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18/01/2012

Intervenção da Deputada Municipal do PEV, Cláudia Madeira, sobre o Orçamento de 2012 e Grandes Opções do Plano 2012- 2015

Sr.ª Presidente, Sr. Presidente, Srs. Vereadores e Srs. Deputados

Em primeiro lugar, importa ter presente que o ano de 2011 veio confirmar as preocupações e críticas que o Grupo Municipal do Partido Ecologista “Os Verdes” apresentou há sensivelmente um ano, quando discutimos o Orçamento da Câmara Municipal de Lisboa para 2011 e as Grandes Opções do Plano para 2011-2014. Pouco realista, dificilmente concretizável e repleto de opções erradas.

Mas, falando do Orçamento para 2012 de quase 912 milhões de euros, será que alguma coisa mudou de um ano para o outro? Com ligeiras alterações, continuamos a encontrar os mesmos problemas. Ou melhor, as mesmas opções e operações, mas cujos resultados serão ainda piores, pois prevê-se que este ano seja ainda mais difícil.

O executivo apresenta-nos 130 milhões de euros não facturados e não pagos, o que compromete os valores apresentados, havendo logo à partida uma verba que não está disponível.

Há um aumento de 11 milhões de euros na taxa de ocupação de via pública e não se percebe como é que se espera encaixar estas verbas, tendo presente o comportamento de 2011. Também as taxas e multas têm um aumento de 16,4%.

É expectável que haja um abrandamento da economia da cidade, devido à situação que o país vive, o que fará, consequentemente, que haja também uma diminuição da receita municipal, mas esse facto parece ter sido deixado de fora e não parece preocupar minimamente o executivo.


Espera-se uma receita extraordinária de cerca de 91 milhões de euros, provenientes do Fundo de Investimento Imobiliário, e de cerca de 105,6 milhões com a venda da rede de saneamento à EPAL.

“Os Verdes” opõem-se a esta operação com a EPAL pela sua natureza, considerando que será mais um ataque aos serviços municipais. É condenável esta política de desinvestimento que o Partido Socialista insiste em prosseguir.

Também temos algumas preocupações em relação à qualidade dos serviços que poderão vir a ser prestados pela EPAL, uma vez que esta área não se enquadra nos seus conhecimentos e experiência.

Será também importante termos conhecimento se esta operação, a avançar, terá implicações em relação ao aumento dos custos a pagar pelos munícipes.

Tudo isto está envolto numa incógnita, como se vai fazer o negócio, o que é possível ser feito, qual a capacidade da EPAL para assumir esta responsabilidade, dai encontramos a tarifa de saneamento calculada no valor de 25,3 milhões de euros. Mas se se vende a rede de saneamento, continua a obter-se, ao mesmo tempo, a receita desta tarifa? Não.

Depois, para o ano de 2012, deixa de estar previsto qualquer pagamento à SIMTEJO, com base na intenção do negócio com a EPAL, que não passa de uma intenção. Ora, se esta operação não se concretizar, ou mesmo que se concretize, a realidade é que até se transferir o encargo que se paga à SIMTEJO para a EPAL, é que isto tem lógica. Caso contrário, o que faz a Câmara? Não paga?

Por outro lado, também o Fundo de Investimento Imobiliário, outra fonte de receita extraordinária, nos levanta dúvidas e objecções, a nível dos terrenos a alienar e pelo facto de a Câmara ser um parceiro minoritário neste Fundo de Investimento Imobiliário. Depois, é a própria sociedade gestora do Fundo que assume que em 2012 dificilmente serão atingidos os objectivos propostos, face à actual conjuntura económica.

E não é certamente a especulação imobiliária que vem resolver os problemas de habitação de Lisboa!

Além de discordarmos destas medidas pelos seus princípios e objectivos, a sua concretização e realização não são certas.

Diz igualmente o executivo que estas receitas extraordinárias permitirão amortizar a dívida, o que também trará uma eventual poupança nos juros e, assim, conseguir-se-á disponibilizar o valor de 22 milhões de euros para investimentos.

Gostaríamos de saber quais serão estes investimentos prioritários, tal como também gostaríamos de saber caso não se concretize esta operação tal como a CML prevê, o que acontece a estes investimentos prioritários? Simplesmente não se fazem, e ficam por fazer, ou onde se prevê ir buscar as verbas necessárias? Ou a CML está tão confiante de que conseguirá estas receitas? É que todos os factores nos levam a acreditar no contrário.

