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17/06/2014

Intervenção sobre os documentos apresentados no PAOD, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa de 17 de Junho de 2014



«Os Verdes» trazem hoje à Assembleia Municipal três recomendações e uma saudação.

A recomendação sobre a Estação Fluvial Sul e Sueste pretende que esta estação, no Terreiro do Paço, seja requalificada.

Relembramos que este edifício está classificado como Monumento de Interesse Público por ser um exemplar pioneiro da arquitectura modernista em Portugal.

Ora, existe um Projecto de Requalificação do Espaço Público junto à Estação mas, neste momento, as obras de reabilitação da estação encontram-se suspensas e as obras de requalificação do espaço público envolvente ainda não se iniciaram. Isto faz com que o edifício esteja ao abandono e muito debilitado, até porque a sua estrutura sofreu deformações e assentamentos resultantes das obras que decorreram mesmo ao lado.

Assim, propomos que o executivo Lisboa diligencie no sentido da reabilitação e do reforço estrutural do antigo edifício da Estação Fluvial Sul e Sueste e da requalificação do espaço público envolvente.

A recomendação sobre o Jardim do Príncipe Real pretende que este jardim, assim como outros jardins emblemáticos da cidade, sejam preservados.

O Jardim do Príncipe Real é emblemático, possui árvores classificadas, e nesta zona localizam-se também as galerias do Aqueduto das Águas Livres.

Em 2009, o processo de requalificação deste jardim foi muito contestado devido ao facto de se substituir canteiros de flores por relvados que não conseguem nascer, de se arrancar as sebes, de se ter abatido quase 50 árvores, muitas delas de grande porte, e devido ao material utilizado para revestir o piso do jardim, que levantava imenso pó, representando um perigo para a saúde pública e para as próprias árvores.

Como se tudo isto não bastasse, há agora uma empresa que se encontra a fazer perfurações na Praça do Príncipe Real, para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo.

Já anteriormente tinha havido projectos de construção de um parque de estacionamento para esta zona, mas acabaram por nunca ser concretizados pois obtiveram despachos desfavoráveis da Direcção Geral do Património Cultural por estar em causa a integridade e a salvaguarda da Patriarcal e respectivo sistema de condutas, entre outras questões.

Esta recomendação que «Os Verdes» apresentam pretende evitar mais um ataque contra este jardim, uma vez que a construção de um parque de estacionamento vai pôr em risco o debilitado coberto vegetal, interferindo com a circulação de água no solo, assim como aumentará a pressão sobre toda a zona do jardim, devido à sobrecarga de tráfego, com implicações graves ao nível da qualidade ambiental.

A agravar esta situação temos ainda o facto de, com esta construção, não ser respeitado o regime de protecção associado ao Reservatório da Patriarcal, classificado como Monumento Nacional, e inviabilizará qualquer candidatura do Aqueduto das Águas Livres a Património Mundial, além de se pôr em risco a segurança e estabilidade de um conjunto de edifícios centenários que circundam a Praça.

Propomos, portanto, que a autarquia preserve o Jardim do Príncipe Real, diligenciando no sentido da suspensão de qualquer intervenção naquele espaço com vista à construção de parques de estacionamento e demais intervenções que coloquem em risco o património desta zona, procurando uma alternativa de estacionamento noutro local.

A recomendação sobre o Hospital Pulido Valente visa, basicamente, propor que que o executivo diligencie junto do governo no sentido da suspensão do processo de encerramento de serviços deste hospital e da reposição dos serviços entretanto encerrados.

Isto, porque o Hospital Pulido Valente tem sido alvo de um desmantelamento e de encerramento de alguns serviços, como é o caso da cirurgia geral, fazendo com que os utentes sejam encaminhados para o Hospital de Santa Maria. O que, por sua vez, faz com que as listas de espera sejam mais longas e que haja uma incapacidade de resposta desta unidade, que acaba por não conseguir comportar todos os novos utentes.

Não é possível nem desejável cortar mais no sector da saúde, uma vez que o Serviço Nacional de Saúde tem cada vez mais dificuldade em responder às necessidades das populações.

