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06/07/2007

Parque Mayer: a ‘novela’ continua

Os comerciantes do Parque Mayer alertaram ontem para os encargos que a CML poderá ter com a reparação de edifícios degradados no recinto, que serão demolidos posteriormente, caso a permuta com a Bragaparques não seja cumprida.
“A Câmara de Lisboa vai ter mais um ónus com a reparação dos edifícios que serão para deitar abaixo”, no âmbito de um projecto de reabilitação", afirmou um dos representantes dos moradores e comerciantes que ainda sobrevivem no espaço. O gerente do restaurante “O Manel”, sublinhou que “há um problema grave que são uma série de edifícios que necessitam de obras urgentes de manutenção”, que podem representar um gasto de “milhões de euros” para a autarquia.
Dois anos depois da escritura da permuta entre os terrenos do Parque Mayer, que pertenciam à Bragaparques, e parte dos terrenos municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular, assinalados nesta quinta-feira, os residentes no espaço aguardam a decisão do tribunal e só desejam que a “permuta seja cumprida na íntegra”. No caso da permuta ser anulada por decisão do tribunal, os comerciantes afirmam que aquilo que os “assusta é voltar a ter a Bragaparques como senhoria”.
Nestes dois anos após a polémica permuta dos terrenos, o Parque Mayer voltou a ser alvo de “promessas” por parte dos 12 candidatos à CML, mas os moradores estão cépticos em relação ao futuro do espaço. “Vamos ver se acaba este desgaste de assistir a uma série de projectos para o Parque Mayer que nunca se concretizam”, acrescentaram.
Para quem for eleito presidente da Câmara de Lisboa a 15 de Julho, os comerciantes lançam um repto: “obrigar a Bragaparques a cumprir a sua parte na permuta”. É que a Bragaparques tem de entregar à autarquia o terreno livres de ónus, nomeadamente indemnizando as pessoas e os estabelecimentos que ainda estão no recinto: duas moradoras, três restaurantes, o Guarda-Roupa Paiva e o Teatro Maria Vitória.

Apelaram ainda à autarquia para não começar as obras de reabilitação do espaço sem estar resolvida a situação dos residentes. “Os comerciantes não vão estar dentro do recinto quando este estiver transformado num estaleiro de obras”. Lembram ainda que o tribunal deu razão aos comerciantes na sequência de uma providência cautelar que obriga o senhorio a manter o espaço em condições de higiene para que os estabelecimentos possam funcionar. Os comerciantes têm “lutado para tentar resistir e atrair clientes”, mas, confessam, que “é difícil arranjar força para continuar”.
“Existe toda esta preocupação com o Parque Mayer, mas as pessoas continuam a pensar que o recinto está fechado e não o procuram”, comentou, rematando: “as pessoas olham para o recinto e só vêem um terreno cheio de carros, uma vez que os estabelecimentos estão escondidos atrás do parque de estacionamento”.
Em declarações anteriores à Lusa, a Bragaparques adiantou que “o compromisso assumido pela P. Mayer é de desocupar o espaço até ao início das obras de requalificação, estando previsto o realojamento dos inquilinos históricos no futuro Parque Mayer”, tendo acrescentado ainda que “o processo de indemnizações tem decorrido desde o momento da aquisição do terreno em 1999 e seguirá nos termos da legislação em vigor”.
Recorda-se que o grupo municipal de “Os Verdes” por diversas vezes tem manifestado pública 1 e institucionalmente 2 a sua preocupação com o lento desenrolar do processo.
Também Ruben de Carvalho, o cabeça-de-lista da CDU, defende a elaboração de um Plano de Pormenor para o Parque Mayer e diz que a defesa do Jardim Botânico não pode ser minimamente posta em causa. “Em relação às soluções que têm a ver com o imaginário e com a componente cultural, eu penso que é muita falta de confiança na capacidade criadora dos arquitectos, dos paisagistas, dos criadores portugueses em encontrar uma solução harmoniosa, de acordo com os interesses da cidade, que não seja um monstrengo arquitectónico, nem o desastre económico que foi, nem o disparate total que foi a permuta, que acabou por ser, além do mais, um dos embustes políticos” 3.

Fonte: Lusa
1. Ver
http://osverdesemlisboa.blogspot.com/search/label/Parque%20Mayer
2. Ver http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=43&Itemid=36 e http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/03/ainda-propsito-do-parque-mayer-quase.html
3. Ver http://jn.sapo.pt/2007/07/05/pais/o_parque_mayer_e_candidatos.html

08/05/2007

O que a PJ está a investigar

"Pelo menos 12 dossiers estão na mira das autoridades. Financiamento partidário na mira judicial.
- EPUL I (prémios para os administradores)
- EPUL II (comissões para empresas subsidiárias)
- EPUL III (concursos do Vale de Santo António)
- EPUL IV (pagamentos ao Sport Lisboa e Benfica)
- Bragaparques I (permuta Feira Popular/P.Mayer)
- Bragaparques II (corrupção sobre José Sá Fernandes)
- Bragaparques III (plano de cérceas Av. da República)
- Contratação de assessores na CML
- Contas da Gebalis (empresa municipal)
- Infante Santo (construção sem licença camarária)
- Alcântara XXI (loteamentos sem plano de pormenor)" (Filipe Morais e João Pedro Henriques, DN, 8/5)

Uma grande lista...

