05/12/2017
Voto de Pesar - Pelo falecimento de Zé Pedro
04/07/2009
Associações da Plataforma por Monsanto rejeitam acordo com Festival Delta Tejo
Doze das treze associações da Plataforma por Monsanto decidiram não assinar qualquer acordo com o patrocinador do festival Delta Tejo, que se realiza naquele parque, por contestarem as compensações oferecidas e o impacto ambiental do evento.
Depois de o grupo ter protestado contra a falta de limpeza dos terrenos após a edição do ano passado do festival, a Delta Cafés SGPS entrou em diálogo com as associações ambientais e de cidadania, organizando duas reuniões.
À Plataforma acabou por lhe ser apresentada uma proposta de união de esforços para reduzir o impacto ambiental da iniciativa, na qual a empresa se comprometia, entre outros, a realizar uma campanha de sensibilização, a utilizar meios e materiais ecológicos, a construir casas de banho (que serão hoje inauguradas) no parque e a compensar a pegada ecológica do evento com projectos de preservação da natureza “noutras zonas do país”.
No entanto, Manuel Verdugo, da Plataforma, sublinhando que o grupo discorda mesmo da realização de festivais no espaço verde de Monsanto, pois “a acção é praticada em Monsanto e as contrapartidas relativas a alguma atitude mais agressiva para o ambiente não são sequer em Lisboa. Temos tantos espaços na cidade mais adequados. Há uma ideia errada de Monsanto, quando se encerra equipamentos é para lá que os mandam, mas Monsanto tem de se preservado”.
O representante apontou a “invasão de carros” que por vezes derrubam arbustos, a falta de respeito de algumas pessoas e a poluição sonora - com impacto no estado de espécies como a coruja - como principais problemas. Disse que, ainda assim, o acordo com a patrocinadora poderia ser equacionado se as contrapartidas fizessem a diferença em Monsanto a nível ecológico.
Já a Quercus optou por estabelecer uma parceria: segundo informação da Delta Cafés, a empresa e a associação acordaram que a produtora de café vai participar no projecto de conservação do Caniçal no Vale do Tejo, residência da maior colónia de garças portuguesa, além de apoiar a plantação de árvores na área desflorestada de Portas de Ródão (o que tem a haver com Monsanto??).
“Iniciámos um processo de diálogo com a Delta e consideramos que não se pode agora interromper o diálogo só porque, de repente, os projectos de compensação não são os melhores. Nós assumimos que a proposta seria para nós aceitável, as outras associações são livres para aceitar ou não”.
Para a organização ambientalista, que na 6ª fª assinou uma carta de entendimento com a empresa, não parece correcto quebrar as negociações depois de um ano de conversações e mesmo antes do evento, que decorre entre hoje e domingo.
Quanto à adequação do Parque Florestal de Monsanto para a realização de festivais, a Quercus afirma que não vê (??) total incompatibilidade, embora admita que “talvez aquele não seja o local mais apropriado”.
Ver Lusa doc. nº 9864683, 03/07/2009 - 14:10
01/02/2009
Concertos de música geram milhões
De acordo com o INE, em 2007 realizaram-se 27.650 espectáculos ao vivo, o que inclui teatro, ópera, música clássica e ligeira, dança, circo e tauromaquia, que foram vistos por um total de 9,8 milhões de espectadores.
No entanto, foram os concertos de música ligeira que registaram maior afluência (3,7 milhões de pessoas) e geraram mais receitas de bilheteira (29,7 milhões de euros). De entre os espectáculos ao vivo, a ópera registou o preço médio por bilhete mais caro: 31 euros.
O INE refere ainda que - citando preços correntes de 2005 - cada agregado residente em Portugal gastou em média 997 euros em cultura, lazer e distracção. Lisboa e Algarve foram as regiões onde se gastou mais naquelas três vertentes 1.
Pelos vistos, uma indústria com um negócio florescente. Daí a grande procura de realização de espectáculos musicais ao ar livre, designadamente (e infelizmente) nos espaços verdes da cidade, como, por exemplo, no Parque da Bela Vista.
