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17/09/2009

Luto contra o abandono dos animais

O Verão é tempo de férias e alegria, mas também de tristeza, para quem gosta realmente de cães. É nesta época do ano que se dão mais abandonos e a vida de muitos cães não volta a ser o que já foi.
Perdem o lar, a família que tinham e, em muitos casos, até a vida. É sem dúvida um fim de história muito triste, uma vez que, um lar e uma família são fundamentais para que um cão seja Feliz.
Esta podia ser apenas mais uma história pronta a cair no esquecimento, mas se os animais também aprendem porque não podemos nós fazer o mesmo e, aproveitando esta oportunidade, ajudar a transformar os erros do passado na expectativa de um futuro melhor, para os cães, mas também para nós enquanto seres humanos.
É essa a razão que o site ‘Luto contra o abandono’ conta com todos, esperando pela participação das pessoas neste movimento, passando a palavra e ajudando a espalhar uma onda de sensibilização com base em gestos simples, boa vontade e o desejo de poder transformar em sorrisos as lágrimas (uivos ou ganidos) de muitos cães.
Porque não basta apenas lamentar, junte-se a nós e assinale também o ‘Luto contra o Abandono’. De 1 a 18 de Setembro é preciso mostrar que estes cães não foram esquecidos e que é possível fazer um futuro melhor para muitos outros.
O apelo é para que seja utilizada a imagem do ‘Luto contra o Abandono’, no carro, no local de trabalho ou outros. Para ajudar, a sua imaginação é o limite.
Amanhã, 18 de Setembro, é dia de ‘Luto contra o Abandono’. Não os abandone também ao esquecimento. Vai ver que fazer a diferença é fácil.

24/08/2009

Conhecer a proto-história de Lisboa

«Com raras excepções, o cidadão de Lisboa não conhece nem a natureza nem a história do chão que pisa e no qual assentam as fundações do prédio onde vive.
Que sabe ele da sua história para trás do dia em que o malogrado Martim Moniz ficou entalado entre as portas do Castelo? Sabe, de facto, muito pouco. Mas ainda sabe menos de tudo o que aqui aconteceu antes de o primeiro humano ter pisado estas terras, milhares de anos atrás, e do que se passou nesta região há milhões de anos.
Não sabe que o calcário usado na construção dos Jerónimos e da maior parte da cantaria local nasceu num mar muito pouco profundo, de águas mais quentes do que as que hoje banham as nossas praias no pino do Verão.
Nesse mar raso, há cerca de 95 milhões de anos, populações imensas de moluscos com conchas mais espessas do que as das ostras cobriram os fundos e, proliferando umas sobre as outras, edificaram, camada após camada, os estratos de calcário que ainda podemos ver em vários pontos da cidade.
A maioria dos seus habitantes também não sabe que a pedra negra das velhas calçadas da cidade é basalto, ou seja, lava consolidada de vulcões que aqui estiveram em grande actividade há uns 70 milhões de anos. Não se dão conta de que o mar aqui regressou depois, há cerca de 23 milhões de anos, e que aqui se gerou, de novo, um ambiente construtor de calcário.
Por último, não lhes ocorre que as diversas fábricas de cerâmica, hoje desactivadas ou demolidas, que aqui moldaram o barro extraído dos próprios locais, só existiram porque esse mar recuou e passou a haver nesta região, há pouco mais de uma dezena de milhões de anos, uma paisagem aplanada, vestibular de um grande rio, povoada por mastodontes (grandes herbívoros ancestrais dos elefantes), grandes crocodilos e muitos outros animais entretanto extintos, cujas ossadas desenterradas dos respectivos sedimentos são objecto de estudo dos paleontólogos.
Páginas desta história, milagrosamente conservadas na densa malha urbana, são visíveis em alguns raros afloramentos rochosos nas ruas da capital. Porque escaparam ao camartelo ou porque não foram encobertos pelo betão ou pelo asfalto, são testemunhos valiosos que aqui nos ficaram desses tempos antigos.
À semelhança de um qualquer património construído, aceite como um monumento, também certas ocorrências geológicas devem ser entendidas como tal e, assim, merecer-nos a atenção e o cuidado de os legarmos aos vindouros como documentos de um património natural que a civilização, o progresso e, também, a ignorância foram destruindo ou soterrando».

Ler Galopim de Carvalho IN
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1342134