04/05/2007

Rombo entre 30 a 40 milhões

O barco camarário tem andado à deriva, embora se afirme que “tal como o comandante de um navio, não serei eu o primeiro a abandonar o barco, nem permitirei que me atirem pela borda fora. Meus caros concidadãos, eu não estou agarrado ao poder...” 1.
O caso mais paradigmático é o do prejuízo para a CML com o negócio da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, que pode ter oscilado entre os 30 e os 40 milhões de euros. Este é pelo menos o valor que terá sido estimado pelas autoridades, através das peritagens pedidas pela Polícia Judiciária e juntas ao processo que agora se encontra no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP).
Segundo o Correio da Manhã, aquele valor foi obtido antes mesmo de as autoridades avançarem para as buscas na autarquia, já que os dados disponíveis eram verdadeiramente díspares. Havia avaliações de nove milhões, 46 e 60 milhões para uma mesma área, o que não permitia à PJ avaliar se teria ou não havido um prejuízo real.
O porquê de ter permitido um negócio aparentemente ruinoso para a autarquia foi um dos temas abordados durante o interrogatório de Carmona Rodrigues, que ontem demorou mais de cinco horas no DIAP e que levou à sua constituição como arguido, por suspeita da prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio.
Para além da permuta está também em causa neste processo a venda de outra parte dos terrenos da Feira Popular em hasta pública 2.
Recorda-se que apenas “Os Verdes” e o PCP votaram contra esta permuta, tendo de imediato apresentado queixa nos tribunais competentes logo no início de Agosto de 2005.

1. Ver www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=804610&div_id=291
2. Ver
www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=241080&idselect=9&idCanal=9&p=200

27/04/2007

Presidente da CML notificado no caso Bragaparques

"Carmona Rodrigues está notificado para prestar declarações no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa na qualidade de arguido, devendo ser constituído formalmente antes do início do interrogatório. Em causa está o processo Bragaparques e a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e os da Feira Popular. O PSD deverá pressionar a demissão, no caso de o autarca ser constituído arguido - tal como fez com Fontão de Carvalho." (DN, 27/4)

25/04/2007

Onde há fumo… alguém sai queimado

Segundo notícia desta última noite, o até há pouco tempo vice-presidente da CML foi constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, num inquérito em que estão a ser investigados crimes como a participação económica em negócio e a prevaricação.
Com mandato suspenso na autarquia desde Fevereiro, depois de se descobrir que havia escondido durante vários meses de toda a gente, incluindo do partido pelo qual foi eleito, a sua condição igualmente de arguido num outro processo, relacionado com a atribuição de prémios de desempenho aos administradores da EPUL. Recorde-se que o vice-presidente, já foi vereador pelo PS e que antes disso teve ligações ao CDS-PP – só interrompeu funções depois de pressionado pela hierarquia social-democrata.
Nas últimas semanas “ameaçava regressar à Câmara de Lisboa, o que estava a criar algum desconforto no PSD”. Apesar de se encontrar com o mandato suspenso, o ex-vice-presidente tem-se deslocado com alguma frequência às instalações camarárias, aparentemente para ajudar a resolver matérias relacionadas com o seu principal pelouro, o das finanças. Restava saber se, perante a sua constituição como arguido num caso de gravidade muito superior aos prémios de desempenho, optaria pela renúncia ao mandato. Tal facto foi já anunciado pelo presidente da CML durante a sessão de ontem da AML.
Quer a Bragaparques quer a CML foram alvo de buscas pelas autoridades, bem como as residências do ex-vice-presidente e das últimas vereadoras com o pelouro do urbanismo, todos do PSD. A troca dos terrenos do Parque Mayer, propriedade da Bragaparques, por cerca de metade dos terrenos camarários onde se encontrava a Feira Popular, em Entrecampos, é um dos negócios sob suspeita. O outro diz respeito ao facto de a autarquia ter concedido direito de preferência à mesma empresa na hasta pública em que foi vendido o resto da área da Feira Popular 1.
“A CDU fez a 1 de Agosto de 2005 uma participação ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, pedindo a impugnação judicial da permuta dos terrenos privados do Parque Mayer com parte dos terrenos municipais de Entrecampos. O processo previa ainda a venda em hasta pública da parte restante dos terrenos da antiga Feira Popular (que não estava incluída na permuta), que viria a ser comprada pela P.Mayer SA, antiga proprietária dos terrenos do Parque Mayer. A empresa, propriedade da Bragaparques, passou assim a deter a totalidade d o espaço do antigo parque de diversões” 2.
Os Verdes” por repetidas vezes têm denunciado a situação. Outras denúncias podem ser consultadas neste blogue, seleccionando (no lado direito da página) a etiqueta “Parque Mayer”.
Quanto às arguições, lá diz o ditado, onde há fumo, há fogo.

1. Ver www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1292105
2. Ver
http://jn.sapo.pt/2007/04/24/ultimas/Font_o_de_Carvalho_constitu_do.html

02/04/2007

Mais vale tarde...

"A Bragaparques deixou o estacionamento do Parque Mayer ontem [30 Março] à meia-noite, depois de ter recebido um ultimato da Câmara Municipal de Lisboa (CML) a 16 de Março." (DN)

Lá diz o ditado: mais vale tarde....

Contudo, certos problemas permanecem:

"Não são apenas os comerciantes e residentes no interior do recinto do Parque Mayer que esperam por uma solução para os seus casos. Na Praça e Rua da Alegria há um conjunto de imóveis que passaram também para a CML. Entre estes encontra-se o Hot Club Portugal. A maioria espera por um contacto da Bragaparques que, no seu entendimento, terá de os indemnizar para saírem."(DN)

24/03/2007

Dar (tacitamente) o dito por não dito

Na AML de finais de Fevereiro, “Os Verdes” recomendaram à CML que diligenciasse junto da Bragaparques para que esta resolvesse o mais rapidamente possível o que ficou de resolver até à permuta, ou seja, os problemas dos moradores e dos comerciantes do Parque Mayer, e que a Bragaparques abandonasse a exploração do estacionamento, deixando os imóveis “livres de quaisquer ónus e encargos”. Propunha-se também que a CML deveria iniciar um processo negocial com a empresa, de forma a encontrar um valor que esta deveria pagar à CML pela exploração do recinto como Parque de Estacionamento, desde Agosto de 2005 até à saída definitiva do local.
Como é sabido, o PSD (e não só!) decidiu chumbar esta Recomendação.
A Bragaparques mantém a gestão do parque de estacionamento no Parque Mayer, apesar de o terreno pertencer à CML desde 5 de Julho de 2005, dia em que foi assinada a escritura da permuta entre os terrenos do Parque Mayer, que pertenciam à empresa, e parte dos terrenos municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular. Esta situação tem gerado críticas dos moradores e comerciantes que ainda resistem no Parque Mayer, que defendem que o parque devia ser gerido pela autarquia e as verbas utilizadas na recuperação do recinto, cujos edifícios estão em elevado estado de degradação 1.
Deste modo, de novo os comerciantes do Parque Mayer insistiram com a CML para que obrigue a Bragaparques a cumprir o que está estipulado na permuta daqueles terrenos, indemnizando os inquilinos dos restaurantes que ali ainda resistem. Para eles, a pressão deve passar pelo “não licenciamento do estacionamento nos antigos terrenos da Feira Popular” enquanto a sua situação não for resolvida.
Finalmente, no passado dia 15, a CML decidiu-se a notificar a Bragaparques, dando-lhe um prazo para esta sair do Parque Mayer até ao final do mês. A carta enviada pela autarquia refere que, com a permuta dos terrenos, “os prédios urbanos propriedade do Parque Mayer foram transmitidos ao Município de Lisboa livres de quaisquer ónus ou encargos”. Afinal, dando o dito por não dito, parece que este ponto da Recomendação de “Os Verdes” sempre estava correcto.
Questionado sobre porque é que só agora a CML deu ordem de saída à Bragaparques, Carmona Rodrigues disse: “Não houve oportunidade de o fazer antes, andamos ocupados (!?) com outros assuntos” 2.
(Pre)ocupados com reequilíbrios financeiros? Se assim é, porque não exige a CML à empresa um pagamento que a compense pela exploração do recinto desde Agosto de 2005?
Porém, ontem a Bragaparques veio pedir à CML que lhe seja concedido um prazo para abandonar o Parque Mayer, “compatível com a transferência do pessoal e equipamento para o estacionamento provisório” que quer instalar na antiga Feira Popular 3.
Ou seja, desde Julho de 2005 até ao presente, nem a CML tinha tido oportunidade para oficiar a Bragaparques, nem a empresa teve tempo para preparar o abandono dos terrenos do Parque Mayer, onde continua a explorar o parque de estacionamento.
Um acordo tácito muito mal ensaiado e explicado por ambas as partes, que os moradores e residentes na zona não desistem de perguntar até quando se vai arrastar.

1. “Câmara dá prazo de 10 dias úteis à Bragaparques para abandonar P. Mayer”, LUSA notícia SIR-8853584
2. “À espera de indemnização para sair do Parque Mayer” por Marina Almeida, no URL
http://dn.sapo.pt/2007/03/23/cidades/a_espera_indemnizacao_para_sair_parq.html
3. “Bragaparques pede adiamento do prazo” no URL
http://jn.sapo.pt/2007/03/23/pais/bragaparques_pede_adiamento_prazo.html

14/03/2007

Ainda a propósito do Parque Mayer quase que apetece dizer: ele há coincidências

Na última reunião da AML, que teve lugar no passado dia 27 de Fevereiro, o Parque Mayer esteve novamente em discussão. Por boas razões? Para se tentar obter uma resolução pró-activa para o problema dos residentes e dos comerciantes. Como assim?


Uma Recomendação apresentada pelo Grupo Municipal do Partido Ecologista “Os Verdes” trouxe de novo para discussão o tema que representa a maior trapalhada de que há memória na gestão Municipal de Lisboa. Um assunto que era para estar resolvido oito meses após a tomada de posse de Pedro Santana Lopes como Presidente da CML e que seis anos depois ainda não sabemos quando e como será resolvido, mas que entretanto conheceu contornos que envolveram todos os ingredientes para poderemos falar numa verdadeira “novela”, que meteu permutas e hastes públicas, desistências e direitos de preferência, queixas ao Ministério Público e escutas telefónicas, arguidos e suspensão de mandatos, debates específicos e votações singulares, como a do PS e do BE que viabilizaram, na AML, a proposta que conduziu ao negócio. Recorde-se que a direita não tinha, na altura, maioria na AML e que portanto a votação destas duas formações políticas, por mais que digam que não, foi decisiva e indispensável para a sua aprovação.