A verdade é que a retirada de valências do Hospital Pulido Valente não traz qualquer vantagem e não está a melhorar o acesso dos utentes aos cuidados de saúde que necessitam, antes pelo contrário.

Por fim, «Os Verdes» apresentam uma saudação à concentração contra a privatização da EGF que teve lugar no dia 6 de Junho, em frente à Assembleia da República.

Perante os perigos e as consequências desastrosas que esta privatização poderá trazer, um conjunto de sindicatos, autarquias e associações de utentes apresentaram um manifesto contra a privatização da EGF e anunciaram a realização desta concentração, que pretendemos saudar, pois só com uma gestão pública, próxima das populações, de qualidade e democrática, o sector dos resíduos conseguirá contribuir para a sustentabilidade ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida das populações.

Saudamos, assim, todos os participantes na concentração de 6 de Junho e todos os que têm lutado contra este processo, exigindo a gestão pública dos resíduos, a suspensão do processo de privatização da EGF, a defesa dos serviços municipais, dos postos de trabalho e dos direitos. 

14/04/2014

“Resíduos e privatização da EGF” - Jornadas Parlamentares de “Os Verdes” terminam amanhã em Setúbal

Depois de hoje, 14 de Abril, reunir com a Câmara Municipal de Lisboa, com a Comissão Sindical da Valorsul e também com a Quercus, o Grupo Parlamentar “Os Verdes” prossegue amanhã, dia 15 de Abril, as suas jornadas parlamentares sobre o tema “Resíduos e privatização da EGF”de acordo com o programa:

15 de Abril – Loures e Setúbal
10.30h - Reunião com a Associação de Defesa do Ambiente de Loures (no Cine-teatro, em Loures)
12.00h – Reunião com a Comissão Intersindical da Amarsul, no Seixal (Ecoparque da Amarsul, Alto dos Carrascos, Corroios, Vale de Milhaços)
14.00h – Reunião com a Câmara Municipal de Setúbal, em Setúbal – Paços do Concelho
15.30h – Conferência de Imprensa no Jardim da Beira Mar, frente à sede do Parque Natural da Arrábida, em Setúbal, para dar conta das conclusões das Jornadas Parlamentares e do seu seguimento parlamentar

O Grupo Parlamentar “Os Verdes”,
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 -  imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt
Lisboa, 14 de Abril de 2014



08/04/2014

Resíduos sólidos urbanos: Declaração política da deputada municipal do PEV, Cláudia Madeira

Sr. Presidente em exercício, Sras. Secretárias,
Srs. Vereadores e Srs. Deputados,

Os Verdes” escolheram como tema da sua declaração política os resíduos sólidos urbanos e a imperiosa defesa da sua manutenção na esfera pública.

Já trouxemos este assunto a esta Assembleia através de uma moção, no entanto, devido à importância deste sector estratégico e porque consideramos grave a intenção de privatização por parte do Governo, resolvemos voltar a trazer esta matéria a discussão.

Para Os Verdes este sector é fundamental para o desenvolvimento do país, pelo que o tratamento de resíduos deve ser adequado, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida das populações.

Só com uma gestão pública, de qualidade, democrática e próxima da população, estes serviços cumprirão o seu papel de garantir e proporcionar bem-estar às actuais e às futuras gerações.

Porém, ignorando e contrariando estes princípios, o Governo, numa lógica mercantil, decide privatizar este sector e, desta forma, no dia 30 de Janeiro foi aprovado em reunião de Conselho de Ministros, e já posteriormente promulgado pelo Presidente da República e publicado em Diário da República (Decreto-Lei 45/2014 de 20 de Março), o processo conducente à privatização da Empresa Geral do Fomento, S.A. (EGF). Processo esse que tem um objectivo claro: reduzir o papel dos municípios na gestão destes serviços, permitindo a sua privatização e criando um oportunidade de negócio.

A EGF é uma sub-holding do Grupo Águas de Portugal e tem por missão contribuir para o aumento da qualidade de vida e do ambiente, através da resolução da problemática dos resíduos sólidos urbanos, promovendo o seu adequado tratamento e valorização.

