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10/07/2009

Os corvos de Lisboa estão a desaparecer

Sabia que os corvos que se alimentam de sementes difíceis de partir as atiram para o meio de uma estrada e esperam que os carros as esmaguem para então as comerem? Ou que algumas espécies são capazes de fabricar e utilizar pequenos instrumentos para alcançarem uma refeição desejada?
Apesar das surpreendentes provas de inteligência, o corvo, um dos símbolos da cidade de Lisboa, é cada vez mais raro de observar nos céus da capital. O uso de venenos e pesticidas e o abate ilegal são as razões para a diminuição do número de exemplares. Portugal é mesmo um dos poucos países da Europa onde a espécie continua a regredir, de acordo com um estudo da Birdlife International 1.
Símbolo da cidade de Lisboa, o corvo tem vindo aos poucos a desaparecer das áreas urbanizadas. Portugal é mesmo um dos poucos países onde as populações desta ave inteligente estão a diminuir. E nada está a ser feito para as proteger.
Não está em vias de extinção, é verdade. Mas aparece no Livro Vermelho dos Vertebrados como ‘Quase Ameaçada’, não se sabendo ao certo o número de casais existentes em Portugal. Estima-se que sejam menos de dez mil indivíduos.
“O corvo é uma espécie muito importante, mas não é das mais ameaçadas e, por isso, com os escassos recursos afectos à área do ambiente e conservação, não tem sido uma prioridade”, diz Gonçalo Elias, que faz observação de aves há mais de 20 anos e que, no ano passado, lançou um portal na Internet 2, com informação sobre mais de 400 aves.
Em Portugal, o corvo, embora cada vez mais raro, pode ser visto em diversas zonas, com excepção daquelas mais densamente povoadas. Em Lisboa, por exemplo, “só encontramos corvos no cabo Espichel e no Algarve o mais comum é vê-los no cabo de S. Vicente”. No Interior têm uma distribuição mais contínua.
Algumas lendas contam que quando uma pessoa morre, um corvo carrega sua alma até o paraíso. Por isso, dois corvos figuram nas armas de Lisboa, pousados numa caravela, um à proa e outro à popa, vigiando o corpo de S. Vicente, o padroeiro da cidade, durante a viagem dos ossos do santo desde Sagres até Lisboa.
Aliás, não há muitos anos, era comum ver corvos nas tabernas dos bairros típicos da capital, passeando impávidos pelos passeios ou imitando as vozes dos clientes mais habituais.
Os corvos são principalmente necrófagos, embora se alimentem também de pequenas aves e mamíferos, numa dieta que inclui ainda ovos, caracóis e cereais. Devido aos seus hábitos alimentares e ao negro brilhante das suas penas, são vistos, na mitologia, como portadores de maus presságios, surgindo muitas vezes associados a bruxas e feiticeiras. E à morte.
Hoje, temido e mal-amado por muitos, o corvo é muitas vezes morto pelos caçadores e agricultores sem qualquer razão ou por simples prazer. “Os agricultores, confundem corvos com gralhas, e em muitos casos, por não simpatizarem muito com estas aves, acabam por abatê-los, mesmo sendo uma espécie protegida”. Por outro lado, a utilização intensiva de pesticidas na agricultura acaba por ser responsável pela morte de muitas aves, que absorvem os venenos através dos animais de que se alimentam.
“Os corvos, tal como outros aves necrófagas, têm um papel muito importante no equilíbrio ambiental”, lembram os biólogos. Mas os poucos estudos feitos sobre a ave mostram que, em Portugal, pouco ou nada está a ser feito para proteger a espécie e evitar que os corvos se juntem à lista negra das aves em extinção.
Devíamos seguir o exemplo da Inglaterra, onde a ave é protegida pela própria rainha. Sempre que um dos famosos corvos da Torre de Londres morre ou desaparece é obrigação da Guarda Real proceder à sua substituição imediata. Tudo para que não se realize a profecia: Londres desaparecerá quando, na Torre, morrer o último corvo.
Muitas subespécies poucas diferenças
Os corvos vivem em bandos com estrutura hierárquica bem definida e formam, geralmente, casais monogâmicos. A sua alimentação é omnívora e inclui pequenos invertebrados, sementes e frutos; podem ser também necrófagos. O corvo é o maior de todos os corvídeos, chegando quase aos 70 cm de comprimento. Tem um bico forte e curto, e uma ‘barba’ hirsuta, que o distingue da gralha, também um pouco mais pequena.
Na Península Ibérica habita o Corvus corax hispanus, uma subespécie que se distingue do mais comum Corvus corax corax pelo tamanho, uma vez que “os animais do Norte da Europa tendem a ser um pouco mais robustos para melhor lidar com as condições adversas”.
Mas a verdade é que entre as diversas subespécies - e em todo o mundo existem mais de 40 - as diferenças não são geralmente muito claras, nem mesmo em termos de plumagem já que visualmente são todos pretos. “Estão relacionadas com pormenores como o tamanho das patas ou das asas e outros detalhes morfológicos apenas distinguíveis com as aves na mão” 3.


1. Ver www.birdlife.org
2. Ver http://avesdeportugal.info
3. Ver http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1295486&seccao=Biosfera

02/05/2007

Iniciativa: repensar o espaço público


"A iniciativa de instalar relva no Largo de Camões, na semana da nossa Primavera, para além de permitir a muita gente disfrutar melhor desta praça do coração da capital, comprova a importância de alguns aspectos fundamentais que caracterizam os bons espaços públicos."

Uma iniciativa original por cá, a merecer atenção. (E o blogue "Jardinando sem parar" menciona mais casos semelhantes, a ver)

16/04/2007

Miradouros de Lisboa

São mais de 30 os miradouros existentes em Lisboa. Uns mais conhecidos que outros, todos com uma perspectiva diferente da azáfama diária de uma cidade banhada pelo Tejo e presenteada, a maior parte das vezes, com um sol quente. Também conhecida pela Cidade das Sete Colinas, do seu alto a paisagem pode proporcionar memórias eternas e a melhor vista sobre a antiga Olissipo e o Tagus.
E para “pairar” sobre a capital nada como começar pelo Castelo de São Jorge, um dos monumentos mais visitados por locais e turistas, que tem ultrapassado a erosão dos anos, oferecendo uma vista idílica sobre a cidade e o rio. Do castelo altaneiro quem quiser espreitar o outro lado do Tejo, pode vislumbrar as formas da Serra da Arrábida.

Descendo a encosta do Castelo, mais um miradouro, desta vez, o de Santa Luzia. Com um pequeno jardim e decorado com dois painéis de azulejos relacionados com a conquista de Lisboa, este espaço mostra-nos a cidade de S. Vicente e de Alfama, com destaque para o Panteão Nacional. Um pouco mais acima estão as Portas do Sol. Perto da Sé de Lisboa, a vista perde-se novamente pelo rio e pelos seus bairros típicos. Próximo da colina do Castelo, numa outra elevação, desponta o miradouro da Graça.

O miradouro da Senhora do Monte apresenta-nos uma vista de 270 graus de Lisboa. Desde a Torre do Técnico ao Castelo de S. Jorge, a capital mostra-se em todos os seus aspectos. O Martim Moniz parece a um palmo, o Rossio logo ali ao lado, o Chiado desenha-se lá ao fundo e o Tejo abençoa a paisagem.

Na colina de Santana, junto ao Campos Mártires da Pátria, o jardim do Torel apresenta uma das ruas mais movimentas da capital, a Avenida da Liberdade. Mais acima desta artéria, no miradouro do Parque Eduardo VII uma das vistas mais geométricas da capital, desde o Marquês de Pombal até ao Rio Tejo. Mais à frente surge-nos a Penha de França, para uma visão do lado norte da capital. Para poente, o da Bela Flor com vista para Monsanto e o Aqueduto das Águas Livres.

Junto ao elevador da Glória, o miradouro de São Pedro de Alcântara passeia a vista desde o Castelo à Sé, passando pela Baixa, para além de um pouco do Tejo, a Igreja da Penha de França, a Igreja da Graça e São Vicente de Fora. Perto do elevador da Bica, desenha-se o miradouro de Santa Catarina, ou Adamastor, como também é conhecido devido à escultura lá existente, dá-nos a conhecer a Madragoa e a Lapa, a ponte 25 de Abril e o porto de Lisboa. De seguida, as Janelas Verdes e, mais a Ocidente, Lisboa pode ser ainda vista através do Alto de Santo Amaro, em Alcântara, ou do Moinho de Santana, na Ajuda, que se estende até à Torre de Belém 1.
Em boa parte dos miradouros de Lisboa o veraneante e o turista espraiam melhor a vista pela paisagem distante, do que sobre a sua ‘vizinhança’ e o estado em que muitos deles se encontram.