E o que pretendiam “Os Verdes” com esta Recomendação? Que a AML recomendasse à CML que:
“1. Diligencie junto da Bragaparques, para que esta resolva o mais rapidamente possível, o que ficou de resolver até à permuta, ou seja, os problemas dos moradores e dos comerciantes do Parque Mayer;
2. Tome as medidas necessárias para que a Bragaparques abandone a exploração do Parque de Estacionamento e, no caso da Câmara Municipal optar, ainda que provisoriamente, por continuar a utilizar o espaço para Parque de Estacionamento, que neste seja assegurado um número considerável de lugares para os residentes;
3. Inicie um processo negocial com a Bragaparques, de forma a encontrar um valor que deverá pagar à Câmara, pela exploração do recinto como Parque de Estacionamento, desde Agosto do ano passado até à saída definitiva do local”.
Apenas isto e nada mais e aparentemente estávamos todos de acordo, era portanto matéria aparentemente consensual. Porém durante a discussão na AML, e para espanto nosso, tivemos uma votação também singular, o primeiro ponto foi rejeitado com os votos contra do PSD, a abstenção do PS e do BE e os votos a favor do PCP, CDS/PP e PEV. O segundo e terceiro pontos foram igualmente rejeitados com os votos contra do PSD, a abstenção do BE e os votos a favor do PS, PCP, CDS/PP e PEV.
Mas se a votação é, no mínimo, curiosa, a discussão e os motivos que sustentaram o respectivo sentido de voto são ainda mais curiosos. Concorda-se com o conteúdo e ataca-se a forma, o processo.
E a propósito do processo, convirá referir que um dia antes da discussão na AML, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de S. José, do PSD, que é também Presidente da Comissão Eventual para o Acompanhamento do Processo Parque Mayer (CEAPPM), contactou-me para propor a “Os Verdes” que, estando de acordo com a Recomendação, esta podia ser apresentada em nome da CEAPPM, desde que se retirasse o ponto três. Sem sequer questionar se o Presidente da CEAPPM estaria mandatado pelos membros da CEAPPM, respondi apenas que a Recomendação já tinha sido divulgada para a imprensa, mas que de qualquer forma contactasse o colega da bancada do PEV, Sobreda Antunes, uma vez que eu não estaria presente na sessão da AML.
Nesse contacto e perante a pretensão de “Os Verdes” em manter o ponto três, ficou acertado que a Recomendação seria apenas subscrita por “Os Verdes”, mas que se procuraria uma redacção consensual para que o PSD votasse a favor. Assim, durante a Conferência de Representantes que antecedeu a reunião, “Os Verdes” solicitaram a Mesa à alteração da redacção ao ponto três. Já durante o decurso dos trabalhos da AML “Os Verdes” são confrontados com a notícia, dada pelo próprio PSD, que a sua bancada afinal já não iria votar a favor mesmo com a nova redacção. De imediato “Os Verdes” solicitam à Mesa que seja reposta a versão inicial do ponto três.
Como se isto não bastasse, durante a discussão da Recomendação, eis que o representante do PSD, Presidente da Junta de S. José e também Presidente da CEAPPM, sobe os degraus para tomar a palavra e dizer coisas verdadeiramente fantásticas, que motivaram, aliás, uma intervenção de “Os Verdes” na reunião da CEAPPM do dia 13 de Março, com vista não só a rebater algumas infelizes afirmações, como também para clarificar perante os membros da CEAPPM aspectos que pereciam ter ficado baralhados durante a discussão da Recomendação.
O Sr. Deputado João Mesquita (PSD), sim o mesmo que no dia anterior ao da reunião da AML, concordando com os postos 1 e 2 da Recomendação, e sem ter consultado os restantes membros da CEAPPM, pretendia que a mesma fosse subscrita pela Comissão de que é Presidente, começa a disparar: “...o PSD queria demonstrar que na política havia regras, mas, pelos vistos, os partidos da oposição não entendiam assim”.
Sobre isto convém referir que o facto de haver uma Comissão nunca inibiu, nem deve, a nosso ver, inibir, os Grupos Municipais e os deputados municipais de sobre o assunto continuarem a pronunciar-se ou apresentarem Moções ou Recomendações.
Por exemplo, numa altura em que a Comissão de Educação se debruçava sobre o eventual enceramento da Escola D. João de Castro, foram vários os Partidos que sobre o assunto se pronunciaram e apresentaram Recomendações, sem que a questão da violação das regras fosse levantada. O mesmo se diga da Comissão de Acompanhamento do Euro 2004 e das várias Recomendações que sobre o assunto foram discutidas enquanto durou essa Comissão Eventual.
Portanto, se alguém violou regras foram aqueles que nos obrigaram a procurar um texto alternativo ao ponto três da Recomendação e depois dessa alteração entrar na Mesa nos virem dizer que afinal já não concordavam e que iriam votar contra.
Continua o orador dizendo que a “Comissão estava a preparar uma Recomendação sobre o assunto e que ficou espantado quando viu uma Recomendação isolada, apresentada pelo PEV”.
Porém “Os Verdes” nunca ouviram falar dessa possibilidade, aliás como nenhum dos outros membros da Comissão. Assim como nunca se ouviu falar de compromissos dos membros da Comissão para se absterem de apresentar Recomendações sobre o assunto. E se havia algum compromisso “Os Verdes” ficaram de fora e nem sequer o conhecem.
Também argumentou que não é habitual as Comissões apresentarem Recomendações. Nos 6 anos que tenho de experiência como eleito na AML, nunca me apercebi, de alguma vez alguma Comissão apresentar uma Recomendação à AML. As Comissões normalmente elaboram relatórios ou pareceres e não Recomendações.
Mas afinal acabou por admitir que mais uma vez se tinha enganado, e que quando queria dizer Relatório, disse Recomendação, conforme reconheceu na reunião da CEAPPM.
É importante referir que este engano faz toda a diferença.
Uma coisa é dizer que a CEAPPM decidiu fazer uma Recomendação sobre o assunto, e portanto um partido que faz parte da Comissão vir antecipar-se-lhe, parece pouco correcto; outra coisa é dizer que a CEAPPM vai fazer um Relatório e neste caso não há antecipação ou má fé por parte dos Grupos Municipais que sobre a matéria venham a apresentar Recomendações, porque são instrumentos regimentais de natureza diferente, de diferente alcance e com objectivos e consequências diferentes.
Mas a verdade é que o orador falou em Recomendação e não em Relatório e aquilo que a Comissão tinha, à altura, decidido, era fazer um Relatório e não uma Recomendação. E portanto o que ficou na cabeça de grande parte dos deputados municipais foi a ideia de que “Os Verdes” estavam a agir de má fé.
Aliás um membro da Comissão do PSD confirmou que quando ouviu o seu colega de bancada no início da sua intervenção, até concordou com ele, porque supusera que se a Comissão tinha decidido fazer uma Recomendação, desta forma teria mais força.
Depois, refere o Orador que... “ propusera ao PEV a alteração do ponto nº 3..., só que o PEV insistira que a Recomendação tinha que ser deles”.
Apetece mesmo dizer: Ó Senhor Orador, então haveria de ser de quem? Quem a trabalhou? Quem a apresentou? È que apetece mesmo.
E para além do tom, do tipo “queixinhas” dirigidas à Mesa da AML, a forma como a situação é retratada, também sugere deturpação dos factos. Não seria mais claro ‘justificar-se’ dizendo apenas que o PEV não aceitou a alteração ao Ponto 3 que o Presidente da CEAPPM pretendia, mesmo sem falar com os restantes membros da CEAPPM? Mas aqui não houve frontalidade na intervenção. Já para não voltar a repetir o que atrás se explanou sobre a proposta do PSD para alterar o ponto 3, mas que afinal já não era o que era para ter sido... Enfim, meteu-se os pés pelas mãos.
Insinuando que “Os Verdes” estavam a parasitar, o Orador vai dizendo ”que há partidos que se aproveitam do trabalho feito pela Comissão”.
Agora até apetecia lembrar uma afirmação que o Engº. Carmona dizia há algum tempo atrás: “informação que não circula, não é informação, é segredo”. Apetecia, mas não era adequado, porque de facto da visita que a Comissão fez ao Parque Mayer a única novidade foi que as rendas passaram a ser pagas à CML, porque a Bragaparques comunicou aos inquilinos que o novo senhorio era a CML, e porque esta, como ficou demonstrado, nem a isso se deu ao trabalho.
Mas a questão das rendas não foi intencionalmente colocada nos considerandos da Recomendação exactamente para não misturar a informação vinda por via da CEAPPM. Tudo o resto era, e é, público e notório.
Os Verdes” não começaram a olhar para o Parque Mayer apenas agora. Na verdade, há muito que esta questão é objecto das nossas preocupações. Há 7 anos atrás, por altura dos oito meses após a tomada de posse do então Presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, mais exactamente a 2 de Agosto de 2002, convidamos a imprensa para a inauguração no Parque Mayer da Revista “É só garganta”. Portanto já desde essa altura conhecemos os comerciantes e os moradores do Parque Mayer, os seus problemas, as suas angústias, os seus receios e as suas incertezas.
E esta Recomendação surgiu exactamente porque em conversa com os Comerciantes do Parque Mayer sobre a situação política da Câmara, durante a visita da CEAPPM a 6 de Fevereiro deste ano, concluímos que seria oportuno apresentar uma Recomendação antes da CML entregar os terrenos da Feira Popular à Bragaparques, o que poderia contribuir para que a empresa acelerasse o processo de resolução dos problemas ainda por resolver no Parque Mayer.
Depois de tudo o que fica dito, resta apenas dizer que apresentamos a Recomendação convictos, como continuamos a estar, de que a sua aprovação poderia contribuir para resolver alguns dos problemas do Parque Mayer, sobretudo o dos comerciantes e moradores, mas também o termo do abuso que continua a constituir a usurpação do espaço público pela Bragaparques, que continua a assobiar para o lado e a explorar o parque de estacionamento como se os terrenos fossem seus e como se entretanto não tivesse ocorrido a permuta. Pena é que nem todas as forças políticas assim tenham considerado e tenham rejeitado a Recomendação.
Surpresas na votação? Algumas: desde logo do CDS/PP que votou a favor, mas também do PS que se absteve no ponto 1 e do BE que se absteve em todos os pontos! Parecerá estranho? Talvez não...
É que com o voto contra do PSD, a abstenção do PS no Ponto 1 e a abstenção do BE em todos os 3 pontos, valeu a votação a favor do CDS/PP para produzir uma diferença em relação à votação de 2005. Caso contrário, teríamos uma votação muito idêntica, ainda que inversa, à votação da proposta que deu luz verde ao negócio da malograda Permuta dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, e na qual apenas o PCP e “Os Verdes” votaram contra.
E agora, o que é que apeteceria concluir de novo? Que ele há cá umas coincidências...