1. Ver www.oje.pt/noticia.aspx?channelid=827CB671-D324-4A83-A1C8-D559CF5AC090&contentid=0CD41D99-FCC5-4573-A333-6EF55A50CD4E e http://dn.sapo.pt/2009/01/31/artes/cinema_lidera_escolhas_culturais_por.html
31/10/2008
Em defesa do Conservatório
Projectos no mesmo sentido apresentados pelas restantes bancadas da oposição tiveram igual destino, com o PS a justificar o seu voto negativo com a alegação de que a recuperação do Conservatório Nacional será “elencada na próxima priorização” de obras do ‘Parque Escolar’, sem contudo adiantar qualquer data.
No debate, “Os Verdes” e o PCP chamaram a atenção para o facto de o Orçamento do Estado para 2009 não contemplar verbas para as obras necessárias, tendo um deputado comunista considerado “desmesuradamente grave” a reacção do Governo e do PS perante a “urgência” de recuperação do espaço que “está prestes a ruir”, pois não sofre obras há cerca de 6 décadas.
17/10/2008
Oposição parlamentar exige recuperação do Conservatório de Lisboa
Os projectos foram apresentados no âmbito da discussão de uma petição promovida pelo movimento Fórum Cidadania Lisboa que alerta para a degradação do Salão Nobre do Conservatório Nacional e que foi subscrita por 5.043 cidadãos.
“A degradação do espaço e do edifício é vergonhosa e inqualificável como salienta a própria relatora da petição”, afirmou o deputado do PEV Francisco Madeira Lopes, referindo-se à deputada independente Matilde Sousa Franco, que não esteve presente no debate.
O deputado do PCP Miguel Tiago considerou “desmesuradamente grave” a reacção do Governo e do PS perante a “urgência” de recuperação do espaço que “está prestes a ruir”. Para o BE, a recuperação do Salão Nobre daquela escola de música centenária deve ser “uma prioridade absoluta”, criticando ainda o Ministério da Educação por invocar “falta de agenda” para fazer as obras. A deputada Luísa Mesquita acusou o Governo de mentir sobre a matéria “de acordo com as conveniências”, destacando que a Parque Escolar “ignora o Conservatório Nacional” nas suas prioridades até 2010.
O PS desculpou-se dizendo que a recuperação do Conservatório Nacional será “elencada na próxima priorização” de obras da Parque Escolar [algures lá para as calendas gregas] e “para dar resposta às novas exigências do ensino artístico”, mas sempre se comprometer com qualquer data, perante as críticas unânimes da oposição parlamentar.
Ver Lusa doc. nº 8896079, 15/10/2008 - 20:00
02/10/2008
Alunos do Conservatório assistem a aulas sentados no chão
Segundo o documento, “o regime de frequência dos alunos em todas as escolas públicas do ensino artístico especializado deve ser essencialmente o regime integrado”, no qual os estudantes fazem os dois tipos de formação (geral e específica) nos Conservatórios e outras escolas especializadas.
Mas agora, no mesmo dia em que o ME emite um comunicado anunciando que o número de alunos no ensino especializado da música cresceu 47% este ano lectivo (ultrapassando os 25 mil estudantes), a Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN) divulga que tem 45 alunos a frequentarem aulas sentados no chão, por ainda não ter recebido da Direcção-Geral de Educação as secretárias e cadeiras pedidas em Maio.
A escola acusa o ME de impor a reforma do ensino artístico “sem investir nada” 1.
A EMCN está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão. “O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão”, segundo a professora e vice-presidente da EMCN, só que, “o Ministério quis que nós implementássemos este novo regime e até ao momento não investiu nada, não nos deu material nenhum”.
A escola está este ano lectivo a receber pela primeira vez alunos de ensino integrado (que recebem ali todas as aulas, além do ensino da música), além de continuar com o ensino suplementar (a alunos que apenas aprendem música e vão ter as aulas curriculares noutra escola), depois de ter protagonizado no ano passado a contestação à reforma do Ensino Artístico desenhada pelo ME.
A docente explicou que as aulas teóricas da Escola, que funcionava até ao ano passado apenas em regime supletivo, eram dadas numa espécie de anfiteatro, em cadeiras de palmatória. “Estas aulas duravam quando muito uma hora por dia e não precisávamos de mais. Acontece que os alunos que agora vamos começando a ter em regime integrado, estão em permanência na escola das 8h da manhã às 16h ou às 19h, e têm mesmo de ter secretárias e outros materiais”, disse, acrescentando que, “de facto, o material que a escola tinha não se coaduna com o novo tipo de escola exigido pelo ministério”.