10/07/2009

Os corvos de Lisboa estão a desaparecer

Sabia que os corvos que se alimentam de sementes difíceis de partir as atiram para o meio de uma estrada e esperam que os carros as esmaguem para então as comerem? Ou que algumas espécies são capazes de fabricar e utilizar pequenos instrumentos para alcançarem uma refeição desejada?
Apesar das surpreendentes provas de inteligência, o corvo, um dos símbolos da cidade de Lisboa, é cada vez mais raro de observar nos céus da capital. O uso de venenos e pesticidas e o abate ilegal são as razões para a diminuição do número de exemplares. Portugal é mesmo um dos poucos países da Europa onde a espécie continua a regredir, de acordo com um estudo da Birdlife International 1.
Símbolo da cidade de Lisboa, o corvo tem vindo aos poucos a desaparecer das áreas urbanizadas. Portugal é mesmo um dos poucos países onde as populações desta ave inteligente estão a diminuir. E nada está a ser feito para as proteger.
Não está em vias de extinção, é verdade. Mas aparece no Livro Vermelho dos Vertebrados como ‘Quase Ameaçada’, não se sabendo ao certo o número de casais existentes em Portugal. Estima-se que sejam menos de dez mil indivíduos.
“O corvo é uma espécie muito importante, mas não é das mais ameaçadas e, por isso, com os escassos recursos afectos à área do ambiente e conservação, não tem sido uma prioridade”, diz Gonçalo Elias, que faz observação de aves há mais de 20 anos e que, no ano passado, lançou um portal na Internet 2, com informação sobre mais de 400 aves.
Em Portugal, o corvo, embora cada vez mais raro, pode ser visto em diversas zonas, com excepção daquelas mais densamente povoadas. Em Lisboa, por exemplo, “só encontramos corvos no cabo Espichel e no Algarve o mais comum é vê-los no cabo de S. Vicente”. No Interior têm uma distribuição mais contínua.
Algumas lendas contam que quando uma pessoa morre, um corvo carrega sua alma até o paraíso. Por isso, dois corvos figuram nas armas de Lisboa, pousados numa caravela, um à proa e outro à popa, vigiando o corpo de S. Vicente, o padroeiro da cidade, durante a viagem dos ossos do santo desde Sagres até Lisboa.
Aliás, não há muitos anos, era comum ver corvos nas tabernas dos bairros típicos da capital, passeando impávidos pelos passeios ou imitando as vozes dos clientes mais habituais.
Os corvos são principalmente necrófagos, embora se alimentem também de pequenas aves e mamíferos, numa dieta que inclui ainda ovos, caracóis e cereais. Devido aos seus hábitos alimentares e ao negro brilhante das suas penas, são vistos, na mitologia, como portadores de maus presságios, surgindo muitas vezes associados a bruxas e feiticeiras. E à morte.
Hoje, temido e mal-amado por muitos, o corvo é muitas vezes morto pelos caçadores e agricultores sem qualquer razão ou por simples prazer. “Os agricultores, confundem corvos com gralhas, e em muitos casos, por não simpatizarem muito com estas aves, acabam por abatê-los, mesmo sendo uma espécie protegida”. Por outro lado, a utilização intensiva de pesticidas na agricultura acaba por ser responsável pela morte de muitas aves, que absorvem os venenos através dos animais de que se alimentam.
“Os corvos, tal como outros aves necrófagas, têm um papel muito importante no equilíbrio ambiental”, lembram os biólogos. Mas os poucos estudos feitos sobre a ave mostram que, em Portugal, pouco ou nada está a ser feito para proteger a espécie e evitar que os corvos se juntem à lista negra das aves em extinção.
Devíamos seguir o exemplo da Inglaterra, onde a ave é protegida pela própria rainha. Sempre que um dos famosos corvos da Torre de Londres morre ou desaparece é obrigação da Guarda Real proceder à sua substituição imediata. Tudo para que não se realize a profecia: Londres desaparecerá quando, na Torre, morrer o último corvo.
Muitas subespécies poucas diferenças
Os corvos vivem em bandos com estrutura hierárquica bem definida e formam, geralmente, casais monogâmicos. A sua alimentação é omnívora e inclui pequenos invertebrados, sementes e frutos; podem ser também necrófagos. O corvo é o maior de todos os corvídeos, chegando quase aos 70 cm de comprimento. Tem um bico forte e curto, e uma ‘barba’ hirsuta, que o distingue da gralha, também um pouco mais pequena.
Na Península Ibérica habita o Corvus corax hispanus, uma subespécie que se distingue do mais comum Corvus corax corax pelo tamanho, uma vez que “os animais do Norte da Europa tendem a ser um pouco mais robustos para melhor lidar com as condições adversas”.
Mas a verdade é que entre as diversas subespécies - e em todo o mundo existem mais de 40 - as diferenças não são geralmente muito claras, nem mesmo em termos de plumagem já que visualmente são todos pretos. “Estão relacionadas com pormenores como o tamanho das patas ou das asas e outros detalhes morfológicos apenas distinguíveis com as aves na mão” 3.


1. Ver www.birdlife.org
2. Ver http://avesdeportugal.info
3. Ver http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1295486&seccao=Biosfera

19/06/2009

Não é arte nem cultura, é doentia

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa Centro indeferiu o pedido de autorização da Sociedade de Campo Pequeno para a actuação, ontem à noite, naquela Praça, de um menino-toureiro de 11 anos.
A decisão da Comissão tem por base o facto de a declaração médica apresentada ser subscrita por um pediatra e não por um médico do trabalho e a desproporcionalidade entre um animal de 160 a 260 quilogramas e uma criança de 11 anos.
Para a Comissão, esta desproporcionalidade “encerra inerentemente um perigo físico não tolerável”.
A deliberação da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa Centro foi acolhida pelos elementos da ANIMAL e pelos simpatizantes da causa com uma salva de palmas, continuando a ouvir-se algumas palavras de crítica tais como “bárbaros” e “incivilizados”, que obtêm como reacção dos aficionados “desapareçam, vão-se embora”.
À porta do Campo Pequeno, a vice-presidente da associação ANIMAL, considerou a decisão “uma vitória”. “Mais uma vez, a pressão da ANIMAL resultou a favor dos oprimidos e contra os opressores. Estas vitórias dão-nos ânimo e motivação, mostram que estamos do lado certo, do lado da justiça”, afirmou a responsável pela associação de defesa dos animais que mobiliza cerca de 60 pessoas em frente à entrada principal da praça de touros.
Os manifestantes anti-touradas estão protegidos por um gradeamento de segurança, de modo a evitar confrontos com os aficionados, e empunham cartazes e faixas com dizeres contra o espectáculo.
“A tauromaquia é doentia”, “tourada é tortura” e “tourada não é arte nem cultura” lê-se nesses cartazes e faixas. Alguns manifestantes envergam ‘t-shirts’ onde se lê “sou português, sou civilizado”, uma frase que responde aos fãs das touradas, que utilizam geralmente a frase “sou português, sou aficionado”.
O presidente da ANIMAL, esclareceu que a decisão da Comissão é válida apenas para a actuação desta noite em Lisboa mas que a associação fará todos os possíveis para que a actuação de Michelito seja interdita também sábado, em Portalegre.

28/05/2009

125 anos do Zoo de Lisboa

O administrador do Jardim Zoológico de Lisboa, que assinala esta 5ª fª o seu 125.º aniversário, confirmou que o Jardim Zoológico não está à procura de nova localização, uma vez, depois da remodelação de algumas instalações, está mais próximo do habitat natural dos animais.
O Zoo vai assim continuar no centro da cidade, em Sete Rios, porque o espaço reúne todas as condições de habitabilidade e é mais acessível para os visitantes. “Está fora de questão. É o centro da cidade mas é um espaço verde e é até um privilégio tê-los aqui no centro da cidade porque é muito mais fácil ter visitantes”.
A maior fatia de receitas do Zoo de Lisboa é o lucro das bilheteiras que representa entre 65 a 70% das receitas, apesar de os apadrinhamentos de animais também terem expressão no orçamento.
Um dos objectivos do Jardim Zoológico, que recebe cerca de 800 mil visitas por ano, é conservar as espécies, reproduzir aquelas que estão em risco de extinção e dar-lhes condições que se aproximem o mais possível ao seu ambiente natural. Por exemplo, depois da remodelação dos recintos dos tigres, que estavam enjaulados e agora estão num espaço mais natural, esta espécie teve uma cria, o que “já é um ganho”.
A tratadora de répteis refere que também os esforços de reprodução da tartaruga-panqueca-africana, uma espécie ameaçada pela captura para comércio ilegal de animais de companhia, têm tido sucesso.
Os animais chegam a comer 1.500 quilos de carne, frutas e legumes. Os tratadores escondem os alimentos e criam obstáculos para que a busca diária de comida não se torne rotineira nem fácil. A tratadora das aves explicou que são escondidos frutos secos em caixas de cartão para que as araras tenham de roer o cartão para chegar aos frutos.

