12/01/2016
Moção “Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento”
Recomendação “Em defesa da soberania alimentar”
Intervenção na Declaração Política sobre a Soberania Alimentar e o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, proferida em 12 de Janeiro de 2016
04/02/2015
Jornadas Ecologistas de “Os Verdes” no Concelho de Odivelas
28/08/2013
PARTIDO ECOLOGISTA "OS VERDES" SOLIDÁRIO COM OS BOMBEIROS PORTUGUESES E AS POPULAÇÕES
Neste mês de Agosto, já ardeu mais floresta do que em todo o ano de 2007 ou de 2008, mais de 40 mil hectares, uma nefasta consequência de erradas e sucessivas opções políticas que têm levado ao completo abandono da floresta portuguesa, ao que acresce a recente legislação aprovada pelo Governo que vem liberalizar por completo a plantação de eucalipto, espécie que comprovadamente tem características nefastas que geram e aceleram processos de desertificação de solos, promovem perda de biodiversidade e são um fósforo para a calamidade dos fogos florestais.
Observamos e somos confrontados com mais um ano de flagelo dos fogos florestais, um ano que tem sido negro, principalmente com a grave perda de vidas humanas, principalmente bombeiros, que lutam e defendem o que a todos pertence.27/08/2013
COMUNICADO DA CNA SOBRE INCÊNDIOS FLORESTAIS EM PORTUGAL
29/07/2010
“OS VERDES” QUESTIONAM GOVERNO SOBRE POLÍTICA AGRÍCOLA COMUM

Recorde-se que, segundo o mesmo despacho, o GPP deveria ter apresentado, no prazo de um mês após a publicação do referido despacho, um documento de programação da execução das várias tarefas atribuídas, ou seja, até 16 de Maio e que, mensalmente, tem de reportar as actividades desenvolvidas.
Estes dados são importantíssimos, não só para a definição do posicionamento português face a este debate, mas também para que se tenha a percepção das consequências das propostas das várias instâncias Europeias e dos outros Estados Membros.
O debate está, entretanto, a ocorrer e, por isso, estes dados são de grande importância no momento presente, uma vez que, em 2011, estaremos já dentro do processo legislativo.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, de forma a que o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas me possa prestar os seguintes esclarecimentos:
1. Essas análises e estudos de identificação e fundamentação técnica das opções e cenários mais favoráveis à defesa dos interesses nacionais na negociação da PAC para o pós –2013, estão já concretizados?
2. Se ainda não estão concretizados:
2.1 Em que fase se encontram?
2.2 Para quando prevê esse Ministério a sua concretização?
3. As referidas análises e estudos vão ser disponibilizados à Assembleia da República?
26/08/2009
Sabores portugueses em perigo de extinção
Quem conhece a cenoura-pau, uma variedade desta raiz que em vez da tradicional cor laranja nasce roxa na zona do Algarve e Baixo Alentejo? Ou então milho-cagão, semelhante ao milho normal só que é mais pequeno do que o normal? E rabos? Uma espécie de couve-nabo que era utilizada na zona do planalto transmontano, como prato principal no Natal, substituindo o bacalhau, que dificilmente chegava àquela zona interior do País.Quem nunca ouviu falar destas espécies, corre o risco de nunca as chegar a ver, pois estas são cada vez mais raras e há quem considere até que estão em perigo de extinção.
“Há variedades de produtos agrícolas que foram esquecidas e outras até banidas. Corre-se o risco de se perderem certas espécies, porque as pessoas que as plantam são pequenos agricultores que já têm idade avançada”, porque “a generalização do uso de sementes híbridas na agricultura contribui para aumentar a falta de variedade e a dependência dos agricultores”.
Foi com o objectivo de preservar as espécies nacionais que foi criado o Banco Português de Germoplasma Vegetal, em 1977. Funciona em Braga e alberga 17 mil populações que representam um número superior a cem espécies de vegetais, que se encontram conservadas em frio, vidro e no campo.
Este assume ainda a responsabilidade de funcionar como Banco Mediterrânico de Milho, com a sua missão de recolher e preservar as células genéticas (o germoplasma) das espécies portuguesas, que podem um dia ser usadas para se recuperar certas variedades que se poderiam perder. Nos últimos anos, o banco também passou a fazer recolha de germoplasma animal.