Entretanto, a escola comprou mais pianos e mais quadros brancos para escrever, entre outro material, para fazer face “a mais alunos no Conservatório este ano, com aumento dos que frequentam o regime integrado e diminuição dos outros”. “Agora, a escola não pode investir em tudo”, sublinhou. “O projecto que nós apresentámos [ao ME] foi de uma progressiva alteração da escola, em função da dimensão da escola. Por exemplo, não íamos abrir um nono ano de repente, quando não tínhamos tido oitavo nem tínhamos tido sétimo”, explicou.
A introdução faseada do ensino integrado prevê que daqui a dois anos a escola tenha todos os anos implementados, já que no próximo ano abrirá uma turma do oitavo ano e no ano seguinte do nono. “Mas também continuamos a receber meninos novos, não rejeitamos ninguém. O regime integrado se calhar vai-nos impedir de dar aulas apenas de música a tantos alunos como gostaríamos, mas no nosso projecto eles continuam a existir, não são para desaparecer”.
Fonte do Ministério da Educação já veio dizer que a EMCN pediu ajuda para solucionar o problema de falta cadeiras e mesas à Direcção Regional de Educação, que estará agora a analisar a situação 2.
Recorda-se que o Grupo Municipal de “Os Verdes” apresentou na AML de 19 de Fevereiro uma Recomendação sobre o “Ensino especializado de música”, a qual foi aprovada por maioria, apenas com a abstenção do PS 3.
1. Ver http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1020802
2. Ver Lusa doc. nº 8835241, 01/10/2008 - 11:03 e http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344538
3. Ver http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=156&Itemid=36
09/09/2008
Jazz nos elevadores públicos

Quem utilizar os quatro ascensores públicos de Lisboa, durante o mês de Setembro, poderá ‘dar de caras’ com contrabaixos, trompetes e saxofones, instrumentos convocados para uma série de concertos intitulada “Jazz às onze”.
Deste modo, durante os quatro sábados de Setembro, pode dizer-se que os utentes dos ascensores da Bica, Lavra, Glória e Santa Justa terão “música elevada” e ritmada ao vivo e a cores, partilhando as pequenas cabinas com músicos portugueses.
Estes concertos, que acontecerão às 11h e às 23h, fazem parte das Festas de Lisboa, numa parceria entre a Carris e o Hot Clube de Portugal, que se encontra a celebrar os 60 anos de actividade. Não havendo um alinhamento fixo para os concertos, a paleta sonora poderá ir dos clássicos do jazz à improvisação.
O primeiro ascensor a receber o “Jazz às onze” é o da Glória, que liga os Restauradores a São Pedro de Alcântara, com contrabaixo, trompete, guitarra e guitarra.
A 13 de Setembro, o ‘sobe-e-desce’ musical será no elevador de Santa Justa, que vai do Largo do Carmo à Rua do Ouro, onde estará uma cantora com um contrabaixista, um guitarrista, um saxofonista, um baterista Miguel Moreira e, já agora, quem mais couber por entre as notas musicais.
O jazz andará ainda pelo Elevador da Bica, do Largo do Calhariz à Rua de São Paulo, no dia 20 de Setembro, com guitarras, saxofone e contrabaixo… colina acima, colina abaixo.
A fechar a iniciativa “Jazz às onze”, haverá também no Ascensor da Lavra, da Rua Câmara Pestana ao Largo da Anunciada, um trio de saxofones.
E para se entrar no “Jazz às onze” só se paga o bilhete normal de uma viagem.
15/08/2008
Isenção de taxas para novo concerto na forja
No entanto, a empresa promotora do espectáculo está a contar com o ‘perdão’, adiantando que se prontifica a pagar outras contrapartidas pela ocupação do espaço. O problema é que o executivo camarário dificilmente conseguirá decidir a tempo.
Mas não só, pois as isenções das taxas de ocupação deste espaço têm sido matéria de acesa controvérsia nos últimos anos, por causa das elevadas somas de que a autarquia tem abdicado 1.
No ano passado foram perdoados 3,5 milhões de taxas aos organizadores do festival Creamfields, em troca de estes contribuírem com 175 mil euros para a requalificação do Parque da Bela Vista, uma decisão da maioria social-democrata que então governava o município, que na altura mereceu ao agora vereador dos espaços verdes comentários pouco simpáticos e que, tal como as restantes forças da oposição, votou vencido contra o ‘perdão’.