Também a expectativa em relação à alienação de património, designadamente ao nível da habitação, é demasiado elevada, esperando-se 8,9 milhões de euros, portanto, mais 1,6 milhões do que no ano anterior. E isto, quando a execução foi baixíssima. Como se justifica agora este aumento, quando a prática nos tem mostrado que as operações desta natureza ficam muito aquém do que a CML prevê?

O executivo apresenta também a intenção de recorrer mais ao insourcing do que ao outsourcing, uma vez que até aqui o que temos tido é um exagero de recurso a empresas externas, era uma prática constante, como se não houvesse alternativa a esta situação, e isto quando temos recursos e capacidade interna para o fazer. “Os Verdes” sempre defenderam esta questão, tanto nas discussões dos Orçamento, como através de várias propostas ao longo dos anos.

O problema aqui reside no facto de a CML dizer que tem esta intenção, mas a realidade é que, se olharmos para o Mapa de Pessoal encontramos uma redução no número de postos de trabalho propostos em 1086 lugares, que somando à redução já realizada em 2011 perfaz um total de cerca de 1450 postos reduzidos. Por isso, questionamos que serviços considera o Executivo necessários manter sob a sua direcção e recorrer aos seus trabalhadores? Certamente não serão os Espaços Verdes, pois damos como exemplo o caso dos jardineiros onde na actualização do Quadro de Pessoal passam de 408 Assistentes Operacionais para 235, sem haver vagas a ocupar nesta categoria. E que dizer da redução de lugares previstos para cantoneiros da limpeza? Em 2011 estavam previstos 1660 lugares e agora a Câmara prevê serem necessários 1481. Durante a discussão da reorganização e reestruturação dos serviços municipais há 1 ano, “Os Verdes” foram contra aquela proposta, considerando que facilitava a privatização de serviços e que a forma encontrada pelo executivo de arrumar a casa foi claramente o seu esvaziamento. E com o Quadro de Pessoal proposto sabemos onde se esvaziou, foram os coveiros, os viveiristas, os bombeiros, os auxiliares de acção educativa, entre outros. Pois com esta diminuição de trabalhadores em serviços tão necessários como a higiene e limpeza da cidade, manutenção de espaços verdes e espaços públicos e a segurança, tememos que, mais uma vez, quem perde são os munícipes e todos aqueles que trabalham e visitam Lisboa.

Também as verbas para as Juntas de Freguesia diminuíram 10% na componente dos 3 F’s – Fundo de Financiamento das Freguesias. Quer dizer, o executivo pode dizer-nos que houve um aumento da verba a nível da transferência de competências. Mas a Câmara está a transferir tarefas até aqui da sua competência, para as Juntas de Freguesia, logo, estará a pagar por essa transferência. Caso contrário, teríamos as Juntas de Freguesia apenas a acumular mais responsabilidades e competências, sem haver um reforço dos meios financeiros para o fazerem.
Ou seja, convém que fique claro que este aumento de verbas se justifica em si pelo reforço das competências.

Esta diminuição de 10% representa mais ou menos um milhão de euros, o que, pensando em cada uma das freguesias da cidade de Lisboa, trará graves consequências. Razão pela qual estamos em total desacordo com esta redução e consideramos que estamos perante um sério problema. E aliás, qualquer Presidente de Junta de Freguesia, independentemente da sua cor política, não poderá ver esta questão com menor preocupação e indignação, porque representará fortes constrangimentos ao funcionamento das freguesias da cidade, pondo em causa a sua capacidade de intervenção, os projectos, e os serviços de proximidade.

Sobre o PIPARU, Sra. Vereadora e Srs. Deputados, sejamos realistas e sérios, nesta altura não nos parece que, olhando para a sua baixíssima taxa de execução em 2011, que pouco passou dos 6 milhões, ainda se acredite nos 111 milhões propostos para este ano.

Sobre as Grandes Opções do Plano, e mesmo compreendendo que não haja mudanças estruturais todos os anos, pois este documento reflecte o programa eleitoral com que o Partido Socialista concorreu e foi eleito, é de referir que era necessário proceder a determinadas alterações e ajustes.