“É um património que não é passado de geração em geração. Antigamente o isolamento ajudava a manter as espécies locais, pois os agricultores só tinham acesso a estas sementes que iam colhendo e mantendo”.
O problema está no desenvolvimento de espécies híbridas que são vendidas em “lindos pacotes, com promessas de boas colheitas. Hoje cultivam-se as mesmas variedades por todo o mundo, não se adaptando elas a todos os climas e tipos de solo existentes. A consequência é um aumento do consumo de biocidas que vão contribuir para a poluição e para a redução da qualidade alimentar”.
17/06/2009
Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca
A Organização das Nações Unidas (ONU), que assinala hoje o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca estima o número de deslocados ambientais entre 17 milhões e 24 milhões, mas avisa que poderá chegar aos 200 milhões em 2050, se continuar o consumo excessivo de água, a desflorestação e práticas agrícolas e florestais erradas.
Em mensagem alusiva à jornada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, nota que quase um terço das terras cultivadas tornaram-se improdutivas nos últimos 40 anos e cerca de três quartos das pastagens naturais apresentam sintomas de desertificação 1.
“Este ano, a celebração do Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca salienta a ameaça crescente que a desertificação e a seca representam para a estabilidade nacional e internacional”, que “quase um terço das terras cultivadas se tornou improdutivo nos últimos 40 anos” e que “cerca de três quartos das pastagens naturais apresentam vários sintomas de desertificação”.
Nas palavras de Ban Ki-Moon, as alterações climáticas contribuíram para essa situação, mas são “apenas um dos factores”, sendo necessário, em particular, repensar “as práticas agrícolas e a forma como são geridos os recursos hídricos”.
“A agricultura e a criação de gado representam 70% do consumo de água doce e são responsáveis por cerca de 80% da desflorestação. A procura crescente de produtos agrícolas utilizados para alimentar o gado e como biocombustíveis exercerá uma pressão acrescida sobre estes recursos escassos, se não forem geridos de uma maneira sustentável”, advertiu.
Em sua opinião, o consumo mundial e os modos de produção actuais “não são sustentáveis” e isso terá como consequências, entre outras, “novas crises alimentares mundiais como a de 2008 e a continuação da desertificação, da degradação dos solos e dos períodos de seca”.
“Como sempre, os pobres serão as primeiras vítimas e as últimas a recuperarem”, acentuou.
Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU aponta “os riscos que advêm de permitir que a desertificação avance” e reconhece que lutar contra as alterações climáticas é contribuir “para inverter a desertificação, aumentar a produtividade agrícola, atenuar a pobreza e reforçar a segurança a nível mundial” 2.
15/05/2009
Lei do quê? Para pagar quanto?
A tal lei obriga a registar poços, minas, barragens e outros recursos hídricos do género, mas quem anda nos 80 anos, “nunca tinha ouvido semelhante coisa. A gente faz um poço onde calha, mas não sabia cá de leis para os ter”, espanta-se um dos agricultores que possui nos seus terrenos muitos poços para regar as culturas. “Se me tivessem avisado já tinha ido à Câmara ou a outro sítio qualquer ver como é que se faz isso”.
Até agora, só se preocupou em tapar os poços para “evitar que lá caia uma criança ou até gente grande”. O mesmo fez outro idoso de 80 anos, que tampouco sabe de qualquer lei. Nem acha bem nem acha mal, mas não perde tempo a avisar: “Se querem o registo para receber mais impostos ficam já a saber que não pago nada a ninguém. Qualquer dia até para dormir com a mulher é preciso pagar!”, contesta, sarcástico, acrescentando que se a ideia é acrescentar despesa a quem tem uma magra reforma, então “o senhor Sócrates que se entregue aos poços!”.
Outro trabalhador, que tem duas captações de água, até nem acha mal que seja preciso registá-las, “desde que não se pague nada por isso”. Desconfia, porém, da lei, e tal leva-o a supor que “qualquer dia também se vai pagar para entrar em casa”.
