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08/06/2009

PEV recomenda reutilização de óleos como biocombustíveis

Entupimentos, obstruções e cheiros desagradáveis são algumas consequências da deposição de óleos alimentares na rede de saneamento. Por isso, uma empresa em Loures encontrou forma de valorizar estes resíduos aproveitando-os para gerar biocombustível.
“A utilização do óleo e do azeite faz parte da nossa cultura gastronómica e todas as cozinhas são confrontadas com o problema de eliminar de uma forma legal os óleos alimentares usados. É para dar resposta a este problema que nós existimos”, explicou a empresa ligada à recolha, tratamento e transformação de resíduos de diversas origem.
Nada que o Grupo Municipal de “Os Verdes” não tenha já por diversas vezes proposto à CML, via AML, a última das quais no passado dia 21 de Abril. Esta Recomendação do PEV, aprovada por UNANIMIDADE, propunha a “Recolha selectiva de óleos alimentares usados para a produção de Biodiesel”, bem como sugeria ainda à CML que:
- Desenvolva um projecto de recolha selectiva de óleos alimentares usados, que envolvam para o efeito os principais produtores e respectivas entidades representativas, como vista à sua valorização energética e ambiental;
- Promova campanhas de sensibilização em escolas, restaurantes, cantinas, bem como incentive a população de Lisboa a fazer uma recolha selectiva desses óleos, alertando-as para o perigo que representa a sua deposição na rede de esgotos da cidade;
- Desenvolva uma parceria com empresas especializadas na recolha de óleos alimentares, para que sejam instalados oleões junto aos ecopontos, restaurantes e cantinas da cidade, e que esse óleo alimentar seja posteriormente transformado e reutilizado, designadamente, em benefício da frota municipal” 1.
Por seu turno, a Câmara de Loures antecipou-se na implementação de medidas semelhantes em cada uma das freguesias do concelho. No caso da empresa, o óleo chegam às instalações da empresa, é vertido, filtrado e encaminhado para uma unidade onde será transformado em biocombustível.
“É um processo simples e seguro que traz grandes benefícios ambientais, especialmente porque se evita a sua deposição na rede de saneamento e todas as consequências que daí advêm”.
Também a Quercus assegura não existirem alarmes na reutilização de óleos para a produção de energia alternativa, explicando que o Governo pode dar um empurrão às empresas que querem avançar com estes projectos, nomeadamente “isentá-las de pagar o imposto sobre produtos petrolíferos, que no caso do biocombustível não se devia aplicar, e dar mais incentivos à criação” desse tipo de empresas.
Actualmente existem cerca de duas dezenas de empresas em Portugal que se dedicam à recolha e tratamento de óleos alimentares usados, “um número que a Quercus gostaria de ver aumentado”.
Relativamente à criação de espaços onde as pessoas possam depositar os óleos usados, como é o caso dos oleões, o ambientalista referiu que ainda existem “poucos municípios que adoptaram este sistema” (Ericeira é um exemplo), esclarecendo que, no entanto, existem outros locais, como as grandes superfícies comerciais e os Ecocentros, onde também é possível entregar os óleos usados 2.
No entanto, as opções ambientais de Lisboa continuam a marcar passo.

20/01/2009

Arrefecer o planeta com culturas ‘amigas’ do clima

O papel dos agricultores no xadrez do clima global poderá ganhar nova relevância se escolherem plantar culturas com benefícios climáticos. Estas variedades ‘amigas do clima’ têm maior capacidade para reflectir a luz do Sol de volta para o espaço e poderão fazer baixar a temperatura até um grau Célsius em muitas zonas da Europa, América do Norte e Norte da Ásia.
Segundo um modelo climático global publicado na revista ‘Current Biology’ por uma equipa de cientistas britânicos da Universidade de Bristol, esta estratégia poderia fazer baixar até um grau Célsius as temperaturas à superfície durante o Verão e aliviar os efeitos das ondas de calor e episódios de seca.
“Descobrimos que diferentes variedades da maioria das colheitas agrícolas diferem na quantidade de energia solar que reflectem de volta para o espaço (e) quanto mais energia devolveres, mais baixas serão as temperaturas”.
Este contributo da agricultura no combate às alterações climáticas é uma actividade de âmbito global, praticada em todo o mundo, e permitem que “as plantações agrícolas arrefeçam o clima, uma vez que reflectem mais radiação solar do que a vegetação natural”.
Neste momento, a temperatura média do planeta já aumentou 0,8 graus Célsius desde 1850 e a comunidade internacional está a preparar o combate contra as alterações climáticas de forma a garantir que as temperaturas médias globais não aumentem mais de dois graus Célsius, em relação a essa data.
A ideia deste estudo tem a vantagem de ser de custos baixos e, ao contrário dos biocombustíveis de primeira geração - como o milho, por exemplo -, não compete com a produção de alimentos. “Podemos continuar a plantar milho, mas podemos escolher uma variedade que tenha um maior benefício climático. Não estaremos a substituir estas colheitas por algo que transformamos em energia”.
Para que a ideia deixe de o ser e passe à prática, os investigadores consideram que é preciso primeiro identificar quais as espécies mais ‘amigas do clima’. Depois, “à parte disso, a substituição de uma variedade por outra pode ser conseguida em apenas um ano”.
Os agricultores que abraçarem a sua causa climática poderiam ainda receber créditos para os incentivar a plantar estas variedades ‘amigas do clima’. A equipa de investigadores gostaria, por exemplo, que esta ideia fosse seriamente considerada por decisores políticos e integrada nos sistemas de atribuição de subsídios aos agricultores.

