09/11/2007

Um Orçamento alheado dos portugueses

As novidades, as mudanças que, em boa verdade, os portugueses já não esperavam, mas de que o país tanto necessitava, essas não vêm infelizmente neste Orçamento que se limita a trazer mais do mesmo, mais do costume, sempre as mesmas receitas estafadas.
Os resultados estão à vista. A cegueira obsessiva do Governo em continuar a colocar o combate ao défice à frente de tudo o resto tomando como uma grande vitória que tudo ofusca a meta dos 3%, não lhe permite ver as vítimas que nesse combate vai deixando atrás de si como um rasto de destruição correndo o risco de estar a salvar as finanças públicas e a deixar afogar o povo e o país real que essas finanças deviam servir como instrumento que são e não um fim em si mesmas.
É por isso imperioso que voltemos a lembrar qual o preço desses 3%:
- o agravamento da carga fiscal, designadamente com base nos impostos indirectos -como o IVA - que são os mais injustos porque atingem a todos de forma igual independentemente dos rendimentos de cada um, mas também o agravamento da situação dos pensionistas e dos cidadãos com deficiência;
- o corte nos direitos sociais, na educação e na saúde, o desmantelamento do Estado e os ataques aos funcionários públicos, a privatização das funções sociais e alienação de bens públicos fundamentais como a água e o domínio público hídrico ou as áreas protegidas e a biodiversidade;
- o aumento do desemprego, a redução do poder de compra da generalidade dos cidadãos, o agravamento das desigualdades e da pobreza enquanto a esmagadora maioria dos benefícios fiscais são distribuídos pelas grandes empresas e os sectores financeiro, bancário e dos seguros que continuam a acumular lucros perante a não taxação de mais-valias financeiras ou do pagamento de uma taxa de IRC efectiva muito abaixo da taxa nominal à qual não podem fugir as Pequenas e Médias empresas que representam 99% do nosso tecido empresarial e geram 75% do emprego.
Face a este contexto bem conhecido pelos portugueses, que não encontram emprego ou que temem perdê-lo, os que viram ser-lhes aumentada a idade da reforma, os que se encontram sobre-endividados, os que sentem que sobra cada vez mais mês no fim do ordenado, o Governo e o Sr. Primeiro Ministro encenaram uma manobra de propaganda lançando-lhes areia para os olhos. Como se essas medidas não passassem afinal de tímidas respostas para males que este mesmo Governo ajudou a criar ou agravou.
Nem mesmo as medidas que afinal mais não são do que a reapresentação de propostas recauchutadas de outras forças políticas salvam este Orçamento.
É o caso da inclusão da Vacina do Cancro do Colo do Útero no Plano Nacional de Vacinações que o Sr. Primeiro-Ministro aqui veio anunciar e que constitui a mais descarada recuperação da proposta, já agora em abono da verdade, apresentada em primeira mão pelo Partido Ecologista “Os Verdes” em Abril último, altura em que foi chumbada pelo PS, que manteve essa posição até há poucos dias.
Como é também o caso de uma das propostas para promoção das energias renováveis apresentada há mais de cinco anos por “Os Verdes” para pôr fim à hipocrisia existente na lei que proibia as famílias que têm crédito à habitação de poderem usufruir do respectivo incentivo fiscal.
Mas não basta uma andorinha para fazer a Primavera… Este Orçamento de Estado é mais um orçamento em que o Governo sacrifica o desenvolvimento sustentável, os direitos sociais e o bem-estar dos portugueses às metas do défice orçamental que já deve começar a ser encarado mais do que como uma meta em si mesmo, como um argumento que vai servindo para justificar a implementação de um programa e de uma agenda liberal e anti-social que pretende corroer os fundamentos do estado de direito social lançados em 25 de Abril de 1974.
É um orçamento que merece a mais firme crítica, oposição e denúncia dentro e fora desta Assembleia e um esforço redobrado para desmascarar o embuste encenado por este Governo.

Ler Intervenção do deputado Francisco Madeira Lopes (PEV) na A.R. do dia 2007-11-08

