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27/08/2013

COMUNICADO DA CNA SOBRE INCÊNDIOS FLORESTAIS EM PORTUGAL


OS INCÊNDIOS FLORESTAIS E AS POLÍTICAS “PIRÓMANAS”

Assim que se conjugam condições climáticas mais propícias, aí temos os incêndios florestais com o seu cortejo de destruição e tragédias.
As chamas destroem teres e haveres enquanto as Populações desesperam. Os Bombeiros andam exaustos e, lamentavelmente, alguns perdem a vida. As Corporações de Bombeiros perdem viaturas, equipamentos e ficam sem recursos financeiros. Por cima, os pilotos dos meios aéreos de combate aos incêndios têm uma “vista panorâmica” do inferno enquanto despejam os baldes e tanques cá para baixo. As televisões mostram e remostram, em directo e em diferido, reportagens alucinantes do “espectáculo” ! Os governantes falam, falam e, para desviar as atenções do essencial,centram-se nas detenções dos suspeitos de fogo posto…

RUÍNA DA AGRICULTURA FAMILIAR - FALTA DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS -
- ATRASOS, ERROS E FALHAS GRAVES NO ORDENAMENTO FLORESTAL –

Eis o conjunto das principais causas que determinam o mau estado geral da floresta portuguesa onde um qualquer acidente ou imprudência podem ter a “potência” de uma bomba de napalm !... Tudo isto são consequências das políticas agrícolas e florestais verdadeiramente “pirómanas! A estas, podemos ainda juntar motivações de interesses económicos ilícitos.
Más políticas Agro-Florestais aplicadas por sucessivos governos ao longo de muitos anos. Com a ruína da Agricultura Familiar e o êxodo das Populações Rurais; com a falta de prevenção de incêndios florestais de forma sistemática e organizada; com a ausência de ordenamento florestal de que apenas tira proveito a floresta industrial (monocultura) de espécies de crescimento rápido.
Continua-se a gastar no combate quase 4 vezes mais o que não se gasta em prevenção Agora, às más políticas agro-florestais o governo junta as imposições fiscais sobre a Lavoura que vão provocar ainda mais abandono da actividade agrícola. 

O GOVERNO DEVE INDEMNIZAR POPULAÇÕES PELOS PREJUÍZOS!

A CNA reclama ao governo o levantamento criterioso dos prejuízos (culturas, gado, alfaias, equipamento, habitações, entre outros) que atingem severamente os Agricultores, os Produtores Florestais e a População em geral para atribuir indemnizações a serem pagas com a maior urgência.

SIM ! SÃO NECESSÁRIAS OUTRAS E MELHORES POLÍTICAS AGRO-FLORESTAIS !
SIM ! É NECESSÁRIO OUTRO GOVERNO CAPAZ DE AS DEFINIR E APLICAR !

Coimbra, 26 de Agosto de 2013 // A Direcção Nacional da C N A
CNA: Pessoa Colectiva de Utilidade Pública
Filiada na Coordenadora Europeia – Via Campesina – Sede em Bruxelas
Sede:Rua do Brasil, 155 –3030-175 Coimbra · tel. 239708960 · fax239715370 · e-mail cna@cna.pt · site www.cna.pt
Delegação em Lisboa: R. Jardim do Tabaco, 90 -1º Dtº -1100-288 Lisboa · tel. 213867335 · fax 213867336 ·e-mail cna.lisboa@cna.pt
Delegação em Bruxelas: Rue de la Sablonnière 18– 1000 Bruxelas/Bélgica · e-mail: cna.bruxelas@cna.pt

12/09/2009

Consumidores à espera de preços mais baixos nos produtos biológicos

Os produtos biológicos já valem três milhões de euros para algumas lojas de cadeias de hipermercados, “apenas na área alimentar”, mas este tipo de produtos só deixará de ser um nicho de mercado quando os preços descerem para o nível dos produtos convencionais.
No que respeita aos valores pagos, outra cadeia avançou que “os produtos biológicos têm habitualmente um preço 10 a 30% superior aos produtos convencionais”.
Um especialista na área da distribuição, defende que os produtos obtidos através de um modo de produção biológico “são ainda um nicho de mercado”, uma situação que poderá alterar-se quando os valores a pagar baixarem, já que, actualmente, “a diferença de preço [face aos convencionais] ainda é muito grande. Portugal tem cada vez maior oferta nos super e hipermercados, o que prova que há procura”, embora o peso destes produtos no total das vendas seja ainda reduzido.
Quase todos os produtos biológicos agrícolas vendidos em Portugal são de origem nacional, ao contrário do que acontece com os bens transformados que, como é possível constatar em espaços de alguns pequenos supermercados especializados, apresentam marcas essencialmente estrangeiras.
Os principais produtos biológicos comercializados são frutas, vegetais e carne, mas também estão disponíveis produtos de mercearia, como azeite, arroz, bolachas, sumos ou sobremesas, produtos lácteos e seitan ou tofu.
Nalgumas lojas são vendidos produtos biológicos com marca própria, “certificados por uma entidade externa”, senso cerca de 36 referências de carne, frutas e vegetais.
Com mais de mil referências, outro hipermercado regista um “crescimento significativo” do volume de negócios, “acima dos 20&”, como refere um director de Compras.
Fonte afirma que tem cerca de 90 artigos 'bio', em categorias alimentar e de perecíveis, e salienta que “a estreita relação [da empresa] com os seus fornecedores, a compra directa à produção e a garantia de escoamento, no âmbito do Clube dos Produtores da Sonae, têm vindo a criar uma maior acessibilidade a estes produtos”.

18/06/2009

Horta à porta


Ainda a propósito do anterior ‘post’ “Agricultores urbanos de hortas biológicas”, de antes de ontem, para quem não pode ter e manter uma horta, por falta de espaço, por falta de tempo ou por qualquer outra razão, mas pretende trazer à sua mesa o melhor que a natureza tem para nos dar, livre de produtos químicos, surgem cada vez mais alternativas 1.
Ou seja, há quem proceda à comercialização de produtos da agricultura biológica, por encomenda, à sua porta. Um dos exemplos foi já aqui referido no ‘post’ “Legumes biológicos ao domicílio” 2.

16/06/2009

Agricultores urbanos de hortas biológicas

A horta está situada num dos terrenos outrora mais férteis e cultivados do concelho e onde quase só existiam silvas e ervas. Por cinco euros anuais, os candidatos ficam na posse de uma parcela de terreno de 50 metros quadrados, apenas com a única obrigação de nela cultivarem couves, favas, ervilhas, batatas, cebolas, maracujás e meloas, tomates e pepinos.
As primeiras hortas começaram e ser cultivadas em Outubro de 2008 mas, menos de um ano depois, não há espaços vagos e a variedade de legumes e hortaliças surpreende. O projecto inicial previa espaços maiores mas o número de candidatos ao aluguer de terrenos fez com que ao tamanho das hortas fosse 'reduzido'. Há de tudo no terreno e a Câmara de Guimarães oferece também a água para a rega.


A ideia essencial passa por incentivar a prática da cultura biológica, permitindo à população um contacto com a natureza e uma melhor consciência ecológica. A utilização de fertilizantes está sujeita à apreciação prévia dos serviços técnicos do pelouro do ambiente. Este conceito de hortas pedagógicas custou 600 mil euros, mas é “uma forma de participar activamente na preservação e na revitalização da natureza urbanas”.
As primeiras candidaturas foram de um grupo de economistas. Depois juntaram-se operários, médicos, professores, enfermeiros, reformados e juízes. Mas a diferença de profissões não interfere na agricultura. O colorido dos legumes e flores semeados, faz das pequenas hortas um enorme jardim.
“Aqui somos todos agricultores. Trocamos sementes, legumes e flores e gozamos o prazer de cultivar a terra”, contou uma operária de calçado desempregada e ‘dona’ de um canteiro na Horta Pedagógica de Guimarães. “Não percebia nada de agricultura quando me candidatei à horta, mas depois de comer as primeiras alfaces que semeei, as ervilhas e as favas, percebi que tinha um agricultor dentro de mim", referiu um tipógrafo encadernador reformado. E “eu só trato das flores e tenho muitas e bonitas”, salientou a sua esposa. “Ó vizinha, dá-me um pezinho de salsa e eu dou-lhe um pé de pepinos”, pediu um agricultor de fim-de-semana. “Podia era dar-me uns pezinhos de alface para plantar”, reclamou a 'inquilina’ do terreno ao lado. Negócio fechado, o cultivo continua.
“É uma terapia para o stress e que leva a grandes discussões científicas como por exemplo, qual é a melhor semente de pepino”, disse uma enfermeira do hospital de Guimarães que sai do emprego e vai, a pé, até à sua horta. “Ando descalça, tiro ervas daninhas. Converso com as plantas e hoje, estive a colocar estacas nos tomates”.
“São pessoas que querem cultivar um terreno pelo prazer de lidar com a terra” e outros por necessidade”, frisou o vereador dos Serviços Urbanos e do Ambiente na Câmara de Guimarães. “No mercado municipal já se deve notar um quebra na venda dos legumes tal é a quantidade de legumes que se colhem na horta”.

04/02/2009

Produtos biológicos contra a crise

Uma empresa familiar gerida por três irmãos apostou na produção e comercialização de hortícolas biológicos e, apesar da crise, duplicou a facturação no último ano, atingindo um milhão de euros.
A empresa, que emprega 15 pessoas da Lourinhã, aumentou as vendas desde que conseguiu colocar os produtos em duas grandes superfícies da capital, enquanto até aqui estava limitada à venda dos produtos em lojas especializadas, directamente a consumidores que faziam encomendas de cabazes ou em mercados.
“Neste momento os supermercados querem ter produtos biológicos e estamos em negociações com vários” adiantou o empresário, mostrando-se optimista com a hipótese de vir a aumentar as vendas na ordem dos 25%.
A empresa dedica-se 100% à agricultura biológica desde 2001, é certificada e produz em 27 hectares (na sua maioria terrenos arrendados) várias qualidades de couves, batata, abóbora, cereais (trigo e cevada), tomate, alface, cebolas, courgette, beringela entre outros.
Tornou-se conhecida por ter começado por distribuir cabazes de hortícolas, em Lisboa, a consumidores que lhes faziam encomendas. “As pessoas (ainda hoje) escolhem no site o que querem ou por fax e depois recebem os produtos em casa”.
A quinta onde se situa a empresa também recebe com frequência visitas de estudo de alunos a quem os irmãos explicam os métodos de produção, directamente no terreno, acreditando que os jovens “virão a ser os novos consumidores”.
Nas ‘aulas’ de campo explicam como adubam as terras com estrume e que utilizam produtos, como o enxofre, mas de forma natural sem ser manipulado. “Com esta forma de produzir estamos no terreno sem máscaras, sem luvas e sem problemas respiratórios ou de pele”, explicando que isso se deve a não usarem pesticidas.
Os produtos acabam por precisar de mais tempo para crescer como é o caso das alfaces que na agricultura convencional são produzidas em apenas três semanas e na biológica necessitam do dobro do tempo. Na agricultura biológica são utilizadas ervas e animais do campo em proveito das plantações.
Exemplificam que nunca matam uma cobra porque ela come ratos e assim estes já não comem as batatas ou que as urtigas colocadas em água libertam um ácido que depois é aplicado, consoante as necessidades, como repelente de insectos ou fertilizante. Uma das vantagens deste método é a poupança nos custos de produção.
A empresa pensa agora em começar a exportar para o Reino Unido, Alemanha e Holanda e está a elaborar um projecto para a construção de armazéns com condições de armazenamento dos produtos.

Ver
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=124647

03/02/2009

Como desperdiçar a árvore das patacas

Particularmente no plano alimentar, Portugal tem recursos fantásticos infelizmente malbaratados por gerações sucessivas.
Há um sector então onde tudo parece ainda mais especial: o dos chamados produtos biológicos. Portugal tem condições óptimas para estes produtos - que, além de objectivamente excelentes, têm ainda uma condição comercial muito favorável. Em plena crise, a procura deste produtos não só não diminuiu, como continua a justificar a abertura de mais pontos de venda um pouco por todo o país.
Para mais, segundo um relatório internacional, ao nível do mercado mundial continua a existir uma procura muito superior à oferta.
Acresce que em vários países europeus, com destaque para a Itália, há uma aposta crescente neste tipo de consumos: desde as cantinas escolares e hospitalares, aos agro-turismos que são cada vez mais procurados.
A agricultura biológica que se estende à pecuária e à agro-indústria, tem, como se sabe, inúmeras vantagens ambientais e nutricionais. Produz sem recurso a pesticidas químicos, usa adubos naturais, e dela resultam produtos muito mais saborosos e duradouros.
E é nisto então que o país aposta em força e com coragem? Não. Uma velha sensibilidade bronca que gerações sucessivas de responsáveis vêm herdando e transmitindo desde os tempos heróicos das campanhas do trigo, não consegue deixar de rir com descrédito destas coisas que considera pueris e ilusórias, quando afinal são elas que permitem colher patacas de árvores.
A agricultura industrialista gosta de produções musculadas. Contudo (sobretudo num país como Portugal), o negócio está cada vez mais nas agriculturas cuidadosas e subtis, quase artísticas. Produtora de excelência, a agricultura biológica beneficia o ambiente, o consumidor, o empresário e ainda outros sectores.
Se, além disso, for transmitida a ideia de que a excelência destes produtos oferece uma experiência superlativa quando consumidos no local de produção, teremos ainda um movimento de cultura local e de turismo de excelência.
E perante isto, que empenhos movemos nós? Prédios e apartamentos encavalitados com vista para o mar, para onde fazemos desaguar os esgotos de todas aquelas casas numa cacafonia urbanística que nos não distingue de todos os outros sítios!
Recorde-se que, onde hoje se produz a preciosa flor de sal de Castro Marim, estava para ser construída uma mega-ETAR ao serviço das retretes das vastas urbanizações de Monte Gordo.
Impõe-se uma mudança de paradigma como agora tanto se diz também. As produções bio que acrescem em valor à excelência natural dos produtos tradicionais são verdadeiramente as patacas das árvores que temos.
E tudo isto pensando apenas no produto natural e fresco. Se lhe acrescentarmos a transformação (conservas, caldas, doces, fumados) e ligarmos tudo isto aos recursos naturais e à paisagem - imagine-se o potencial de riqueza que temos.
Os espanhóis já perceberam isto, tanto que a ministra da Agricultura de Espanha esteve há pouco tempo em Portugal para assinar uma Carta Ibérica das produções biológicas que, para eles, constituem um grande horizonte de esperança e investimento. Por cá ao facto foi dada tanta importância, que o nosso ministro da Agricultura, tão hábil a mobilizar os media, não se dignou considerá-lo notícia.
O País não tem que se queixar da sorte e do destino. O que tem à mão é precioso. A riqueza em Portugal consiste antes de mais em não estragá-la.

Ler Luísa Schmidt IN http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/494981&sctx=1:10:a%20árvore%20das%20patacas

20/01/2009

Arrefecer o planeta com culturas ‘amigas’ do clima

O papel dos agricultores no xadrez do clima global poderá ganhar nova relevância se escolherem plantar culturas com benefícios climáticos. Estas variedades ‘amigas do clima’ têm maior capacidade para reflectir a luz do Sol de volta para o espaço e poderão fazer baixar a temperatura até um grau Célsius em muitas zonas da Europa, América do Norte e Norte da Ásia.
Segundo um modelo climático global publicado na revista ‘Current Biology’ por uma equipa de cientistas britânicos da Universidade de Bristol, esta estratégia poderia fazer baixar até um grau Célsius as temperaturas à superfície durante o Verão e aliviar os efeitos das ondas de calor e episódios de seca.
“Descobrimos que diferentes variedades da maioria das colheitas agrícolas diferem na quantidade de energia solar que reflectem de volta para o espaço (e) quanto mais energia devolveres, mais baixas serão as temperaturas”.
Este contributo da agricultura no combate às alterações climáticas é uma actividade de âmbito global, praticada em todo o mundo, e permitem que “as plantações agrícolas arrefeçam o clima, uma vez que reflectem mais radiação solar do que a vegetação natural”.
Neste momento, a temperatura média do planeta já aumentou 0,8 graus Célsius desde 1850 e a comunidade internacional está a preparar o combate contra as alterações climáticas de forma a garantir que as temperaturas médias globais não aumentem mais de dois graus Célsius, em relação a essa data.
A ideia deste estudo tem a vantagem de ser de custos baixos e, ao contrário dos biocombustíveis de primeira geração - como o milho, por exemplo -, não compete com a produção de alimentos. “Podemos continuar a plantar milho, mas podemos escolher uma variedade que tenha um maior benefício climático. Não estaremos a substituir estas colheitas por algo que transformamos em energia”.
Para que a ideia deixe de o ser e passe à prática, os investigadores consideram que é preciso primeiro identificar quais as espécies mais ‘amigas do clima’. Depois, “à parte disso, a substituição de uma variedade por outra pode ser conseguida em apenas um ano”.
Os agricultores que abraçarem a sua causa climática poderiam ainda receber créditos para os incentivar a plantar estas variedades ‘amigas do clima’. A equipa de investigadores gostaria, por exemplo, que esta ideia fosse seriamente considerada por decisores políticos e integrada nos sistemas de atribuição de subsídios aos agricultores.

