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25/08/2009

Investigadores portugueses concebem sistema de mobilidade do futuro

A reunião numa plataforma logística de informação em tempo real sobre ambiente, telecomunicações, transportes e o modo como as pessoas circulam é o desafio de cientistas portugueses na procura do sistema de mobilidade urbano do futuro.
O “CityMotion” é um projecto que dentro de um ano pretende ter a funcionar protótipos reais nas cidades de Lisboa e Porto, coordenado por professores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e integrado no Programa MIT – Portugal que, com a duração de três anos, se vem desenvolvendo desde o início de 2008.
“É uma plataforma que recebe informações de várias fontes, muito heterogéneas, e que permite gerir a mobilidade de uma cidade”, que envolve dez investigadores e ainda empresas de telecomunicações, operadores de transportes e logística, as Câmaras municipais de Lisboa e do Porto, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e o Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST).
Trata-se de uma “radiografia única da cidade” fornecida pelo ‘CityMotion’ que vai “alterar radicalmente os paradigmas de mobilidade” no espaço urbano, onde não é fácil mudar devido às estruturas físicas, pelos seus grandes impactos financeiros e ambientais. “Em vez de criar novos viadutos ou novas ruas, optimizamos a utilização dos recursos e infra-estruturas, recorrendo a essa envolvente digital”, esperando-se que a mudança se torne incontornável, mais planeada e eficaz.
A nível dos transportes, os operadores disporão de “uma radiografia em tempo real” do lado da procura, e sobre as necessidades, podendo assim planear rotas com optimização energética.
Por seu turno, o cidadão comum que pretenda deslocar-se terá acesso através do seu telemóvel a informação para o planeamento da viagem. Saber qual a melhor rota, o tempo que gasta, o custo em transporte individual ou nas alternativas de transporte colectivo.
Juntando a informação das várias fontes - de operadores de comunicações móveis, sensores de tráfego, de empresas de transportes públicos - poderá saber-se em tempo real onde está cada veículo, onde recolhem e largam passageiros, seja autocarro, metro ou táxi, e pelos telefonemas ter-se a noção dos locais de concentração de pessoas, e de como elas se movem.
Esta plataforma integrada de informação em tempo real, e com capacidade de detecção e previsão, será também útil para as forças de segurança, Protecção Civil e Emergência Médica porque “em caso de catástrofe, terrorismo, incêndio e acidentes, podemos muito mais rapidamente percepcionar situações de risco eminente ou classificar um incidente”.

Ver Lusa doc. nº 10041167, 24/08/2009 - 12:50

13/04/2009

Utilizadores desconhecem níveis de radiação dos telemóveis

A maioria dos utilizadores de telemóvel desconhece os níveis de radiação do seu aparelho, preocupando-se mais com questões estéticas ou tecnológicas quando tem de escolher um modelo.
Um professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC) adverte que o utilizador comum ainda não se consciencializou com a problemática das radiações electromagnéticas e dos seus efeitos na saúde humana.
“As pessoas compram os telemóveis por serem bonitos, por terem ou não 3G, porque tem um câmara melhor, tem ou não mp3 e nunca vêem o SAR” (Specific Absorption Rate ou, em português, Taxa de Absorção Específica, isto é, a quantidade de energia que o corpo absorve quando se está ao telemóvel). “No outro dia tinha 200 alunos à minha frente e só três viam o SAR”.
Na Europa, o limite de SAR estipulado é de 2,0 watts por quilograma, calculados sobre dez gramas de tecido corporal, o mesmo que em Portugal. Este é o “chamado limite prudente perante as condições práticas que existem”, nomeadamente a falta de consenso na comunidade científica sobre os efeitos das radiações electromagnéticas na saúde humana, “mas não é seguramente o limite que biologicamente devêssemos querer”.
O valor de SAR varia consoante o modelo de telemóvel, se o utilizador está numa zona de boa ou má cobertura e, inclusive, um mesmo modelo pode ter níveis diferentes de radiação, pelo que “basta haver uma ligeira alteração no material em que é feito o telemóvel, como a capa, para alterar o valor de energia que a cabeça vai absorver”, refere um investigador do Instituto das Telecomunicações (IT), para quem a radiação electromagnética “pode até ser inócua”, mas trata-se de algo “que não é natural”, pelo que recomenda “bastante cuidado, tendo em conta que um ambiente artificial pode ter consequências que se desconhecem”.
O seu alerta é mais veemente quando estão em causa crianças, aconselhando, por isso, a moderação no uso do telemóvel “porque a parte cerebral e as defesas imunitárias ainda estão a desenvolver-se”.
É que o limite de SAR foi estipulado para não se chegar ao “efeito térmico”, em que as radiações, “ao atingirem os tecidos, provocam um aumento de temperatura. Se [o efeito térmico] for muito elevado pode provocar danos na saúde” e é nisso que os limites estão baseados.
Embora ainda não esteja provado que abaixo do limiar térmico não há efeitos na saúde, os estudos realizados “mostram que se os limites forem cumpridos, em princípio não haverá problema” de provocar cancro, mas lembra que “ainda não existem resultados fiáveis porque há muito poucas pessoas que utilizam o telemóvel há mais de 10 anos” 1.
“No último século, no mundo civilizado, a intensidade da radiação electromagnética aumentou 100 mil vezes e, seguramente, o ser humano não está adaptado a esta realidade, porque quando o ser humano se desenvolveu, não existia radiação electromagnética significativa”.
Outra questão que surge quando se discute a fiabilidade dos estudos científicos sobre as radiações dos telemóveis é o facto de alguns destes estudos serem suportados financeiramente pela indústria de telecomunicações (fabricantes e operadores), o que poderia implicar influências e pressões nos resultados.
O docente da UC partilha da mesma opinião do investigador do ISCTE, porque, “de um ponto de vista científico, não se gosta muito de se viver subsidiado por indústrias que possam de alguma forma ter interesse directo”, excepto se “estiver explícita uma total liberdade de publicação dos dados encontrados”, apesar de para o público em geral “ficar aquela sensação de que pode haver alguma coacção ou influência” 2.