08/11/2007

Jornais gratuitos, papelões e sensibilização

"A ausência de "licença para distribuição", a exibição de publicidade, a ocupação da faixa de rodagem pelos distribuidores e o abandono de sobras no espaço público são os principais problemas originados pelos jornais gratuitos, que a Câmara de Lisboa promete combater com mão pesada.
O director municipal de Ambiente Urbano reuniu-se com representantes dos jornais gratuitos distribuídos na cidade, a quem comunicou que a autarquia vai passar a "penalizar" as práticas que desrespeitem os regulamentos municipais em vigor. Em causa, segundo o assessor de imprensa da câmara, estão a distribuição de amostras de produtos e a ocupação do espaço público "com dispositivos de mobiliário ou publicitário", sem a prévia autorização dos serviços municipais nem o pagamento de taxas.
A autarquia também quer acabar com as "perturbações na fluidez do tráfego" provocadas pelos distribuidores, que ocupam as faixas de rodagem para entregar aos automobilistas os jornais "com consequências a nível de acidentes ou risco de acidentes". Neste âmbito, a Câmara de Lisboa informou os representantes daqueles órgãos de comunicação social que "não serão toleradas infracções ao Código da Estrada".
Finalmente, a autarquia informou, de acordo com o seu porta-voz, que pretende pôr fim ao "frequente abandono de sobras no espaço público", contra o qual actuará "nos termos dos regulamentos municipais". Este problema preocupa também o partido Os Verdes, que vai apresentar na Assembleia Municipal de Lisboa uma recomendação propondo a colocação de "papelões" nos locais da cidade onde costuma haver maior acumulação de jornais, nomeadamente nos interfaces de transportes.
A recomendação, segundo o deputado municipal José Luís Ferreira, propõe ainda que a Câmara de Lisboa desenvolva, em conjunto com os operadores de transporte e com os jornais, "uma campanha de sensibilização para que as pessoas não abandonem os jornais no metro, nos autocarros, nos barcos", mas sim nos locais próprios para a recolha de papel. Apesar dos contactos efectuados com vários jornais gratuitos para obter reacções às medidas anunciadas pela autarquia, não foi possível obter qualquer resposta." (IB, Público)

O importante mesmo é sensibilizar e possibilitar boas práticas.

Tribunais desvalorizam crime rodoviário

Os condutores respeitam a aproximação a uma passadeira?
- Respeitam cada vez mais. A maioria dos atropelamentos ocorre fora da passadeira. Em 1996, a percentagem de peões mortos era de 22,9% do total de acidentados, o que equivale a 480 vítimas. Em 2000, esta percentagem passou para 20,7%, 337 peões mortos. Em 2006, passámos para 137 atropelamentos mortais, 16,1% do total de acidentes. É sinal que as regras estão a ser respeitadas.
Os peões não sabem usar as passadeiras?
- Genericamente sabem, o que não quer dizer que as utilizem. Há, de facto, uma grande indisciplina. O peão utiliza a passadeira nos locais onde elas estão bem localizadas e onde são respeitadas pelos condutores.
As passadeiras deveriam estar melhor sinalizadas, com indicação do tempo para se atravessar?
- As passadeiras devem estar sinalizadas como prevê a lei. Sinal de perigo e informação relativa à localização. O ideal é que este sinal pudesse ser iluminado para se tornar bem visível à noite, sobretudo para os peões.
Deveria haver mais campanhas de sensibilização?
- As medidas não podem ser avulsas. Uma campanha só por si não vale a pena. Deve ter por base uma política global de várias acções.
O atropelamento de 6ª fª fez com que já se tivesse pedido leis mais sancionatórias. É por aqui que se deve ir?
- Não é necessário agravar a lei. Os tribunais é que desvalorizam o crime rodoviário. Basta sensibilizar os juízes a aplicarem a actual lei. As penas aplicadas são extra-leves.

Ler respostas do Presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Manuel Trigoso
http://dn.sapo.pt/2007/11/06/cidades/3_perguntas_a_jose_manuel_trigoso_pr.html

07/11/2007

Os primeiros 100 dias

"Vereadores da oposição na Câmara de Lisboa minimizam as medidas tomadas nos primeiros 100 dias de mandato pela maioria PS/BE, considerando-as «avulsas» e de «gestão corrente», e acusam o presidente de autarquia, António Costa (PS), de «autoritarismo». " (DD)

Alta de Lisboa sem lago vigiado

A criança de oito anos que no domingo caiu ao lago do Parque do Vale Grande, na Alta de Lisboa, encontra-se internada na unidade de cuidados intensivos do Hospital D. Estefânia e o seu prognóstico é reservado 1. Só agora a CML está a estudar a possibilidade de colocar uma vedação no lago onde aconteceu o acidente.
Loiky e o irmão foram brincar para aquele espaço verde, sem que a mãe tivesse conhecimento do facto. A mãe, imigrante de S. Tomé e Príncipe, foi avisada do acidente pela polícia. Segundos os vizinhos do bairro de Fetais, onde mora há sete anos com os filhos (Loiky, de oito anos e Awelde, de dez), “trabalha muito, das oito da manhã, às oito da noite”.
Os dois irmãos foram na manhã de domingo ao treino de futebol e de atletismo, transportados pela Junta de Freguesia da Charneca. O regresso estava marcado para a hora de almoço, mas, as duas crianças depois de saírem da carrinha que os transportou, em vez de irem para casa resolveram meter-se numa aventura que se revelou dramática.
“Os dois estavam a ver os peixes que há aqui no lago, bué de grandes e o mais pequeno escorregou e caiu. Mas eu acho que eles andavam também ao banho porque ele estava de cuecas. Quando olhei segunda vez já não o vi”, conta outra criança de 13 anos.
Para alguns moradores da Alta do Lumiar, “isto aqui não é sítio para banhos. Nós já sugerimos que se pusesse junto à borda da água um muro pequeno ou uma vedação. Mas a única coisa que pode ter algum efeito é uma vigilância mais apertada, pois o jardim é constantemente vandalizado e há muitos assaltos”, disse uma moradora da Rua Tito de Morais 2.
Apesar de desde há muito vir a ser instada pelas condições de segurança no Parque, a CML só agora equaciona a hipótese de reforçar a vigilância do local com um elemento da Polícia municipal, para coadjuvar o vigilante privado que já lá exerce funções. Coadjuvar o vigilante privado? Qual? Segundo as pessoas que frequentam o parque ou moram perto garantem, nunca lá foi visto qualquer vigilante privado. E os moradores têm muitas mais sugestões que nunca foram ouvidas pelo gabinete do vereador dos Espaços Verdes da CML 3.