Um dirigente associativo na área da agricultura diz que já conhecia a lei, considerando-a “incoerente”. Explica que se houve apoios comunitários para construir barragens e charcas agrícolas “já devem estar registadas”. Por outro lado, se são explorações com 100 ou mais anos, “que é que eles têm a ver com isso?”, questiona.
12/05/2009
Hortas urbanas atraem jovens e desempregados
O município de Cascais dá o exemplo ao apoiar um programa de sustentabilidade que actua a nível ambiental, social e económico e que deve arrancar durante este mês. “O projecto Hortas de Cascais tem três pilares. As hortas comunitárias são um deles, e consistem na cedência gratuita de terrenos municipais que não estão a ser usados, para que sejam cultivados”.
Durante o programa, será ainda dada formação aos munícipes, para que saibam cuidar das suas quintas. Além dos espaços comunitários, o projecto aposta ainda nas hortas em casa. “Em Cascais, 50% da habitação consiste em moradias, daí o gosto pela horticultura”.
O projecto aposta ainda nas hortas na instituição, tendo, escolas e visitas a hortas, numa atitude mais pedagógica. E embora ainda não tenha arrancado, o projecto já tem interessados. Há quem já tenha “vários vasos com ervas aromáticas, mas queria uma horta maior. É terapêutico poder regar as plantas de manhã e é óptimo para saber quando cozinhamos o que vamos comer”.
Também as crianças ajudam o pai a regar as plantas, na sua casa, perto do Guincho. “Ficam entusiasmadas. É educativo, vão vendo as plantas a crescer”. É que hoje em dia “as pessoas estão mais consciencializadas”. “A nossa mentalidade tem evoluído muito e a oferta de produtos ecológicos e ambientais quadruplicou desde há dois anos”.
Mas quer nos arredores, quer em pleno centro de Lisboa, há também quem recorra ao trabalho da terra como forma de subsistência, ou como complemento ao subsídio de desemprego.
Entre favas, batatas, tomates, nabos, cebolas, alhos, o grupo ajuda os mais idosos que ainda perdem horas na horta, e cultivam uma aproximação de gerações, através da interacção com crianças. Ao domingo, juntam-se nesta quinta cerca de duas dezenas de pessoas, entre os 20 e 60 anos.
Mas, actualmente, a horta luta contra um problema de abastecimento. Depois de já ter estado seis meses sem água, hoje em dia, é abastecida pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Tal como os restantes que ali passam o seu tempo, trabalhar na horta já faz parte das suas vidas. “Estar aqui é quase como respirar”. É preciso “ver como funciona a terra” 1.
Também em Telheiras, há alguns moradores que cultivam pequenas courelas junto de suas casas. Aliás, a Associação de Moradores do bairro defende desde há muito um projecto semelhante de hortas urbanas e pedagógicas, junto à Escola EB1 nº 57 e na Quinta de Sant’Ana. Sem resultado até ao presente: CML e EPUL jamais acederam a estas pretensões.
1. Ler “Cidades à beira de semear” IN Metro 2009-04-30, p. 8-9
07/04/2009
Ausência de plantação de sobreiros em Fazendas de Almeirim
O Ministério diz desconhecer “oficialmente” a plantação de oito mil sobreiros, como forma de compensação pelo abate de árvores para a construção do Estabelecimento Prisional de Lisboa e Vale do Tejo, em Fazendas de Almeirim, o que só vem dar razão às preocupações do PEV.
Na resposta a tutela explica que foi feito um pedido de abate, pela Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, a 11 de Fevereiro, e que a Direcção Regional de Florestas de Lisboa e Vale do Tejo pediu elementos à autarquia, a 23 de Fevereiro.
De acordo com a resposta do Ministério da Agricultura (tornada ontem publicada pelo Grupo Parlamentar de “Os Verdes”), o pedido da Junta de Freguesia é justificado com a construção do estabelecimento prisional, na Herdade dos Gagos, ocupando 11 hectares, em substituição do Estabelecimento prisional de Lisboa, no alto do Parque Eduardo VII.
Quanto à plantação de oito mil sobreiros no local, a tutela aponta a existência de “procedimentos que estão devidamente regulamentados”, mas assume desconhecimento oficial: “Oficialmente não há qualquer pedido / autorização desta acção”.