Salientamos também o facto de estes documentos não serem consistentes com a proposta de orçamento que nos é apresentada.

Sabemos que estas são as opções políticas e as prioridades desta maioria, não são as nossas, daí traduzirem o plano de intenções do executivo para os próximos anos.

Mas, pelo menos, poderia ter havido um esforço no sentido de adequar estes documentos ao orçamento, principalmente quando, nesta assembleia, aquando da discussão dos anteriores orçamentos, esta questão tem sido constantemente levantada por vários grupos municipais.

No Plano de Actividades também há um conjunto de medidas que se encontram dispersas, e encontram-se incluídas em pontos distintos, comparativamente com o anterior, o que nos leva a ter algumas preocupações sobre a forma como se pretende gerir a cidade de Lisboa, quando este documento parece desconsiderar estas áreas, que são de grande importância; e falamos dos bairros de intervenção prioritária, da acção social, da eficiência energética, do Plano Verde, entre outros.

Ou seja, o tal rigor orçamental, afirmado vezes sem conta por este executivo camarário, acaba por ser sistematicamente contrariado pelos documentos que o mesmo executivo elaborou e nos apresentou.

E são, principalmente, estas as apreciações que, analisando os documentos que integram a proposta de Orçamento da CML para 2012 e as Grandes Opções do Plano para 2012-2015, “Os Verdes” têm a apresentar.

Este orçamento, que deve ser um instrumento importante para o governo e a gestão da cidade, e onde devem constar as estratégias e as prioridades, é injusto, pouco realista, incontestavelmente irrealizável, tem algumas questões pouco claras, tem um plano de actividades desequilibrado, e não se dispõe a resolver, nem a atenuar sequer, os problemas da cidade de Lisboa, nem das pessoas nem dos trabalhadores da Câmara.

Reflecte, claramente, as orientações e as opções deste executivo, não se traduzindo, por isso, num instrumento que dê resposta às necessidades e problemas da cidade, razão pela qual não podemos estar de acordo com o que nos é apresentado.

É altura de a CML ter um orçamento realizável e que não agrave os problemas da cidade e das pessoas. E, mais uma vez, este não é esse Orçamento!

A Deputada Municipal do PEV
Cláudia Madeira

20/08/2009

Fogo no Parque Florestal de Monsanto

Trinta e cinco bombeiros estão a combater desde as 18h30 de hoje um incêndio em zona de mato no Parque de Monsanto, revela a página da Protecção Civil na Internet. O incêndio deflagrou na Encosta da Luneta dos Quartéis, junto ao bairro da Boavista.
O fogo estava ainda por circunscrever às 19h15, estando o seu combate a ser apoiado por dez viaturas. À mesma hora, o comandante do regimento Sapadores Bombeiros de Lisboa estava a deslocar-se para o local 1.
O incêndio que lavrava na zona de Pina Manique, no Parque Florestal de Monsanto, entrou, entretanto, em fase de rescaldo às 19h33, tendo ardido uma área de mato entre os mil e os 1.200 metros quadrados.
O fogo foi combatido por trinta e cinco bombeiros, apoiados no terreno por cerca de uma dezena de veículos, que ainda se encontravam no local ao final da tarde 2.

14/08/2009

Lisboa com elevado risco de sismos

Mais de metade da Área Metropolitana de Lisboa (AML) tem risco de sísmico elevado ou muito elevado, de acordo com dados da cartografia de riscos elaborada no âmbito da revisão do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT).
Segundo a cartografia de riscos da AML, a zona do Arco Ribeirinho Sul, entre Almada e Alcochete e para onde estão previstos os projectos de requalificação dos antigos complexos industriais da Margueira, Siderurgia Nacional e CUF/Quimigal, apresenta risco moderado e elevado de inundação por tsunami.
A versão preliminar apresentada na 5ª fª do PROTAML, indica que “a susceptibilidade à inundação por tsunami é elevada em seis por cento do território da AML, constituindo pontos críticos as costas arenosas e os estuários do Tejo e do Sado, com destaque para as zonas ribeirinhas dos concelhos de Alcochete, Moita, Barreiro, Almada e Seixal”.
No que diz respeito ao risco sísmico, este é elevado ou muito elevado em 74% do território da Área Metropolitana, devido à proximidade de estruturas activas submarinas junto ao território continental português e à falha do vale inferior do Tejo.
Os casos mais desfavoráveis estão em Alcochete, Vila Franca de Xira e Montijo. Mafra, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Setúbal são os concelhos “mais relevantes” em relação aos perigos de desabamentos e deslizamentos.
Para além destes riscos, a AML está exposta às cheias, mas estes efeitos não são sentidos da mesma maneira em todo o território. As bacias hidrográficas da Grande Lisboa, entre os concelhos de Mafra e Vila Franca de Xira são susceptíveis de ser afectadas por cheias rápidas.
De acordo com a mesma fonte, as metas PROTAML remetem para o ano de 2015 a conclusão de toda a regulamentação sobre o uso de zonas perigosas, para todos os tipos de riscos e em todos os municípios da AML.