10/05/2009

Bezerro em fuga na capital

Um episódio no mínimo insólito agitou esta manhã as ruas de Lisboa, onde um bezerro andou à solta, desde a zona da Pontinha até ao Campo Pequeno. Desconhece-se o porquê da escolha deste destino (teria pressentido que familiares seus ali tinham sido sacrificados?).
Fonte da PSP confirmou que o animal já foi capturado. Desconhece-se de onde vinha, mas sabe-se que acabou por provocar danos em duas viaturas da polícia, tendo obrigado à colocação de um dispositivo especial nas ruas, com mais de 7 viaturas dos bombeiros e PSP a percorrerem as artérias da cidade atrás do bezerro.

Risco de transmissão de parasitas por meio de dejectos caninos

A Faculdade de Medicina Veterinária, em cooperação com a CML, está a desenvolver um estudo baseado em amostras de dejectos caninos recolhidos em espaços públicos para avaliar o seu grau de contaminação parasitária.
Em comunicado, a CML informa que durante este ano e o próximo, “além de mais colheitas de fezes, estão a ser planeadas colheitas de amostras de solo e vegetação no máximo de locais públicos, em particular os mais utilizados para fins de lazer pelos lisboetas, em particular jardins, de modo a determinar o tipo e grau de contaminação ambiental e verificar o potencial de infecção humana”.
De 2007 para 2008, a percentagem de amostras positivas triplicou o que poderá estar relacionado com “um maior número de amostras pesquisadas ou com um aumento real de animais parasitados fruto, provavelmente, de reinfecções frequentes ou de programas de controlo anti-parasitário pouco eficazes”, refere a autarquia.
A Faculdade de Medicina Veterinária concluiu que, em 2008, na Alameda D. Afonso Henriques, na zona envolvente da Igreja de Santo Condestável, nos Jardins de Belém e da Torre de Belém foram colhidas “amostras positivas de parasitas gastrointestinais potencialmente transmissíveis ao homem”.
Perante estes resultados, a CML mostra-se preocupada com “o facto de os dejectos caninos constituírem, para além de uma das principais causas de sujidade dos passeios e jardins da cidade, um grave problema de saúde pública como consequência da contaminação dos solos”.
Assim, a Câmara decidiu incluir este estudo na actual campanha de sensibilização da população na esfera da limpeza urbana, “apelando à remoção dos dejectos por parte dos donos dos animais, sem cuja ajuda limpar Lisboa será uma missão impossível”.

Ver Lusa doc. nº 9634485, 05/05/2009 - 14:25

08/05/2009

“Os Verdes” e PCP propõem reduzir espectáculos com animais

A AR discutiu ontem a proibição do uso de animais nos circos. Enquanto no exterior, defensores dos animais e alguns artistas circenses unidos pela associação Acção Animal se manifestavam, ao início da tarde, “por um circo sem crueldade”, no hemiciclo os deputados votavam um projecto-lei do PCP e outro de “Os Verdes” e ainda um projecto de resolução do BE que, de formas e com timings diferentes, visam impedir a presença dos animais nos espectáculos circenses.


Nas contas das associações de defesa dos animais, há em Portugal 25 circos que recorrem a animais. “No total haverá cerca de 450 animais, metade espécies selvagens e metade domésticas”, contabiliza a Associação, em 2005, divulgou um vídeo gravado clandestinamente nalguns circos portugueses e que revelava imagens de maus tratos.
O vídeo mostrava desde elefantes a serem picados por aguilhões a póneis a serem chicoteados, passando por macacos a baterem com a cabeça nas grades das jaulas, evidenciando a incapacidade de actuação das autoridades responsáveis por assegurar o bem-estar dos animais.
O que o PCP propõe é o fim gradual dos animais nos circos. À excepção dos símios, que têm de ser entregues num prazo máximo de seis meses, a proposta prevê a entrega voluntária e gradual dos animais, mediante o pagamento de uma indemnização aos seus proprietários.
“São famílias inteiras que vivem do circo e que, se a lei muda, têm direito a ser ressarcidas. Não podemos agora tratar estas pessoas como criminosas”. Para garantir que, a prazo e de forma gradual, os circos deixarão de utilizar animais, o PCP propõe-se proibir a comercialização e a reprodução dos mesmos, a par da esterilização daqueles que se mantiverem durante mais tempo na posse dos circos. Para estes, o projecto prevê ainda a criação de um cadastro nacional, numa lógica de “efectiva responsabilização do Estado”.
Por seu turno, o Partido Ecologista “Os Verdes”, propõe a proibição imediata das espécies selvagens, estabelecendo para as domésticas um período de transição de cinco anos.
O projecto sugere ainda que a Direcção-Geral de Veterinária efectue uma inspecção a todos os circos um mês após a entrada em vigor da lei e inspecções periódicas “no mínimo de três em três anos”, reconhecendo o direito dos proprietários dos animais a serem ressarcidos. Ao mesmo tempo, “Os Verdes” definem contra-ordenações que oscilam entre os 500 e os 10 mil euros.