“Só na sua observância essa plantação pode servir o objectivo pretendido”, refere o Ministério da Agricultura, acrescentado que a “gradagem” de terreno para a preparação desta replantação e que terá originado a destruição de sobreiros jovens “está em processo, desde 12 de Março de 2009”.
Nesse mesmo dia, durante uma visita à herdade, também a associação ambientalista Quercus denunciou o “abate ilegal” de sobreiros no local, tendo remetido estas denúncias para a Direcção-Geral de Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, o Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e das Pescas e o Serviço Especial de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR.
Ver www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=29760&idSeccao=479&Action=noticia
06/03/2009
Aproveitamento energético da biomassa florestal
Uma resolução da AR, publicada esta 2ª fª em Diário da República, propõe a alteração do Decreto-Lei nº 33/A/2005, de 16 de Fevereiro, com vista à atribuição de uma remuneração da energia da biomassa compatível com os custos associados à produção agrícola. A remuneração pode, segundo o documento, “ser equivalente ao atribuído actualmente à biomassa florestal residual”.
No mesmo documento, a AR sugere ainda que o Governo inclua nos curricula universitários as “técnicas, tecnologias e melhores práticas disponíveis para a obtenção da máxima eficiência energética nos edifícios, incluindo as matérias respeitantes à arquitectura bioclimática”.
Pede também um maior envolvimento das Ordens dos Engenheiros e dos Arquitectos na promoção da eficiência energética nos edifícios 1.
Entretanto, “a Biomassa Florestal como oportunidade para a valorização e defesa da Floresta” é o tema da conferência que será organizada pela Associação Florestal de Portugal, no próximo dia 8 de Março, na Universidade Católica do Porto.
A organização lembra que a União Europeia, face à elevada dependência de combustíveis fósseis e de modo a cumprir o Protocolo de Quioto, reconhece a necessidade de promover as fontes de energia renováveis.
No seguimento destas políticas, em Portugal foram aumentadas as metas de consumo de electricidade com base em energias renováveis até 2010, estando também a decorrer os concursos para a construção de centrais termoeléctricas a biomassa florestal.
Consideram por isso que, neste âmbito, “é pertinente debater o desenvolvimento do aproveitamento da biomassa florestal em Portugal, na medida em que esta actividade se poderá apresentar como uma nova sub-fileira com benefícios para a economia e o desenvolvimento rural” 2.
Recorda-se que Portugal definiu, em 2003, os seus objectivos para as energias renováveis 3.
1. Ver www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7723
2. Ver www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=4795
3. Ver http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2009/02/centrais-de-biomassa.html
27/02/2009
Centrais de biomassa
De facto, de 2003 a 2008 a potência instalada pouco evoluiu, apesar de todas as medidas tomadas em 2005, como o estabelecimento da tarifa de 105 euros a 110 euros por MWh, em 2006, o lançamento de 15 concursos para a construção de centrais a biomassa florestal e, em 2007, com o compromisso da tarifa garantida por um período de 25 anos.
Com efeito, apenas cerca de 10% dos 250 MW estão operacionais e “a meta definida pelo Governo jamais será cumprida em 2010”, denuncia o director-geral da uma empresa dos sector, lembrando que são necessários cerca de dois anos e meio para colocar uma central a funcionar.
Até ao momento, apenas duas das 13 unidades que receberam propostas estão em fase de projecto e construção. Os atrasos mais criticados prendem-se com as 15 unidades que o Governo lançou a concurso, em 17 de Fevereiro de 2006. Três anos depois, são raras as empresas que já têm contrato com o Estado para avançar com a unidade, faltando ainda conhecer o resultado de um dos lotes.
Há centrais que aguardam pela assinatura do respectivo contrato para iniciarem as obras, apesar da abertura de propostas dos diferentes lotes já ter sucedido há mais de 2 anos.
“Com este atraso já perdemos, pelo menos, 16 milhões de euros de facturação”, lamenta o mesmo director-geral, pressupondo que cada central facturará cerca de 8 milhões de euros por ano. “Tentamos ser compreensivos, mas estamos apreensivos. Isto já está atrasado mais de 2 anos”, desabafam também os representantes que integram um agrupamento de outras empresas 2.
