19/09/2007

O passeio do equívoco

Recentemente, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, o presidente da CML terá defendido “uma cidade mais amigável, onde o peão se sinta mais seguro e onde possamos circular com melhores condições” 1.
Como consequência, o vice-presidente da CML veio apresentar uma campanha de rebaixamento de passeios para melhorar as travessias de peões nas passadeiras 2.
A obra, integrada na Semana da Mobilidade, foi iniciada no domingo em Campo de Ourique. Encontra-se estimada em 75.000 euros, devendo estar concluída antes do Verão de 2008, baseia-se em “medidas concretas para melhorar a circulação pedonal na cidade”, nomeadamente de idosos, pessoas de mobilidade reduzida, portadores de carrinhos de bebé, muletas ou cadeiras de rodas.
Antes de concluída esta obra, o vice-presidente referiu que se iniciará o rebaixamento de passeios nas Avenidas Novas “onde há alguma coisa feita, mas muita por fazer”, com um custo estimado de 50.000 euros a concluir em seis meses.
Além daquelas duas zonas problemáticas da cidade - devido à concentração de população idosa - foram mencionados outros locais da cidade onde os passeios já sofreram obras similares, como as avenidas 24 de Julho, Infante Santo, eixo Avenida da Igreja/Alvalade, