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17/05/2016

1ª Intervenção do PEV nas Perguntas à CML na Assembleia Municipal de Lisboa de 17 de Maio de 2016


 
Tema: Dívidas da CML à PSP
Invariavelmente e de forma crónica, os agentes da PSP vêm-se queixando de dívidas que, periodicamente, a CML não tem atempadamente saldado. Senão vejamos:
Na década anterior, havia “não só agentes, mas também chefes, subchefes, e oficiais de polícia credores de pagamentos de serviços remunerados, que remontavam ao princípio do ano de 2003”, referentes a serviços de policiamento durante as obras do túnel do Marquês de Pombal. Depois, a ‘factura’ foi-se tornando ‘anafada’ com serviços de policiamento do Rock in Rio.
Mais recentemente, havia dívidas por pagar que incluíam duas provas de atletismo, da responsabilidade da CML, que remontavam a Abril e Setembro de 2013. E em Junho de 2014, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) queixava-se que a CML não havia cumprido o pagamento de serviços prestados pelos elementos policiais da 1ª Divisão do COMETLIS, valor que ascendia a 48 mil €, referente a policiamentos no Intendente e no Bairro Alto, efectuados entre Janeiro e Maio de 2014.
No fim de Junho de 2015, a CML devia, pelo menos, 54 mil € à PSP e em Julho essa dívida ascendia a mais de 66 mil €, por serviços nocturnos em ruas com bares, podendo vir a ultrapassar os 75 mil €, caso o valor não fosse pago até ao final desse mês. Perante a denúncia do sindicato, a autarquia garantia-lhes encontrar uma solução “o mais tardar” dentro de dias, pois se tratava de um “problema processual” e da falta de “articulação entre serviços”.
Porém, já no final do passado mês de Abril de 2016, a CML voltava a dever 21.623 € aos agentes da PSP que patrulharam a festa de fim de ano na Praça do Comércio, de novo contrapondo a CML que o problema estava a ser corrigido. Entretanto, os agentes exigem o pagamento dessa verba antes dos próximos festejos dos Santos Populares.
Segundo a ASPP, “a Câmara faz isto constantemente” e, por norma, “só paga ao fim de seis meses quando a pressão na comunicação social é muita”. Daí que o sindicato venha defendendo a criação de um fundo de responsabilidade estatal (Ministério da Administração Interna) ou que se legisle “no sentido de trazer de volta a obrigatoriedade das cauções”, para que um agente só seja “destacado para um gratificado, se houver a certeza prévia de que o pagamento já estava depositado”.
Há 8 dias, nesta Assembleia, aquando do debate sobre as contas do Município, afirmava o executivo que a CML havia sanado os seus problemas de ordem financeira, gabando-se de liquidar as suas dívidas numa média estimada de apenas 3 dias.
Como incompreensivelmente se constata que, ano após ano, se vem mantendo uma temporária espiral de pagamentos em atraso, “Os Verdes” perguntam:
- confirma o executivo que as dívidas à PSP demoram largos meses a ser saldadas ou tal denúncia não corresponde à verdade?
- se o Município conhece de antemão os eventos que requerem reforço de vigilância, qual o motivo para este cíclicos atrasos?
- concorda o executivo com o pedido da PSP sobre o pagamento antecipado de cauções?
- para quando a efectiva normalização dos pagamentos num prazo de escassos dias?
 
 
Tema: Execução de projectos do Orçamento Participativo
A CML acaba de lançar a 9ª edição do Orçamento Participativo (OP), sendo esta uma das formas de participação dos cidadãos na governação da cidade de Lisboa.
Tal como vem acontecendo nos últimos anos, a verba reservada pelo município para esta iniciativa vem sendo reduzida para 2,5 milhões €, quando nas primeiras edições chegou a beneficiar do dobro, ou seja, 5 milhões €, por proposta do então vereador Rúben de Carvalho. Em relação aos 88 projectos que venceram as anteriores 8 edições, 49 estarão parados ou ainda em fase de contratualização. Trata-se de mais um dejá vu.
Desconhece-se o motivo ou motivos para os atrasos na implementação de alguns dos projectos vencedores do OP, pelo que nos interrogamos se o adiamento ou a não atempada execução dos projectos vencedores não acabam defraudando as justas expectativas dos munícipes. Por vezes, ocorrem casos de mudança de local para a execução dos projectos, o que também não cai nada bem junto dos candidatos e das expectativas que os munícipes entretanto construíram.
Em Março deste ano, foi aprovada por unanimidade uma recomendação de “Os Verdes” para que a CML providenciasse uma informação actualizada a esta AML, que desse a conhecer o ponto de situação sobre os projectos vencedores do OP, indicando o que já foi efectivamente executado, qual a calendarização expectável para os que permanecem por realizar, bem como a sua divulgação pelos munícipes e Grupos Municipais.
Em plenário, foi prometido pelo executivo que tal informação seria apresentada no curto prazo. Todavia, dois meses depois a resposta aos GMs continua a ser ‘zero’. Solicitamos, também, os motivos para alguns projectos terem sido desviados para fins diversos ou freguesias diferentes das que venceram o OP.
 