03/05/2009

Juntos pela biodiversidade

A extinção das espécies, com diminuição da biodiversidade, é um problema tão grande como o das alterações climáticas. É por isso que a comunidade internacional está a juntar cientistas, tentando levar algo a mudar.
O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas [Intergovernmental Panel on Climate Change, IPCC na sigla inglesa], organismo criado pelas Nações Unidas para avaliar o risco das mudanças do clima, mostrou como é forte a influência dos cientistas de todo o mundo sobre os políticos e sobre a opinião pública quando falam a uma só voz.
Este facto ficou provado uma vez mais em 2007, quando o IPCC, cerca de 20 anos depois do seu aparecimento, partilhou o Prémio Nobel da Paz com o ex-vice-presidente dos EUA. Mas e a biodiversidade? Precisa ligar a política à ciência?
Em 2005, em Paris, o então presidente francês fazia notar, num encontro internacional, a falta de peritos científicos reconhecidos numa área tão vital como o clima. Nos últimos quatro anos a ideia ganhou força e já há um organismo quase pronto que fará a ponte entre apolítica e a ciência.
Trata-se da Plataforma Intergovernamental para os Serviços da Biodiversidade e Ecossistema [Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, IPBES na sigla inglesa], que será composta por mais de 200 cientistas de todo o mundo.
A sua missão será publicar relatórios especiais que divulguem dados recolhidos por cientistas mundialmente conceituados. O principal objectivo é revelar indicadores comuns com alcance internacional e que façam aponte entre os distantes mundos da ciência e da política para que algo seja feito, e depressa!
“Provavelmente, o IPCC e o IPBES vão trabalhar em conjunto”, afirma o investigador que lidera o projecto até que a ONU assuma oficialmente a sua direcção, lembrando que existem ligações estruturais entre a biodiversidade e as alterações climáticas. “Pensem na floresta tropical que tem imensas reservas de carbono e que é simultaneamente um dos locais do mundo com maior biodiversidade”, explica o investigador.
O IPBES vai ter certamente muito trabalho nos próximos anos... Muita esperança está depositada neste novo organismo que deve estar oficialmente em funcionamento em 2010, ano que as Nações Unidas já designaram como “Ano da Biodiversidade”.

Ver Metro 2009-04-27, p. 6 IN
http://metropoint.metro.lu/20090427_Lisbon.pdf

29/04/2009

Sintra não apoia touradas ou espectáculos de circo com animais

A Câmara Municipal de Sintra aprovou um regulamento que condiciona a realização de espectáculos com animais, como touradas e circo, no concelho, garantindo que esses eventos não serão proibidos.
O Executivo camarário aprovou no dia 23 de Abril, em Assembleia Municipal, um regulamento que refere que «o apoio institucional ou a cedência de recursos, por parte da autarquia ficam condicionados a todo o tipo de eventos onde existam actos que inflijam sofrimento físico ou psíquico, lesionem ou provoquem a morte do animal».

O vereador do gabinete médico veterinário da Câmara Municipal de Sintra esclareceu que este regulamento não irá proibir a realização de eventos como as touradas ou o circo, mas sim «salvaguardar os direitos de protecção de todos os animais do concelho». «Sabemos que esta decisão tem a sua polémica, nomeadamente junto dos aficionados, mas isso não nos preocupa», sublinhou o vereador.
O novo regulamento prevê ainda a criação da figura do animal comunitário, um animal que, apesar de não ter um dono, se encontra protegido num espaço público [escolas, empresas] e incentiva a esterilização de todos os animais de companhia.
Em reacção a estas medidas da autarquia de Sintra, a associação Animal considerou hoje em comunicado que ainda «há muito por fazer», mas que «os passos políticos que estão a ser dados em vários municípios são de extraordinária importância» 1.
Se for a Sintra e assistir a uma tourada ou a um espectáculo de circo onde entrem animais é porque a lei está a ser violada. A Assembleia Municipal decidiu proibir, na última reunião, este tipo de espectáculos, na sequência da aprovação do Regulamento de Animais de Sintra.
A medida, tomada na última quinta-feira, contou com os votos favoráveis do Bloco de Esquerda e da maioria do PS e da coligação “Mais Sintra”. Já a CDU e alguns deputados do PS e da coligação votaram contra.
Para o Presidente da Animal, “o ano de 2009 está a ser absolutamente histórico para o progresso político da protecção dos animais em Portugal. Ao fim de muitos anos de luta com importantes consequências sociais mas sem consequências políticas a favor dos animais, a Animal está finalmente a testemunhar a concretização de medidas importantíssimas para os animais de Portugal, nomeadamente as tomadas em Viana do Castelo, Braga, Cascais e, agora, Sintra”.
E acrescenta, em comunicado: “Com a continuação do trabalho até aqui desenvolvido, reforça-se a convicção da Animal de que não tardará muito até que Portugal seja um país livre da tortura de animais em touradas e da brutalização e subjugação de animais em circos”.
Recorde-se que, no início do ano, Viana do Castelo foi a primeira a dar um passo no sentido de se declarar uma “cidade anti-touradas”. Depois, os presidentes da Câmara de Braga e de Cascais anunciaram a proibição de touradas nos seus concelhos, sendo que este último também não permitirá espectáculos de circo com animais em estruturas desmontáveis.
De acordo com uma sondagem citada pela Animal, feita em Março de 2007, 61,1 por cento dos habitantes do norte do país declaram querer que as touradas sejam proibidas por lei em todo o país e 64,5 por cento que declaram querer que as cidades e vilas em que residem sejam declaradas cidades e vilas anti-touradas 2.

1. Ver http://diario.iol.pt/sociedade-regioes/sintra-vila-touradas-circo-tvi24-camara/1060264-4556.html
2. Ver
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377028