Ver
http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1356253

07/01/2009

De microalga a combustível

O que têm as algas a ver com automóveis? Se a investigação conduzida na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra continuar a ser bem-sucedida, em poucos anos os carros poderão ser movidos a biodiesel produzido a partir de algas made in Portugal.
Uma equipa da Universidade de Coimbra descobriu microalga com elevada capacidade de produção de biodiesel. Meta é produzir 90 toneladas anuais de óleo por hectare. Projecto precisa de 300 mil euros para vingar, mas promete.
As perspectivas são animadoras, agora que uma equipa de investigadores identificou seis microalgas com elevada capacidade para produzir biodiesel. A grande esperança é depositada numa estirpe em particular, agora seleccionada, que nunca foi testada noutros países - razão pela qual o seu nome é ainda mantido em segredo - e que revela uma “promissora capacidade de produção”.
A questão central da investigação sobre as microalgas e a sua utilização como combustível está precisamente em saber até que ponto podem estas culturas ser economicamente rentáveis, se exploradas à escala industrial.
Ora essa é a convicção dos investigadores de Coimbra. “Para esta cultura ser economicamente rentável, temos de conseguir obter um litro de cultura por dia por cada grama de biomassa seca, o que já foi conseguido à escala laboratorial”. Os cientistas recorreram a um bio-reactor, equipamento que desenvolveram para fornecer as condições óptimas ao rápido crescimento das microalgas.
Por isso, a expectativa da equipa é a de obter uma produção anual na ordem das 90 toneladas de óleo por hectare. Para se ter uma ideia das vantagens comparativas desta cultura basta dizer que “aquele valor equivale a dez vezes mais o obtido pelas oleaginosas terrestres tradicionais para o mesmo hectare”, lembra uma investigadora. E sem os efeitos adversos das outras oleaginosas ao nível ambiental, por efeito da ocupação de extensas áreas de terrenos com vocação agrícola.
Entre os benefícios está ainda a capacidade de estas culturas de algas serem alimentadas com o dióxido de carbono emitido pelas unidades industriais próximas, o que significa que “permite retirar o dióxido de carbono da atmosfera, tendo um efeito benéfico sobre a qualidade do ar”. Por outro lado, não é necessário ocupar solos agrícolas. As culturas podem ser desenvolvidas em tanques, em ambiente fechado, o que permite um maior controlo das condições que podem afectar o crescimento das algas.
Mas não se esgotam aqui as potencialidades do cultivo de microalgas. A biomassa, em que se podem encontrar pigmentos, proteínas, açúcares, etc., pode ter utilizações nas indústrias farmacêutica ou cosmética, na alimentação animal e em fertilizantes de solos. Pode ter chegado a era do ouro verde.

Ver
http://dn.sapo.pt/2009/01/06/ciencia/alga_nacional_pode_combustivel.html

04/11/2008

Autarquias já podem produzir biodiesel

As Câmaras e Juntas de Freguesia já podem ser produtores dedicados de biodiesel, após a publicação em Diário da República (no passado dia 23 de Outubro) das alterações ao Decreto-lei que motivou a aplicação de uma coima de sete mil euros à Junta da Ericeira, a única autarquia do País que produzia directamente aquele combustível a partir da recolha de óleos usados.
Até agora, a legislação nacional de 2006, que transpôs uma directiva comunitária, apenas reconhecia as empresas como pequenos produtores dedicados. Esse facto levou a que a autarquia da Ericeira fosse objecto de um processo de contra-ordenação (a correr termos no tribunal de Mafra) por ter montado uma pequena central de produção de biodiesel, que depois usava no abastecimento da sua frota automóvel.
“Esta lei revê-se na íntegra no nosso projecto, agora só falta encontrar uma forma justa de anulação da coima”, disse o presidente da Junta da Ericeira que, inconformado com a natureza da multa - em não ter usado combustíveis fósseis - recorreu para os tribunais.
Apesar de ter parado com a produção do biodiesel em 2007 por imposição legal, o autarca não deixou de promover a recolha de óleos usados na sua freguesia. “Tive de fazer um protocolo com uma empresa privada da região centro, que recolhe o óleo e me dá uma percentagem de biodiesel para as 14 viaturas da Junta”. A reciclagem dos óleos permitia ainda o abastecimento das viaturas dos bombeiros e das IPSS.
Na Ericeira, em média, a Junta recolhe porta-a-porta seis a sete toneladas de óleos usados por mês, mas os projectos ambientais e auto-sustentáveis não se ficam por aqui. A autarquia tem em circulação um carro movido a energia solar, que também não paga Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP). Pagar? “Era só o que faltava”, desabafa o autarca.
“Somos a única Junta do País onde não se partem garrafas e estas se reciclam inteiras”, explicando o processo de recolha porta-a-porta que já permitiu recuperar em bom estado e embalar mais de 45 mil garrafas de vinho. “Quando chegarmos às 66 mil, metemo-las num camião TIR e levamo-las para uma fábrica em Bilbau, onde serão lavadas. Depois vão para França para serem reutilizadas”.
Em Portugal, o autarca não encontrou empresas que lavassem o vidro e estivessem interessadas em o reaproveitar. Sem desistir da ideia, empregou dois ex-toxicodepentes com o projecto. “Também eles são reciclados”, brinca, assinalando que a recolha das garrafas é feita nas lojas e porta a porta. “Porque razão havemos de partir uma coisa que amanhã usamos, exactamente igual?”.
Acrescenta que, embora não haja grande rentabilidade com a venda, fica “contente se pagar metade dos salários”. “Há três mandatos, quanto cheguei à Junta, havia um jardineiro, um coveiro, um carro de mão, uma pá e uma vassoura”. Hoje, a Ericeira não tem lixo nas ruas, não tem arrumadores de carros, nem toxicodependentes e, sobretudo, passou a ter uma atitude ambiental mais correcta 1.
O caso da Ericeira chegou também a ser alvo de uma pergunta ao primeiro-ministro, em 28 de Maio passado, por parte da deputada de “Os Verdes”, Heloísa Apolónia, durante o debate quinzenal na A.R., tendo o primeiro-ministro respondido na altura que desconhecia a situação 2.

1. Ver
http://dn.sapo.pt/2008/11/03/cidades/autarquias_podem_produzir_biodiesel.html
2. Ver Lusa doc. nº 8956948, 02/11/2008 - 11:05