1. Em parte sobre esta matéria, “Os Verdes” apresentaram o Projecto de Lei nº 255/X, que estabelece medidas de protecção aos carvalhos e outras espécies autóctones da flora portuguesa. Ver www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?ID=33083
2. Ver www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7683
13/02/2009
Portugal aumenta cultura de alimentos geneticamente modificados
A área cultivada com este tipo de alimentos aumentou 10,7 milhões de hectares, no ano passado, sendo os EUA o país que mais desenvolveu estas práticas (62,5 milhões de hectares), tendo vinte e cinco países passado a recorrer à biotecnologia, dos quais 15 são países em vias de desenvolvimento.
O mesmo relatório afirma que o Egipto, Burkina Faso e Bolívia são os três países que, no ano passado, se iniciaram na cultura de alimentos geneticamente modificados. A Argentina tem 21 milhões, o Brasil 15,8, a Índia e o Canadá têm 7,6 hectares cada um e a China conta com 3,8 hectares de área cultivada com alimentos geneticamente modificados 1.
Para a Plataforma Transgénicos Fora, as crises alimentares têm sido claramente especulativas e os transgénicos nada podem ajudar para a ultrapassar, pois “as vantagens dos organismos geneticamente modificados (OGM) só existem para as grandes multinacionais que vendem as sementes”. Aliás, “basta olhar para os lucros descomunais que as multinacionais de agroquímica estão a ter para perceber que têm vantagem em que se produzam e consumam transgénicos”.
Por outro lado, para além do risco para a saúde, “a nível mundial o problema (da especulação) vai manter-se. A questão está mais ou menos controlada em termos europeus, mas em termos mundiais vai continuar a existir com o aumento da procura na China e na Índia e com os biocombustíveis nos EUA”.
1. Ver Lusa doc. nº 9317997, 12/02/2009 - 00:28
03/02/2009
Cimento ou alimento?
Os nossos solos classificados como 'muito férteis' já correspondem apenas a 4,5% da superfície cultivável e somos o país da UE com maior percentagem de solos férteis impermeabilizados por construções de vária ordem. Apesar disto, o processo continua justamente sobre os nossos solos de melhor qualidade: as grandes plataformas logísticas, desde a de Castanheira de Pêra à da Trofa - estão a ser construídas nos tais 4,5% de solos muito férteis. Tal como a futura cidade aeroportuária também se projecta para cima de uma das melhores zonas hortícolas do país.
Esta fúria de destruição das reservas agrícolas tornou-se tão insistente e regular que o próprio Ministério da Agricultura criou a dada altura um gabinete de... ‘Desanexação da RAN’! É bizarro ver um Ministério da Agricultura tão zelosamente anti-agrícola...
O sentido anti-agrícola do Ministério da Agricultura não se fica pelos solos... As importantes medidas agro-ambientais que a UE promove e generosamente nos financia, têm sido manhosamente desincentivadas e até impedidas pelo próprio Ministério da Agricultura que as gere e deveria promover. Também aqui era mais rápido dizer que são proibidas.
O pacote de medidas agro-ambientais, que é da maior importância para a excelência das produções e das suas respectivas condições naturais, tem vindo a ser drasticamente mutilado e asfixiado. Por exemplo, em Planos Zonais como o de Castro Verde, o prémio médio por hectare passou de cerca de 80 euros, em 1997, para metade no início dos anos 2000 e agora para um quarto. Além deste claro desincentivo que deixa de compensar o agricultor, o dispositivo regulamentar e burocrático para aceder às medidas, chega a ser grotesco de tão complicado e até impossível de satisfazer para um agricultor médio que não possa contratar uma empresa.
Acresce que as medidas acabam por beneficiar sobretudo os proprietários com maior capacidade de investimento, dado que os apoios são apenas pagos no ano seguinte. Tudo isto será incompetência ministerial? Não. Parece má fé.
É que os fundos europeus destinados às agro-ambientais, se não forem gastos, podem ser aplicados a outros fins e o Ministério da Agricultura encontrou neles uma espécie de expediente de caixa. Quanto mais não seja por uma questão de dignidade, neste ano de eleições europeias, o fenómeno deveria ser fiscalizado.