Ao pedido da Everything is New, na autarquia ninguém arrisca uma resposta definitiva sobre se haverá ou não isenção, numa altura em que o município continua numa situação financeira muito complicada, por causa das dívidas que ainda tem para com os fornecedores. “Eu não tenciono propor a isenção ao executivo”, garante o vice-presidente da autarquia, acrescentando que, por se tratar de um espaço verde de grandes dimensões, a decisão caberá ao vereador dos espaços verdes.
De acordo com alguns cálculos, o aluguer diário da totalidade do Parque da Bela Vista rondará os 156 mil euros. E, ainda que fosse pacífica a isenção de taxas, restaria um obstáculo: a decisão tem de ser tomada pela CML e ratificada pela AML, órgãos que só voltam a reunir-se em Setembro, no caso da AML, já 2 dias após o concerto 2.
Já no caso do festival Rock in Rio, “as contrapartidas que a empresa organizadora Better World tem pago à CML cifram-se em 400 mil euros, mas estão longe de cobrir as despesas que o município tem de fazer. Com efeito, os gastos da Câmara ascenderam em 2004 a 2,2 milhões de euros, mais 256 mil euros em policiamento. Em 2006, foram de 512 mil mais 129 mil euros. E em 2008 prevê-se, fora o policiamento, um gasto de 373 mil euros. Em contraste com a magra contrapartida, as isenções de taxas foram de 6 milhões de euros em 2004 e de 6,5 milhões em 2006, e serão de outro tanto este ano” 3.
De todas estas cedências a promotores, e com esta desafinada ‘música de Câmara’, a única coisa certa que resulta é que o Parque da Bela Vista corre o risco de, a muito breve trecho, ser cada vez menos um local aprazível para utilização dos lisboetas. E esse é um outro triste e lamentável ‘espectáculo’ 1.
1. Ver, por ex., uma das fundamentadas intervenções do PEV na AML IN http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=54&Itemid=33
2. Ver http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20080815%26page%3D15%26c%3DA
3. Ver http://lisboalisboa.blogspot.com/2008/08/tripa-forra.html citando o blogue ‘Mudar de vida’.
06/06/2008
Toneladas de lixo a RiR
Eram quase 2h00 da manhã e o concerto no domingo tinha terminado há pouco mais de uma hora. Todo o espaço em volta do Palco do Mundo, a tribuna principal, encontrava-se coberto de lixo. Mas, nem metade era comparado com o final do concerto de 6ª fª, em que foram recolhidas mais de 14 toneladas, observa o técnico municipal.
A noite estava fria. Pelas 2h15 chega um camião com sete máquinas sopradoras a que outros tantos homens logo deitam as mãos: três têm rodas, as outras quatro serão transportadas às costas. Alguns varredores, poucos, vão juntando embalagens, enquanto os seguranças ‘expulsam’ os últimos fãs.
A noite não terminara. Quem quiser permanecer na Bela Vista, àquela hora, tem de se dirigir para o palco Electrónica, onde é possível ‘curtir’ até às 4h00. Neste palco, com um espaço em volta muito menor, ainda milhares de jovens se movem com sons metálicos.
Às 8h00, o parque da Bela Vista está totalmente de cara lavada. Como se nada tivesse acontecido antes. Excepto para os desolados moradores dos bairros envolventes que, em vão, tentaram adormecer. Eles de certeza que não RIR(am).
02/06/2008
Sem controlo da lei do ruído
Um dos moradores diz não ter vista para o palco principal, mas sim para a mais temida fonte de ruído: o espaço dedicado à música electrónica, que garante ser o responsável por um vidro partido durante a primeira edição do festival. Agora, quando o barulho aperta mais, põe “duas almofadas entre o vidro e a persiana, para não tremer tanto”.
De madrugada, “acorda-se e já não se volta a dormir”. E “aqui não há gente ‘gorda’, só gente que trabalha muito nas limpezas, que saem às cinco da manhã e voltam a casa à meia-noite”, acrescenta. Dos mesmos níveis de ruído se queixam os moradores que vivem nos edifícios do outro lado da Av. Gago Coutinho.
Entre os prós e contras da realização dos concertos no Parque da Bela Vista o saldo é negativo. Quatro anos depois do primeiro Festival RIR, os moradores da Flamenga continuam sem ver o tão publicitado “mundo melhor” chegar à sua porta.
Num bairro municipal gerido pela empresa municipal Gebalis, “os buracos só são tapados e as ruas só são lavadas” quando se aproximam as datas do festival, afirma outro morador, acrescentando que “as passadeiras só foram pintadas antes do primeiro Rock in Rio”, em 2004.
Ler Destak 2008-05-30, p. 4
29/05/2008
RIR em périplo mundial
Até lá, há mais duas edições em Portugal, pois, segundo a vice-presidente do RIR, já existe um protocolo com a autarquia lisboeta para voltar a organizar o evento no Parque da Bela Vista em 2010 e a edição de 2012 em Lisboa “também está garantida em algum lugar que a gente não sabe qual é” 1.
O orçamento para o Rock in Rio Lisboa é de 25 milhões de euros, mas o retorno financeiro deste mega-evento de música fica no segredo. “Digamos que o retorno é compensador do ponto de vista financeiro”, disse o presidente brasileiro do Festival 2.
“Por nós ficamos sempre”. E porque não ficam? Acontece que nos planos da organização estão ainda uma edição do RIR em Itália, em 2011, e outra na China, em 2013. E porquê na China? “São 160 milhões de chineses com poder aquisitivo”, justifica a vice-presidente 1.
Afirmações que dizem tudo acerca do carácter do RIR e da sua organização. Ah, os cifrões!
01/03/2008
A Música é uma arma
Pouco antes do começo do debate quinzenal com o primeiro-ministro, um quinteto de metais do Conservatório deu um pequeno ‘concerto de recepção’ à ministra da Educação junto a uma das entradas do Parlamento, mas esta não terá, no entanto, utilizado aquela porta para aceder ao edifício.
Entre os dois temas de Gershwin com que os cinco alunos animaram os transeuntes, um trompetista garantiu que todos estavam ali “de boa vontade”, na defesa da qualidade do ensino artístico em Portugal. “Os conservatórios são muito bons para a cultura em geral, educam e formam bons músicos. Não queremos que o Ministério destrua aquilo que eles querem construir. Temos de construir em conjunto”, defendeu o aluno do oitavo grau de trompete.
Em causa está a reforma do ensino artístico e a intenção do Governo de diminuir a oferta de cursos em regime supletivo (que permite ao aluno ter formação especializada no conservatório e formação geral numa escola à sua escolha), e de cursos de iniciação musical.
Os manifestantes entraram depois para o Parlamento para assistirem ao debate quinzenal, aproveitando a presença da ministra da Educação. Vários deles vestiam t-shirts cor-de-laranja com letras que, juntas, formavam a frase “Em defesa do ensino artístico”. “Isto não é uma manifestação, é mais uma presença simbólica”, garantiam duas alunas de violino, com orgulho em participar numa acção que tinha “muita gente, sem ter sido quase divulgada”. “É uma forma de chamar a atenção, já que o diálogo com a ministra tem sido difícil”, explicou uma das professoras.
Após vários meses de protesto de pais alunos e professores, o Ministério da Educação tentou argumentar que “não está escrito em lado nenhum que já não vai haver iniciação ou regime supletivo”.
Trata-se no entanto, segundo o Movimento de Defesa do Ensino Artístico - MovArte, de a ministra ensaiar “manobras mediáticas”, quando “na verdade a decisão já está tomada”, pois o relatório da Agência Nacional para a Qualificação, que serve de base para a reforma do ensino artístico, “demonstra absolutamente a intenção de terminar com estes regimes e a má fé da ministra”. “A ministra tem dito por várias vezes que o Conservatório falha. Por isso fazemos estes concertos: para lhe mostrar a qualidade do nosso ensino”.
“A música é a nossa arte e a nossa arma”, conclui a professora.
Ver Lusa doc. nº 8057633, 29/02/2008 - 16:40
18/02/2008
Um Ministério desafinado
A estes números deverão ainda somar-se os do Conservatório do Porto, que informou ter ministrado iniciações a 94 crianças dos 6 aos 9 anos (números apenas disponíveis para 2004/2005), e os 206 alunos que no corrente ano lectivo de 2007/2008 frequentam o Conservatório de Lisboa (EMCN) 1.
A própria ministra da Educação terá também actualizado esta semana os dados, informando que 570 crianças estão já a receber iniciações no presente ano lectivo. E que a tendência será para crescer, pois nos últimos dois anos houve sempre aumento de inscrições. Deste modo, segundo a tutela, ao todo estarão inscritos cerca de 3.300 alunos em estabelecimentos públicos de música, a que se juntam pouco mais de 14 mil noutras 98 escolas do ensino musical privado e cooperativo.
O estudo reconhece também a evidência do aumento da procura das iniciações, mas nem por isso o Ministério quer voltar atrás. No mesmo trabalho pode ler-se que “investigações quanto à relação entre as variáveis idade e aproveitamento entre os anos (lectivos) não são de molde a demonstrar que as crianças que começam mais cedo os seus estudos são também aquelas que melhores resultados apresentam”.
Para o director do Conservatório de Lisboa, Wagner Diniz, “o relatório sobre o ensino artístico é completamente contraditório, porque afirma que não é verdadeiro que as crianças tenham de iniciar a aprendizagem da música antes dos dez anos, mas depois reconhece que há cada vez maior procura e defende a extensão do ensino às escolas normais”.
Ou seja, apesar de o Ministério da Educação reconhecer que há cada vez maior procura dos cursos de iniciação musical dos Conservatórios - recorda-se, como acaba por provar o estudo feito pelo próprio Governo (!) -, estas conclusões não mudaram as suas intenções, e persiste em defender o fim do ensino artístico no 1º ciclo das escolas de música públicas 2.
1. Números cedidos a “Os Verdes em Lisboa” pela direcção da EMCN.
2. Ver http://dn.sapo.pt/2008/02/17/sociedade/ministerio_admite_maior_procura_desv.html
17/02/2008
15/02/2008
Manifestação concerto em S. Bento

“São 10 milhões do orçamento da Educação, uma pinga num oceano que tem um retorno fenomenal, os músicos em Portugal são muito produtivos, é uma indústria de 111 milhões de euros, é um investimento bastante pequeno com grandes repercussões, são 17 mil alunos que abastecem o mercado de profissionais de música”, declarou Tiago Ivo Cruz, fundador do Movimento de Defesa do Ensino Artístico - MovArte. Salientou ainda que, caso a reforma vá por diante, “acaba-se com o regime supletivo, cerca de 90% dos alunos, acaba-se com a profissionalização de uma inteira geração de músicos profissionais em Portugal”.
É sabido que o Governo pretende acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permite aos alunos frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral numa escola à sua escolha. O ensino supletivo contribuiu para a formação de inúmeras gerações de músicos de que são exemplo Maria João Pires, Jorge Palma, Mário Laginha (presente no protesto) e muitos outros. Segundo este último, “aquilo que vai acontecer é que o ensino especializado de música só será acessível àqueles que têm dinheiro. Ora, o que a ministra está a fazer, se não é mortal, é muito perto disso”.
Para o Ministério, a reforma surge com o intuito de ‘democratizar’ o ensino da música, tornando-o acessível a mais jovens. Porém, não são especificados nem o tipo de formação, nem os graus e níveis de conhecimento que se pretende alcançar. De acordo com dados do Governo, apenas 17 mil alunos num universo de 1,5 milhões têm acesso ao Ensino Artístico Especializado, mas a expectativa é que sejam cerca de 25 mil a partir do próximo ano lectivo.
Segundo a tutela, a reforma “tem como objectivo fundamental aumentar o número de alunos a frequentar o Ensino Artístico Especializado”, objectivo que passará por uma melhor organização da oferta destes cursos e sua disseminação “por uma rede mais alargada de escolas ao nível do ensino básico e secundário”. Para os profissionais trata-se de “um absurdo” e pura falácia por nivelar o ensino por baixo.
Quem também marcou presença foi o maestro Vitorino de Almeida que colocou uma questão à ministra da tutela. “Quem é que pediu à ministra da Educação para fazer estas reformas? Os músicos não foram, os professores também não, os alunos estão aqui. Os pais? Não me parece”, exclamou o maestro 1. Entretanto, a petição contra o fim do ensino especializado da Música recolhe já mais de 17.200 assinaturas 2.
1. Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=80626
2. Ver www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?CFEEMP
11/02/2008
Coro de protesto a favor do ensino especializado da música
Por isso, hoje às 10h, à entrada da Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), em Lisboa, haverá um original coro de protesto: uma manifestação, com um cordão humano em torno do edifício, concertos e reuniões. O mote: a reunião que a direcção da escola irá ter com o grupo de trabalho do Ministério da Educação (ME) que está a reformar o ensino especializado da música. Objectivo: chamar a atenção para aquilo que a escola considera um atentado ao ensino ali ministrado.
O Ministério quer que as escolas de música públicas - os conservatórios de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto e o Instituto Gregoriano de Lisboa - deixem de oferecer os cursos de iniciação musical às crianças do 1º ciclo, e que deixem de ter alunos em regime supletivo (que estudam noutras escolas e aprendem Música no conservatório). Estas medidas põem em causa o ensino na maior parte das escolas, mas tem sido Lisboa que mais se tem indignado.
Segundo o director da escola, a EMCN tem apenas 44 estudantes nesta situação e “à excepção de Braga, somos os únicos a ter integrado no 5º ano e no secundário”, informa Wagner Diniz, e se não há mais alunos é apenas porque as famílias e eles próprios não o desejam, contrapõe outra professora na EMCN. “Os pais não estão interessados porque não são de Lisboa e preferem fazer menos deslocações para o centro da cidade”, explica. E os alunos também preferem ficar nas escolas onde estão, porque é lá que têm os seus amigos, acrescenta.
Para a directora do Conservatório de Aveiro, os três sistemas podem coabitar. Também a Federação Nacional dos Professores tomou uma posição, no final da semana, afirmando o mesmo. Contudo, o ME insiste em levar por diante a reforma, com um tempo de transição para o novo modelo.
Há precisamente um ano, foi conhecido um relatório sobre o ensino da Música, encomendado pelo Ministério da Educação. O estudo feito por uma equipa de professores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa demolia o actual modelo, considerando-o caro e com baixas taxas de sucesso. A sugestão do grupo, liderado pelo ex-secretário de Estado da Administração Educativa do Governo Guterres, foi a de que o ensino artístico seja feito, em regime integrado, ou seja, que a formação específica seja no mesmo local em que se têm as outras disciplinas gerais.
Para a tutela, este tipo de ensino poderia ajudar a melhorar o trabalho pedagógico e a reduzir as taxas de retenção e abandono escolar, mas esse não é um problema que afecte o universo escolar das artes musicais, pois os alunos frequentam-no por convicção e vocação. Actualmente apenas 17 mil estudantes num universo de 1,5 milhões têm acesso ao ensino artístico especializado, mas “cada um dos regimes tem virtualidades e defeitos. O que pedimos é que os alunos possam escolher”, recorda o director da EMCN 1.
A petição “Contra o Fim do Ensino Especializado da Música em Portugal” reúne já mais de 14.000 assinaturas 2.
1. Ver Público 2008-02-10
2. Ver www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?CFEEMP
08/02/2008
Concerto na rua contra a reforma do ensino da música
No âmbito da reforma do ensino artístico especializado, a partir do próximo ano lectivo as escolas públicas de música estão impedidas de dar aulas ao 1º ciclo e terão de funcionar em regime integrado, ou seja, ministrarem formação geral (como em qualquer escola) e especializada (artística).
O Governo pretende assim acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permite aos alunos frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral numa escola à sua escolha. O ensino supletivo “tem contribuído para a formação de inúmeras gerações de músicos de que são exemplo Maria João Pires, Mário Laginha, Jorge Palma e muitos outros”, lê-se no site do movimento MovArte.
De acordo com dados do Governo, apenas 17 mil alunos num universo de 1,5 milhões têm acesso ao Ensino Artístico Especializado. Segundo a tutela, a reforma “tem como objectivo fundamental aumentar o número de alunos a frequentar o Ensino Artístico Especializado”, objectivo que passará por uma melhor organização da oferta destes cursos e sua disseminação “por uma rede mais alargada de escolas ao nível do ensino básico e secundário”.
Porém, segundo o maestro Vitorino d'Almeida, “esta é uma medida demagógica porque nós não queremos formar milhões de músicos”, considerando mais importante “dar trabalho aos músicos que temos, e que servem as nossas orquestras”. O maestro, que estava entre o grupo que se concentrou em frente do Ministério, disse que acabar com esta formação especializada de base seria “como estarmos a acabar com as nossas escolas primárias”.