11/10/2008

Europa podia poupar um manancial de água

O Parlamento Europeu (PE) aprovou esta semana um relatório que recomenda aos países da UE medidas para poupar água, pois nos últimos 30 anos o impacto económico total da seca a nível comunitário atingiu os 100 milhões de euros
O problema a que o PE tenta responder foi diagnosticado pela Agência Europeia do Ambiente, em 2007. Segundo esta agência, “um terço dos Europeus vive já em zonas com problemas de falta de água, onde a procura excede a oferta”. Além disso, “o custo da seca nos últimos 30 anos atingiu quase os 100 mil milhões de euros e a seca de 2003, por si só, teve um custo de 8,7 mil milhões de euros para a economia da UE”.
O relatório da Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar da UE sobre “como enfrentar o desafio da escassez de água e das secas na União Europeia” acentua que 40% da água utilizada na UE poderia ser poupada.
No documento aprovado no PE, os deputados consideram que “há três grandes desafios a que a UE deve responder: o consumo de água excessivo, insustentável e ineficiente e o desperdício de água associado; a falta de sensibilização para o problema; e a ausência de uma abordagem integrada do problema da água”. E é sublinhado o facto de na UE, quase 20% da água se perde devido à falta de eficiência hídrica.
Face a estes desafios, o PE faz um conjunto de recomendações, dirigidas aos Estados membros, e insiste em que a atribuição de fundos para infra-estruturas esteja “orientada para as acções de melhoria da gestão e do abastecimento de água de qualidade em função das necessidades existentes”.
Os deputados europeus recomendam também que, no âmbito da revisão das prioridades do orçamento comunitário, se dê uma “maior importância às medidas ambientais e, em especial, às políticas que visam combater os efeitos das alterações climáticas, que incluem a seca e a escassez da água, garantindo a disponibilidade dos recursos suplementares necessários”.
O documento realça ainda o facto de a produção de biocombustíveis originar um aumento da procura de quantidades significativas de água. Os deputados sublinham “a necessidade de se acompanhar de perto o impacto da utilização de biocombustíveis e de se reverem regularmente as políticas nacionais e da UE em matéria de biocombustíveis”.
As campanhas de sensibilização para a poupança de água são outro ponto considerado. Os deputados lançam mesmo um desafio à Comissão e às regiões e cidades dos Estados-Membros no sentido de “incentivarem o desenvolvimento de uma cultura de poupança de água em toda a UE, promovendo as bacias de águas pluviais e lançando campanhas” que incluam “programas educativos adequados”.

Ver
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=112510

12/09/2008

Portugueses preocupados com as alterações climáticas

A maioria dos portugueses (75%) considera que as alterações climáticas e o aquecimento global são um problema muito grave, segundo uma sondagem ‘Eurobarómetro’ divulgada ontem em Bruxelas, percentagem que coincide com a média dos 27 Estados-membros.
Questionados sobre se a gravidade das alterações climáticas foi exagerada, 38% dos inquiridos em Portugal respondeu que “tende a discordar”, 18% escolheram a resposta “discorda totalmente”, sendo que a média UE-27 é, respectivamente, 34 e 31%.
Pobreza, falta de comida e água potável são, para 73% dos portugueses (UE-27 68%) os principais problemas que o mundo enfrenta actualmente, seguindo-se o aquecimento global/alterações climáticas (PT 47%, UE-27 62%) e, em terceiro lugar, o terrorismo internacional (PT 42%, UE-27 53%).
Um total de 71% de pessoas que responderam (UE-27 70%) é da opinião que os biocombustíveis devem ser usados de modo a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Os portugueses manifestam ainda optimismo sobre a matéria, uma vez que 59% consideram que as alterações climáticas não são um processo sem volta, contra 27% que o consideram irreversível (UE-27 60 e 31%, respectivamente).
Para a realização deste Eurobarómetro foram feitas 1.001 entrevistas directas pessoais em Portugal, de 26 de Março a 24 de Abril últimos. Na UE foram realizadas um total de 26.661 entrevistas.

Ver Lusa doc. nº 8763231, 11/09/2008 - 14:19

16/08/2008

Lacto-combustível

A Universidade do Minho (UM) tem pronta a utilizar uma tecnologia que permite transformar o resíduo líquido resultante da produção do queijo, conhecido como soro, em biocombustível. A UM tem registada, desde 2007, a patente deste processo, mas, apesar da febre mundial de busca de alternativas aos combustíveis fósseis, o desinteresse das empresas nacionais colocou o projecto em stand by.
Por cada quilograma de queijo são produzidos dez litros de soro, um resíduo altamente poluente que não pode ser lançado nos sistemas de drenagem de esgotos sem tratamento prévio. No entanto, a tecnologia desenvolvida pela UM permite aproveitar o seu potencial energético. O soro contém uns residuais 5% de lactose, a partir da qual é possível extrair álcool para a produção de bioetanol, um ‘combustível verde’.
A UM possuiu já uma unidade piloto, instalada numa empresa do sector, e está em condições de avançar para a produção industrial. A capacidade instalada permite processar 700 mil litros de resíduo de queijo por dia, dos quais é possível extrair 16 mil litros de biocombustível. O entrave ao desenvolvimento desta tecnologia tem sido o desinteresse das empresas nacionais.
“Na Europa já há muitos anos que se aproveita o soro do queijo, mas aqui há dificuldades a dar este salto em frente”. Acontece que, “para que esta aplicação seja economicamente viável é exigido um volume de produção de soro muito elevado, o que faz com que apenas grandes produtores possam utilizá-lo”, explica um professor do departamento de Engenharia Biológica da UM 1.
Será que, a curto prazo, vamos ver também o preço do leite a ser inflacionado?

28/07/2008

Apoio público aos biocombustíveis sai caro e tem efeitos limitados

Com o apoio público que está a ser dado aos biocombustíveis, 13% da produção mundial de cereais poderá acabar nos tanques dos automóveis a médio prazo, prevê a OCDE, que alerta que existe um impacto destas políticas nos preços dos alimentos, o qual não deve ser ‘sobrestimado’.
Ainda por cima, são caros, têm um impacto reduzido nas emissões de gases de efeito de estufa e na independência energética e aumentam os preços das matérias-primas.
Segundo o relatório ‘Avaliação económica das políticas de apoio aos biocombustíveis’, a viabilidade dos biocombustíveis só é possível devido aos apoios públicos dados à sua produção. Os cálculos feitos no estudo indicam que os subsídios ou isenções fiscais atribuídos fazem com que cada tonelada de carbono evitada pelos biocombustíveis custe entre 600 e 1070 euros.
Em 2006, os EUA, a U.E. e o Canadá atribuíram 6,9 mil milhões de euros à produção de etanol e biodiesel. E calcula-se que, em 2015, se atinjam os 15,7 mil milhões. As medidas de apoio vão desde as isenções fiscais e os subsídios à produção até às metas de incorporação destes combustíveis nos tradicionais e as barreiras à importação.
O relatório considera que a prioridade política dada a estes combustíveis acaba por não ter tradução nos objectivos que se querem alcançar, criando-se até outros problemas. Em relação às emissões de gases com efeito de estufa, os seus efeitos são limitados.
No total, se o apoio aos biocombustíveis se mantiver inalterado, a redução das emissões de gases com efeito de estufa por via do uso destes carburantes alternativos ficar-se-á pelos 0,8% em 2015. Por isso, a OCDE incentiva os Governos a dar antes prioridade à poupança energética.
Segundo as estimativas, a aposta nos biocombustíveis poderá conduzir, no médio prazo, a um aumento dos preços da cevada, do milho e dos óleos vegetais de sete e 19% respectivamente. Isto, porque 12% dos cereais e 14% de óleos vegetais poderão ser desviados para a produção de biocombustíveis, caso se mantenham os apoios actuais. A entrada em vigor de nova legislação americana e europeia pode elevar este desvio para 13$ dos cereais e 20% dos óleos vegetais.
Mesmo em relação à independência energética, a redução do consumo dos combustíveis fósseis induzida pelos biocombustíveis é inferior a 1% na maior parte dos transportes e pode ir até dois ou três por cento no caso europeu devido à substituição do gasóleo por biodiesel.
Além disso, a aposta pode vir a criar outros problemas, como é o caso dos preços das matérias-primas agrícolas. Em relação ao que se passou nos últimos tempos, o impacto dos biocombustíveis, devido ao aumento da procura de cereais e óleos vegetais, ainda “é significante mas não deve ser sobrestimado”, defende a OCDE.
O pior é que, a médio prazo, 13% da produção de cereais poderá (lamentavelmente) acabar nos tanques dos automóveis, conclui a OCDE.