 
Tema: Parque Urbano Carnide-Telheiras
Por terem sido surpreendidos com notícias dando conhecimento da intenção da Estamo em construir, pelo loteamento proc. 13/URB/2014, 400 fracções no Terreno Maria Droste ou Quinta do Monte Alegre, em Carnide, de imediato os residentes manifestaram uma defesa activa desse espaço com uma área verde de 6,1 ha. Estes hectares revestem-se de uma importância crucial, não apenas para compensar as emissões poluentes resultantes da 2ª Circular e do Eixo N/S, como ainda para preservação de nichos ecológicos e escoamento de retenção de águas pluviais.
Criaram então a associação ambientalista PACATA, tendo em 2015 entregue nesta AML uma petição subscrita por 700 pessoas. Nela defendem a preservação daquele terreno expectante junto à 2ª Circular e à Estrada da Luz “para construção de um digno parque ambiental”, que sirva Lisboa e, em particular, os munícipes das contíguas freguesias de Benfica, São Domingos de Benfica, Carnide e Lumiar.
A possibilidade do terreno ficar afecto a um Parque Urbano foi transmitida pelo sr. vereador do Urbanismo numa apresentação do projecto de loteamento realizada no dia 20/2/2015 na BMOR, que se prolongou por mais de três horas, e onde ficou claro que a esmagadora maioria das quase cem pessoas presentes rejeitava pura e simplesmente o surgimento de novas edificações no referido terreno, tendo o Município publicamente garantido que estava “disponível para permutar o terreno por outro”.
Também em 23/6/2015 foi aprovada nesta AML uma recomendação para que a CML promovesse as acessibilidades e a mobilidade local dos munícipes e, em particular, dos residentes de Carnide e do Lumiar junto ao terreno Maria Droste, protegendo a qualidade de vida dos seus residentes e a possibilidade da eventual permuta de terrenos, salvaguardando a biodiversidade e o património ecológico municipal.
A integração nesse Parque Urbano de equipamentos de uso público de lazer e desporto constituiria ainda um importante pólo aglutinador de vivências diárias da população, princípio esse vertido na Carta Desportiva de Lisboa (de 2009, p. 164 e 165).
Passado um ano, “Os Verdes” voltam a questionar:
- qual é o ponto de situação e se vai ou não a CML acautelar os superiores interesses do Município e dos moradores, integrando os terrenos Maria Droste num Parque Urbano para usufruto da cidade de Lisboa e dos seus visitantes?
- pretende ou não salvaguardar a biodiversidade e o património ecológico municipal, promovendo as acessibilidades, a mobilidade e a qualidade de vida dos residentes, numa zona já tão densamente urbanizada?
- vai a Associação PACATA ser ouvida antes do desenlace deste processo?
 
