anual ou bienal, contemplando dois escalões, geral e juvenil, por consideramos uma justa homenagem e como forma de incentivar a criatividade e a produção literária.

Recomendação 8/133 (PEV) – Prémio literário Mário Cesariny 
Recomendação 9/133 (PEV) – Estação de MarvilaRecomendação 10/133 (PEV) – Pela melhoria da mobilidade na Rua Xavier Cordeiro
Recomendação 11/133 (PEV) – Pela participação dos trabalhadores nos processos de transferência de serviços municipais

06/08/2009

Associações de editores e livreiros procuram fusão

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e a União de Editores Portugueses (UEP) têm andado de costas voltadas desde a criação desta última.
Até no que se referia à organização das edições da Feira do Livro de Lisboa, as associações não tinham ultrapassado o diferendo que remontava a 1999, quer no que se refere ao modelo de organização da Feira, quer no que respeita ao tipo de expositor (stand), e a CML vinha servindo de intermediário 1.
Até que, no ano passado, foi assinado um protocolo de entendimento entre as partes envolvidas 2.
Agora, pode não se saber se acabarão as divergências entre os editores e livreiros portugueses, mas ontem foi dado o primeiro passo que levará à unificação das duas associações que existiam em Portugal no sector: a APEL já demitiu a sua direcção e a UEP vai fazê-lo até ao final do mês corrente.
A direcção da APEL apresentou ontem a sua demissão ao presidente da mesa da assembleia geral (da Guimarães Editora), com o objectivo de criar condições para a convocação e realização de uma assembleia geral eleitoral, no final do mês de Setembro.
Por sua vez, a UEP irá reunir-se em assembleia geral no dia 31 de Agosto e, nessa altura, a direcção também se demitirá, seguindo a APEL. “Mais tarde serão elaborados os novos estatutos dessa associação”.
Há dez anos que estas duas associações coexistiam e desde há algum tempo que estavam a realizar reuniões preparatórias que levassem à reunificação do sector. A “formalização deste entendimento” passa pela filiação na APEL de actuais associados da UEP, nomeadamente do Grupo Leya 3.

06/11/2008

A Viagem do Elefante é uma metáfora da vida humana

Existiu, no século XVI, um paquiderme indiano que caminhou de Lisboa a Viena, ao qual José Saramago chamou Salomão e cuja história conta no seu novo livro ‘A Viagem do Elefante’, uma metáfora da vida humana, que é hoje lançado.
“O livro narra uma viagem de um elefante que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático que foi oferecido pelo nosso rei D. João III ao arquiduque da Áustria Maximiliano II (seu primo). Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550, 1551, 1552. E, portanto, o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, e o que o livro conta é isso, é essa viagem”.
Apesar das mais de 250 páginas do livro, uma edição da Caminho que estará quinta-feira nas livrarias, Saramago considera-o um conto, e não um romance, “porque lhe falta o que caracteriza em primeiro lugar um romance: uma história de amor -o elefante não conhece uma elefanta no caminho - e conflitos, crises”, argumentou.
Para este novo livro, o escritor não encontrou informação histórica suficiente “para dar consistência a essa viagem, porque alguma coisa teria de acontecer enquanto a viagem durou, e durou meses”, pelo que lhe restou “a invenção, fabricar uma história”.
“Os dados históricos eram pouquíssimos e o que há tem que ver principalmente já com o que se passou depois da chegada do elefante à Áustria. Daqui de Lisboa até lá, não se sabe o que aconteceu. Sabe-se, ou parte-se do princípio de que foi de Lisboa até Valladolid - onde o arquiduque era, desde há dois ou três anos, regente, em nome do imperador Carlos V (de quem era genro) -, que embarcou no porto da Catalunha para Génova e que tudo o que não foi esta pequena viagem de barco foi, como costumamos dizer, à pata”, resumiu.
Teve conhecimento da história “há uns anos, já bastantes”, em Salzburgo, cidade a que se deslocou a convite da universidade e onde foi recebido pela leitora de português.
“Creio que no próprio dia da minha chegada fomos jantar com outros professores a um restaurante que se chamava 'O Elefante'. O simples nome do restaurante não era suficiente para despertar a minha curiosidade, mas a verdade é que lá dentro havia uma escultura relativamente grande representando um elefante e havia, sobretudo, um friso de pequenas esculturas que, entre a Torre de Belém, que era a primeira, e outra de um monumento ou edifício público que representaria Viena, marcava o itinerário do elefante entre Lisboa e Viena. Perguntei-lhe o que era aquilo, ela contou-me e, naquele momento, eu senti que aquilo podia dar uma história”.
Começou a escrever em Fevereiro de 2007, altura em que já estava bastante doente, com um problema respiratório, escreveu “umas 40 páginas” e parou, porque a doença se agravou, e acabou por ser hospitalizado durante três meses, tendo chegado a pensar que não terminaria o livro. Mas recuperou, regressou a casa em Fevereiro deste ano, embora “mal” - “de certo modo, uma sombra de mim mesmo”, observou -, pôs-se logo a escrever e acabou-o em Agosto, no dia 12.
“[Contei esta história] em primeiro lugar, porque me apeteceu, e em segundo lugar, porque, no fundo - se quisermos entendê-la assim, e é assim que a entendo - é uma metáfora da vida humana: este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas”, referiu.
“Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante - que, depois de tudo aquilo, acaba de uma maneira quase humilhante, aquelas patas que o sustentaram durante milhares de quilómetros são transformadas em objectos, ainda por cima de mau gosto - no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso”, defendeu.
Sobre a epígrafe do livro, o prémio Nobel da Literatura português sustentou que esta “é muito clara quando diz 'sempre acabamos por chegar aonde nos esperam”.
“E o que é que nos espera? A morte, simplesmente. Poderia parecer gratuita, sem sentido, a descrição, que não é exactamente uma descrição, porque é a invenção de uma viagem, mas se a olharmos deste ponto de vista, como uma metáfora, da vida em geral mas em particular da vida humana, creio que o livro funciona”, comentou 1.
O lançamento hoje do livro coincide com a estreia em Portugal de ‘Blindness’, filme baseado numa outra obra de Saramago ‘Ensaio sobre a Cegueira’ 2.

1. Ver http://aeiou.visao.pt/Pages/Lusa.aspx?News=200811058975835
2. Ver http://dn.sapo.pt/2008/08/20/artes/saramago_concluiu_a_viagem_elefante.html
Ler ainda http://blog.josesaramago.org