Regras para alimentos saudáveis

Há marcas que têm os dias contados, caso não provem cientificamente que estão, de facto, a contribuir para que os consumidores vivam mais ou melhor. Vai também ser eliminado da publicidade e dos rótulos as promessas de perda de peso ao fim de determinado período de consumo de um produto. Também figuras públicas ou médicos a promover os benefícios para a saúde de determinado alimento vai deixar de ser um cenário possível.
Estas são algumas consequências daquilo que é uma verdadeira revolução no mercado dos alimentos que alegam efeitos benéficos para a dieta ou saúde, através da legislação comunitária que se prepara para surgir nos próximos anos. A base foi lançada por um regulamento da Comissão Europeia no final de 2006, que entrou em vigor este ano. Este documento vai agora dar origem a uma série de regras para um sector em expansão mas que se ressentia, até aqui, de um vazio legal.
Os países-membros vão por isso de ter de apresentar à Comissão Europeia uma lista de alegações nutricionais ou de saúde que podem ser usadas nos alimentos, a fim de constarem de uma lista - validada pela Autoridade Europeia Para a Segurança dos Alimentos -, para poderem constar nas prateleiras dos supermercados. As designações autorizadas estarão depois disponíveis para consulta por todos os consumidores.
O exemplo vai para frases como “o cálcio faz bem aos ossos”. Neste caso, a ciência comprova e a ideia é de fácil entendimento para o consumidor comum. Qualquer expressão adicional terá de ser validada cientificamente. A regulação estende-se também às alegações feitas através de “representação pictórica, gráfica ou simbólica”.
É que o regulamento europeu aprovado em Dezembro de 2006 reconhece que “uma grande variedade de alegações actualmente utilizadas na rotulagem e na publicidade dos alimentos nalguns estados-membros diz respeito a substâncias que não se provou serem benéficas ou para as quais não existe presentemente consenso científico suficiente”.
É por isso preciso assegurar que existe prova científica de que a substância tem, de facto, efeitos benéficos na saúde. O objectivo é permitir que o consumidor disponha das ferramentas necessárias para realizar escolhas informadas, protegendo-o de informações menos precisas. Daí que a publicidade dita enganosa tenha os dias contados e a indústria agro-alimentar passe a ter condições para promover a inovação e a concorrência justa.

06/11/2007

Trabalhadores precários

Foi criado um novo blogue, em defesa dos trabalhadores precários da Câmara Municipal de Lisboa: Lisboa em Alerta.

Novo nº da Contacto Verde

Já está online o novo nº da Contacto Verde.
Nesta edição da Contacto Verde está em destaque o modo como são tomadas a nível nacional as decisões que afectam o desenvolvimento regional sustentável e as respostas (ou falta delas) aos problemas ambientais sentidos pelas populações.
O destaque vai para recente Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidro-eléctrico, amplamente questionado por "Os Verdes".
Na entrevista Celso Ferreira, membro da Comissão Executiva do PEV, fala da actuação do PEV na região de Braga a Bragança, em domínios que vão desde a gestão dos recursos hídricos à dos parques naturais.
No Em debate, aborda-se a problemática das decisões relativas aos traçados das linhas de muito alta tensão, contestados pelas populações.

Afinal, quem se está a RiR?