21/07/2008

AMI também recolhe óleos alimentares

Talvez não saiba, mas o óleo alimentar que já não serve para si pode ainda ajudar muita gente. Em vez de o deitar fora, entregue-o nos restaurantes aderentes para que este seja recolhido. Além de diminuir a poluição do planeta, cada litro de óleo será transformado num donativo para ajudar a AMI na luta contra a exclusão social. Dê, vai ver que não dói nada.
Pela primeira vez (? 1), vai passar a existir em Portugal uma resposta para o destino dos óleos alimentares usados. Desde 15 de Julho que a AMI lança ao público este projecto que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.
A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
Os cidadãos que queiram entregar os óleos alimentares usados, poderão fazê-lo a partir de agora. Para tal, poderão fazer a entrega numa garrafa fechada, dirigindo-se a um dos restaurantes aderentes, que se encontram identificados e cuja listagem poderá ser consultada no site
www.ami.org.pt.
Este novo projecto ambiental da AMI permitirá evitar a contaminação das águas residuais, que acontece quando o resíduo é despejado na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro. Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel, fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). Ao contrário do que por vezes acontece com o biodiesel de produção agrícola, esta forma de produção não implica a desflorestação nem a afectação de terrenos, nem concorre com o mercado da alimentação.
São produzidos todos os anos em Portugal, 120 milhões de litros de óleos alimentares usados, quantidade suficiente para fabricar 170 milhões de litros de biodiesel. Este valor corresponde ao gasóleo produzido com 60 milhões de litros de petróleo, ou seja, o equivalente a cerca de 0,5% do total das importações anuais portuguesas deste combustível fóssil. A AMI dá assim a sua contribuição para favorecer a independência energética do país, conseguindo atingir este objectivo de forma sustentável e com uma visão de longo prazo, não comprometendo outros recursos igualmente fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e para o bem-estar da população.
Segundo a União Europeia, o futuro do sector energético deverá passar pela redução de 20% das emissões de GEE até 2020, assim como por uma meta de 20% para a utilização de energias renováveis. Refere ainda uma aposta clara na utilização dos biocombustíveis, que deverão representar no mínimo 10% dos combustíveis utilizados.
A UE determina ainda que os Estados-Membros deverão assegurar a incorporação de 5,75% de biocombustíveis em toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes até final de 2010 e o Governo anunciou, em Janeiro de 2007, uma meta de 10% de incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo, para 2010.
As receitas angariadas pela AMI com a valorização dos óleos alimentares usados serão aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo, visando a melhoria da sua qualidade de vida 2.
Como participar neste projecto:
- Junte o óleo alimentar que usa na sua cozinha numa garrafa de plástico e entregue-a quando estiver cheia num dos restaurantes aderentes e identificados;
- Afixe cartazes no comércio da sua localidade e distribua folhetos nas caixas de correio. Solicite materiais, enviando um e-mail para
reciclagem@ami.org.pt.

1. Por acaso até não é verdade que seja a 1ª vez que em Portugal se procede à recolha sistemática de óleos usados.
Já há 3 anos e meio, mais concretamente em 4 de Janeiro de 2005, que o Grupo Municipal de “Os Verdes” apresentou na AML uma Recomendação que foi aprovada por Unanimidade para a “Recolha selectiva de óleos alimentares usados para a produção de biodiesel e a sua utilização na frota municipal”.
Ver http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=74&Itemid=36

É ainda público o recente conflito entre a autarquia da Ericeira e o Governo português a propósito da reutilização dos óleos alimentares na frota municipal. Em Lisboa, também a Associação de Residentes de Telheiras, em colaboração com a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, vem desde há mais de um ano procedendo a uma recolha similar.
Ver www.artelheiras.pt/pages/html/ja_foi_noticia.html#titulo22

2. Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar gratuitamente para o número 800 299 300 da Fundação AMI.
A lista completa está disponível no URL www.ami.org.pt/media/pdf/oleos_aderentes0608.pdf

18/07/2008

Aviões mais ecológicos

A redução das emissões de CO2 para a atmosfera constitui um dos maiores desafios para a aviação. A indústria aeronáutica tem anunciado nos últimos tempos novos projectos em alternativa ao querosene. A crise do petróleo e as alterações climáticas obrigaram as companhias aéreas a acelerar a procura de soluções para que os aviões sejam mais ecológicos e menos pesados na hora de pagar a factura do combustível.
Para já, existe a promessa de um avião híbrido já estar a voar na próxima década. Os testes com aviões movidos a pilha de combustível (hidrogénio) já começaram e há também ensaios com aviões solares.
Os gigantes da indústria têm vindo a desenvolver novas gerações de aviões cada vez mais eficientes em termos de consumo. Recentemente uma companhia nipónica anunciou a realização de um voo de ensaio com um aparelho movido a biocombustível de algas e plantas não comestíveis, misturado com o combustível convencional para aviões.
Outra companhia realizou em Fevereiro o primeiro voo mundial efectuado parcialmente com biocombustível procedente de uma mistura de coco com azeite de uma noz natural do Brasil, e que na altura foi considerado um passo importante para o desenvolvimento de fontes renováveis de combustíveis para a aviação.
O forte empenho da indústria aeronáutica em energias mais limpas deve-se não só ao controle dos gastos com combustíveis, mas também em cumprir uma directiva da Comissão Europeia, que prevê impor a partir de 2011 quotas de emissões de CO2 às companhias aéreas, prometendo reduzir os consumos em 20% face a modelos anteriores.
Mesmo as tintas utilizadas nas pinturas dos aviões podem contribuir para a redução da emissão de solventes nocivos ao ambiente. A Boeing e a Airbus começaram a utilizar tintas à base de água na fuselagem, cabines e cockpit. Estas tintas têm apenas 10% de solventes, enquanto as convencionais têm 70% de solventes que se libertam para a atmosfera.