José Luís Ferreira

04/03/2007

Afinal o ‘jogo’ foi para prolongamento…

“A Bragaparques já tomou posse dos terrenos da antiga Feira Popular e os feirantes estão a remover os equipamentos. As obras de demolição em curso visam a construção de um parque de estacionamento provisório, disse, à agência Lusa, o director-geral da empresa. De acordo com este responsável, no momento da tomada de posse do espaço, no passado dia 2 de Fevereiro, já a Fundação O Século - que explorava o recinto - e os ex-feirantes se encontravam a remover os seus pertences.
"Esta actividade decorreu com o acordo da Bragaparques e vai durar mais uma semana", afirmou o responsável, indicando que a Fundação deveria ter entregue quarta-feira o terreno limpo, mas houve um atraso. De acordo com o mesmo responsável, a Câmara de Lisboa autorizou, no dia 13 de Novembro, as obras de demolição, que se iniciaram a 15 de Janeiro e que se têm realizado em simultâneo com a remoção dos escombros e limpeza do recinto.
A autorização da autarquia é apenas para as demolições, sendo necessária ainda uma licença para a construção do parque provisório, que será sobretudo de longa duração e terá entre 500 a 600 lugares. A mesma fonte sublinhou que nada do que está a ser feito tem a haver com a construção do polémico projecto imobiliário "não só não há ainda nenhum projecto, como não deu entrada qualquer pedido nesse sentido nos serviços camarários competentes” 1.
A escritura pública de permuta dos terrenos do Parque Mayer com o lote 1 foi realizada em 5 de Julho de 2005 e a do lote 2, 15 dias depois. Recorde-se que a vereadora da Mobilidade garantiu ter enviado uma carta à Bragaparques exigindo a cessação da exploração do estacionamento instalado no Parque Mayer, o que ainda não aconteceu” 2.
Ah! Afinal como se afirmava num outro artigo deste blog “Entre as Brincadeiras no Parque e os Jogos de Feira”, sempre havia um segundo ‘rabo’ por resolver !!

Este ‘jogo’ foi para prolongamento, mas agora com um novo estacionamento “de longa duração” em Entrecampos ! Genial ! A Bragaparques permuta a sua ‘brincadeira’ no Parque, realizando o encontro da 2ª mão em Entrecampos ! Ou seja, ‘joga’ sempre em casa, agora num estádio de “500 a 600 lugares”, perante um mesmo ‘árbitro’ permissivo. Em toda esta ‘never-ending story’ quem continua sacrificado em todo este ‘calvário’ são os moradores e os comerciantes no Parque Mayer. Até quando?
Por todos estes factos, mais do que nunca se justificam os termos da Recomendação de “Os Verdes” à CML na AML de 2007-02-27, para que “diligenciasse junto da Bragaparques, para que esta resolvesse o mais rapidamente possível toda esta situação, tomando as medidas necessárias para que a empresa abandone a exploração do Parque de Estacionamento (no Parque Mayer, e) inicie um processo negocial com a Bragaparques, de forma a encontrar um valor que esta deverá pagar à CML pela exploração do recinto como Parque de Estacionamento, desde Agosto do ano passado até à saída definitiva do local”.
Afinal quem tinha razão sempre foram os residentes e a CDU.