Ver
www.tvi24.iol.pt/sociedade-regioes/tvi24-sismos-riscos-aml-lisboa-ordenamento-territorio/1082008-4556.html e http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1334224&seccao=Sul

04/05/2009

Exercício de Protecção Civil PTQUAKE'09

A Protecção Civil vai fazer um simulacro, nas próximas 3ª e 4ª fª, para testar a resposta do sistema à ocorrência de um sismo na área da Grande Lisboa. Pela primeira vez, o exercício é internacional, contando com a participação de equipas de Espanha, de França e da Grécia.
Nos dias 5 e 6 de Maio irá realizar-se um exercício, à semelhança do PROCIV IV realizado no passado mês de Outubro, que é da responsabilidade da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e tem por principal objectivo testar o Plano Especial de Emergência para o Risco Sísmico da Área Metropolitana de Lisboa e Concelhos Limítrofes, em especial no que respeita à Ajuda Internacional.
No Concelho de Lisboa, os exercícios em planeamento incidirão principalmente nas vertentes de busca e resgate em estruturas colapsadas, acidente com matérias perigosas, incêndio urbano, emergência médica, apoio psicossocial, realojamento e mortuária.
Um dos factores condicionantes à realização deste tipo de eventos é conseguir recrutar um grupo de figurantes que permitam testar em terreno uma série de procedimentos relacionados com o apoio às populações afectadas.
Ao todo, vão estar envolvidos 1600 operacionais de 24 entidades portuguesas, mais 160 de Espanha, França, Grécia, e dos serviços regionais da Madeira e dos Açores.
O ponto de partida, segundo o comandante, é o mesmo do exercício realizado em Novembro, ou seja, um abalo em tudo semelhante ao registado em Benavente, faz agora precisamente 100 anos.
Desta vez, o “PTQuake” vai decorrer em dias da semana, o que não deverá no entanto implicar perturbações no trânsito. Um dos principais testes é, assumidamente, às comunicações entre todas as entidades, até porque será interdito o uso de telemóveis.

Ver
www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=53&ContentId=285226

25/11/2008

Sistema de comunicação entre hospitais

A Administração de Saúde da região de Lisboa defendeu ontem a criação de um sistema de comunicação único e alternativo às redes móveis e fixas que permita a troca de informações entre hospitais em caso de catástrofe.
Falando na conferência de imprensa de balanço do simulacro de sismo que decorreu entre 6ª fª e domingo nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal, a representante da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo no exercício, admitiu que uma das falhas detectadas foi a da comunicação entre os hospitais num cenário de catástrofe.
Apesar das tentativas de “resposta atempada” durante os três dias do exercício, foram “detectadas algumas falhas nas comunicações”, tendo em conta que não há um sistema alternativo às redes móveis e fixas em caso de catástrofe. “Se houver uma catástrofe, não vai haver redes móveis e fixas”, a única forma através da qual os agentes da saúde podem comunicar, explicou.
O INEM é a única entidade de saúde que integra o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que se destina dotar as forças de segurança e serviços de emergência num único sistema digital, enquanto a protecção civil está a testar pela primeira vez no exercício.
“É uma fragilidade grave” que as restantes entidades de saúde não integrem o SIRESP, disse, adiantando que esta “falha” deve ser corrigida.