O director-geral do Rock in Rio (RiR) garantiu que a edição 2008 do festival de música se voltará de novo a realizar-se no Parque da Bela Vista. “A edição 2008 do Rock in Rio em Lisboa não está em risco e vai realizar-se no Parque da Bela Vista”, pois, mesmo que o novo IPO venha a ser construído naquele local “não estará concluído a tempo de inviabilizar a realização do Rock in Rio no Parque da Bela Vista em 2008”.
E esclarece que essa é a razão por que a organização do festival “juntamente com a presidência da Câmara de Lisboa já andam a ver terrenos em Lisboa, caso a Bela Vista venha a acolher o IPO”.
Mais. Até acrescentou que a edição 2010 do RiR também se irá realizar em Lisboa e “mesmo que não seja na Bela Vista, será construída outra Cidade do Rock para acolher o certame”. “Quem sabe se o Rock in Rio vier a sair do parque da Bela Vista, Lisboa não ficará com um recinto apto para acolher o Rock in Rio e outras iniciativas culturais”, concluiu 1.
Acontece porém que a coligação PS/BE na CML vem garantindo que nada foi acordado com a organização e que o Parque da Bela Vista não estará disponível. Há também quem afirme que “dificilmente a cidade de Lisboa vai conseguir acolher o Rock in Rio 2010” 2.
Mas, se assim é, porque será que num ‘site’ da Câmara Municipal de Lisboa 3 se dá as boas vindas ao “Canal ROCKINRIO no LxJovem”? Porque se informa os leitores que “aqui vais poder saber tudo sobre o maior espectáculo musical que vai acontecer no nosso país e arredores”? E que contam “com a tua participação para construir o melhor canal de todos, um fantástico repositório multimédia de novidades e experiências sobre o RockInRio”?
E o mais estranho é que a edição de 2008 já tem datas para voltar a Portugal - 30 e 31 de Maio, 6, 7 e 8 de Junho - e nomes de artistas em cartaz, bem como se tenha aberto “um concurso nacional para os alunos do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário que apresentem projectos que conjuguem benefícios de carácter ambiental” 4.
Como se interroga o grupo de defesa do parque da Bela Vista, “que se saiba, a edição do RinR 2008 não está ‘protocolizada’. Sendo assim, estamos a ser tratados como burros, pois estão-nos a impingir um facto consumado. O que é feito da Comissão de Acompanhamento CML/RinR? As verbas provenientes do acordo com o Creamfields, já foram cobradas?” 5.
A confirmarem-se as suspeitas, ou se apanha mais facilmente um coxo, ou alguém se está por aqui a R-i-R nas nossas costas…

05/11/2007

Zebra de mortalha

Uma passadeira gigante com lençóis será hoje formada por 24 pessoas, alertando para os perigos de circulação na Praça do Comércio e arredores, em memória dos recentes acidentes mortais.
A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) vai promover hoje à tarde uma concentração junto à ‘passadeira’ na Avenida Infante D. Henrique onde 6ª fª foram atropeladas três mulheres, duas das quais tiveram morte imediata, marcando uma passadeira de peões gigante, com lençóis transformados em mortalhas, para realçar a insegurança de uma das travessias mais movimentadas da cidade.
A concentração pretende homenagear as três vítimas, mas servirá para recordar a falta de segurança rodoviária - flagrante em alguns locais - que já contribuiu para a existência de quatro mil atropelamentos no País, entre Janeiro e Agosto. Depois de uma vigília de homenagem às vítimas na noite de sexta-feira, o dirigente da ACA-M contou 12 segundos da semaforização verde como o tempo disponível para os peões atravessarem uma estrada com seis faixas de rodagem.
“As pessoas morreram na minúscula placa de cimento que serve de 'ilha', a separar os sentidos de circulação, porque não tinham qualquer protecção”. Enquanto os carros passavam, acrescenta, algumas pessoas colocaram-se naquela 'ilha', e ficaram em pânico com a desprotecção e a velocidade dos automóveis, a despeito de ser uma zona em obras, com falta de sinalização e com o alcatrão das faixas de rodagem completamente deformado 1.
Segundo a ACA-M, o tempo (reduzido) de abertura dos semáforos prejudica “todos os cidadãos de menor mobilidade”, onde a maior parte dos peões atropelados em Portugal são idosos ou crianças. Em Lisboa, a cidade do país com maior número de pessoas atropeladas, cerca de 30% da população tem mais de 65 anos de idade. A maior parte dos atropelamentos ocorre nas vias mais movimentadas, como sejam as áreas do Campo Grande e da Avenida de 24 de Julho 2. A Infante D. Henrique, em conjunto com as Avenidas 24 de Julho e da Índia, completa o corredor de circulação ribeirinho de Lisboa: uma das artérias com maior intensidade de tráfego e de peões, devido à localização das estações fluviais e ferroviárias.
A ACA-M vem mantendo diversas acções de alerta para a redução da sinistralidade em conjunto com a CML, pintando em ruas de Lisboa passadeiras de peões evocativas das vítimas de atropelamento no Praça dos Restauradores (frente ao Cinema Condes), Cais do Sodré (frente à estação), Avenida de Berna (frente à Universidade Nova) e Marquês de Pombal (frente à EDP) 3.