Ver http://dn.sapo.pt/2008/07/13/economia/avioes_mais_ecologicos_para_cortar_c.html

14/07/2008

Não há crise alimentar na mesa do G8

Como os jornais de todo o mundo anunciaram esta semana, os dirigentes do G8 tiveram “em cima da mesa” a crise alimentar e a fome no mundo, disparada pelo preço das matérias-primas e do petróleo.
Os assuntos eram graves mas, como já tinha acontecido em anos anteriores, toda a gente sabia, a começar por quem lá estava sentado ‘à mesa’, nada de transcendental poderia sair daquela reunião, como já nada de transcendental tinha saído das anteriores.
Começa por o G8 ser um grupo de onde estão excluídos países como o Brasil ou os países produtores de petróleo, à margem dos quais as conversas caem em saco roto, pelo que as reuniões do G8, pela sua ineficácia, já só servem para os activistas de rua se irritarem com a reunião dos ricos e chamarem a atenção para as misérias (que os ricos alegam ir ajudar a resolver) cá fora.
Só que desta vez, aconteceu a caricatura. Na mesa do G8, ao jantar, foi decidido servir 24 pratos - repete-se, vinte e quatro - refeições aos mais ricos do mundo.
Uma cimeira que não serve para nada, que nada decide com substância, que diz avançar com uns dinheiros para ajudar a combater a crise alimentar, mas escapa à discussão dos biocombustíveis e - ridículo dos ridículos - atira para 2050 o compromisso para diminuir as emissões de dióxido de carbono, serviu para caricaturar da melhor maneira possível a dicotomia países ricos - países pobres.
Os países pobres continuam a fazer contas à vida, com as barrigas a ‘darem horas’. Os ricos jantaram, claro. O facto de, despudoradamente, o fazerem ao estilo da orgia do império romano diz muito mais sobre os riscos, humanitários e políticos, da crise alimentar do que qualquer outro símbolo dos tempos recentes. O jantar do G8 foi o retrato de um mundo bipolar, onde pontifica uma Europa a cujas costas chegam todas as semanas cadáveres de imigrantes ilegais.
Há uns séculos atrás uma conhecida rainha francesa desabafava: “Se não têm pão, dêem-lhes brioches”, sendo conhecido que a frase do século XVIII não acabou lá muito bem. Para a decapitada rainha, entenda-se.

05/07/2008

Biocombustíveis distorceram o mercado

Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75% desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar. O relatório, cujos excertos foram ontem publicados pelo jornal britânico “The Guardian”, diz ainda que o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes foi responsável por um acréscimo de 15% nos preços dos alimentos.
Este documento, da autoria de um economista sénior do Banco Mundial, contradiz a tese norte-americana de que os biocombustíveis contribuíram com menos de 3% do aumento dos preços dos alimentos. Por isto mesmo, vários analistas acreditam que o relatório ainda não foi divulgado para evitar embaraçar a administração Bush. “Iria colocar o Banco Mundial num ‘hot-spot’ político com a Casa Branca”, comentou ontem um analista, citado pelo “The Guardian”.
Segundo o Banco Mundial, o aumento dos preços dos alimentos colocou 100 milhões de pessoas em todo o mundo abaixo do limiar de pobreza. O Governo americano tem apontado o aumento da procura na Índia e China como causas do aumento dos preços. Mas o Banco Mundial não concorda.
“O rápido crescimento dos rendimentos nos países desenvolvidos não originou grandes aumentos no consumo mundial de cereais e não foi um factor responsável pela grande subida dos preços”, revela o estudo. A aposta da União Europeia e dos EUA nos biocombustíveis teve, de longe, o maior impacto nos “stocks” alimentares e nos preços.
A União Europeia tem como meta 10% de biocombustíveis nos transportes, até 2020. Mas este objectivo está debaixo de críticas. “Sem o aumento dos biocombustíveis, os ‘stocks’ mundiais de trigo e milho não teriam registado um declínio tão acentuado e o aumento dos preços devido a outros factores teria sido moderado”, conclui o relatório, citado pelo “The Guardian”.
O relatório não deixa dúvidas: a produção de biocombustíveis distorceu o mercado: os cereais destinados à alimentação passaram a ser usados para produzir combustível - mais de um terço do milho norte-americano é agora usado na produção de etanol - e os agricultores têm sido incentivados a dedicar solo agrícola para a produção de biocombustíveis. Além disso geraram especulação financeira no sector dos cereais.

09/05/2008

Opções (nada) sustentáveis

A crise alimentar que se vive é claramente especulativa e os transgénicos nada podem ajudar para a ultrapassar, disse ontem no Porto Margarida Silva da Plataforma Transgénicos Fora.
“As vantagens dos organismos geneticamente modificados (OGM-Organismos Geneticamente Modificados) só existem para as grandes multinacionais que vendem as sementes”, acrescentou à margem do debate “Serão os OGM uma opção sustentável?” em Serralves. “Basta olhar para os lucros descomunais que as multinacionais de agroquímica estão a ter neste período em que enfrentamos uma crise alimentar mundial para perceber que têm vantagem em que se produzam e consumam transgénicos”.
A activista referiu que até 2020, segundo a meta que a União Europeia estabeleceu, todos têm que estar a usar nos transportes 10% de combustível agrícola, frisando que “no futuro vamos ter que escolher se queremos abastecer o carro ou se queremos abastecer o estômago”. “A partir do momento em que os dois grandes blocos económicos mundiais, EUA e União Europeia, dizem que a comida vai passar a ser combustível, ela passa a ser tão especulada como o petróleo”, justificando assim a crise alimentar actual.
Margarida Silva apontou o dedo ao Governo dizendo que “não existe clareza nem força política da parte do governo português que tire o país da rota de colisão”, explicando que os transgénicos em nada podem ajudar a que Portugal recupere a sua competitividade económica. A activista salientou ainda que esta semana houve um debate em Bruxelas, entre os 27 comissários, de orientação sobre qual deveria ser a estratégia para enfrentar a crise, “em que mais uma vez foi adiada uma decisão”.
Em Portugal, e na Europa, é proibida a adição de determinados OGM nos alimentos dos animais mas, no entanto, é autorizada a importação de carne de países onde esses mesmos OGM são introduzidos nos alimentos dos animais.
Também para o presidente da Associação dos Produtores de Cereais, apesar da Europa ser regra geral excedentária em cereal “é deficitária em oleaginosas (como a soja e o girassol) necessárias para as rações dos animais”.
“A nível mundial o problema (da especulação) vai manter-se. A questão está mais ou menos controlada em termos europeus, mas em termos mundiais vai continuar a existir com o aumento da procura na China e na Índia e com os biocombustíveis nos Estados Unidos da América", sustentou.