28/04/2009

Animais em risco de morrer de fome

A presidente da União Zoófila confessou estar “muito assustada” com o facto dos armazéns de alimentos da instituição estarem quase vazios. Com cerca de 500 cães e 200 gatos para alimentar diariamente, a responsável calcula que as actuais reservas de ração “só cheguem para mais ou menos 15 dias. Costumamos ter três armazéns de ração cheios, mas, nesta altura, tenho apenas meio armazém”, explica, enquanto exibe arcas e contentores vazios.
Apesar das graves dificuldades financeiras - são cada vez mais os sócios que não pagam as quotas - a União Zoófila vai comprando alguma comida e sobrevivendo à custa da generosidade de algumas - poucas, insuficientes – pessoas. “Temos mendigado aos amigos para que tragam uma latinha por dia”, prossegue a responsável, sublinhando, por exemplo, a gravidade da escassez das “latas de patê”, fundamentais para se fazer a mistura. Falta ainda a medicação para os animais doentes: 142 cães, neste caso.
Por outro lado, as instalações da União Zoófila - instituição com 57 anos de história - encontram-se visivelmente degradadas. Há mais de dois anos que não se fazem obras de manutenção e chove em várias ‘boxes’. Também já não há espaço para receber mais animais. Está sobrelotada de dois tipos de cães: os errantes (ou chamados ‘vadios’) e aqueles que já tiveram donos, muitos deles de raças como Dálmata, Golden Retriever, ou Husky Siberiano.
“São quase todos cães abandonados”, explica, citando “muitos casos em que os donos morreram e os familiares não quiseram ficar com eles” ou situações em que “se a criança espirra, a culpa é logo do cão”.
Na óptica da responsável, a crise financeira tem também levado muita gente a deixar os cães junto ao portão da instituição. “Se têm um animal em casa é logo a primeira coisa a cortar. Não cortam nas idas ao cinema, nas férias, nos restaurantes. O animal é o primeiro a ser sacrificado”.
A União Zoófila conta com 11 trabalhadores remunerados - sete tratadores e quatro veterinários - e cerca de 50 voluntários. Além de algumas ajudas de particulares, os apoios escasseiam.
A CML, por exemplo, cedeu o terreno mas, diz a responsável, “actualmente apenas faz o favor de vir buscar os cadáveres uma vez por semana”. Frisa que as autarquias deviam adoptar outra política de apoio aos animais: “Podiam proporcionar a esterilização dos errantes e a vacinação gratuita”.
A presidente da União Zoófila lamenta também que a EPAL “não tenha um gesto simpático”, fazendo “um desconto na conta da água” apesar de vários pedidos nesse sentido. “Nós não ganhámos nada com isto, a não ser ficarmos com o coração mais cheio com os sorrisos e a simpatia que os cães e os gatos nos podem devolver”.

11/03/2009

Objectos deixados pelo público matam animais no Zoo

Com mais de 300 espécies para tratar, o dia a dia dos veterinários do Zoo de Lisboa é tudo menos rotineiro. A rotina é feita de partos e cesarianas, patas magoadas, conjuntivites, problemas gastro-intestinais e traumatismos resultantes de lutas: “todos os dias pode haver algo de novo, é imprevisível”.
O mais grave é que pelas suas mãos passam, para além das constipações banais, doenças causadas por objectos atirados pelos visitantes e que os animais engolem. Muitos acabam por morrer.
Foi o que aconteceu na semana passada a um aligátor, em cujo estômago foram encontradas duas garrafas de plástico e outros ‘alimentos’ pouco convencionais, incluindo uma moeda do tempo do escudo, como contou uma das especialistas que trabalham no hospital do Zoo. Segundo a veterinária “as garrafas nunca iriam passar para o intestino, porque o orifício é bastante estreito, e acabaram por lhe provocar a morte”.
Infelizmente, apesar dos apelos contrários dos cartazes, o público insiste em atirar aos animais garrafas e sacos de plástico, latas de coca-cola, amendoins e bolachas que podem provocar gastrites e diarreias.
Preferencialmente, o tratamento é feito no local onde os animais se encontram, para evitar o stress que implica uma deslocação. O hospital actual, que substituiu a antiga clínica, inclui os cuidados hospitalares, uma enfermaria e uma zona de quarentena.
É neste espaço isolado que ficam todos os animais que são recebidos de outros zoos para evitar a transmissão de doenças, sublinhou o administrador do Jardim Zoológico. Nalguns casos - carnívoros ou grandes primatas - o internamento pode ir até três meses.
O hospital, que já mereceu os elogios da Associação Europeia de Veterinários da Vida Selvagem e de Jardins Zoológicos, dispõe ainda de um laboratório de apoio de apoio à inseminação artificial. O processo está a ser realizado agora em chitas e já deu frutos em 2001 com uma ninhada de tigres da Sibéria.
No jardim zoológico trabalham cinco veterinários vocacionados para animais marinhos, clínica geral e cirurgia, que actualizam permanentemente os seus conhecimentos face às 250 espécies diferentes que têm de tratar.
Actualmente, os animais, mesmos os mais perigosos, podem ser tratados sem necessidade de anestesia, graças a sistemas de contenção que os imobilizam, impedindo ataques aos veterinários. Apesar de tudo, a vigilância deve ser constante e os ‘sustos’ também fazem parte da rotina destes profissionais.
E “este trabalho envolve riscos”, recorda o veterinário. É que a filosofia do zoo passa por manter os animais selvagens. “Queremos que os animais mantenham a sua natureza, vitalidade e agressividade”, que garante combater “a humanização”. “É importante garantir a segurança das pessoas, mas também pensamos em maneiras de defender os animais dos visitantes”, ficando o apelo para que não se atire comida ou objectos aos animais.

Ver
www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=28985&idSeccao=479&Action=noticia