Abram alas pró Noddy mais os Teletubbies

Uma empresa de marketing e inovação de Lisboa acaba de apresentar ao Ministério da Administração Interna uma proposta de diferenciação entre bons e mau condutores, com recurso a um sistema de dísticos de várias cores. O representante da empresa garante que “a ideia é original” e sua e que “desconhece qualquer outra proposta idêntica”.
A ideia da empresa centra-se basicamente na segurança rodoviária, pretendendo-se identificar as viaturas com um dístico colorido - verde, amarelo, vermelho - caso o condutor não ofereça risco, ofereça risco médio ou se o risco for elevado (tenha tido responsabilidade em três acidentes durante o último ano).
A sugestão parece, porém, ser praticamente igual a uma outra apresentada em Novembro de 2003 pela Associação de Utilizadores do IP4 (AUIP4) com sede em Vila Real, designada então por ‘Sistema Condutor Seguro (Safe Driver System)’. É que, comparando ambas, as imagens são de facto muito semelhantes.
O presidente da AUIP4, refere que nunca ponderou “o registo dos direitos autorais ou de patentes porquanto a associação não tem fins lucrativos”, mas que “acolhe com satisfação a possibilidade de a proposta da AUIP4 vir a ser implementada pelo Governo”. Recorda que “a proposta foi feita ainda no tempo do governo de Durão Barroso e posteriormente discutida com o secretário de Estado que tinha o documento em sua posse”.
A ideia visa reduzir a sinistralidade rodoviária, mas a proposta já está a motivar reacções negativas por parte de várias entidades, designadamente, ACP, Prevenção Rodoviária e Associação de Cidadãos Automobilizados 1.
Perante as estatísticas de acidentes de viação 2, convém indagar se é com mais ou menos animação colorida, qual desenho animado infantil, que se fará baixar os números dessas estatísticas. Ou será antes com medidas alternativas de promoção da mobilidade pedonal e de redução de velocidade? 3

Bilhética sem contacto

Ter um cartão 7 Colinas só para viajar no Metropolitano de Lisboa e outro só para os transportes da rede da Carris é uma situação que tem os dias contados. Hoje, dia 5 de Novembro, é lançado o novo sistema de bilhete multimodal, que transforma o cartão 7 Colinas numa espécie de porta-moedas de transporte para utilizar na Carris e no metro.
Os actuais 7 Colinas, em que uns só servem para o metro e outros só para a Carris, passam todos a ter as mesmas funcionalidades, podendo ser utilizados nos veículos das duas empresas de transportes.
Para evitar que o 7 Colinas fique avariado e deixe de funcionar, aconselha os utentes a manuseá-lo “com tanto cuidado como se se tratasse de um cartão bancário”. Explica que o cartão 7 Colinas “é um suporte baseado na tecnologia sem contacto que possui incorporados um chip e uma antena, funcionando do mesmo modo que o cartão Lisboa Viva” 1.
O Governo aprovara em Agosto do ano passado um conjunto de Acordos de Colaboração Técnico-Financeira, para comparticipar a aquisição e montagem de equipamentos de sistemas de bilhética sem contacto e de bilhética intermodal, em veículos pesados de transportes públicos de passageiros, no valor global de 1 milhão e 700 mil euros 2 e, já em Agosto deste ano, um Protocolo com as rodoviárias para generalização da bilhética sem contacto na Área de Lisboa 3.
Apesar de todas estas medidas, a Área Metropolitana de Lisboa continua a dispor de cerca de 400 passes intermodais que muito dificultam a vida dos utentes de transportes públicos.

04/11/2007

O pesadelo ambiental do Tratado reformador

A assinatura do Tratado Reformador em Lisboa, marcada para as 11h da manhã do dia de 13 de Dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos, implicará um pesadelo ambiental: o consumo extra de 135 toneladas de carbono. Isto porque, de acordo com o previsto, os líderes europeus viajarão logo a seguir, nesse mesmo dia, para Bruxelas, onde se reunirá o Conselho Europeu de encerramento da presidência portuguesa da UE.
Segundo o Tratado de Nice, o último Conselho Europeu de cada presidência é obrigatoriamente em Bruxelas. E está convocada precisamente para o mesmo dia 13 de Dezembro, iniciando-se ao final da tarde.
O jornal britânico ‘The Times’ fez as contas às deslocações e aos respectivos custos (em dinheiro e em produção de carbono). As deslocações das comitivas dos 27 para Lisboa e depois para Bruxelas implicará 77 mil quilómetros de viagens. E 27 jactos produzirão 135 toneladas de carbono, o que é o que um cidadão britânico produz por ano (ou dois belgas ou três romenos ou quatro romenos).
Na presidência portuguesa a notícia do jornal britânico é lida como uma tentativa de pressionar os líderes dos 27 para que a assinatura do Tratado não seja em Lisboa, mas sim em Bruxelas. O director do think-tank (clube de reflexão) britânico ‘Open Europe’, citado pelo ‘The Times’, foi violento: “Isto é o ridículo europeu no seu pior. Os líderes da UE esbanjam quantidades enormes de dinheiro dos contribuintes e produzem quantidades enormes de carbono e tudo por causa da vaidade patética dos belgas e dos portugueses”.
A outra hipótese - que o Governo belga recusa - foi sugerida pela chanceler alemã (e também tem o apoio dos italianos): a assinatura do Tratado em Lisboa, logo seguida, ainda na capital portuguesa, do Conselho Europeu de encerramento da presidência portuguesa. É algo para que Lisboa já se disponibilizou, estando a opção a ser negociada. É possível que já na próxima semana haja uma decisão final.
Uma terceira oportunidade foi entretanto adiantada por Londres, entretanto, sugeriu que o Tratado Reformador fosse assinado não a 13 de Dezembro, mas a 8, aproveitando a presença em Lisboa dos 27, para a Cimeira UE-África. Quem diria que os cidadãos europeus teriam ainda também de pagar ambientalmente pelo pesadelo do dito Tratado reformador.

Resíduos urbanos biodegradáveis

As soluções para a deposição de resíduos não são uniformes entre os parceiros da União Europeia e, se há alguns países que elevaram nos últimos anos as taxas de recuperação através da reciclagem e da compostagem, Portugal situa-se no oposto desta realidade, com taxas abaixo dos 25% na escolha de cada um destes destinos.
Tal realidade espelha um facto que a Directiva de Aterro dos Resíduos, emanada em 1999, quer afastar, perante a ameaça do rápido esgotamento da capacidade dos aterros com resíduos domésticos: atingir níveis cada vez menores de deposição em aterros no que toca aos resíduos urbanos biodegradáveis, pois muitos deles seriam passíveis de compostagem.
A deposição de resíduos domésticos em aterro é considerada não só um desperdício, por se substituir nomeadamente à compostagem, como por também contribuir para a emissão de metano para a atmosfera, para afectação de solos a uma poluição duradoura e para a eventual poluição de águas subterrâneas.
De acordo com o relatório da Agência Europeia do Ambiente em 2003, Portugal era, entre 25 dos parceiros avaliados, o quinto nas quantidades de resíduos biodegradáveis depositados em aterro.
Só recentemente Portugal começou a fazer a recolha selectiva de resíduos domésticos orgânicos em alguns pontos muito restritos do território. Todavia, continua diariamente a encher parte dos aterros que possui com resíduos industriais banais (caso da construção e demolição) 1.
Algumas escolas vêm programando acções de formação sobre biocompostagem, com iniciativas que visam sensibilizar os alunos do 1.º ciclo para a importância da redução dos resíduos orgânicos e, sobretudo, para a necessidade de reutilizá-los, transformando-os num produto que poderá ser usado depois como fertilizante. “O que pretendemos é aproveitar aquilo que a Natureza produz, colocando os microorganismos a trabalhar para nós, de modo a transformar os resíduos orgânicos em produtos úteis para a agricultura” 2.
Instruções para se proceder à vermicompostagem estão disponíveis na Internet desde há alguns anos 3.

Lixo fora dos contentores dá multa

A CML já multou 1064 pessoas por incumprimento do regulamento de resíduos sólidos da cidade, desde o início deste ano.
Só pela deposição indevida de sacos do lixo foram multados 679 lisboetas e 149 foram sancionados por colocarem os contentores na via pública, fora do horário legal. Por exemplo, um saco de lixo só com papel, colocado no chão, junto ao ecoponto, é passível de multa, que pode chegar aos 80 euros.
O regulamento proíbe, inclusivamente, que se deixe a tampa do contentor aberta. Como afirma o director municipal de ambiente urbano da CML, “as pessoas não sabem que é ilegal. E não se apercebem de como são importantes esses gestos para que a cidade se mantenha limpa”. Este responsável explica que os carros mal estacionados impedem, por vezes, a recolha do lixo e fazem com que os ecopontos se mantenham cheios de um dia para o outro.
Comum é também contentores e papeleiras permanecerem cheias e a transbordar durante vários dias, por a periodicidade de recolha não ser mais frequente ou a mais adequada para algumas zonas da capital.

Ver Metro 2007-11-02, p. 4

03/11/2007

Acalmia de trânsito

Os condutores portugueses são famosos pela violação sistemática ao Código da Estrada. Esta conduta, em particular o excesso de velocidade, o desrespeito pelas passadeiras e o estacionamento nos passeios impõem um risco acrescido aos peões.
As estatísticas mostram que um atropelamento a 60 km/h é quase sempre fatal, enquanto a 40 km/h a probabilidade de sobrevivência aumenta para 80 %. A situação pode ser corrigida, não exclusivamente, como propõem alguns teóricos, através de um sancionamento mais acentuado destas práticas 1, mas também por meio de medidas concretas nas vias de circulação.
No próximo dia 19 deste mês, recorda-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. Será a sexta vez que Portugal assinalará esta data reconhecida pela ONU. O ano passado a efeméride evocou os milhares de mortos nas estradas portuguesas, tendo a data sido assinalada com a largada de balões brancos em Lisboa 2.
Entretanto, o blogue ‘Menos um carro’ recupera algumas sugestões antigas, divulgadas na comunicação social, e republica-as com toda a oportunidade 3.
Para além de ser indispensável corrigir o posicionamento da sinalética e semafórica do trânsito citadino, é possível introduzir rotundas, lombas, passadeiras iluminadas, zebras elevadas, estreitamento de vias e alargamento dos passeios, tudo medidas simples que poderiam concorrer para a redução das velocidades excessivas, contribuindo para o atravessamento mais seguro de peões e, por consequência, a segurança rodoviária.
Assim houvesse vontade política para pôr a qualidade de vida dos peões e nos bairros à frente da ‘via verde’ para os automóveis.
Os autores estão ainda de parabéns: o seu blogue faz este fim de semana um ano !

1. Ver
www.futurosustentavel.org
2. Ver http://jn.sapo.pt/2006/11/20/nacional/dia_memoria_marcado_sete_mortos_estr.html
3. Ver http://menos1carro.blogs.sapo.pt/70822.html

Novos veículos articulados

A Carris vai adquirir 40 autocarros para entrarem em funcionamento até Maio de 2009, sendo 20 veículos articulados e 20 médios num investimento de mais de 10.2 milhões de euros. A empresa pretende renovar a sua frota, reduzindo o número médio de anos dos veículos, que actualmente está nos 6,5 anos contra os 16,5 anos em 2004, conforme estipulado no seu plano de renovação de veículos.
O processo de aquisição dos novos autocarros tem por base um concurso público internacional para o fornecimento das 40 viaturas de transporte, sendo o custo unitário calculado de 185.067 euros para os 20 autocarros médios e 325.000 euros, para os articulados.
Para além de os autocarros terem ar condicionado, a boa notícia é que há uma especial preocupação na redução do impacto ambiental ao nível de poluição, “com menores emissões de dióxido de carbono e o cumprimento das metas comunitárias sobre emissões de gases poluentes”, informa a administração da empresa.
No concurso para a aquisição dos veículos estão quatro empresas para os autocarros articulados, e uma só para o fornecimento dos autocarros médios. A empresa de transportes registou desde de 2002, e pela primeira vez, um aumento de 0,1% de clientes transportados em período homólogo acumulado até Setembro deste ano.

Ver Lusa doc. nº 7655844, 31/10/2007 - 16:45

02/11/2007

Mobilidade exige ponderação

Os ambientalistas da Quercus condenaram no final de 4ª fª passada a proposta da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) de construção de uma nova travessia rodoviária sobre o Tejo, entre Algés e Trafaria, alegando que aumentará a poluição na Área Metropolitana de Lisboa.
O estudo da CIP sobre o novo aeroporto de Lisboa considera que “sem a construção de mais uma travessia rodoviária do Tejo em Lisboa, o desenvolvimento natural da região levará a um agravamento natural do congestionamento da Ponte 25 de Abril e a um congestionamento forte da Ponte Vasco da Gama”. De acordo com as estimativas de tráfego apresentadas no estudo, em 2017, o volume total diário de tráfego nos dois sentidos nas travessias entre o Carregado e a foz do Tejo será de 304.000 veículos, aumentando para os 364.000 veículos em 2032.
Para a vice-presidente da Quercus, esta proposta “vai contra tudo o que deveria estar a ser planeado em termos de mobilidade para o concelho de Lisboa e arredores”, tendo alertado para os problemas que já existem em termos de excesso de emissões poluentes e que serão agravados por uma maior oferta rodoviária, onde “a escassez de petróleo e a dificuldade de entrada de novos combustíveis no mercado torna quaisquer previsões para as próximas décadas mais que incertas, pelo que uma decisão sobre esta matéria deve esperar ainda muitos anos antes de ser tomada”.
A associação relembrou ao Governo a necessidade, que “a lei impõe”, de ser realizado um novo estudo de impacte ambiental (EIA) que pondere todas as opções de localização para o novo aeroporto de Lisboa. “Só com um novo estudo de impacte ambiental é possível ver qual a melhor opção. Antes disso, a Quercus não se pronuncia se é ou não a favor da opção por Alcochete ou outra”.
Qualquer outro cenário implica, segundo a associação, o incumprimento da legislação comunitária em vigor por parte do Governo. “Se não for feito esse estudo do impacte ambiental, isso apenas pode ter como consequências uma má decisão do ponto vista político e técnico, a contínua controvérsia social e atrasos desnecessários em todo o processo”.
A Quercus admite mesmo impugnar judicialmente uma eventual decisão do Governo sobre a nova localização do aeroporto de Lisboa sem um estudo de impacte ambiental.