1. Ver o URL http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=24132
2. Ver o URL http://jn.sapo.pt/2007/03/03/sul/feira_popular_ter_estacionamento.html

03/03/2007

Entre as Brincadeiras no Parque e os Jogos de Feira

Ainda sobre os 'fantasmas' da votação na AML de 2005-03-01, onde apenas PEV e PCP votaram contra a permuta dos terrenos de Entrecampos com os do Parque Mayer, estará tudo dito?
Hum…! Aqui ainda há gato escondido com ‘dois rabos’ de fora… Dois rabos? Pois, se subsistem problemas na permuta, só poderá ser na gestão dos dois objectos em causa, neste caso, não apenas no Parque Mayer, como também no espaço de Entrecampos. Eis porque o paradigma do adiamento da definitiva resolução deste contraditório caso nos parece não se ficar por aqui. Senão vejamos.
A vereadora da Mobilidade da CML enviou “uma carta à Bragaparques a dizer para eles saírem de lá”. Terá dado esta ordem de despejo no início do ano, mas a empresa não obedeceu, dizendo que entregará o espaço do Parque Mayer quando a Câmara o desejar. Que estranho entendimento?! Não foi nada disso que pediu a srª vereadora...
A Bragaparques também não esteve disponível para prestar esclarecimentos aos jornalistas. Apenas enviou uma informação escrita à agência Lusa onde, omitindo a carta que a vereadora afirmava ter enviado, replica que “o parque de estacionamento será entregue quando a Câmara de Lisboa o achar conveniente”. Depois, até as declarações prestadas por duas fontes camarárias distintas não são também coincidentes 1.
Foi fácil encontrar um 'rabo', mas onde está o ‘gato’? A advogada da empresa diz que “o parque de estacionamento [do Parque Mayer] será entregue quando a Câmara de Lisboa o achar conveniente” e que a empresa mantém “a gestão do parque de estacionamento porque interessa a todos [aos lisboetas e a quem vive no recinto] que o espaço não fique abandonado” 2. Curioso!? Não é mesmo nada esse o desejo manifestado pelos moradores.
E a advogada adianta, na declaração escrita, que “o processo de indemnizações tem decorrido desde o momento da aquisição do terreno em 1999 e seguirá nos termos da legislação em vigor”, porque o “compromisso assumido pela P. Mayer é de desocupar o espaço até ao início das obras de requalificação, estando previsto o realojamento dos inquilinos históricos no futuro Parque Mayer” 3. Segundo a advogada, existem cerca de 15 situações de ocupantes/inquilinos que serão analisados caso a caso, e nas quais se inserem moradores da Praça da Alegria. Uma fonte do gabinete de Urbanismo da CML também já esclareceu que não cabe à autarquia fazer as indemnizações 4.
E o outro ‘rabo’ do gato? Além do carácter lúdico da sua actividade, a ex-Feira Popular, em Entrecampos, que está encerrada desde Outubro de 2003, contribuía ainda, através das suas receitas, para a obra de acção social da Fundação ‘O Século’ criada em 1998. O apoio a crianças desfavorecidas na Colónia Balnear, em Carcavelos, e a acção junto dos idosos e pessoas com deficiências tinham o seu financiamento através das receitas do recinto recreativo 5. Com o seu encerramento, a autarquia terá passado a subsidiar a Fundação "O Século" em 217 mil euros/ano 6, pois “até à efectiva instalação e laboração do novo parque de diversões, mencionado na cláusula anterior, a CML continuará a garantir à Fundação o pagamento da receita mensal” 7. Será então que a CML ainda mantém instalações da Fundação em Entrecampos?
Donde, se a Bragaparques ainda ‘estaciona’ no Parque, será porque em Entrecampos a antiga Feira não está ainda totalmente liberta de “ónus e encargos”? Que outro tipo de ‘jogos’ na ex-Feira permanece pendente de resolução? Até quando, neste jogo de cadeiras, se permite que uns continuem a ‘brincar’ no Parque e outros a ‘jogar’ na Feira?


1. “Câmaras perdem para a Bragaparques”, JNotícias de 2007-02-16
2. “Bragaparques já não é dona…”, Público de 2007-02-16
3. “Últimos ‘resistentes’ desesperam por indemnização”, Notícias da Manhã de 2007-02-19
4. “Resistentes do Parque Mayer desesperam por indemnização”, Público de 2007-02-19
5. Ver o URL
www.oseculo.org/SGC/index.php e “A Feira da triste sina”, Expresso nº 1789, de 2007-02-10 (?)
6. Ver o artigo “Câmara não garante Feira Popular em Lisboa”, no CManhã de 2005-02-24, no URL
www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=10&id=151277
7. Ver “Adenda ao Protocolo do Acordo” incluída na Proposta da CML nº 100/2005 de 2005-02-25, segundo a qual “O valor compensatório mencionado no número anterior da presente cláusula nunca poderá ser inferior à quantia mensal de € 160.000 (cento e sessenta mil euros), a qual será actualizada anualmente, a partir de Janeiro de 2006”.

