«Os Verdes» elegeram, para esta sessão de
declarações políticas, os investimentos estruturantes a médio prazo na rede de
transportes colectivos de passageiros.
Não é novidade que a sustentabilidade da
mobilidade urbana só é possível através de um planeamento que tenha em conta
todos os modos de transporte, com o objectivo de satisfazer as necessidades de
mobilidade, numa relação de equilíbrio entre a qualidade
ambiental, a equidade social e a qualidade de vida dos cidadãos.
Estas têm sido, precisamente, as
propostas que «Os Verdes» têm apresentado nesta Assembleia e, uma vez que o
Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas inclui um eixo específico dedicado
aos Transportes Públicos de Passageiros, importa ponderar sobre os investimentos
estruturantes a médio prazo na rede de transportes no concelho de Lisboa, de
forma a que se responda efectivamente às necessidades de uma mobilidade mais sustentável,
mais amiga do ambiente e se prepare a cidade para os desafios futuros.
Promover uma mobilidade
sustentável passa por aumentar a atractividade dos transportes colectivos face ao
transporte individual, elevar a sua qualidade na prestação do serviço público,
melhorar as acessibilidades e melhorar as redes de transporte existentes,
apostar em veículos amigos do ambiente e investir numa rede de transportes
colectivos de passageiros que, estando a funcionar devidamente, é a solução
mais consistente para a prestação deste serviço público.
Esta rede de transportes deve,
necessariamente, articular as redes pesadas do comboio e do metropolitano com
as redes semi-pesadas de eléctricos históricos e rápidos de superfície. Só assim
conseguiremos promover a criação de interfaces intermodais de transporte e responder
eficazmente aos principais fluxos de deslocação na cidade.
Acontece que, actualmente, Lisboa
tem apenas 5 carreiras de eléctricos servidas por 57 veículos, com uma extensão
de 48 quilómetros e apenas uma linha de eléctricos rápidos (a linha 15 entre Algés
e a Praça da Figueira).
Convém lembrar que a rede de
eléctricos da Carris chegou a ter uma extensão de 145 quilómetros, divididos
por 39 carreiras e, durante 43 anos, o eléctrico foi o único meio de transporte
público da cidade de Lisboa. O eléctrico acompanhou a expansão urbana da cidade
e foi o modo de transporte da grande maioria dos lisboetas de todos os estratos
sociais.
O eléctrico é um ícone tradicional e emblemático da cidade, cuja
importância, infelizmente, tem vindo a decrescer, mas que ainda serve 20
milhões de pessoas por ano e, além das vantagens turísticas tem também
vantagens ambientais, por ser menos poluente que os restantes modos de
transporte de superfície.
Não nos podemos esquecer que Lisboa é invadida diariamente por
430 000 veículos vindos dos concelhos limítrofes, sendo uma grande fonte
de destruição do ambiente e do congestionamento da cidade.
Para «Os Verdes» a rede de
Metropolitano deve ser uma rede complementar das Linhas de Comboios Urbanos de
Lisboa, e a rede de eléctricos históricos e rápidos de superfície deve ser uma rede
complementar do Metropolitano, para que haja capacidade de resposta às necessidades
de transporte e de acesso, algo que hoje não se verifica.
É com base neste
entendimento que defendemos que os investimentos estruturantes na rede de
metropolitano, de eléctricos históricos e de eléctricos rápidos em Lisboa podem
ser concretizados no âmbito do próximo QREN (2014-2020) e que estes devem ser
incluídos no eixo de Transportes Públicos de Passageiros do Plano Estratégico
dos Transportes e Infraestruturas (PETI).
A CML deverá, assim, interceder
junto do Governo com vista a um conjunto de situações, como:
- a conclusão das obras de
ampliação das estações do Areeiro e Arroios,
- o prolongamento das linhas
do Metro
- a reactivação e
prolongamento das linhas de eléctricos, fulcrais para o dia-a-dia dos cidadãos
- e a criação de linhas de
eléctricos rápidos entre o Cais do Sodré e o Parque das Nações, aproveitando o
canal ferroviário paralelo à Avenida Infante Dom Henrique.
Defendemos, por isso, que a
CML deverá continuar a exigir a melhoria das condições de mobilidade na Área
Metropolitana de Lisboa, promovendo desta forma o direito à mobilidade da
população e a melhoria da sua qualidade de vida.
Cláudia Madeira
Grupo Municipal de “Os Verdes”
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