Ver Lusa doc nº 8305342, 08/05/2008 - 19:27

04/05/2008

Onde (quase) tudo é verde

Não, não se vai falar de futurismo, mas de um outro país europeu que até poderia ser o seu.
Ainda nem aterrou no Aeroporto de Estocolmo e, sem saber, o turista já está a contribuir para um mundo melhor. Na hora de aterrar não sentirá nada de especial, mas a companhia aérea sueca garante que aqui as aterragens são ‘verdes’. Ou seja, lançam menos poluição e gastam menos combustível. Com a tecnologia ‘green landing’, o avião aterra de forma mais suave e o ruído também é muito menor. Por cada viagem, poupam-se 500 quilos de CO e 20% do combustível.
Esta é apenas uma das muitas tecnologias que a Suécia tem desenvolvido nos últimos anos com o objectivo de causar menos danos ao ambiente e promover a sustentabilidade. Preocupação essa perfeitamente interiorizada pelos suecos e que não carece de previsões catastróficas como as do aquecimento global para se traduzir em práticas diárias. Há décadas que os suecos se empenham arduamente na preservação do ambiente e na procura de soluções que lhe causem o menor impacto possível. Isto porque estão perfeitamente convencidos de que a sua acção faz a diferença.
As práticas ambientais encaixam-se na rotina de cada um e nem o turista que por aqui passa uns dias tem hipótese de lhes escapar. No aeroporto, na hora de apanhar um táxi, pode optar por uma viagem mais ecológica e seguir num dos muitos veículos limpos disponíveis na cidade. Carros eléctricos, híbridos ou movidos a biocombustíveis estão em franco crescimento na Suécia. Mas aqui os incentivos são grandes e o exemplo vem de cima: quem tem carro limpo não paga estacionamento e quase todos os membros do Estado circulam num.
Mesmo com a discussão da sustentabilidade da produção de biocombustíveis na ordem do dia, agravada pela grave crise alimentar mundial, os suecos continuam a apostar nestes veículos, não ignorando a necessidade de investir numa segunda geração mais sustentada de biocombustíveis.
Se a opção no táxi for verde, a entrada na cidade será gratuita. Caso contrário, o motorista pagará uma taxa ao passar por um dos 18 radares colocados nas entradas da capital. É assim há seis meses, a cada entrada e saída, desde que os suecos se pronunciaram, em referendo, a favor desta opção. A excepção é a noite, e durante o dia o valor varia consoante a hora, nunca excedendo os seis euros. Apesar de ainda não ser possível apurar as melhorias em termos de poluição, os resultados superaram as expectativas: o tráfego automóvel desceu 10 a 20% e mais 50 mil pessoas passaram a usar os transportes colectivos, explica a responsável ambiental do município. Para tornar mais eficaz esta opção, foram postos a circular mais 120 autocarros, a que se juntam os muitos eléctricos, a extensa rede de metro e as inúmeras ciclovias.
Na hora de escolher o hotel, o turista pode optar por um que já tenha tradição ambiental, onde os pequenos almoços podem ser 100% biológicos e o camarão foi retirado das ementas, para preservar a espécie. As garrafas de água foram abolidas e substituídas pela água da torneira. Nos quartos, muitos ‘ecorooms’ construídos com materiais biodegradáveis, os caixotes exigem a separação do lixo e os ares condicionados só oscilam três graus centígrados.
Mesmo que só cumpra estes requisitos por uns dias, o turista pode importar o conceito para o seu país. Este como tantos outros que fazem da Suécia um dos países ambientalmente mais avançados do mundo.

Ver
http://dn.sapo.pt/2008/05/04/sociedade/num_reino_onde_tudo_e_verde.html

07/02/2008

Produtos alimentares vão ficar mais caros

O trigo atingiu um novo máximo na bolsa de matérias-primas de Chicago, ‘animado’ com as notícias de que as reservas de várias variedades do cereal usadas para o pão e massas diminuíram na América do Norte. Já ontem o cereal havia negociado no valor mais elevado de sempre e esta valorização reforça os receios quanto aos aumentos dos preços de produtos alimentares em cuja composição entra o trigo 1.
O que a notícia não informa é que uma percentagem significativa das reservas de cereais se dirige à produção de biocombustíveis, em lugar de entrar nos circuitos de comercialização alimentar, factor que origina que a escassez dos produtos alimentares derivados de cereais faça progressivamente aumentar o seu preço.
Para já, o preço dos produtos alimentares em cuja composição entra o trigo vai ainda continuar a aumentar nos tempos mais próximos. Ontem, a cotação deste cereal na mais importante bolsa (Chicago) de matérias-primas de raiz agrícola atingiu novo recorde. Chegou aos 10,33 dólares por alqueire (cerca de 14 quilos), batendo assim o anterior máximo, registado em meados de Dezembro, nos 10,08 dólares.
A razão próxima para esta escalada do preço do trigo, neste caso reportado a contratos futuros para venda em Março, é a quebra substancial dos stocks do cereal no Canadá, que é o segundo maior exportador mundial, logo a seguir aos EUA. De acordo com a agência Reuters, as reservas de trigo no Canadá desceram para 15 milhões de toneladas, em Dezembro de 2007, contra os 21,6 milhões de toneladas que constavam dos registos um ano antes.
As razões apontadas para esta quebra são as condições climatéricas, que ao longo do ano passado foram pouco favoráveis ao desenvolvimento da cultura agrícola nas searas canadianas, o que fez com que o preço do trigo na bolsa mercantil de Chicago tenha duplicado no espaço de seis meses.
Tais aumentos irão ter consequências no segmento do consumo, uma vez que o trigo é muito utilizado na elaboração de diversos produtos alimentares, nomeadamente os da indústria de panificação. O mesmo acontece com o milho, que ontem registou, também, uma valorização de 1,3% na plataforma de negociação de Chicago. No caso deste cereal, as razões para o aumento da cotação têm a ver com uma pressão muito mais forte sobre a procura.
Mas é no aumento do consumo, em países como a China e a Índia, e no interesse dos produtores de biocombustíveis, quem contribui para a escassez do cereal e, consequentemente, para o aumento do seu valor no mercado internacional.
Estes dados poderão significar, ainda, um novo argumento para o BCE recusar descidas das taxas de juro, uma vez que esta onda de aumentos constitui, já de si, uma forte pressão sobre a inflação - que no caso da Europa está bem acima do patamar de 2% definido pela autoridade monetária 2.
Ou seja, são a própria especulação bolsista e o desvio da produção cerealífera para fins não alimentares - produção de combustíveis - que fazem disparar os preços e a escassez daquela matéria-prima. Os especialistas já baptizaram o fenómeno criado pela corrida ao etanol: chamam-lhe ‘agroflação’, que é como quem diz inflação agrícola. Que não subsistam dúvidas: produzir combustíveis a partir de cereais é caro e desfavorável 3.