Ver Lusa doc. nº 9041523, 23/11/2008 - 13:27

24/11/2008

Exercícios de simulacro de sismo passaram ao lado dos lisboetas

O exercício do Prociv IV/2008, uma exigência para a elaboração do Plano Especial de Emergência de Risco Sísmico para a Área Metropolitana de Lisboa 1, que será aprovado no próximo ano, terminou ontem pelas 13h. Edifícios em colapso e soterrados, deslizamento de terras, vias de acesso bloqueadas e incêndios urbanos e florestais foram algumas das situações treinadas durante este fim-de-semana nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém.
O simulacro aproveitou para testar o novo Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal. Depois das falhas do primeiro dia (6ª fª), no fim-de-semana tudo terá corrido melhor na gestão da informação. Mas, em alguns locais, foram notórias as falhas na articulação de meios de socorro e a lentidão na capacidade de resposta 2.
O sismo que ‘afectou’ a cidade de Lisboa - pois era a fingir - constituía um simulacro. Segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil, foram criados 16 cenários que mobilizaram 2750 elementos operacionais e 1798 figurantes. A Protecção Civil treinou respostas a réplicas e acidentes na sequência do simulacro de ‘sismo’ com magnitude 6,7 na escala de Richter, que teve o seu epicentro próximo de Benavente, às 15h50 de 6ª fª.
Porém, tudo correu sem incomodar a cidade, alheada do exercício, que funcionou como habitualmente (excepto com alguns constrangimentos de trânsito).

Em Lisboa, no Centro Colombo, fechado ao público e praticamente vazio, ouviu-se o anúncio: por motivos de ordem técnica, era necessária a evacuação do centro comercial. Foi com muita calma e boa disposição que tudo se processou: afinal, os 550 funcionários presentes na altura já tinham conhecimento do exercício.
Como “já tinham dito quais eram as zonas para onde tínhamos de nos dirigir”, relata uma, funcionária, tentou “ouvir o anúncio com atenção”, e agir apenas segundo as regras, mas diz que “se fosse real, seria mais complicado”, reconhecendo que “é importante fazer estes simulacros, porque temos de estar prevenidos”. Como foram avisados, até houve tempo para trazer os cigarros, mas, se desconhecessem, “era o pânico”, disse outra funcionária.
No extremo sul da cidade, dava-se início a outro exercício: um carro saiu da estrada em frente à Ribeira das Naus, perto do Terreiro do Paço, e caiu ao Tejo.
Envolvendo menos pessoas que o exercício do Colombo, este durou aproximadamente uma hora, mas também despertou pouco interesse, não implicando sequer cortes no trânsito. Afinal foram os pescadores das redondezas que tiveram uma manhã diferente da habitual: com a confusão dentro de água, não se apanhava peixe nenhum, lamentaram.
Nestes locais, e tirando os jornalistas, apenas meia dúzia de pessoas se havia juntado para ver o aparato, que tinha hora marcada e era só a brincar 3. Mas, será que o simulacro deu para consciencializar e treinar a população da cidade?

1. Ver
www.proteccaocivil.pt/prociv4/Pages/ExercicioPROCIVIV.aspx
2. Ver http://dn.sapo.pt/2008/11/23/cidades/simulacro_resposta_lenta_e_descoorde.html
3. Ver http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20081123%26page%3D25%26c%3DA

23/11/2008

O perigo nuclear

A vizinha Espanha conta, actualmente, com oito centrais nucleares em modo operacional. Felizmente, Portugal continua a primar pela ausência de uma instalação desse tipo, mas, localizada a 100 km da fronteira, junto ao rio Tejo, a central espanhola de Almaraz constitui uma ameaça, por ser a mais próxima do território português.
Perante esta proximidade, muito se tem debatido sobre os efeitos de acidentes nas centrais espanholas para o território nacional.
Segundo o presidente do consórcio Energias de Portugal (ENEOP), os acidentes em centrais nucleares espanholas são constantes. “Só este ano foram registados 40 acidentes nas 8 centrais daquele país, o que colocou, em média, 2,2 centrais indisponíveis em permanência”, relata.
“Gostem ou não, já sofremos os impactos ambientais e os riscos das centrais nucleares espanholas. Estarem em Espanha ou em Portugal é indiferente, basta ver a central nuclear de Almaraz junto ao rio Tejo”, destaca um consultor, autor do livro ‘Energia e Mercado Ibérico’.
Os problemas ambientais e sociais relacionados com a radioactividade não ficam indiferentes à Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “À medida que mais desastres ocorrem, despertando a necessidade de novas tecnologias para lhes fazer face, também os desafios para a humanidade se tornam mais exigentes”, assume a APA.
“Sem garantias reais dos Estados, não há nenhuma seguradora no mundo que se preste a segurar estes projectos e nenhum banco está disponível para assumir o risco de os financiar”, conclui o presidente da ENEOP.