O regresso da ‘saga’ Parque Mayer

Como se refere num anterior artigo deste ‘blog’ de há um par de dias atrás, na AML do passado dia 27 de Fevereiro, “Os Verdes” apresentaram uma Recomendação questionando sobre a actual situação do Parque Mayer.
Mesmo depois de no dia 5 de Julho de 2005 ter sido assinada a escritura da permuta entre os terrenos do Parque Mayer, que pertenciam à Bragaparques, e parte dos terrenos municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular, a incerteza em torno do futuro do Parque Mayer, com os avanços e recuos do processo, têm desgastado e desesperado os poucos comerciantes e moradores que ainda resistem no local. Ou até talvez devido a ela mesma, pelas próprias nebulosas vicissitudes dos trâmites da permuta.
Os residentes lamentam por isso o abandono da área que em tempos foi de diversão e boémia, onde a animação de outrora deu lugar a um espaço degradado, com fachadas a cair, ervas, animais errantes e carros estacionados desordenadamente. Têm por isso os últimos ‘resistentes’ do Parque Mayer apelado desde então à CML para pressionar a empresa Bragaparques a indemnizá-los. Com que finalidade? Para que possam abandonar o recinto e pôr fim ao ‘calvário’ que dizem ter vivido nos últimos anos. Duvidando da eficácia dos termos da permuta, afirmam que “há seis anos que vivem nesta agonia” e que são “os principais prejudicados com todo este processo”. Por outras palavras, ao contrário do animado “quarto de brincadeiras” da CML, estão fartos das “Brincadeiras no Parque”.
Os comerciantes e os moradores que ainda residem no Parque Mayer vivem o seu dia a dia com legítimas preocupações e muitas incertezas quanto ao seu futuro. A necessidade de obras urgentes é visível sem grande esforço, pelo que se queixam da falta de segurança e de, apesar dos esforços que têm feito, ninguém lhes assegurar uma resposta para o problema. Têm assim assistido a um constante degradar daquela área, sem ninguém fazer nada. Por sua vez, a Bragaparques, continua inexplicavelmente a explorar o espaço que já não lhe pertence, como parque de estacionamento, como se entretanto não tivesse decorrido a permuta dos terrenos e, ao que se sabe, sem quaisquer contrapartidas para a legitima proprietária do terreno que, desde Agosto do ano passado, é a CML.
Como recorda o representante dos comerciantes, Júlio Calçada, a Bragaparques, que “factura 25 mil euros por mês com o parque e não dá nada à autarquia", até agora ainda não os contactou e lamenta que “cada vez que o Parque Mayer está para avançar, recua (pelo que) isto vai ficar para as calendas”. Para os residentes, a empresa deve entregar à autarquia o terreno livre de ónus, na sequência da permuta realizada há mais de um ano e meio.
Ora o Ponto V da Proposta nº 36/2005, votada na AML do dia 1 de Março de 2005, referente à permuta de terrenos do Parque Mayer e uma parte dos terrenos da antiga Feira Popular, esclarece que “os imóveis são permutados livres de quaisquer ónus, encargos ou responsabilidades”. Todavia, a CML e a Bragaparques procederam à permuta, sem garantir que os imóveis situados nos terrenos do Parque Mayer, se encontrassem libertos dos contratos de arrendamento que a Bragaparques mantinha com os cerca de quinze inquilinos.
Neste sentido, o Agrupamento Municipal “Os Verdes”, recomendou à CML que diligenciasse junto da Bragaparques, para que esta resolvesse o mais rapidamente possível toda esta situação, tomando as medidas necessárias para que a empresa abandone a exploração do Parque de Estacionamento, inicie um processo negocial com a Bragaparques, de forma a encontrar um valor que esta deverá pagar à CML pela exploração do recinto como Parque de Estacionamento, desde Agosto do ano passado até à saída definitiva do local e, finalmente, que, no caso da CML optar por continuar a utilizar o espaço para parque de estacionamento, neste fosse assegurado, em conjunto com a Junta de Freguesia, um número considerável de lugares para os residentes.
A vantagem seria mútua, para a CML e para os residentes.
Mas o inesperado aconteceu e a Recomendação acabou sendo votada ponto a ponto com PCP, CDS e PEV a votarem sempre a favor. O ponto 1 foi rejeitado com os votos contra do PSD e a abstenção de… PS e BE ! Os pontos 2 e 3 rejeitados com os votos do PSD e a abstenção de… BE.
Ah !! Quem diria que passados dois anos o fantasma da votação na AML de 1 de Março de 2005, onde apenas PEV e PCP votaram contra a permuta, ainda subsiste em muitas mentes…!?

28/02/2007

Assembleia Municipal de Lisboa

No passado dia 27 de Fevereiro, o Partido Ecologista "Os Verdes" apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), uma Moção sobre "Segurança no Eixo Norte-Sul" e uma Recomendação sobre o Parque Mayer.
Na Moção, "Os Verdes" recomendam à Câmara Municipal de Lisboa (CML) que requeira à Estradas de Portugal e ao Ministério das Obras Públicas a correcção técnica das imprecisões existentes na referida via, por forma a aumentar as condições de segurança, e que sejam tomadas medidas concretas por forma a solucionar os impactos acústicos do Eixo Norte-Sul.
Quanto à Recomendação, é recomendado à CML que diligencie junto da Bragaparques, para que esta resolva o mais rapidamente possível os problemas dos moradores e dos comerciantes do Parque Mayer e que abandone a exploração do parque de estacionamento existente.
A Moção foi aprovada por unanimidade, enquanto a Recomendação acabou por ser votada ponto por ponto, sendo os resultados:
Ponto 1: Rejeitado com os votos contra de PSD, a favor de PCP, PEV e CDS e abstenção de PS e BE.
Pontos 2 e 3: Rejeitados com os votos contra de PSD, a favor de PS, PCP, PEV e CDS e abstenção de BE.

09/02/2007

Como usar um ‘baralho’ de 57 milhões de €

Recentemente muitas ‘cartas’ e alguns artigos se tem voltado a dar sobre a permuta dos terrenos do Parque Mayer com os de Entrecampos, e os intervenientes Câmara de Lisboa e BragaParques.
Se quase ninguém se tem referido à legalidade da célebre carta que a empresa enviou à CML e esta à AML (excepção feita ao artigo “Discussão sobre um direito de preferência” publicado pelo jornalista José Carlos Mendes no URL
http://carmoeatrindade.blogspot.com/2007/02/lisboa-discusso-sobre-um-direito-de_5130.html e a Margarida Davim com "Serviços decidiram preferência" no Sol), nenhum órgão de comunicação social cita a intervenção do deputado municipal do PEV na última sessão extraordinária da AML do passado dia 6 de Fevereiro.
Para que não restem dúvidas sobre os argumentos apresentados, aqui transcrevemos, na íntegra, essa intervenção do deputado de “Os Verdes” José Luís Ferreira.