21/01/2008

Reciclagem de óleos usados

Há muito que “Os Verdes” vêm insistindo na reciclagem e reutilização dos óleos alimentares 1.
Os óleos de fritar usados, tal como os óleos de automóvel usados, quando lançados no meio ambiente (redes de esgotos, solo, meio hídrico) provocam problemas de poluição das águas e solos. E mesmo sendo considerado um resíduo não perigoso, devido a oxidar em maior ou menor grau ao ar, os óleos, quando lançados nas redes de drenagem de águas residuais, poluem os meios receptores hídricos e obstruem os filtros de gorduras existentes nas ETAR’S (Estações de Tratamento de Águas Residuais), sendo assim um obstáculo ao seu bom funcionamento. Mesmo assim, o principal destino dos óleos alimentares usados em Portugal, tem sido o envio para a rede de esgotos.
São produzidos anualmente em Portugal cerca de 125 mil toneladas de resíduos de óleos alimentares, dos quais apenas cerca de 3000 são recolhidos. Estes últimos têm sido utilizados para o fabrico de sabão, massa consistente lubrificante e rações para animais. Estas rações são prejudiciais para a saúde pública, uma vez que introduzem na cadeia alimentar humana diversos compostos tóxicos e mesmo cancerígenos, através de animais engordados por este tipo de produtos.
Após a sua utilização para a confecção de alimentos por fritura, são adicionados aos óleos uma série de elementos que vêm alterar as suas características, nomeadamente:
- Partículas em suspensão (exemplo: pão ralado, peles, ovo, etc.);
- A composição química por efeito do aquecimento acima de 180º C é alterada, passando a apresentar características polinsaturadas. Se o óleo for sujeito a um período demasiado grande de utilização a altas temperaturas a concentração de polinsaturados torna os produtos fritos com esses óleos prejudiciais à saúde humana;
- Quando o aquecimento é muito intenso, (acima de 250º C) o óleo começa a queimar apresentando fumos, fuligens e cinzas em suspensão que lhe conferem uma cor escura. Estas partículas podem ser também prejudiciais à saúde humana.
O destino pode ser a produção de biodiesel - um combustível que pode ser obtido a partir dos óleos alimentares usados -, que quando reciclado para obter um derivado, serve como combustível em mistura com o gasóleo (proporções de 5 a 30 % de biodiesel para 95 a 70% de gasóleo).
É por tudo isto que se diz que “1 litro de óleo alimentar usado contamina 1 milhão de litros de água…” 2.

Em Telheiras, a ART aconselha também como proceder à recolha 3:
- Guarde os óleos vegetais de cozinha usados (de milho, soja, girassol, colza, etc.) sem restos de cozinha, impurezas, nem água;
- Coloque numa garrafa de plástico (de qualquer capacidade), bem rolhada, e embrulhada num saco de plástico atado;
- Entregue na APCL - Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa - Rua Prof. Vieira de Almeida, 6, c/v (torre ao pé do Quiosque Verde), ou na Av. Rainha D. Amélia ou na sede da ART - Rua prof. Mário Chicó, 5 loja.
Note bem: Não coloque óleos minerais, sintéticos ou mecânicos. Apenas óleos vegetais.

1. Ver
http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=74&Itemid=36
2. Ver http://students.fct.unl.pt/~asm13771/Projecto_oleo/oleo_biodiesel.htm
3. Ver www.artelheiras.pt/pages/index2.php?page=noticias&section=recolha_oleos

10/01/2008

Há que encontrar alternativas, mas...


O cientista William Laurence, do Instituto de Pesquisas Tropicais Smithsoniam, com sede no Panamá, afirma que o uso de etanol extraído de cana-de-açucar, soja e milho pode ser pior para o ambiente do que a gasolina. Com outros parâmetros ambientais, como "fertilizantes", a grande quantidade de água e a desflorestação de áreas para o plantio, os efeitos ambientais do etanol são muito maiores", explicou o cientista em declarações à Lusa.
Autor de um trabalho recentemente publicado na Science, Laurence diz que a produção de cana-de-açucar para etanol ou soja para biodiesel está a aumentar os custos dos alimentos e ocupa terras agrícolas, contribuindo para a desflorestação.
Os produtores de milho dos Estados Unidos recebem 11 mil milhões de dólares anuais em subsídios à produção para biocombustíveis.

In: Diário de Notícias (10/01/2008)