17/11/2008

Relatório da EP sobre as cheias de Outubro

A empresa Estradas de Portugal (EP) entregou na 5ª fª à CML o relatório que elaborou sobre as causas das cheias do passado mês de Outubro na zona de Sete Rios. A mesma fonte explicou que o documento vai agora ser analisado pela autarquia.
A análise às causas das cheias em Sete Rios foi acordada com a autarquia por causa dos problemas de escoamento do Eixo Norte-Sul, uma estrutura que, apesar de tudo, “não é objecto de concessão da EP”. Sete Rios, Alvalade, Avenida de Roma, Praça de Espanha e Avenida 5 de Outubro foram as zonas mais afectadas pelas fortes chuvas que caíram no dia 18 de Outubro na capital.
A autarquia aprovara em Março o Plano de Drenagem de Lisboa, um estudo que aponta para a construção de quatro grandes reservatórios e de um túnel entre a Almirante Reis e Santa Apolónia, para prevenir cheias.
O executivo municipal deu na altura ‘luz verde’ para um consórcio desenvolver as soluções para a rede de saneamento da capital, com um custo estimado em 140 milhões de euros. Uma das obras propostas é a construção de um túnel de um quilómetro, com profundidade de 65 metros, entre o Martim Moniz e Santa Apolónia.
O Plano de Drenagem é o primeiro plano geral de saneamento da capital dos últimos 40 anos, depois dos estudos de Arantes e Oliveira, em 1941.


Lusa doc. nº 9009124, 14/11/2008 - 11:53

26/09/2008

Protecção Civil recomenda desobstrução de valetas

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) recomendou esta 4ª fª, no início do ano hidrológico 2008/2009, aos Serviços Municipais e às populações a limpeza e desobstrução de valetas e canais de drenagem como precaução relativamente a inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais.
A ANPC lembra que, no início do Outono, as quantidades de lixo depositado nas “embocaduras dos sistemas de águas pluviais, a obstrução originada pela queda de folhas de árvores e os detritos vegetais juntamente com outros materiais inertes contribuem para situações de obstrução dos canais de escoamento”.
Alerta também que as primeiras chuvas de Outono são “geralmente responsáveis pelo arrastamento e concentrações destes resíduos sólidos em locais inadequados (sarjetas, sumidouros, valetas), originando acumulações de águas pluviais que poderão provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos de edifícios”.
Desta forma, recomenda aos Serviços Municipais de Protecção Civil a limpeza e desobstrução de sumidouros, valetas e outros canais de drenagem, removendo folhas caídas das árvores, areias e pedras que ali se depositaram previamente à época das chuvas.
A ANPC desafia cada cidadão a “tomar uma atitude pró-activa”, nomeadamente “assegurando a desobstrução dos sistemas de escoamento de águas pluviais dos quintais ou varandas e a limpeza de bueiros, algerozes e caleiras dos telhados de habitações”, salientando, também, que a precipitação pode “aumentar a instabilidade de solos e rochas em taludes”.
“O aumento da instabilidade de vertentes, em especial junto de aglomerados populacionais, vias rodoviárias e ferroviárias, deve ser observado como medida preventiva de acidentes de deslizamento de terrenos e de derrocadas”.
Como medidas estruturais, propõe que os municípios “garantam uma vigilância mais apertada no que concerne à urbanização do espaço territorial sob a sua jurisdição”. Além disso, recomenda também aos Serviços Municipais de Protecção Civil a verificação e a actualização dos respectivos Planos Municipais de Emergência, designadamente os inventários de meios e recursos e as respectivas listas de contactos.