Ver
http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1356253

13/01/2009

Eco-comunidades alternativas à vida urbana

Há quem procure mudar de vida e ir ao encontro de outro conceito de sociedade, há quem o tenha feito e não se arrependa. Trocaram o conforto das suas casas, a estabilidade financeira proporcionada pelos seus empregos, o lufa-lufa dos meios urbanos pela descoberta de uma nova identidade colectiva. São as eco-comunidades.
Surgem sob a forma de um bairro, aldeia, cidade ou região, tendo como denominador comum um estilo de vida em harmonia com a Natureza e entre os seus membros. É assim em duas das mais antigas ecoaldeias portuguesas, nas quais é possível encontrar minorias com a ambição de criar e reproduzir modelos de paz, em comunhão com a Natureza, ou seja, sociedades capazes de sobreviver de modo auto-suficiente.
Mas o que são afinal ecoaldeias? De acordo com a definição proposta pela Rede Portuguesa de Eco-aldeias e Comunidades Sustentáveis, uma ecoaldeia é um pequeno grupo de pessoas (habitualmente entre 30 e 1000) estruturado em torno dos valores de comunidade e da ecologia. Objectivo? Conseguir a sustentabilidade, através da produção e consumo de alimentos orgânicos, utilização de energias renováveis e da construção ecológica, sempre com base no respeito pelos sistemas naturais e na preocupação em não tirar mais da terra do que ela nos dá.
No fundo, são um sistema de planeamento que engloba áreas que vão da engenharia à arquitectura, passando pela agricultura e organização social, e cujo objectivo é criar ambientes humanos sustentáveis, combater erosão dos solos, a reutilização das águas e a construção de edifícios com recurso aos materiais locais.
Em 1995, este modelo de vida chegou a Portugal, através de um grupo de mais de 50 alemães, austríacos e suíços, que se instalalaram em Tamera, uma aldeia alentejana de 134 hectares perdida em Odemira, na localidade de Monte do Cerco. A esta, junta-se a Terramada, uma quinta em Castro Marim, no Algarve, e ainda as eco-comunidades da Quinta do Arco-Íris, também em Odemira, a Quinta Cabeça do Mato e Quinta da Ribeira, em Tábua, a Luzkufuzku e a Quinta das Abelhas, na Guarda.
Em formação, estão ainda as eco-comunidades da Terramoja, na zona da Serra da Estrela, e a Shanti, na Lousã. A Quinta do Tapado, em Oliveira do Hospital, e a Quinta dos Melros, em Tábua, também duas eco-quintas onde o stress citadino não entra.
Um meio-termo entre a vida ‘hippie’ do final da década de ’60 do século passado e a tecnocracia aplicada ao meio ambiente.

Ver
www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7505

29/12/2008

Legumes biológicos ao domicílio

Tem a garagem de casa dos pais reconvertida em armazém. Às 3ªs recebe as encomendas dos seus 20 fornecedores de legumes “biológicos e apanhados no dia”. É já noite quando sai do meio dos legumes e vai para o escritório (a sua casa) esvaziar o correio, antes de se deitar. Dorme depressa. No dia seguinte levanta-se às cinco e meia.
4ª fª é dia da entrega ao domicílio dos cabazes com um sortido de legumes, que podem ser complementados com outros produtos biológicos, como carne barrosã, fruta, azeite ou frutos secos. Seguem-se as entregas, num porta-a-porta que dura todo o dia.
Trata-se de um serviço de ‘Horta à Porta’, de uma empresa no Grande Porto com uma centena de clientes, que são assinantes do serviço de legumes (o resto é encomendado à parte) e escolhem a periodicidade da entrega (semanal ou quinzenal) e o formato do cabaz - pequeno (oito legumes e custa 16 euros), médio (dez legumes, 21,50 euros) ou grande (11 produtos em maior quantidade, 27 euros).
O critério é fazer com que o cabaz dure toda a semana e seja variado, servindo para sopas, saladas e acompanhamentos. Os clientes têm direito de veto sobre os produtos, pois, quando aderem, preenchem um formulário, com a discrição de 48 legumes, de A (de abóbora) a X (de xuxu), onde assinalam os produtos que nunca querem receber.
A gerente passou por uma Escola Agrícola, seguindo-se Agronomia, tendo agora imaginado, por mero acaso, o ‘Horta à Porta’ como saída profissional para o beco em que a sua vida tinha entrado. E já tem o telefone a tocar com gente de Lisboa interessada neste tipo de ‘franchising’ biológico.