Podemos dizer que a UE está a ser burlada nas suas intenções por uma conduta matreira do Ministério da Agricultura. Para não falar nos danos que esta 'despolítica' está a trazer a um país onde as agro-ambientais deveriam ser agarradas com as duas mãos.
Ler Luísa Schmidt IN http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/494981&sctx=1:10:a%20árvore%20das%20patacas
28/06/2008
Destruição de montado gera queixa à Comissão Europeia
Uma das construções, destina-se a substituir as instalações da Penitenciária de Lisboa, sita no topo do Parque Eduardo VII, em Lisboa, ficando localizada numa herdade no Lugar dos Paços, Freguesia de Fazendas de Almeirim, e tem o apoio da Câmara Municipal de Almeirim e da Junta de Freguesia de Fazendas 2.
Porém, como esta intenção do Governo, implica o abate de 42 ha de montado de sobro dos melhores existentes em Portugal, o Partido Ecologista “Os Verdes” decidiu apresentar uma queixa à Comissão Europeia.
É também importante realçar que, sendo considerado património nacional, há séculos que o montado de sobro é legalmente protegido (Decreto-lei nº 169/2001), sendo proibido o seu abate e incentivada a sua plantação e exploração, uma iniciativa em que Portugal foi pioneiro e que se tem revelado acertada, pois actualmente, a extracção da cortiça para o fabrico de rolhas transformou-se numa indústria de enorme importância económica, sendo Portugal o seu principal exportador mundial 3.
No caso presente, “Os Verdes” lembram que o montado em questão representa 10% de um montado de uma herdade que é propriedade da Junta de Freguesia de Fazendas e que foi sujeita a uma intervenção de beneficiação, entre as quais a densificação e limpeza para prevenção de incêndios, financiada por dois projectos comunitários (AGRO e AGRIS).
A fundamentação da queixa de “Os Verdes” é suportada em quatro pilares:
- Desbaratar os fundos comunitários antes mesmo que estes dêem os seus frutos, visto que dos 12000 sobreiros que vão ser abatidos, 4000 são adultos e cerca de 8000 são ainda juvenis, fruto do adensamento levado a cabo em 2003/2004, com os fundos comunitários.
- A ausência de estudo de impacte ambiental sobre as consequências deste abate no restante no montado, assim como sobre toda a zona envolvente.
- A existência de outras alternativas para localizar a prisão, com impactos ambientais menores.
- O facto de Portugal destruir 42ha de montado de sobro (12000 árvores) e com isto debilitar todo o montado, anulando a sua função de sumidouro de emissões, num momento onde estudos internacionais indiciam que as alterações climáticas vão acentuar a desertificação em Portugal e que o sobreiro é considerada uma espécie fundamental para travar esse fenómeno e quando Portugal continua a ver aumentar as suas emissões de CO2.
Recorda-se que já em 20 de Junho, a deputada do Grupo Parlamentar de “Os Verdes”, Heloísa Apolónia, entregara na Assembleia da República um conjunto de perguntas em que pedia esclarecimentos ao Governo, através do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e do Ministério da Justiça, sobre a instalação daquele estabelecimento prisional em Fazendas de Almeirim, por este estar previsto para uma área de montado de sobro, em zona de Reserva Ecológica Nacional (REN) e de Reserva Agrícola Nacional (RAN) 4.
24/06/2008
Modelo alternativo de produção e consumo local
Os conselheiros discutiram os principais temas da actualidade nacional e internacional com destaque para a crise dos combustíveis, dos alimentos e do Tratado de Lisboa, depois do ‘não’ irlandês.
Segundo a dirigente nacional, Manuela Cunha, “‘Os Verdes’ entendem que é altura de promover uma nova política alimentar, já que o modelo de crescimento económico que se tem promovido é extremamente frágil e negativo e chegou a um beco sem saída”. “A alimentação faz milhares de quilómetros, por camiões ou barco, consumindo combustíveis, o que se reflecte no preço final”.
Para “Os Verdes”, “se se promovesse a produção local e o consumo do que é produzido mais próximo, haveria mais postos de trabalho, uma agricultura mais amiga do ambiente e mais equilibrada e com menos custos energéticos”.
A dirigente deu o exemplo alternativo da região transmontana, que “não tem capacidade de escoamento dos seus produtos, nomeadamente da batata, quando o país é deficitário nesta produção e está a importar de outros países”.