 
Tema: Prédio sito na Calçada do Combro nº 101
Alguns residentes alertaram recentemente o Município para o estado do prédio sito na Calçada do Combro nº 101, o qual, segundo referem, estará sujeito a derrocada se não forem tomadas as devidas precauções.
Acontece que, em meados de 2012, foram feitas obras no telhado do prédio, após terem sido detectadas infiltrações de água originadas no 5º andar. No início de 2013 esse piso foi vendido, ficando o novo proprietário responsável pelo condomínio do respectivo prédio, de acordo com a assembleia de condóminos. Entretanto, o novo proprietário terá iniciado obras, com a retirada do telhado e o levantamento de paredes.
Também devido à falta de licenciamento, a CML decidiu começar por embargar a obra, deixando na altura o prédio a céu aberto. Foi ainda efectuada uma vistoria ao local, mas passados 4 anos a água continua a entrar no edifício. Ou seja, com as recentes chuvadas, os andares do referido prédio terão iniciado um processo de degradação, que supõem poderá pôr em causa a segurança do edificado e dos residentes e, eventualmente, até dos próprios transeuntes.
Alguns moradores entraram em contacto com os serviços camarários, tendo-lhes sido dito que era um prédio velho e que a questão já não era com o Município. Ora, considerando que, neste momento, o 4º andar não tem tecto, estando já à vista barrotes podres e em perigo de cair, que no 3º andar chove como se fosse na rua, receiam que o tecto lhes caia em cima, existindo já alertas junto dos bombeiros e da Protecção Civil.
A título exemplificativo, ainda no início da semana passada, um outro edifício de três andares, sito na Travessa de Santa Marta, foi vedado devido ao risco de desmoronamento, o que obrigou os bombeiros a retirar oito pessoas que viviam em anexos nas traseiras do prédio, depois do alerta ter sido dado às 4h30 por um morador daquela rua. As varandas estavam em risco de ruir, devido ao desgaste dos anos e possivelmente devido às chuvas dos últimos dias. Trata-se de uma situação algo semelhante ao da Calçada do Combro nº 101.
Neste contexto, “Os Verdes” solicitam que sejam prestados esclarecimentos urgentes aos moradores sobre em que moldes havia inicialmente sido feito o embargo pela CML e qual a capacidade de intervenção e fiscalização dos serviços camarários. Em suma, neste caso, a quem compete accionar os serviços da Protecção Civil ou assumir as responsabilidades por eventual derrocada?

Sobreda Antunes
Grupo Municipal de “Os Verdes

20/12/2008

Quem não se lembra do ‘cabeça de giz'?

Ele é o símbolo de uma profissão agora rara: polícia sinaleiro. Regula o trânsito, mas também apoia as crianças e os idosos da zona. Porém, quis aprender mais e foi para a universidade. E tornou-se no primeiro polícia sinaleiro a tirar um curso superior.
Mantêm-se um ícone da cidade, uma memória de outros tempos (tem 46 anos), que o progresso tem vindo a apagar de forma luminosa, com semáforos. Destaca que agora “somos poucos nesta função”, pois o corpo de polícias sinaleiros, criado em 1927 e chegou a ter 270 efectivos, hoje tem apenas 2 agentes.
Ainda ‘dança’ na peanha (pequeno pedestal no meio do cruzamento), gesticulando indicações, qual maestro, para os milhares de ‘actores’ que todos os dias atravessam o ‘teatro da vida’ que é o cruzamento das Ruas de São Mamede e Escola Politécnica, bem no centro da capital.
Crianças no caminho da escola, idosos às compras do almoço, ricos e pobres com destinos vários e ainda, claro, magotes de veículos que desesperam por chegar ao Largo do Rato ou, em sentido contrário, ao Príncipe Real. Ele é um dos dois últimos polícias-sinaleiro ainda activos.
Considera-se um ‘polícia de proximidade’, apesar de tal conceito estar mais associado a programas específicos como a "Escola Segura". E decidiu, agora, fazer uma licenciatura em Políticas Sociais, na Universidade Aberta, logo ali ao lado do sítio onde todos os dias abre os braços ao trânsito, desde 1995.
Diz que a escolha não foi inocente, pois resulta do forte contacto social que mantém com a população local, não só a que mora por ali, mas também porque, por razões de trabalho, frequenta o Largo de São Mamede e onde as ruas que ali se cruzam. “O polícia sinaleiro é uma figura carismática, recorrem a nós pelas mais variadas razões”, resumiu o agente.
Figura que constituía um símbolo de uma mais efectiva segurança rodoviária na capital.