Ver
http://dn.sapo.pt/2008/12/26/dnbolsa/agrioes_e_nabicas_foram_a_saida_beco.html

14/12/2008

Portugal e Espanha assinam carta de intenções para a agricultura biológica

Os ministros da Agricultura de Portugal e de Espanha assinaram uma carta de intenções para a sustentabilidade e desenvolvimento da agricultura biológica.
De acordo com a carta, ambos os governos consideram que “a agricultura biológica tem um papel crucial no desenvolvimento rural, dinamizando as regiões em que se pratica, e actuando como um catalizador para a integração de jovens agricultores, como uma ferramenta de apoio à educação ambiental e actividades de ecoturismo, bem como um elemento de promoção de todo um legado gastronómico”.
Para além disso, dizem que os métodos de agricultura biológica estão de acordo com a “política geral de promoção da qualidade alimentar e do desenvolvimento sustentável levadas a cabo por ambos os governos”.
Os signatários comprometem-se, assim, a promover iniciativas para a protecção e promoção da agricultura biológica, das produções de qualidade obtidas com este modo de produção, com o duplo objectivo de desenvolver o sector e melhorar as condições de qualidade e competitividade dos seus produtos nos mercados nacionais e internacionais, respeitando os direitos dos consumidores.
Os governos acordaram ainda promover a criação de um verdadeiro mercado único da comunidade, procurando reduzir os elementos que fomentem os mercados domésticos, consolidando os canais de distribuição específicos, incentivando ao mesmo tempo a introdução destes produtos nos canais convencionais, para além de melhorar a compreensão da população a respeito deste tipo de produtos.
Os signatários criam ainda um grupo de trabalho conjunto e operacional, presidido a nível de directores-gerais, e que se reunirá pelo menos uma vez por ano.

Ver
www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7398

22/11/2008

Mercado biológico no Terreiro do Paço

Este fim-de-semana está disponível, na Praça do Comércio, um mercado biológico onde se pode comprar uma grande diversidade de produtos agrícolas “com sabor a outros tempos”.
Para os entusiastas de produtos, sobretudo alimentares, livres de pesticidas ou de outros instrumentos considerados agressivos para o ambiente, podem acorrer este fim-de-semana ao mercado de produtos biológicos no Torreão Poente do Terreiro do Paço.
Assim, até amanhã, haverá oportunidade de comprar uma vasta diversidade de produtos, desde queijos, cogumelos, vinhos, alfaces, couves, frutos secos, óleos, azeites, vinagres, chocolates, bolachas, arroz, enchidos, ovos, mel, pão e ainda sementes para plantar e até produtos de cosmética biológica.
São 22 expositores, “seleccionados entre os melhores, obedecendo ao critério da diversidade de produtos para venda”, afirmou o vice-presidente da Interbio, Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, entidade que organiza este mercado, no âmbito da 3ª Edição da SEMANA BIO - Semana Nacional da Agricultura Biológica.
A entrada é livre e o certame está aberto hoje entre as 10 e as 22 horas. Amanhã, abre à mesma hora, mas encerra às 18. Os preços unitários variam entre os 30 cêntimos de uma alface e os 25 euros de uma garrafa de vinho tinto do Douro.
Os representantes dos governos ibéricos assinaram ainda uma Carta de Intenções para a Sustentabilidade e Desenvolvimento da Agricultura Biológica. Recorde-se que a Espanha é o segundo maior produtor de produtos biológicos dos 27 países da União Europeia e o sexto maior em termos mundiais.

Ver
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1048335

23/08/2008

Não há nada melhor que a sopa da mãe

Cerca de metade das mães de crianças até aos cinco anos já utilizou produtos biológicos na alimentação dos filhos, revela um estudo realizado em Lisboa, no qual é salientando que estes alimentos são demasiado caros.
O estudo baseou-se na análise das respostas de 521 mães a um questionário realizado em Maio último junto de centros de saúde, hospitais, escolas/creches, parques infantis e centros comerciais do distrito de Lisboa, no qual a utilização dos produtos biológicos “encontra-se já relativamente difundida”, com 49,9% das mães de crianças com idades entre um e cinco anos a afirmarem terem já utilizado produtos biológicos na alimentação dos filhos.
Os alimentos biológicos mais consumidos são a fruta, cenoura, tomate, batata e ovos. “No entanto, a utilização destes alimentos ainda não faz parte do quotidiano das mães, com cerca de um terço (36,5%) a utilizar apenas muito de vez em quando” e apenas dez por cento a utilizarem todos os dias, salientam os autores.
Segundo este trabalho, 90% das mães que já usaram alimentos biológicos fizeram-no devido aos “benefícios para a saúde” e 62,3% consideram-nos mais saborosos. As principais razões apontadas para a sua não utilização foram o preço elevado (64%) e a difícil acessibilidade (37,5%).
O estudo realça que “a procura do alimento biológico tem aumentado, apesar do seu preço elevado, considerando-se uma alimentação mais saudável, dados os efeitos adversos dos pesticidas dos alimentos convencionais, especialmente nas crianças”. Também por isso os autores recomendam a necessidade de “redução do IVA e subsídio da agricultura biológica, de forma a reduzir os preços”.
Uma nutricionista pediátrica da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação recordou que, para além do uso de produtos biológicos, é preciso formar os pais em termos de educação alimentar, para que possam diversificar a alimentação no primeiro ano de vida, transmitindo boas práticas às crianças. Porém, verificam um deficiente consumo sopas, legumes e fruta, pelas crianças, a par de um elevado consumo de refrigerantes, doces, proteínas animais e, sobretudo, de alimentos pré-confeccionados, devido à falta de tempo das famílias.
A vantagem da agricultura biológica é que não usa pesticidas ou fertilizantes artificiais, antibióticos, hormonas de crescimento ou aditivos alimentares 1. Por outras palavras, ainda não há nada melhor que a sopinha da nossa mãezinha. O grande obstáculo a uma alimentação mais saudável é, afinal, o seu elevado preço.