Para o fundador do MovArte, a generalidade das escolas não terá meios técnicos suficientes para assegurar o ensino da música, nomeadamente instrumentos musicais. Ivo Cruz afirmou ainda duvidar “do que se consegue ensinar em duas horas apenas” nas actividades de enriquecimento curricular das escolas do 1º ciclo e que “a ministra parece querer transformar [a música] em mais uma disciplina de ATL em todas as escolas nacionais”.
Na concentração estiveram presentes jovens de diferentes turmas do Conservatório que, através de pequenos concertos com diferentes instrumentos, quiseram demonstrar a “importância do ensino de música especializado” 1.
Num apelo à srª Ministra da Educação recordam que “um país musical é um país convenientemente preparado para aceitar todas as lições do progresso, para saber sentir e saber vibrar” 2. A petição na Internet ultrapassou já as 11.000 assinaturas 3.
1. Ver Lusa doc. nº 7978112, 07/02/2008 - 19:15 e Público 2008-02-08
2. Ver http://suggia.weblog.com.pt/arquivo/257926.html
3. Ver www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?CFEEMP
06/02/2008
Mais de 7000 assinaturas
No âmbito da reforma do ensino artístico especializado, a partir do próximo ano lectivo as escolas públicas de música estão impedidas de dar aulas ao 1º ciclo e terão de funcionar em regime integrado, ou seja, ministrarem formação geral (como em qualquer escola) e especializada (artística).
Às 17h de 6ª fª, a petição “Contra o Fim do Ensino Especializado da Música em Portugal”, dirigida ao Ministério da Educação (ME), tinha reunido 860 assinaturas, mas no início da madrugada de hoje o documento registava já mais de 7.000 signatários.
Entretanto, recorda-se que está a circular uma outra petição sobre a mesma matéria, mas dirigida ao presidente da República e ao primeiro-ministro, com o título “Defesa do Ensino Artístico em Portugal”, que ao início da madrugada de hoje recolhia cerca de 800 assinaturas.
Neste segundo documento, os signatários sublinham que o estudo de avaliação sobre este sector carece, “por falta de rigor metodológico, de validade científica, por não englobar nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamental junto das escolas especializadas”.
“A retirada do financiamento previsto pelo Ministério da Educação ao ensino especializado no 1º ciclo às Escolas de Ensino Especializado é uma inadmissível medida socialmente discriminatória, que contribui para a não inclusão social, e que reduzirá drasticamente a qualidade da Educação Artística”, lê-se no documento.
De acordo com dados do ME, apenas 17 mil alunos num universo de 1,5 milhões têm acesso ao Ensino Artístico Especializado, pelo que a reforma deste sector vai passar pela reorganização da oferta de cursos e sua dispersão por uma rede de escolas mais alargada.
Segundo a tutela, a reforma “tem como objectivo fundamental aumentar o número de alunos a frequentar o Ensino Artístico Especializado”, objectivo que passará por uma melhor organização da oferta destes cursos e sua disseminação “por uma rede mais alargada de escolas ao nível do ensino básico e secundário”.
Em Março do ano passado, um relatório encomendado pela tutela defendia a reestruturação do Ensino Artístico, recomendando o fim do regime supletivo, o qual vem permitindo aos alunos realizar a formação geral numa escola normal e frequentar simultaneamente uma instituição especializada, como um Conservatório.
A generalização do regime integrado iria permitir, de acordo com aquele relatório, uma melhoria do trabalho pedagógico e a redução das taxas de retenção e de abandono por parte dos alunos. O estudo concluiu ainda que os estabelecimentos de ensino secundário não especializados têm infra-estruturas subaproveitadas, pelo que existem condições para alargar as ofertas de formação.
O Grupo de Trabalho para a Reestruturação do Ensino Artístico Especializado irá reunir nas próximas semanas com o Conservatório de Música de Aveiro, a Escola de Música do Conservatório Nacional e o Instituto Gregoriano. O grupo de trabalho terá já reunido com os Conservatórios de Música de Coimbra, Braga e Porto.
Porém, os modelos propostos para a reestruturação constituem uma flagrante ameaça para o Ensino Artístico e Especializado da Música. Se partilhar destas nossas inquietações, junte-se a este movimento e assine a petição on-line que encontrará no URL www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html
Ver Lusa doc. nº 04/02/2008 - 16:54