A gestão dos sistemas de tratamento e valorização de resíduos é feita através de onze empresas concessionárias - onde se inclui a VALORSUL, sistema multimunicipal que integra Lisboa -, constituídas em parceria com os municípios servidos, que processam 3,7 milhões de toneladas de resíduos por ano, produzidas em 174 municípios, servindo cerca de 60% da população do país, o que corresponde a 6,4 milhões de habitantes.

A EGF é, somente a título de exemplo, responsável por 52% do total dos materiais de embalagem encaminhados para reciclagem através da Sociedade Ponto Verde.

A EGF e a VALORSUL são actualmente empresas rentáveis, construídas com capitais públicos, e estratégicas do ponto de vista de políticas ambientais.

A anunciada privatização, a concretizar-se, representaria um recuo nos níveis dos serviços prestados, um aumento do preço cobrado à população pela prestação destes serviços, impactos ambientais negativos e a diminuição de postos de trabalho.

Este processo prevê delapidar o património estatal, entregando a privados um sector de alta rentabilidade, perdendo-se, assim, um serviço público estratégico, com claros prejuízos para os cidadãos.

É evidente que a privatização da EGF e consequentemente da VALORSUL, sua concessionária, não será, nem de perto nem de longe, positiva nem para o país, nem para o município de Lisboa.

Além de todos estes impactos negativos, este processo está a ser gerido sem qualquer transparência, pois os municípios accionistas da EGF nem sequer foram ouvidos, além de alterar as condições e os pressupostos que estiveram na origem da adesão dos municípios, desrespeitando os seus accionistas e principais clientes. Ou seja, os municípios transferiram as suas obrigações legais para uma empresa pública de capitais públicos, mas eis que se deparam agora com esta intenção de privatização, sem serem consultados e sendo deliberadamente afastados.

Como se tudo isto ainda não bastasse, o Governo pretende que os municípios cedam as suas participações aos grupos privados interessados, mas não prevê que possam adquirir os 2% necessários para se tornarem detentores da maioria do capital social, 51%.

Quer isto dizer que é retirado poder de intervenção aos municípios, afastando-os do poder decisório, em mais um claro ataque ao poder local democrático.

Não temos dúvidas de que este processo, se não for travado, vai passar primeiro pela privatização da EGF, mas que culminará, se nada fizermos, na privatização de um Direito Humano Fundamental, a Água, o que é totalmente inadmissível.

No combate e contestação a esta privatização, congratulamo-nos com uma posição conjunta dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa aprovada por unanimidade, manifestando-se dispostos a desenvolver as acções para manter na esfera pública a VALORSUL e a AMARSUL.

A própria Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) veio negar qualquer articulação com o Governo no âmbito da reestruturação do sector dos resíduos urbanos, chegando a considerar desleais os termos do preâmbulo do Decreto-Lei 45/2014.

Perante tudo isto, e porque “Os Verdes” defendem que a recolha, tratamento e valorização dos resíduos sólidos urbanos deve manter-se sob gestão pública, consideramos importante que se reforce a posição contra o processo de privatização da Empresa Geral do Fomento e que se exija que um serviço desta importância se mantenha na esfera pública.

Reafirmamos que a água, os resíduos e o saneamento consubstanciam serviços públicos essenciais sem os quais um conjunto de valores seria posto em causa, como a solidariedade, a equidade, a coesão social e territorial e a qualidade de vida.

Condenamos a postura de desrespeito e de deslealdade do Governo para com os municípios, que não serve os interesses do serviço público e das populações, tal como consagrado na Constituição da República Portuguesa, logo, como seu dever.

Dizer ainda que acompanharemos as acções que se promovam em defesa da manutenção dos resíduos sólidos urbanos na esfera pública, assim como acompanhamos a campanha nacional lançada pelo STAL - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local - em defesa do sector público de resíduos, contra a venda da EGF.

Por fim, terminamos esta declaração política saudando a luta dos trabalhadores que lutam pelos seus postos de trabalho e por um serviço público de qualidade.


Grupo Municipal de “Os Verdes
Assembleia Municipal de Lisboa, 8 de Abril de 2014