18/05/2008

Bio-Hortas

Mais de 700 alunos, de 17 escolas e cinco jardins-de-infância de um município vizinho de Lisboa, aderiram ao projecto ‘Bio-hortas Pedagógicas’. O objectivo é sensibilizar a comunidade escolar para as questões da agricultura biológica e dos seus atributos nutricionais, e da sustentabilidade ambiental.
Inserida no programa “Ciência divertida”, a iniciativa decorre até Junho, e tem a chancela da Câmara Municipal Cascais e do Grupo Ecológico de Cascais (GEC). A Câmara, o GEC e as escolas e jardins-de-infância da rede pública do município assinaram uma carta de compromisso que viabilizará a criação de biohortas nos espaços escolares. Segundo a carta de compromisso, compete à autarquia apoiar financeira e logisticamente o projecto num investimento global de 32.000 euros, cabendo às escolas e jardins-de-infância do concelho assegurar a implementação e a manutenção da biohorta.
Participam nesta iniciativa 22 estabelecimentos de ensino, estando no total envolvidas 37 turmas que correspondem a 784 alunos 1, com informações sobre os conceitos relativos à agricultura biológica a serem explicados ao pormenor, tirando-se dúvidas antes de se pegar na enxada e trabalhar a terra, com lições extra para se entender quais os factores que se interligam na questão da sustentabilidade ambiental. O projecto “Biohortas pedagógicas” entrou no plano curricular e o GEC trata da componente técnica para que as hortas ganhem vida num espaço da escola.
Há cinco sessões programadas com compostagem, preparação do terreno, plantação, criação de sebes e nutrição no topo da lista. “Cada uma das sessões tem metodologia própria da agricultura biológica”, com os alunos a intervir em todo o processo. A ideia é que todos os intervenientes se tornem autónomos, alunos e professores, para que consigam caminhar pelo próprio pé, ou seja, tratar das plantações e colher os seus frutos.
Tudo é feito de uma forma divertida para que os mais pequenos percebam a teoria e a coloquem em prática sem complicações, incluindo um teatro sobre plantação. Começa com a preparação da terra e a compostagem, com uma casa de minhocas que fazem terra, que produzir o composto. Na segunda sessão é explicado o que fazer para se evitar as pragas, percebendo porque não se usam químicos. As sebes são plantadas na terceira sessão e são analisados à lupa outros bichos que comem as pragas. Plantam-se vegetais e legumes de variedades à escolha. Mais tarde, colhe-se o que foi semeado e ainda há tempo para uma sessão sobre nutrição, para que os mais pequenos percebam o que faz bem à saúde.
E o que acontece ao produto final? A produção das hortas pode ser servida à mesa das cantinas das 37 turmas inscritas no projecto ou ainda vendida em mercados locais 2.
Entretanto, Lisboa continua, qual ‘bela adormecida’, alheia a estes procedimentos de sensibilização escolar ambiental.

10/05/2008

Dia mundial do comércio justo

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Comércio Justo.
O que é o Comércio Justo? Trata-se de “uma parceria entre consumidor e produtor. O objectivo é aproximá-los, para que o consumidor saiba o que está a adquirir, tendo em atenção os cuidados ambientais e sociais”.
Desde 3ª fª passada e até ao dia 17 de Maio, Almada vai ser a capital portuguesa do Comércio Justo, assinalando esta efeméride com uma ‘workshop’, a estreia do primeiro documentário feito em português sobre o tema, incluindo debates, visitas a escolas básicas e secundárias do concelho, teatros de sombras, um piquenique solidário, uma gincana justa, entre muitas outras actividades, todas de participação gratuita.
Também a partir de hoje, e até ao fim da ‘Quinzena’, será possível comer “pratos confeccionados produtos de Comércio Justo” em alguns restaurantes do concelho 1.
Hoje foi a vez de na Baixa lisboeta ter sido inaugurada uma loja onde “o acto de consumo quotidiano se transforma num acto político”. Aproximar o consumidor do produtor, para que este saiba o que está a consumir, é um dos princípios básicos do movimento do Comércio Justo. “Vendemos produtos manufacturados de qualidade elevada, que apelam ao consumo responsável. Aqui há garantia de que os produtores não foram explorados, de que foram cumpridas as regras do jogo”.
Na nova loja da Rua da Prata pode encontrar-se produtos de cinco grandes áreas: artesanato, têxtil, produtos alimentares (biológicos), cosméticos e música do mundo, a qual, tal como outras espalhadas pelo país e pelo mundo, não tem fins lucrativos. “A margem de lucro obtida com a venda dos produtos é usada para pagar os custos inerentes à manutenção de uma loja, e para reinvestir no movimento do Comércio Justo, com projectos de apoio a pequenos produtores e acções de esclarecimento em escolas, por exemplo”.
Em Lisboa já tinha existido uma loja de Comércio Justo, a ‘Mercearia do Mundo’, que teve portas abertas entre 2004 e 2007 na Rua de São José, ao cimo do Elevador do Lavra, mas “as condicionantes do mercado fizeram com que a loja não fosse sustentável em termos económicos” 2. Talvez o centro da baixa pombalina possa agora ser uma ‘montra’ mais atractiva.