19/02/2007

Debaixo daquela arcada (Parte II)



Faleceu a D. Amélia. Nome fictício? Nome real? A sua graça era desconhecida por quem com ela coabitava ou de quem por ela passava. E talvez mesmo já por ela própria. O óbito da idosa não foi noticiado por nenhum órgão de comunicação social ou qualquer revista de futilidades. Já nem a metálica maior ‘árvore’ natalícia do mundo lhe fazia companhia. Nem chegou a ver o maior enamorado coração de plástico da Europa flutuando junto a D. José. Perante estes dois marcos publicitários, a D. Amélia era, acima de toda a ‘modernidade’, um ser humano.
Data do óbito: perfaz exactamente hoje três semanas.
Idade: desconhecida.
Familiares: ignora-se.
Última morada: as lajes frias das arcadas do Terreiro do Paço, bem juntinho ao Ministério das Finanças, durante mais de dez longos anos.
Declaração de rendimentos: os dejectos urbanos abandonados por quem passa, uma esteira de cartão e um cobertor cedido pelo SOS nocturno.
Última refeição: talvez um resto de sopa ou uma laranja esquecida no lixo.
O alarme foi dado aos primeiros raios matinais deste frio Inverno. Naquela madrugada, os inúmeros vizinhos de várias nacionalidades já não detectavam o seu trémulo pestanejar. Foi transportada de urgência para o hospital, enquanto a vizinhança lhe acondicionava os ‘pertences’ sob a majestosa soleira de uma das portas do edifício pombalino.
Causa do óbito: complicações cardíacas na sequência de hipotermia nocturna.
O boletim meteorológico avisara: “caso as condições meteorológicas não se alterem prevê-se para Lisboa, 10º C máxima / 4º C mínima no sábado, e 8º C máxima / 7º C mínima, no domingo”.
Os serviços sociais da Câmara bem lançaram dias antes, em conferência de imprensa, o “Plano de Contingência para a População de Rua Perante as Vagas de Frio”. Uma campanha que a ela já não terá chegado a tempo. Nesse último fim-de-semana de Janeiro, o apoio camarário aos sem-abrigo não previa “grandes alterações, apesar da anunciada vaga de frio para os próximos dias”.
Como se transcrevia na parte I deste artigo, debaixo das arcadas dos Ministérios dormiam cerca de 30 pessoas. Hoje seria menos uma. Porém, a sua ‘não-assoalhada’ já foi ocupada por outro conhecido sem-abrigo, acompanhado pelos seus cães brancos. Como naquele famoso fado, diria o filho para a mãe: “debaixo daquela arcada passava-se a noite bem”. Triste desdita a do fado dos sem-abrigo da noite de Lisboa.
Genérico final: se alguém disser que os nomes e os factos aqui relatados são fictícios, é falso; este artigo tem por base um caso real entre os sem-abrigo de Lisboa, bem debaixo daquela fria arcada.

18/02/2007

Sob aquela soleira sopra um vento gélido (Parte I)