26/12/2007

Bio-pão

O termo biocombustível faz cada vez mais parte dos discursos oficiais, sempre com uma conotação positiva à defesa do ambiente. Do que se fala pouco, ou mesmo nada, é das implicações da corrida aos cereais (trigo, milho, soja, entre outros) para a produção de combustível.
Considerando, de acordo com as informações disponíveis sobre a matéria, que para encher com 50 litros de etanol um depósito de um veículo dito ‘ecológico’ são necessários cerca de 120 kg de trigo ou 560 kg de beterraba, e que o consumo de tais carros é cerca de 40% maior do que os alimentados a gasolina, não é difícil concluir que alguma coisa está mal contada nesta história de súbito amor pela ‘ecologia’ em franca expansão nos principais centros de poder a nível mundial.
A primeira questão que importa colocar é: qual o sentido de pôr em causa a produção agrícola que constitui a base da alimentação humana para alimentar uma indústria automóvel que persiste em colocar no mercado carros de elevado consumo? Dito de outro modo, que raio de sociedade é esta em que a alternativa é ‘pão ou etanol’ quando milhões e milhões de seres humanos não têm o que comer e muitos outros milhões só têm para comer - quando têm - aqueles mesmos produtos agrícolas?
Mas a questão não se fica por aqui. Enquanto muitos países, como é o caso de Portugal, são incentivados a abandonar a agricultura, outros países, como os EUA, despendem cada vez mais verbas em subsídios agrícolas, o que faz com que os seus produtos cheguem ao mercado a preços de tal modo competitivos que arrasam qualquer concorrência.
A alegada descoberta de que os alimentos são bons combustíveis coloca na ordem do dia mais do que o conflito entre energia e alimentação. Na verdade, o que está em causa é como sempre o poder dos países ricos contra a necessidade dos países pobres. Os primeiros podem dar-se ao luxo de produzir, vender e consumir uma energia ‘verde’, embora esteja ainda por demonstrar quais os custos reais, em termos de ambiente, da transformação de áreas cada vez mais vastas em explorações intensivas de monocultura, enquanto aos segundos resta ficar mais pobre e ainda com menos capacidade para alimentar os seus povos.
Os especialistas já baptizaram o fenómeno criado pela corrida ao etanol: chamam-lhe ‘agroflação’, que é como quem diz inflação agrícola. Os preços dispararam com a procura, o que não preocupa nem os grandes produtores e distribuidores nem os governos que têm ao seu serviço. Veja-se o caso da Comissão Europeia, que encara já penalizar com taxas adicionais os ‘veículos poluidores’ para privilegiar os ‘veículos verdes’, mas não manifesta a menor sensibilidade para com o drama das vítimas da agroflação que estão na iminência de ficar sem ‘combustível’ para as suas precárias vidas.

06/12/2007

Combustível a partir do milho é caro e desfavorável

Substituir a gasolina por bioetanol produzido a partir do milho é uma solução cara e com impactos ambientais significativos, de acordo com um estudo liderado por um investigador do Instituto Superior Técnico (IST).
O trabalho “Análise Energética e Ambiental da Produção de Bioetanol a partir do Milho em Portugal” mostra que o uso deste biocombustível pode ter um balanço negativo em termos de emissões de gases com efeito de estufa, comparativamente à gasolina, quando analisado num cenário que envolve a afectação de solo usado para pastagens.
O trabalho envolveu a análise do ciclo de vida do bioetanol produzido a partir do milho, a cultura actualmente mais viável em Portugal, desde o seu cultivo à utilização do combustível.
“Fomos ver todos os impactes, incluindo o fabrico dos adubos e fertilizantes, processo de extracção do milho e transportes, para ver o que acontece até à queima do combustível no motor”, afirmou um dos três autores, professor do Departamento de Engenharia Mecânica do IST e investigador na área de Economia Ecológica, e o cenário indica que o balanço é dispendioso já que, por cada tonelada poupada, o Estado despende 100 euros.
O estudo, inovador a nível mundial, alerta para outras consequências “que não têm sido ponderadas”, como o facto de os terrenos usados para o milho não poderem ser ocupados, por exemplo, com pastagens. “Tendo em conta a produção de milho na situação actual em Portugal, o balanço em termos de emissões de gases com efeito de estufa é desfavorável ao bioteanol (aumenta, num cenário de afectação do solo envolvendo animais ou reduz, mas de forma muito cara)” 1.
A situação agrava-se quando os países mais ricos investem na produção de cereais para produção de biocombustíveis nos países em vias de desenvolvimento. Estes países poderão passar a exportar combustíveis para os mais desenvolvidos, mas as suas populações continuarão a sofrer com a ausência de alimentos que erradiquem os permanentes cenários de fome.

Ver Lusa doc. nº 7769630, 04/12/2007 - 13:27

29/10/2007

Biocombustível é crime contra a Humanidade

A produção de biodiesel e bioetanol cresceu tão depressa - impulsionada pelos interesses económicos dos agricultores dos EUA, Brasil e Europa - que o preço dos alimentos aumentou e ameaça criar uma nova onda de fome mundial.
Daí que um sociólogo e perito das Nações Unidas tenha, entretanto, pedido a uma comissão da Assembleia-Geral da ONU uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis, para permitir desenvolver novas tecnologias e estabilizar os preços dos alimentos.
É que num só ano, o custo do trigo duplicou e o de milho quadruplicou, devido ao crescente interesse pelos biocombustíveis, considerados como boa alternativa ao petróleo. Mas, para o sociólogo suíço, estes produtos não passam de “um crime contra a Humanidade”. Segundo afirma, os biocombustíveis estão a provocar o aumento vertiginoso no preço dos alimentos, com potenciais efeitos catastróficos nos países em desenvolvimento, sobretudo nas camadas mais pobres da população.

Uma em cada seis pessoas passa fome, ou seja, um total de 854 milhões, e o flagelo atinge as crianças de forma desproporcionada. Segundo a ONU, o planeta produz alimentos suficientes para alimentar 12 mil milhões de seres humanos, quase o dobro da população mundial. Mesmo assim, o número de pessoas severamente mal nutridas subiu, nos últimos 30 anos, de 80 milhões para 200 milhões. Em cada dia que passa, morrem de fome, ou das suas consequências directas, 100 mil pessoas.
Por outro lado, a ciência está a evoluir depressa no campo dos biocombustíveis que, “em apenas cinco anos, será possível produzir bioetanol e biodiesel a partir de restos agrícolas”. O perito referia-se às partes celulósicas das plantas, hoje inúteis, em vez de milho, trigo e cana de açúcar. Os cientistas também estão a estudar alternativas, como o de um arbusto que cresce em zonas áridas e impróprias para a agricultura.
A argumentação do perito da ONU centra-se na questão da alimentação, mas é também controversa a ideia de que há cortes substanciais de emissões de gases de efeito de estufa no uso de biocombustíveis na gasolina. Alguns cientistas dizem que a fase de produção anula esses ganhos. Um outro exemplo adiantado pelo sociólogo é o do milho, um dos alimentos menos eficientes nos biocombustíveis, no qual são precisos 250 quilos de milho para produzir apenas 50 litros de bioetanol. Só aquela quantidade permitiria alimentar uma criança durante um ano inteiro.
Com a apresentação oficial do relatório, o debate chega, enfim, ao mais alto nível político, após os mesmos argumentos terem sido sublinhados pelo presidente cubano Fidel Castro, mas também pelo próprio Fundo Monetário Internacional 1.
Mas a ganância dos grandes monopólios pelo lucro imediato jamais se preocupará com o desenvolvimento sustentável do nosso planeta e da população mundial 2.
2. Sobre o tema dos Biocombustíveis ler também http://osverdesemlisboa.blogspot.com/search/label/Biocombust%C3%ADveis