Ver
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1061065

15/10/2007

Actuação das forças policiais

A Constituição da República Portuguesa garante, no seu artigo 45º, a todos os cidadãos o direito de reunião e de manifestação sem a necessidade de qualquer autorização, desde que realizada pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público (…)
O direito à livre reunião e manifestação constitui um dos mais importantes direitos conquistados com o 25 de Abril, indissociável do direito de participação na vida pública, das liberdades de associação e de expressão e do funcionamento de uma Democracia participada e de uma sociedade livre, justa e sem medo.
Os mais recentes episódios ocorridos esta semana em Montemor-o-Velho e na Covilhã, com uma actuação que se pode classificar, no mínimo de duvidosa legalidade e de um efeito claramente intimidativo e persecutório absolutamente inaceitável, anormal, extravagante e extremamente preocupante, vêm colocar, uma vez mais, esse direito em causa no nosso Estado de Direito.
Infelizmente, estes dois episódios não se encontram isolados constituindo apenas os mais recentes dentre outros tantos que têm vindo a ser denunciados pelo Partido Ecologista “Os Verdes” (…)
Recordamos os casos mais mediáticos de processos de intenções a funcionários dos ministérios da Educação ou da Saúde, as listas de funcionários “grevistas” que foram ordenadas aquando da greve geral deste ano, ou menos conhecidos como a da visita de uma força policial à Câmara de Avis para saber que funcionários participariam numa manifestação de 2 de Março em Lisboa ou as frequentes situações de identificação de manifestantes durante os protestos, registo fotográfico dos participantes e do material usado pelos mesmos, quando não apreensão desse mesmo material (como faixas e cartazes com “palavras de ordem”) ou presença de pessoas estranhas em reuniões sindicais que, quando abordadas pelos promotores, abandonam o local sem responder.
O Grupo Parlamentar de “Os Verdes” não pode deixar de condenar o clima, pelo qual é este Governo responsável, de intimidação e constrangimento que se tem vindo a instalar na função pública e na sociedade portuguesa, demonstrando uma verdadeira alergia a opiniões contrárias e a contestações públicas às suas políticas (…)

Nota: Extracto de um requerimento dos deputados do PEV entregue na Assembleia da República.

31/07/2007

Vigilância em férias

Nesta altura do ano, os esforços da PSP concentram-se em dar eficácia máxima à “Operação Polícia Sempre Presente - Verão em Segurança 2007”, plano de âmbito nacional em curso desde 15 de Junho até 30 de Setembro. O objectivo é responder às alterações próprias desta época que, em Lisboa, se traduzem na saída de muitos dos seus habitantes para outros destinos de férias e, inversamente, na chegada à cidade de milhares de turistas, bem como o multiplicar de eventos e do tráfego de pessoas e automóveis em certos pontos, sobretudo em zonas balneares.
De vespa, de bicicleta, de carro, de transportes públicos (de olhos nos carteiristas…), ou a pé, os agentes da PSP não têm mãos a medir para tornar Lisboa mais segura. De entre os vários programas de vigilância, a ‘Operação Férias’ destaca-se pela sua importância e pelos ‘índices de sucesso encorajadores’.
Esta acção visa garantir uma vigilância regular às residências das pessoas que se ausentam para férias e que, previamente, preencham e entreguem um formulário, confidencial, disponível nas esquadras da área de residência, no portal da PSP (
www.psp.pt) e no Portal do Cidadão (www.portaldocidadao.pt), onde deverá indicar o período de ausência. As estatísticas são claras quanto ao poder de dissuasão: em 2006, das 2231 residências vigiadas pelos agentes na região de Lisboa, apenas uma foi visitada pelos amigos do alheio.
Um outro papel importante a vários níveis e com um “balanço muito positivo” levou a direcção nacional da PSP a reforçar as ciclo-patrulhas na Baixa da cidade, onde o número de agentes em bicicleta passou de apenas dois em 2006 para 10 este ano. “A experiência mostrou que este tipo de policiamento de proximidade é bem aceite, fomenta contacto com os cidadãos, ajuda a prevenir a criminalidade e oferece uma boa mobilidade” 1.
Mas nem sempre este procedimento é suficiente.
Segundo a PSP, é frequente o combate ao furto em transportes públicos, como o que tem envolvido 25 elementos da PSP e três viaturas 'à paisana' pelo percurso dos eléctricos da Carris. Na operação, planeada em conjunto com o DIAP para a vigilância do percurso e paragens dos eléctricos, controlando e abordando pessoas suspeitas da prática destes furtos, a PSP deteve dois grupos de estrangeiros 'carteiristas' em flagrante delito, oito homens e duas mulheres que roubavam essencialmente turistas nos eléctricos 15 e 28 da Carris.
Segundo a PSP, este tipo de assaltos por parte dos 'carteiristas' ocorre com mais frequência durante o Verão e tem como principais alvos os turistas, estando previstas novas operações do género durante esta época, para 'contra-atacar' este tipo de problemas 2.
Umas vezes, 'à paisana', fazendo-se passar por turistas, outras, em cima de um selim, pedalando todo o dia, para pôr um travão à criminalidade, mas também para dar uma maior sensação de segurança aos comerciantes, turistas e cidadãos em geral. A pé ou montados nas suas bicicletas, em nome de um policiamento de proximidade.

1. Ver JRegião nº 91 de 2007-07-27, p. 7
2. Ver
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=47590