A Câmara Municipal de Lisboa, em conjunto com o Serviço Municipal de Protecção Civil e a Cruz Vermelha Portuguesa, tem tido no terreno um “Plano de Contingência para a População de Rua Perante Vagas de Frio”, com equipas a acompanhar os sem-abrigo durante todo o ano. No pino do Inverno “a sua acção é reforçada, nomeadamente no que se refere à sinalização e satisfação das necessidades mais prementes desta população, reduzindo o impacto das variações climatéricas, designadamente em ocasiões de arrefecimentos acentuados que não sejam tecnicamente considerados como vagas de frio”.
Considera-se uma vaga de frio quando há, de acordo com critérios internacionais, “a previsão de dois ou mais dias com temperatura mínimas durante o dia de 4 graus ou menos, tendo ainda em consideração o efeito de arrefecimento corporal provocado pelo vento (efeito designado Wind Chill)”, cabendo ao Instituto de Meteorologia alertar as autoridades para a previsão de uma vaga de frio. Aliás, o que se tem verificado nos últimos dias.
Quem passa na rua e observa alguém a dormir num passeio enrolado entre mantas e papelão desconhece que o mundo dos sem-abrigo é composto por vários grupos que pouco convivem entre si. Há quem passe por eles e desvie o olhar, comentando que cada um faz a cama onde dorme. Porém, a entrada na miséria vai empurrando as pessoas para um beco sem saída que conduz à degradação. Periodicamente são relatadas ocorrências de agressões aos sem-abrigo. O caso mais mediático foi há um ano o do transexual brasileiro Gisberta.
Segundo o Correio da Manhã *, já este mês foi o de “uma idosa que costuma dormir no Príncipe Real que anda a pedir, a malta nova sabe que ela tem por hábito juntar dinheiro e, volta não volta, estão a assaltar a mulher durante a noite. É revoltante e nós não podemos fazer nada para a defender. Senão, nos dias seguintes, andam atrás de nós a ameaçar-nos de pancada” (…) “é preciso que se diga que estes putos não são malta da rua, porque nós, na rua, temos as nossas discussões mas não esse tipo de actos mais próprios de animais”, acrescenta o homem, que dorme na rua das Janelas Verdes. Dos tempos de rua recorda o medo que sempre o acompanhou. “Há sempre a ideia de que, a meio da noite, pode chegar junto de nós um grupo de miúdos bêbedos e desatar a bater-nos”, disse. “Uma das soluções encontradas para combater estes medos é dormirmos uns perto dos outros, em grupos que variam entre as três e as cinco pessoas. Se houver algum problema já são mais a gritar e a defenderem-se uns aos outros”.
Outro truque é dormir em locais expostos, onde mesmo de noite circulem pessoas. Por exemplo, junto à estação de Santa Apolónia, ou no Terreiro do Paço. Nesta última praça, debaixo das arcadas dos Ministérios, dormem cerca de 30 pessoas. Aqueles que nada têm alinham-se, lado a lado, de forma ordenada, demonstrando como é fundamental para o entendimento e aceitação mútuos não incomodar os outros.
Há quem viva na rua há 15 anos e já nem tenha documentos. Tal como a esmagadora maioria dos sem-abrigo, uns porque foram roubados ou os perderam. Outros acabam por vender o bilhete de identidade para ser falsificado e enviado para o estrangeiro. Há quem tenha sido assaltado várias vezes. “Deixo o saco com as poucas coisas que tenho ao meu lado e pronto, quando acordo já não tenho nada. É o pão-nosso de cada dia”, adianta. Quando a um jovem casal, ela já grávida, perguntaram se em vez de dormirem ao frio no Terreiro do Paço por que não iam para um albergue da Câmara, a resposta saiu célere: “Você já lá foi? Aquilo é uma confusão desgraçada. É só drogados. E depois fazem muito barulho. Aqui estamos melhor”.
“No Terreiro do Paço há horários para tudo, de Inverno só podemos vir para aqui depois das 19h30, quando as pessoas começam a abandonar a cidade. Levantar também é cedo. A partir das 7h00 já temos aqui a polícia a bater-nos nos pés e a dizer ‘está a levantar’. Depois vêm os carros da limpeza para lavar o chão”. “Os cobertores, que agora com o frio tanta falta nos fazem, se não os conseguimos levar vão para o lixo”. Diariamente, por volta da meia-noite, chega ao Terreiro do Paço alguma ajuda composta por sandes, leite e fruta.
Refere ainda o DNotícias de 12 de Fevereiro que “de cada vez que o Inverno desce sobre a cidade, eles deixam as arcadas dos prédios, os vãos de escada e os bancos de jardim. Percorrem a Avenida Almirante Reis, atravessam a Praça do Martim Moniz e entram no Hospital de São José, em Lisboa. Não vêm de ambulância nem trazem doenças. São sem-abrigo e procuram apenas um lugar aquecido para passar a noite. É hábito de tantos anos, que médicos, enfermeiros, auxiliares e porteiros conhecem bem estes falsos doentes que recorrem às urgências do hospital. Chegam perto da meia-noite e adormecem nas salas de espera, nas casas de banho, debaixo das macas ou nos corredores do banco de urgência. Só saem pela manhã, quando são expulsos pelas esfregonas das mulheres da limpeza”.
Segundo explicam os mendigos, Lisboa está dividida por zonas. Os toxicodependentes frequentam sobretudo a zona dos Anjos e da Almirante Reis. Por sua vez, os estrangeiros, na maioria romenos e ucranianos, pernoitam na área do Príncipe Real. As vítimas do álcool escolhem a zona do Mercado da Ribeira e de Santa Apolónia. No Terreiro do Paço a maioria dos sem-abrigo é composta pelo que os especialistas definem como a nova geração…
Nova geração de ‘mendigo na hora’? Modernidades? (continua).


* IN: Sem-abrigo : vítimas de violência, por João Saramago com André Pereira www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=229810&idselect=228&idCanal=228&p=200