Um modelo com o poder mais próximo dos cidadãos é também o que o PEV defende para a União Europeia, considerando que o ‘não’ no referendo da Irlanda deveria levar os governantes, nomeadamente o primeiro-ministro português a tirar conclusões. “É fundamental que o primeiro-ministro tire conclusões e que não faça do tratado uma questão de carreira pessoal, mas uma questão fundamental para o país”, afirmou Manuela Cunha.
Recordando que já anteriormente a França e a Holanda haviam rejeitado o Tratado Constitucional, a dirigente conclui que este “modelo federalista, centralista, tira poder às nações e não é aceite pelos cidadãos”. “Em vez de se tentar encontrar interpretações para a recusa do povo irlandês, o único chamado a pronunciar-se, devia reflectir-se porque é que os povos da Europa não sentem simpatia por esta construção”. Não parece ser difícil perceber porquê.
Ver Lusa doc. nº 8473594, 21/06/2008 - 19:44
10/04/2008
Crime diz a ONU
Tudo fazia sentido. E a U.E. rendeu-se aos biocombustíveis e inclui-os no seu plano de corte de emissões de gases com efeito de estufa – até 2010, 10% do fuel usado nos transportes deveria ter origem em produtos agrícolas. E, por seu turno, o Governo português, entusiasmado, prometeu esses mesmos 10% para daqui a dois anos.
Pura ilusão. A tendência para o politicamente correcto poderá agora transformar-se num trambolhão ecológico. Vários estudos recentes concluem que o agrofuel emite mais gases do que os combustíveis tradicionais, sobretudo por causa da desflorestação (responsável por 20% do total de emissões mundiais (…)

Mas o efeito mais perverso dos alegados “combustíveis verdes” ultrapassa o aquecimento global. As Nações Unidas estimam que 5 milhões de povos indígenas das florestas percam as suas terras, empurrados pela necessidade de aumentar as áreas de cultivo.
E o preço dos cereais, já hoje em rápido crescimento, poderá atingir valores incomportáveis para os países em desenvolvimento. Este aumento relacionado com os biocombustíveis levou dois investigadores americanos a rever as suas previsões sobre a fome no mundo, em 2025: a população em risco deverá subir para 1,2 milhões.
A confirmar-se, não admira que um alto responsável das Nações Unidas tenha apelidado o biofeul de “crime contra a Humanidade”.
Ver Visão 2008-04-10, p. 134
02/03/2008
Especulação na Bolsa ataca a nossa bolsa
A produção de cereais é agora a ‘nova oportunidade de negócio’. Com a incerteza sobre o crescimento das economias europeia e norte-americana e a consequente instabilidade nas bolsas financeiras, sobretudo desde o último trimestre do ano passado, este tem sido o principal motor da subida dos preços dos cereais nos últimos dias.
E, para equilibrarem as perdas financeiras registadas na Bolsa, os especuladores, cientes da crescente procura de cereais e da redução da sua produção em importantes exportadores mundiais, investem cada vez mais em fundos agrícolas. Por isso, já há fundos com uma valorização acumulada de 70%.
Devido à descida acentuada dos mercados bolsistas, a ponto de já ter havido um minicrash no início de 2008, ‘inventou-se’ “a diversificação dos investimentos para outro tipo de activos que não as acções, como as matérias-primas agrícolas”. Pelo que, “quanto mais instabilidade houver no mercado de acções maior será o investimento neste tipo de produtos”. E, assim sendo, “é de prever que os preços dos cereais continuem a aumentar”. “O problema do aumento do preço dos cereais é que os intermediários vão para o mercado fazer especulação”.
Depois, como a produção de cereais está dependente das condições climáticas, os especuladores estão sempre atentos aos stocks e a catástrofes, como cheias e secas, capazes de afectar a produção 1.
Especulação sempre atenta a entrar nos nossos bolsos à mínima oscilação das Bolsas, fazendo disparar os preços dos derivados dos cereais. Porque somos sempre nós, os consumidores finais, a sair prejudicados com esta especulação.
Ver www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=279742&idselect=9&idCanal=9&p=200