01/02/2009

Borboletas em fuga devido às alterações climáticas

O romancista inglês Charles Dickens escreveu um dia: “Só peço para ser livre. As borboletas são livres”. Mas serão mesmo?
Com efeito, uma borboleta mediterrânea que voava pelos Alpes já fez soar o alarme e uma investigação sobre o efeito das alterações climáticas na Europa deu o aviso: as borboletas podem desaparecer do continente nas próximas décadas, voando para Norte, mas outras podem mesmo extinguir-se, incluindo as que têm o seu habitat em Portugal.
O Sul da Europa será a zona mais fustigada, uma vez que as espécies vão começar a fugir para norte para procurarem temperaturas mais amenas. Portugal não é excepção e, provavelmente, perderá muitas espécies.
O estudo ‘Climatic Risk Atlas of European Butterflies’ veio dar a confirmação: se a temperatura do planeta continuar a aumentar a um ritmo elevado, dentro de décadas os entomólogos europeus terão de se mudar todos para a Escandinávia, pois será este o único local do Velho Continente onde encontrarão borboletas.
Este estudo, organizado por peritos de cinco países, refere que a subida dos termómetros, num primeiro momento, vai alterar o ciclo reprodutivo dos insectos. Porém, há outras consequências graves do aumento da temperatura: o desaparecimento de vários tipos de vegetação. Ora, sem plantas, não há borboletas.
Por isso os responsáveis deste estudo não têm dúvidas de que os humanos deviam tomar este como um sério aviso, porque, se agora são estes pequenos animais a sentir as alterações climáticas na pele, mais tarde serão os seres humanos.
Esta fuga das espécies para Norte pode ter também um outro efeito. Em Portugal, por exemplo, vai começar a existir uma ‘invasão’ das espécies típicas do Norte de África. No Alentejo, as borboletas-monarcas têm aparecido a um ritmo alucinante. Esta espécie, típica do Norte de África, começou por ser vista na Andaluzia, mais tarde no Algarve e, hoje, já são várias populações com habitat em Odemira.
A presidente do Centro de Conservação das Borboletas de Portugal corrobora a ideia de que as alterações climáticas terão um “efeito devastador” nas espécies e alerta para “várias extinções de borboletas no Norte de Portugal”.
Já o autor do livro Borboletas em Portugal lembra aquela que “as borboletas para sobreviverem vão acabar por fugir para as montanhas, para a altitude, já que estes são territórios mais poupados pelo homem”.
Lembra ainda que há muitas espécies que não conseguirão ir longe, pois “se no próximo século não for nada feito em termos de aquecimento global, daqui a 50 anos, há espécies que não vão para Norte nem vão para lado nenhum, vão desaparecer”, lamenta este especialista português. A ‘fuga’ das borboletas para Norte será muito difícil, uma vez que muitas espécies não passarão a difícil barreira física que são os Pirinéus”.
Donde, o aquecimento global ameaça assim ser o grande responsável pelo desaparecimento das borboletas. Os europeus devem tomar este facto como um aviso. Porque, como alertam os biólogos responsáveis pelo estudo, “hoje são as borboletas, amanhã podem ser os humanos”.

21/12/2008

Protestos contra violência sobre animais

A Associação Animal promove hoje junto a três circos estacionados em Lisboa um conjunto de acções de protesto contra as ‘evidências’ de violência sobre animais, apelando ainda à proibição do seu uso neste tipo de espectáculos.
A denúncia será marcada frente ao circo do Coliseu dos Recreios, Circo Chen e Circo Victor Hugo Cardinali, todos em Lisboa, com panfletos, faixas, fotografias e megafones, de forma a relatar “acidentes, mortes e episódios de violência”.
Segundo o presidente da Animal, “pretendemos assinalar e denunciar as muitas evidências de crueldade contra os animais nos circos e sensibilizar as pessoas sobre o que se passa antes e depois do espectáculo”, pois “a actual regulamentação e inspecção não são suficientes. Portugal tem de seguir o caminho que outros países, com a Alemanha, seguiram, no sentido de proibir ou restringir o uso de animais no circo”.
Acrescenta a Associação que está a trabalhar com os diferentes grupos parlamentares para que a proibição da manutenção e uso dos animais em circos em Portugal seja decretada no contexto da nova lei de protecção animal.
“Tantas são as evidências que a dado momento os decisores parlamentares percebem que a solução só pode ser essa. Tem havido da parte dos partidos uma receptividade institucionalmente positiva, no entanto, contida. Mas estou confiante”.

Ver
http://aeiou.visao.pt/Pages/Lusa.aspx?News=200812219137779

08/10/2008

Tartarugas exóticas constituem ameaça às espécies autóctones

Em todo o mundo há 267 espécies de tartarugas de todos os tipos: marinhas, terrestres, ou de água doce, todas com milhões de anos de existência. Surgiram na Terra antes mesmo dos dinossauros e têm conseguido sobreviver, apesar das incontáveis mudanças de habitat que já enfrentaram.
Mas as duas espécies de tartarugas de água doce, ou cágados, como é costume chamar-lhes, que existem em Portugal estão sob ameaça devido à introdução de animais exóticos e destruição do 'habitat' natural. A poluição dos rios e lagos, e também dos charcos associados à agricultura, é outra ameaça.
Em pequeninas são muito giras, por isso muita gente as compra. Mas depois as pequenas tartarugas-verdes crescem (podem chegar aos 30 cm) e as pessoas deixam de lhes achar graça, ou de ter espaço para elas, e soltam-nas em lagos ou rios.
Por isso, estas tartarugas exóticas, que são por vezes agressivas e comilonas, estão a pôr em risco as duas únicas espécies de tartarugas de água doce que existem em Portugal: a Emys orbicularis (cágado-de-carapaça-estriada) e a Mauremys leprosa (cágado-mediterrânico).
Não se sabe ao certo quantos indivíduos tem cada uma destas populações autóctones no País. O que se sabe é que têm sofrido pressões ambientais que as colocam em risco, como a poluição dos cursos de água e a competição crescente das espécies exóticas. O cágado-de-carapaça-estriada está mesmo classificado com o estatuto de conservação de ‘em perigo’.
Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade “colocar uma espécie exótica no ambiente é sempre um problema, já que os seus efeitos são desconhecidos”. Vários estudos comprovam que estas tartarugas competem com os cágados que existem em Portugal, pois têm uma atitude predadora. O problema vai além fronteiras e hoje a sua importação é proibida 1.
Primeiro, não as adquira. Segundo, evite libertá-las em ambientes hostis; opte por as entregar em centros de recuperação de animais.