1. Ver Lusa doc. nº 9403728, 08/04/2009 - 07:40
2. Ver Lusa doc. nº 9402902, 08/04/2009 - 07:40

01/10/2008

Telemóveis e consolas são pouco verdes

Qual será a primeira empresa de material electrónico a tornar-se completamente ‘verde’?
Desde Agosto de 2006 que a associação ambientalista Greenpeace realiza o seu Guia Verde para a Indústria Electrónica, medindo assim as consequências para o ambiente da produção dos aparelhos eléctricos e electrónicos.
Lançado em Agosto de 2006, o guia é constituído pelos líderes do mercado de produção de telemóveis, computadores, televisões e consolas, de acordo com as suas políticas e práticas em relação aos químicos tóxicos, reciclagem e energia.
Este índice foi criado devido ao facto de a indústria da tecnologia de informação e comunicação ser responsável por 2% das emissões globais de dióxido de carbono e pela rápida proliferação dos equipamentos que contribuem para um grande gasto de energia.


Ver
http://dn.sapo.pt/2008/09/28/sociedade/telemoveis_e_consolas_pouco_verdes.html

26/06/2008

Reciclagem de lixo electrónico

O principal objectivo da Convenção de Basileia é o de contribuir para a protecção do ambiente e saúde pública no domínio dos resíduos através de um controlo mais rigoroso dos movimento transfronteiriços dessas substancias, e através da sua gestão ecologicamente correcta em aplicação do princípio de que os resíduos devem ser eliminados no país onde são produzidos.
Esta Convenção foi ratificada por sessenta países, incluindo Portugal, (Estados Unidos, Canadá e Austrália ainda não assinaram) e reflecte a resposta da comunidade internacional ao problema causado pela produção mundial anual estimada de 400 milhões de toneladas de resíduos tóxicos, corrosivos, explosivos, inflamáveis, eco-tóxicos ou infectados, o denominado ‘e-waste’.
A eliminação ecológica do lixo electrónico no Mundo, sobretudo a reciclagem de telemóveis e computadores, constituem, por isso, alguns dos principais assuntos em debate na conferência internacional sobre resíduos perigosos, que começou esta 2ª fª em Bali, Indonésia.
Especialistas de cerca de 170 países reúnem-se até ao próximo sábado na capital da Indonésia para encontrar meios mais eficientes para remover os “dejectos electrónicos” no Mundo e analisar a criação de novas leis que abranjam a eliminação ecológica de telemóveis e computadores, cujo tratamento incorrecto tem fortes impactos sobre a saúde humana e o ambiente.
Durante a 9ª Conferência das Partes da Convenção da Basileia sobre o Controle dos Movimentos Transfronteiriços dos Resíduos Perigosos e Sua Eliminação, procurar-se-á também “aumentar a actual proibição de exportação de lixo tóxico para países em desenvolvimento que não tenham infra-estruturas necessárias ou conhecimentos” para realizar um tratamento ecológico desses detritos, segundo a organização do evento.
Segundo a organização não-governamental norte-americana Basel Action Network (BAN), cada vez mais aparelhos electrónicos usados são vendidos e exportados pelas nações mais ricas «para uma suposta reutilização nos países em desenvolvimento”. Porém, a “maioria destes aparelhos não podem ser reutilizados e acabam por ser depositados em grandes lixeiras ou mesmo queimados, o que provoca grandes danos ambientais e para a saúde humana”.
Para combater o problema, a BAN reivindica a introdução global de testes obrigatórios e uma monitorização antes qualquer exportação de lixo electrónico. Os esforços para assegurar o tratamento correcto do chamado ‘e-waste’ são também apoiados por várias outras organizações ecologistas internacionais, como a Greenpeace, que apela aos participantes do encontro para criarem medidas adicionais para tratar da questão do lixo electrónico.
Para a organização, a solução passa pela criação de uma legislação internacional que exija dos fabricantes assumir os custos da reciclagem ecológica dos seus produtos, que poderiam ser incorporados nos preços dos aparelhos.