02/02/2008

OGMs também provocam alergias


A indústria da engenharia genética gosta de dizer que vende culturas geneticamente modificadas (GM) que resistem às pragas. Isto poderia induzir a imagem de insectos a afastar-se dos campos com culturas GM. Mas, “resistir às pragas” é apenas um eufemismo que na verdade significa “contém um pesticida letal”. Quando os insectos ingerem a planta GM o pesticida perfura-lhes o estômago e morrem.
A ideia de que comemos esse mesmo pesticida tóxico a cada dentada não poderia ser menos tentadora. Mas as multinacionais e a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar - que decide sobre a autorização destes alimentos - dizem para não nos preocuparmos. Além disso também nos é dito que a toxina Bt é destruída rapidamente no nosso estômago e, ainda que sobrevivesse, como os humanos e os outros mamíferos não têm receptores para a toxina, de qualquer forma não haveria interacção nem impacto na saúde.
Estes argumentos, contudo, são apenas isso: suposições sem confirmação. Os resultados da investigação científica contam uma história bem diferente. O processo de criação de uma planta GM pode produzir mudanças profundas no funcionamento natural do DNA da planta. Os genes podem sofrer mutações, ser eliminados, tornar-se constitutivamente activos ou silenciosos, e numa só planta transgénica pode haver centenas de genes cujo nível de actividade foi alterado.
A indústria da engenharia genética está a arriscar a saúde de todos para seu benefício financeiro privado. No entanto este risco não é desconhecido de toda a gente. De facto, milhões de pessoas procuram agora alimentos que estejam livres de quaisquer ingredientes GM. Um médico do Ohio especialista em alergias, diz: “eu costumava fazer muitos testes para despistar alergias à soja mas agora que ela é GM, é tão perigosa que digo às pessoas que não a comam a não ser que diga que é de produção biológica”.


Ler artigo IN
http://stopogm.net/?q=node/242
Sobre os perigos dos OGM saiba mais em www.stopogm.net

21/01/2008

Fertilizantes vermicompostos

Revolver a terra com a mão, puxar de lá um saco imundo ao qual vêm agarrados restos de comida e pedaços de terra, mas, “se não fossem elas, este saco de plástico nunca seria reciclável. Iria para o aterro ou seria queimado”. Elas são umas minhocas vermelhas que viajaram da Califórnia até cá, e que prometem revolucionar o sistema de tratamento de lixo doméstico.
O contributo destas minhocas na transformação da matéria orgânica em composto que pode ser utilizado como fertilizante na agricultura já é conhecido. Aliás, são várias as centrais de compostagem a funcionar com esta finalidade. Mas há aqui uma outra novidade. Em vez de serem colocadas junto à matéria orgânica, as minhocas são postas no meio do lixo doméstico indiferenciado, onde se misturam com plástico, cartão, vidro e restos de comida. O resultado é duplamente vantajoso: transformam restos orgânicos em composto e ainda limpam os materiais recicláveis, retirando-lhes a parte orgânica que vem agarrada.
A grande vantagem é tornar embalagens, até agora não recicláveis por estarem sujas e contaminadas, em material que depois tem condições para ser aceite pela indústria recicladora. O exemplo aplica-se não apenas ao saco de plástico, mas também à embalagem de iogurte ou de carne que ainda traz restos orgânicos agarrados. Uma inovação que permite enviar para a reciclagem 80% dos resíduos recolhidos indiferenciadamente na casa dos portugueses.
O processo é feito à mão, pois a escala é apenas experimental. No de uma fábrica terá de ser uma máquina a fazer a separação. O salto do domínio experimental para o industrial já terá sido dado, e o potencial ambiental e de negócio que surge desta ideia simples parece não ser pouco 1.
Em Portugal existem centros de vermicompostagem, por exemplo, em Beja ou Palmela. Instruções para se realizar este procedimento estão disponíveis na Internet (e neste blogue), bem como as 5 fases de tratamento 2.

17/11/2007

Semana Bio

As escolas, o equilíbrio ecológico do planeta e a valorização dos produtos nacionais são três vertentes que a Semana Bio 1 quer enfatizar na edição deste ano, que se iniciou hoje e se prolonga até ao próximo dia 25.

Entre as iniciativas agendadas destacam-se o concurso ‘A Minha Escola é Bio’ - os trabalhos incluem desenhos, redacções, cultivo de hortas, e o prémio consiste no fornecimento da cantina com produtos biológicos - uma exposição sobre o azeite (produto que tem a maior fatia deste sector, sendo que 80% segue para exportação), entre 21 e 25 deste mês, no Ministério da Agricultura, na Praça do Comércio, e ainda a conferência ‘Cultivar o Futuro’, marcada para a próxima 4ª fª, no Instituto Superior de Agronomia, onde estará em foco “o contributo da agricultura biológica para a preservação da biodiversidade e a mitigação das alterações climáticas”.
Para os produtores nacionais, um dos pontos altos será o lançamento da marca Portugal Bio, através da qual se pretende ajudar quem compra a distinguir os produtos de agricultura biológica produzidos e/ou transformados no nosso país. Há que contar, ainda, com promoções em várias lojas e mercados, incluindo o do Príncipe Real, aos sábados de manhã.
A organização da Semana Bio é da Interbio 2, associação interprofissional que faz um balanço muito positivo da estreia em 2006 e da evolução do sector. “Desde há dois, três anos que se verifica uma tendência nítida para alargar o consumo bio, por uma questão de bom-senso dos consumidores e porque se foram desmistificando teorias como a de que são produtos de luxo, enfezados, ou só para vegetarianos”, frisou Ângelo Rocha da direcção da Interbio, contrapondo: “São, isso sim, alimentos mais saudáveis, mais saborosos, e que não poluem o planeta, o que é factor cada vez mais fundamental”. Quanto aos preços, “não são assim tão caros, sobretudo tendo em conta a poupança em gastos com a saúde” 3.