16/09/2008

O regresso da ave cor-de-rosa

Até há pouco ameaçados pela caça e pela poluição, os flamingos estão de regresso, colocando manchas de rosa nas águas calmas do Tejo e do Sado. Há hoje mais de cinco mil animais que aqui vivem todo o ano, voltando aos lagos salgados de Espanha apenas para se reproduzirem.
O certo é que nenhum dos flamingos-comuns que escolheram as zonas húmidas de Portugal para viver nasceu no nosso país. São portugueses por ‘adopção’. Quase todos nasceram Espanha; outros, poucos, vieram de França. Mas gostam de cá estar e o número destes graciosos pernaltas vai aumentando. O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) estima que nos estuários do Tejo e do Sado existam cerca de cinco mil exemplares. E já começaram a chegar aos açudes do Alentejo.
Mas, afinal, porque escolheram as zonas costeiras de Portugal para viver e se, além do mais, já por aqui ficam quase durante todo o ano? A sábia Natureza tem a resposta na ponta língua. Só quem tem casal se desloca às zonas de reprodução, que na ‘época alta’ se encontram sobrelotadas.
As algas e a artémia, um pequeno camarão que existe nos tanques das salinas quase em fase de cristalização, são o alimento preferido. Aliás, aquela cor rosada que distingue o flamingo deve-se, precisamente, a esta dieta. Quando nasce, a ave tem uma vulgar tonalidade castanha e cinzenta, que passa a branco com o crescimento, antes de começar colorir as penas de rosa. Algas e alguns insectos compõem a sua dieta-base.
As salinas do Samouco, junto à Ponte Vasco da Gama, são o local onde os flamingos são mais visíveis ao público. Dormem enquanto a maré está cheia e só na vazante procuram o camarão entre o lodo. Já no Inverno dão preferência aos insectos dos arrozais.
As medidas da defesa do flamingo adoptadas por Espanha, França e Itália, há uns anos, explicam porque é que em Portugal, onde deixaram de ser caçados, a população tem aumentado. Sendo uma ave sensível à poluição das águas e à perturbação dos nichos, requerem a preservação do seu meio ambiente.
Trata-se de um pormenor a ter em consideração nas próximas intervenções urbanísticas previstas para as frentes ribeirinhas do Tejo.

Ver
http://dn.sapo.pt/2008/09/14/sociedade/a_corde_rosa_escolheu_o_tejo_para_vi.html

08/08/2008

Visita ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa

Ontem, o Grupo Municipal de “Os Verdes” efectuou uma visita ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa, no seguimento de vários pedidos de alerta para as condições do mesmo.

Quando ali chegámos formos calorosamente recebidos e as portas abriram-se, sem nada esconder.

Cá fora, as novas instalações estavam cheias. Os animais ladram a pedir carinho, o seu olhar triste pede-nos que os tirem dali. À parte disso as instalações estão bem pensadas, têm espaço e estão limpas. Em todo o caso, os animais precisavam de mais. Mais atenção, carinho, alguém que os passeie, os escove, lhes dê atenção e brinque com eles. Que minimize a sua estadia por ali.

Lá dentro os canídeos continuam em espaços pequenos, mas os projectos de ampliação do canil/gatil continuam e há um projecto no exterior que vai poder ser ocupado por mais animais. Quando este estiver terminado, aquele local que agora está mal ventilado e com cheiro nauseabundo será remodelado e com certeza que terá outras condições para estes animais abandonados.

O local onde os gatos estão sempre foi diferente. O cheiro é mais suportável e as suas necessidades são bem diversas das dos cães. Mas para eles também há projectos.

Decorre por parte da Autarquia o Projecto CER (Captura, Esterilização e Recolocação). E em que consiste este programa? A Captura dos animais, e o despiste das principais doenças e, no caso dos gatos saudáveis, a esterilização e libertação de novo no local, em número adequado aos espaços e características do local.

Infelizmente, e no nosso entender, este Projecto não está a ser difundido e ainda há um grande desconhecimento sobre o mesmo.

Este mês houve um abandono massivo de animais na via pública, em Lisboa. Só no mês de Julho foram abandonados 203 animais. A Câmara não pode dar resposta a este número e quando se refere que não há vontade, é de todo falta de conhecimento. As pessoas responsáveis pelo canil/gatil municipal são conscientes e preocupadas. Mais não podem fazer, apesar dos esforços. A culpa não é da Câmara Municipal, é de quem abandona os seus animais, é da falta de consciência e de escrúpulos dos donos.

Ao longo do ano as pessoas vão comprando/adoptando animais e quando querem ir de férias esquecem-se que estes amigos de quatro patas fazem parte da família, deixando-os para trás, sem olhar, sem peso na consciência. Há alguns programas que se desconhecem, como as FAT (Famílias de Acolhimento Temporário), que tomam conta de animais por um período de tempo. Há empresas de Petsitting que tanto podem ficar com o seu animal, como ir a sua casa e tratar deles. Como exemplo e para conhecerem, podem dar uma vista de olhos numa que pode ser consultada em http://www.petsitting.com.pt/

Algumas associações e alguns individuais reclamam pelas condições do Canil/Gatil Municipal. Mas voluntariam-se para ir até lá e ajudar? Tentam encontrar soluções e dar um pouco do seu tempo? Não! Fala-se muito e faz-me muito pouco, NADA até.

É pena. É pena pois apercebemo-nos do empenho dos funcionários e responsáveis e se mais não fazem é porque não há condições financeiras e humanas.

Mas esperamos que isto mude. A CML contratou dez novos tratadores que concerteza irão dar outro dinamismo ao local e que contribuirão por certo para que haja mais bem estar entre os animais que ali estão.

Continuamos a apelar a voluntários, a quem queira dar um pouco de tempo e carinho, que ajude a minimizar a dor e a tristeza destes pequenos e indefesos amigos.
Mais informações sobre o Canil/Gatil Municipal de Lisboa poderão ser obtidas no site http://lisboalimpa.cm-lisboa.pt/

Se não tem condições de levar de férias o seu animal, tente encontrar uma solução (um hotel, quem faça petsitting, uma FAT). Em Lisboa poderá entrar em contacto com o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, Gabinete de Relações Públicas, sito na Rua da Boavista, 9 ou através do telefone número 213 253 555 (entre as 9 e as 17.30h) ou ainda através dos emails : dhurs@cm-lisboa.pt; lisboalimpa@cm-lisboa.pt

Neste Verão não abandone o seu mais fiel amigo, ele nunca o abandonaria!

04/08/2008

Golfinhos do Tejo

Foram avistados golfinhos no Tejo nas últimas semanas, umas vezes na Margem Sul e outras na zona ribeirinha de Lisboa. Ao contrário da crença comum, segundo a qual esta espécie desaparecera do Tejo na década de 60 do século passado, os golfinhos voltaram a surgir no rio. Embora o facto possa espantar o cidadão comum, biólogos marinhos e profissionais que trabalham no rio dizem que não é de todo inédito o aparecimento destes mamíferos no estuário nos últimos anos 1.
Apesar de também apelidados de ‘roaz corvineiro’, não são só as corvinas que fazem as suas delícias. Comem o que lhes aparece: choco, incluindo espécimes recém-nascidos, cavala e outros pitéus.
Um mestre da Transtejo confirma-o: “De há seis ou sete anos a esta parte, têm aparecido grupos de quatro ou cinco, e quando eu fazia a carreira do Montijo avistava-os com regularidade entre Junho e Julho. É nesta altura que o peixe vem fazer a desova no estuário, e eles vêm à procura de alimento”. O mestre diz que os encontrava com maior frequência no mar da Palha, por se tratar de uma zona mais limpa.
Mas associar o regresso dos Tursiops truncatus (nome científico) à melhoria da qualidade da água do Tejo pode ser enganador. “As ostras, que seriam prova disso, continuam desaparecidas”, nota um dos responsáveis pela Reserva Natural do Estuário do Tejo. “Podem ter aparecido por acaso, em perseguição de cardumes”.
“Portugal é dos países do mundo com maior número de espécies de golfinhos e baleias, e dos mais famosos a nível internacional para a sua observação” turística, garante um biólogo. Porque terão então regressado? “Podem ter vindo explorar o rio, procurar comida, ao engano ou a fugir de algum predador”. “Volta e meia aparecem e volta e meia desaparecem”, resume um agente da Polícia Marítima.
“Se entrarmos na água, podemos transmitir-lhes vírus e bactérias", esclarece ainda o biólogo. E como pesam até 450 quilos e medem até 3,5 metros de comprimento, uma palmada com a cauda ou com o bico, mesmo que amigável, pode ter consequências pouco agradáveis.
Um conselho: se estiver num barco e vir um a passar não vá ter com ele. Não só porque é ilegal - a lei obriga a que qualquer barco respeite uma distância de pelo menos 50 metros, a menos que seja o mamífero a aproximar-se - como porque pode ser também perigoso 2.

26/07/2008

Invasão de medusas revela Mediterrâneo doente

Uma missão científica no Mediterrâneo de um grupo de especialistas detectou a presença de grande número de medusas junto às costas da ilhas Baleares, levando-os a concluir que são as actividades humanas quem estão na sua origem. O diagnóstico é de uma equipa de biólogos marinhos da organização Greenpeace e do Instituto de Ciencias del Mar (ICM), em Espanha, que fizeram nas últimas semanas uma campanha de observação a bordo do navio Artic Sunrise, da organização ecologista.
Cada vez em maior número, as medusas regressam todos os anos por esta altura às águas do Mediterrâneo. Nas ilhas Baleares, os veraneantes apercebem-se do problema, porque estes seres gelatinosos lhes estragam os banhos de mar. Mas a questão é mais profunda. A presença crescente destas criaturas marinhas na região denuncia, afinal, o desequilíbrio ecológico ali existente.
“As medusas são o paradigma do desequilíbrio ambiental das nossas águas”, afirmou a propósito uma bióloga do ICM espanhol. Mas há outras causas para a proliferação das medusas naquela, e noutras zonas, do Mediterrâneo, adiantam os ecologistas. Entre elas, com a maior fatia de responsabilidades, estão “uma maior afluência de nutrientes às águas do mar”, com a pressão da “urbanização costeira” e da agricultura intensiva a gerarem essa contaminação, a diminuição da entrada de água doce na bacia oceânica, devido aos caudais mais reduzidos dos rios que ali desaguam e outros desequilíbrios do ecossistema.
Esta campanha de observação pretendeu também chamar a atenção para “a necessidade de combater as causas que originam a presença crescente de medusas nas costas baleares a cada novo ano, como única forma de resolver o problema”. Entre essas causas está também a diminuição crescente, ao longo dos últimos anos, dos predadores das medusas. Esses predadores são espécies de maior parte, como o atum e as tartarugas marinhas.
Os primeiros têm sido sujeitos a uma pesca intensiva, o que acabou por provocar uma queda acentuada nos efectivos da espécie. As segundas, além de afectadas pela poluição, são também sensíveis ao aumento da temperatura das águas, registada nas últimas décadas devido às alterações climáticas. E esta é outra questão para a qual biólogos e ecologistas chamam agora inevitavelmente a atenção.
Desde o século XIX, as águas superficiais do Mediterrâneo sofreram um aumento de temperatura da ordem dos 0,6 graus, o que é outro incentivo importante para as medusas. É que estes seres gelatinosos, que são nocivos para outras espécies mais vulneráveis, como é o caso dos corais, “gostam” muito de águas quentes.

Ver
http://dn.sapo.pt/2008/07/25/ciencia/invasao_medusas_revela_mediterraneo_.html

08/06/2008

Tribunal proíbe RTP de transmitir tourada

A RTP tem anunciado a transmissão da “44ª Corrida TV” para hoje, domingo às 17h, a partir da Praça de Touros Celestino Graça.
Todavia, o Tribunal de Lisboa proibiu a RTP de emitir antes das 22h30 a corrida de touros por considerar que o programa é violento e susceptível de influenciar negativamente crianças e adolescentes. A decisão foi tomada na sequência de uma providência cautelar interposta pela Associação Animal 1 que visava restringir a exibição televisiva de touradas pela estação de televisão.
Considerando que a transmissão de touradas “é susceptível de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescente", como se lê na sentença judicial, o tribunal ordenou que a emissão só possa acontecer entre as 22h30 e as 6h00 e acompanhada de um identificativo visual permanente sob pena de a estação ter de pagar 15 mil euros e incorrer em pena de crime de desobediência qualificada.
A decisão foi qualificada pela associação Animal como “verdadeiramente notável” por confirmar as “alegações avassaladoras contra a exibição televisiva de touradas e contra os perigos que esta representa - justamente pela violência contra os animais que exibe”.
Agora a Animal quer avançar com a acção principal do processo que pretende, como explicou o presidente da associação, que as televisões “não voltem a transmitir touradas fora do período compreendido entre as 22h30 e as 6h00 e sem a difusão permanente de um identificativo visual apropriado”.
“Acreditamos que a atitude certa que a RTP deveria tomar seria a de não voltar a emitir quaisquer touradas. Trata-se de um espectáculo que foi considerado violento e inadequado para crianças e adolescentes por um tribunal” 2.

1. Ver
www.animal.org.pt
2. Ver Lusa doc. nº 8405119, 2008-06-04 - 17:35