28/05/2008

O cigarro do século XXI

Segundo as conclusões do estudo de um especialista em neurologia, já premiado na área do cancro, “os telemóveis podem matar muito mais pessoas do que o tabaco e o amianto”.
O especialista adverte para o grande aumento de tumores, apelando ao Governo e às indústrias de telemóveis para que tomem medidas imediatas para reduzir a exposição à sua radiação e, às pessoas, para que evitem usar os telemóveis sempre que possível 1.
Para a Direcção-Geral de Saúde, num documento sobre “Exposição da população aos campos electromagnéticos”, esclarece-se que “a utilização duma nova tecnologia apresenta vantagens importantes. Mas não menos importante é a saúde das pessoas. E, em matéria de saúde, a racionalidade deve ser acompanhada de prudência, mesmo pecando por excesso de precaução” 2.
Entretanto, com o objectivo de sensibilizar os moradores para estes perigos, foi mesmo criado um blogue 3 convidando os cidadãos a enviarem contributos e a dizerem “não à instalação de antenas de telemóvel próximo das habitações”.
Trata-se, aliás, de uma situação que tem sido comummente acompanhada pelo Grupo Municipal de “Os Verdes4.

07/04/2007

Computadores e telemóveis menos verdes

Anualmente são vendidos mais de 250 milhões de computadores pessoais e este ano espera-se que se atinja os mil milhões de telemóveis vendidos mundialmente. Estes números gigantescos motivam preocupações à Greenpeace, que pretende incentivar a produção mais ‘verde’ de computadores e telemóveis.
Elabora por isso um ranking onde analisa os principais produtores de computadores e telemóveis do ponto de vista ambiental. Só que, de todas as companhias analisadas nenhuma tem produtos genuinamente ‘verdes’, pois utilizam químicos considerados nocivos ao ambiente, especialmente os PVC e os BFR (retardadores de chamas que contêm bromo). E nem todas as companhias assumem o compromisso definitivo para eliminarem esses químicos 1.
Pelo que a Greenpeace chama a atenção no seu relatório 2 para a necessidade de eliminar estas substâncias a fim de prevenir a contaminação dos trabalhadores e comunidades onde estão instaladas as fábricas e para melhorar o processo de reciclagem.
O lixo electrónico é a fonte de lixo tóxico que mais cresce no mundo hoje. Boa parte dele acaba nas mãos de crianças em lixeiras de países em vias de desenvolvimento. Algumas empresas estão já seguindo as recomendações indicadas pelo Greenpeace no seu Guia de Electrónicos Verdes para eliminar a maior parte das substâncias tóxicas dos seus produtos e estão adoptando políticas de reciclagem para assumirem total responsabilidade sobre o destino e a retoma de produtos electrónicos velhos, onde quer que eles sejam vendidos no planeta 3.

E o computador que está a usar neste momento será ‘verde’?

1. “Apple é a companhia fabricante de computadores menos verde” por Alexandra Machado e Rodrigo Cabrita, no URL http://dn.sapo.pt/2007/04/07/economia/apple_companhia_fabricante_computado.html
2. Descarregar o Relatório "Cutting Edge Contamination" no URL www.greenpeace.org/international/press/reports/cutting-edge-contamination-a
3. Ver
www.greenpeace.org.br/toxicos/?conteudo_id=3071&sub_campanha=0&PHPSESSID=6f936d3abc5ffc439fa005c30049184a