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29/06/2008

Degelo no Ártico revela ‘ouro’

O Pólo Norte poderá ficar sem gelo este Verão devido ao aquecimento global, alertaram investigadores do Centro de Dados sobre Gelo e Neve dos EUA.
Segundo os cientistas, a possibilidade do gelo que cobre o Ártico derreter é de mais de 50% devido à camada espessa de gelo, que durante muitos anos cobriu a região, ter vindo a derreter e ter sido substituída por uma enorme placa de gelo fino, que pode facilmente derreter com o Verão.
O aumento generalizado das temperaturas, a causa do aquecimento global, está a afectar também, e de forma grave, as regiões polares do planeta, referem ainda os cientistas. Estes temem agora que o desaparecimento de uma parte importante do gelo leve a outra consequência: o oceano absorva mais calor e faça aumentar ainda mais as temperaturas do clima local.
Se isto ocorresse originaria um problema no meio-ambiental, mas também político, uma vez que as nações com territórios no Oceano Glaciar Ártico poderiam aceder com mais facilidade aos valiosos recursos naturais desta zona do planeta, ainda por explorar 1.
Perante esta análise, nasce agora uma pertinente dúvida: será inocente a inacção de alguns países nórdicos, EUA e Rússia incluídos, pela inversão do processo de degelo e minimização das alterações climáticas?
Pelo menos, começam a surgir notícias de uma nova corrida ao ‘ouro’ que constitui o Ártico, mais concretamente, uma corrida a novas fontes de petróleo, gás e outros recursos, outrora protegidos pelo gelo 2.
Com efeito, a questão territorial russa está cercada de diversas disputas, na perspectiva do reconhecimento das riquezas naturais do Oceano Ártico, onde países como os EUA, Canadá, Noruega e Dinamarca criaram uma acentuada rivalidade e estão competindo em outros ângulos sobre outros direitos na região ártica.
A Rússia lançou uma ofensiva para obtenção da área requisitada pelas explorações de Chilingarov, impedindo que, após o derretimento da camada polar, o território possa servir de rota de navegação para outros países explorarem os recursos naturais que pertencem, no ponto de vista do país explorador, ao território russo.
Por seu turno, os EUA ressalvam, através de um mapeamento geológico, que na região do Ártico está localizado um quarto das fontes energéticas mundiais e, na atualidade, nenhuma plataforma continental se estender até os limites do Pólo Norte.
Tudo isto apesar de a área ser administrada por uma Autoridade Internacional de Fundos Marinhos 3.

20/09/2007

Passagem do Noroeste

A lendária Passagem do Noroeste, a rota marítima mais directa entre a Europa e a Ásia, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, está limpa de gelo e aberta, o que sucede pela primeira vez desde que existem registos, em 1972 1.
O gelo do Ártico recuou para a menor extensão alguma vez registada, abrindo pela primeira vez a via à navegação entre o Atlântico e o Pacífico através do Estreito de McClure. O fenómeno foi detectado por um satélite da Agência Espacial Europeia (AEE) e eleva as preocupações dos cientistas face aos efeitos do aquecimento global.
A área coberta de gelo caiu para três milhões de quilómetros quadrados, um milhão menos que os recordes de 2005 e 2006. As fotos de satélite mostram toda a via pelo norte do Canadá e do Alasca livre de gelo.
A notícia surge em plena contenda pela soberania do Ártico. Rússia e Canadá debatem o controlo de grande parte da região, rica em recursos naturais.
Uns vêm neste recuo do gelo uma esperança para antigas ambições económicas, oferecendo uma rota de navegação - a mítica Passagem do Noroeste - que pode constituir uma alternativa mais barata do que o Canal do Panamá para muitos navios 2.
Para o ambiente e o futuro da Humanidade são más notícias. Eis mais um efeito das alterações climáticas sobre o degelo.

28/12/2007

Degelo no Ártico

Todos os anos, desde 1995, o Ministério publica uma lista com os dez fenómenos climáticos ou meteorológicos mais marcantes no Canadá. No final deste ano, o degelo no Árctico 2007 foi eleito como o acontecimento meteorológico mais marcante do ano no Canadá, segundo anunciou o seu Ministério do Ambiente, pois este ano, o “desaparecimento” dos gelos no oceano Árctico “foi tão significativo que rapidamente foi classificado como o acontecimento meteorológico mais marcante”.
Em Setembro, os gelos não cobriam mais de quatro milhões de quilómetros quadrados de oceano Árctico, representando uma diminuição de 23% em relação ao anterior recorde de 5,3 milhões de quilómetros quadrados, registado em 2005. A superfície gelada que derreteu tem uma dimensão próxima da província canadiana de Ontário ou de um país como a África do Sul, pelo que “os canadianos vão lembrar-se de 2007 como o ano em que as alterações climáticas começaram a fazer-se sentir a sério no seu país”.
Excepcionalmente, foi possível navegar durante cerca de cinco semanas em Agosto e Setembro na passagem Norte-Oeste, via marítima do arquipélago árctico que permite passar do Atlântico ao Pacífico. Ao longo dos 2300 quilómetros desta passagem, “só em 20 quilómetros havia gelo, em vez dos 400 quilómetros observados habitualmente”, o que permitiu a quase cem navios passar por esta via 1.
Por isso “Os Verdes” têm vindo insistentemente a alertar para o problema das alterações climáticas, quer na A.R. 2, quer em Seminários europeus 3 ou, por exemplo, em campanhas nacionais junto de escolas 4.