“A Assembleia Municipal de Lisboa reúne hoje para proceder a uma reflexão e debater o actual momento do Município ou, mais exactamente, a situação da Câmara Municipal de Lisboa. Era, portanto, o debate que, face às circunstâncias, se impunha, e por isso também o requeremos.
No entendimento de “Os Verdes”, o clima de suspeição que se instaurou no seio do executivo camarário deve-se sobretudo, mas não exclusivamente, às investigações judiciais que estão a decorrer, em virtude de suspeitas de irregularidades e cujo alcance não é ainda conhecido.
Para nós, ao que se está a passar, também não é alheia a opção em continuar com práticas ou políticas do anterior mandato. O mandato que assentava em projectos urbanos de duvidosa razoabilidade, como o Túnel do Marquês, o mandato que nos primeiros 8 meses de gestão reabilitava o Parque Mayer e o mandato que procedia a avaliações de terrenos dispensando os instrumentos que permitiam saber se esses terrenos eram edificáveis e em que moldes.
E se não se trata de uma opção, então teremos que concluir que tem faltado capacidade para sacudir essas políticas e rasgar outro caminho.
Então tem faltado capacidade ou coragem política para cortar com as práticas do anterior mandato, como seja o recurso aos índices máximos de edificabilidade admitidos para cada projecto, ou a perversão dos processos urbanísticos, como o Vale de Santo António, onde a venda de um lote de terrenos e respectivos direitos de construção, colocados a concurso pela EPUL, permitiram ao comprador num único dia, fazer uma mais-valia de 450 mil euros; ou os Planos de Pormenor, no mínimo estranhos como o Alcântara XXI, ou a transformação das regras excepcionais em regra geral, como sucedeu com a Lismarvila, ou ainda as duvidosas alterações simplificadas do PDM que têm permitido a especulação imobiliária por toda a cidade.
A tudo isto acresce o fim da coligação e a consequente perda da maioria no executivo, com o envolvimento de Marques Mendes numa nomeação de Câmara. Por fim, o acentuar do descontrolo da situação financeira do Município, com um aumento da dívida em cerca de 10 vezes mais.
Foram, portanto, a nosso ver, todos estes factores que contribuíram para se chegar ao estado de descrédito generalizado em que se encontra o executivo camarário, mas com o processo dos terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer a merecer, naturalmente, a maior fatia de responsabilidade.
Destaquemos aqui 4 questões:
Qual o destinatário da carta / ofício da Bragaparques;
Qual o artigo do regimento que nos diz que à AML compete votar ofícios, despachos;
Quando é que a CML votou esse ofício (Nunca!);
Porque é que a Bragaparques foi o único concorrente a pedir esclarecimentos.
E sobre esta matéria será útil reafirmar hoje, aquilo que a seu tempo dissemos. Do nosso ponto de vista, a CML não devia ter avançado com o negócio dos terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer sem a prévia aprovação dos Planos de Urbanização para a Avenida da Liberdade e zonas envolventes e do Plano de Alinhamento e Cérceas da Avenida da República: só estes instrumentos permitiam uma avaliação real do valor dos terrenos.
Porém, do nosso ponto de vista, esta Assembleia não concedeu nenhum direito de preferência sobre a aquisição dos terrenos remanescentes da Feira Popular, tão só porque esta Assembleia não vota nem tem de votar ofícios ou qualquer correspondência dirigida ao Presidente da Câmara, e o mesmo ofício não foi votado em Câmara, nem fazia parte da Proposta.
Um processo que os órgãos judiciais, a seu tempo, avaliarão, mas que nos mostrou que foi necessário a Bragapaques solicitar esclarecimentos à Comissão de Hasta Pública para que os outros concorrentes tivessem conhecimento, a nosso ver tardio, do seu direito de preferência, a nosso ver inexistente.
À Empresa Joaquim Gomes devemos o facto da Câmara Municipal ter encaixado nessa hasta pública mais 5 milhões de euros, já que se resolvesse fazer como fizeram as duas empresas que apresentaram os valores mais altos, desistindo, a CML alienava o terreno por 57 milhões de euros e não pelos 62 milhões que a Bragaparques, exercendo o tal direito de preferência, acabou por pagar. E a Câmara nada lhe perguntaria, tal como fez aliás, com as outras duas desistências.
Mas o processo do Parque Mayer começou mal e mal continua. Vejamos:
A CML ficou proprietária do Parque Mayer em Agosto do ano passado; meio ano depois o parque de estacionamento continua a ser explorado pela Bragaparques e pelo que se sabe sem pagar 1 cêntimo à CML. A que título? Porquê? Quanto representa meio ano de pelo menos 100 lugares de estacionamento? Foi quanto a CML deitou fora e até quando não se sabe.
Depois, as rendas dos inquilinos do Parque Mayer referentes a Agosto e Setembro do ano passado foram pagas à Bragaparques, apesar do Parque Mayer já estar na posse da CML, porque esta não se dignou comunicar atempadamente que a partir de Agosto era proprietária e portanto deveriam passar a pagar à CML as respectivas rendas.
Por fim, a CML aceitou o Parque Mayer sem que a Bragaparques libertasse ou resolvesse os problemas das pessoas que exploram os restaurantes. Ficámos a saber ontem pelo Sr. Director Municipal dos Serviços Centrais que a Bragaparques se comprometeu a pagar eventuais indemnizações para libertar os espaços, quando houver projecto. Eventuais encargos que, atendendo ao estado dos prédios onde se situam os restaurantes, serão, já se vê, da responsabilidade da Câmara.
É a defesa do interesse público, com base no osso e na carne, no brinde e na fava. O executivo está a viver maus dias, é verdade! Mas pior está, certamente, Lisboa!
O Sr. Presidente, como diz Pacheco Pereira, “deve ter a consciência de que o PSD, até hoje, na Câmara, só fez asneiras...” e estas asneiras, agora dizemos nós, estão na origem desta situação, da qual é preciso fugir, mas é também preciso que o Sr, Presidente nos diga como vai fazê-lo.
Este impasse, esta incerteza, este silêncio não beneficia ninguém e, principalmente, não beneficia Lisboa nem as pessoas que cá vivem ou trabalham. E se alguma utilidade podemos retirar destas asneiras, é aprender com elas para as podermos evitar no futuro”.

De facto, quando na hasta pública a BragaParques se apresentou com uma “carta na manga”, brandindo um “trunfo” de 57 milhões de €, foi apenas porque a Câmara de Lisboa lhe concedera uma “carta fora do baralho”.