07/10/2007

Agricultura biológica pode alimentar o planeta

A Agricultura Biológica protege a biodiversidade, a vida selvagem e o bem-estar animal, sendo os alimentos obtidos por esse modo de produção biológico mais saudáveis e amigos do ambiente 1. Existem várias cooperativas de venda destes produtos no nosso país 2.
Porém, segundo os oponentes da agricultura biológica, esta não terá capacidade para alimentar o mundo, por ser “pouco produtiva” e por não existir fertilizante orgânico suficiente para aumentar a produção suficientemente.
Ora um grupo de cientistas da Universidade Ann Arbor de Michigan, nos EUA, refutou agora estas concepções erróneas sobre a agricultura biológica. A agricultura biológica é aproximadamente tão produtiva como a agricultura convencional nos países desenvolvidos e bastante mais produtiva nos países em vias de desenvolvimento, donde mais azoto do que o suficiente pode ser fixado no solo através da adubação verde.
O grupo de investigação comparou a produtividade da agricultura biológica e convencional (incluindo produção pouco intensiva de alimentos) em 293 casos, e estimou a produtividade média calculando um índice (produtividade biológica vs convencional) de diferentes tipos de alimentos e para países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Os resultados obtidos indicam que os métodos biológicos poderiam produzir alimentos suficientes para sustentar a população humana actual, e, potencialmente, uma população superior, sem necessitar de um aumento da área de cultivo.
A quantidade de azoto passível de ser fixada por leguminosas como culturas de cobertura também foi estimada. Dados oriundos de agro-ecossistemas temperados e tropicais sugerem que leguminosas poderiam fixar nitrogénio suficiente para substituir todos os fertilizantes sintéticos actualmente em uso.
O estudo concluiu que “estes resultados indicam que a agricultura biológica tem o potencial de contribuir substancialmente para a oferta global de alimentos, minimizando os impactes ambientais associados à produção convencional” 3.
Pelo contrário: são mesmo os OGM quem não garantem a segurança alimentar.

12/09/2007

Mercado Biológico em Lisboa

Todos os sábados, no Jardim do Príncipe Real, das 8h às 14h, o Campo vem à Cidade, trazendo à mesa dos lisboetas produtos mais saborosos e saudáveis (via Pimenta Negra e Agrobio).
Divulgamos aqui porque também é importante dar a conhecer as boas iniciativas, a incentivar (e muito mais há a fazer neste domínio, e "Os Verdes" já tiveram e vão continuar a ter aqui acção)!

09/09/2007

Vermicompostagem

Se pensa que as minhocas servem para pouco mais do que isco para a pesca desengane-se. Estes pequenos bichos, nojentos, dirão alguns, estão na iminência de assumir um papel fundamental no tratamento do lixo doméstico. Portugal vai mesmo ser pioneiro no uso destes animais para processar os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), no sentido de obter um aproveitamento quase total de todo o lixo.
A notícia não é nova neste blogue, onde já nos referimos ao processo da minhoca vermelha da Califórnia 1.
O conceito é simples: as minhocas têm um apetite voraz por tudo o que é orgânico; logo, vamos dar-lhes todo o lixo que produzimos para que limpem, literalmente, embalagens de plástico, vidros, cerâmicas e outros objectos, permitindo a sua reciclagem e evitando a sua colocação em aterros.
Uma empresa portuguesa sob o lema de ‘Nada se Perde, Tudo se Transforma’ pretende aplicar, pela primeira vez no Mundo, um sistema de tratamento de RSU, desde a recolha do lixo até à sua reciclagem, recorrendo ao trabalho das minhocas. “Elas basicamente estão no paraíso, pois têm condições de excelência para viver e reproduzir”, afirmou o gerente desta empresa, afirmando que a meta de todo este trabalho é “obter zero resíduos no final do processo”.
“Como as minhocas devoram toda a matéria orgânica existente no lixo comum das nossas casas, transformando-a em húmus, elas limpam os objectos que não conseguem comer, como o plástico ou o vidro, que podem ser separados e utilizados na reciclagem”, explicou.
A inexistência de cheiros é uma das grandes vantagens do sistema. Durante a segunda etapa deste processo, o cheiro característico do lixo é eliminado de forma natural. “Cerca de 80 por cento do odor desaparece no processo de compostagem. Depois, as minhocas tratam do resto”, sublinhou, destacando também que a matéria produzida pelas minhocas, o húmus, e o próprio líquido que escorre durante a terceira fase é aproveitável na agricultura ou na jardinagem. “Todo o composto resultante da transformação dos resíduos orgânicos em húmus é utilizável na agricultura como adubo, tal como as águas, que funcionam como um corrector natural de solos” 2.

As cinco fases do tratamento:
1- Recepção do lixo, tal e qual como ele sai das nossas casas. É depois depositado em pilhas com cerca de um metro de altura;
2- Nestas pilhas começa a fase de compostagem, na qual o odor desaparece naturalmente e se eliminam bactérias;
3- Após cerca de três semanas, as minhocas são introduzidas, para transformarem o composto em húmus;
4- Nesta fase, apenas existe húmus e material que pode ser separado e reciclado sem conter resíduos orgânicos.
5- Separação do material orgânico dos objectos existentes no lixo. Limpos, podem ser utilizados na reciclagem.