Ver Lusa doc nº 7654552, 31/10/2007 - 13:56

Portela ‘Vip’

Juntamente com o estudo sobre a localização do novo aeroporto que foi entregue ao Governo, a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) afirma ter procedido à entrega de um ‘Anexo’ sobre as vantagens da manutenção do aeroporto da Portela.
O responsável pela análise das acessibilidades no estudo da CIP, o professor do Instituto Superior Técnico J. M. Viegas, disse que o ‘Anexo’ que acompanhou o estudo é um “apelo para que não se feche a Portela”, alegando que a manutenção do actual aeroporto de Lisboa, ainda que assente em moldes diferentes, “pode fazer parte de um modelo de negócio que pode ser atractivo para o candidato a concessionário”.
Neste sentido, o autor apresentou “algumas ideias” que têm como objectivo tornar o aeroporto da Portela num aeroporto de alta qualidade (“aeroporto Premium”), destinado apenas a voos de curta duração, efectuados com aviões silenciosos, com uma “garantia de qualidade muito grande”, e que, cinco anos depois da entrada em funcionamento da nova aerogare, tenha um tráfego máximo anual de cinco milhões de passageiros.
O professor exemplificou que “pessoas que viajam muito, como eu, estão dispostas a pagar mais cem euros para terem um aeroporto a seis quilómetros dos seus escritórios”.
Ou seja, a proposta da CIP para manutenção da Portela seria feita por motivos ‘VIP’.
Uma ideia à qual se opõe o presidente-executivo da companhia aérea TAP que, a 26 de Setembro, durante um almoço promovido pela Associação Comercial de Lisboa, afirmou que a coexistência de dois aeroportos na zona da Grande Lisboa seria o “maior erro” que o Governo poderia cometer. Na ocasião, deu vários exemplos de experiências de coexistência de dois aeroportos que acabaram por falhar ou falir 1.
Anotem-se, entretanto, outras opiniões divergentes, como a da Câmara de Alenquer a criticar o estudo e a admitir processar o Estado se a decisão for Alcochete 2, ou com a Quercus a concordar impugnar judicialmente uma eventual decisão do Governo sobre a nova localização do aeroporto de Lisboa sem um estudo de impacte ambiental coerente.

1. Ver Lusa doc nº 7651727, 31/10/2007 - 16:15

2. Ver Lusa doc nº 7655857, 31/10/2007 - 16:49

01/11/2007

GEO-4 denuncia letargia ambiental

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirma que as maiores ameaças ao planeta, como as mudanças climáticas, a taxa de extinção das espécies e o desafio de alimentar a crescente população, estão entre os muitos problemas que permanecem sem solução e colocam a humanidade em risco.
O alerta está no “Global Environment Outlook : meio ambiente para o desenvolvimento (GEO-4)” 1, relatório do PNUMA publicado vinte anos depois de a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (conhecida por Comissão Bruntland) produzir seu relatório inicial, intitulado o ‘Nosso Futuro Comum’.
GEO-4, o mais recente da importante série de relatórios do PNUMA, avalia o estado actual da atmosfera global, terra, água e biodiversidade, descreve as mudanças desde 1987 e identifica prioridades para a acção. O GEO-4 é o mais abrangente relatório das Nações Unidas sobre o meio ambiente, preparado por cerca de 390 especialistas e revisto por mais de mil estudiosos em todo o mundo.
O relatório reconhece o progresso mundial em solucionar alguns problemas mais imediatos, já que o tema de meio ambiente está agora muito mais próximo da política mundial. Porém, apesar dos avanços, ainda restam questões difíceis de serem tratadas, os chamados problemas ‘persistentes’. Neste caso, o GEO-4 afirma que “não há nenhuma grande questão levantada no Nosso Futuro Comum, cujas tendências previstas sejam favoráveis”.
O fracasso em resolver esses problemas persistentes, afirma o PNUMA, pode causar um retrocesso em todos os avanços alcançados até agora em questões mais simples, além de ameaçar a sobrevivência da humanidade 2.
Mas o problema fundamenta-se em questões muito mais profundas. De facto, o cerne da questão radica na posse e exploração dos recursos naturais mundiais por um grupo restrito de detentores, os quais controlam os custos respectivos e o valor da sua posterior comercialização por milhões de cidadãos. Jamais esse pequeno grupo se preocupará com a democratização do acesso a esses recursos e, muito menos, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável 3.
Por isso o relatório do GEO-4 alerta que “vários países com altas taxas de poluição se recusaram a ratificar o Protocolo de Quioto. (...) Alguns sectores industriais, desfavoráveis (àquele) Protocolo conseguiram desmantelar a vontade política para ratificá-lo.” E conclui: “Mudanças fundamentais nas estruturas sociais e económicas, incluindo mudanças no estilo de vida, são cruciais para alcançar rapidamente o progresso” por todos desejado 2.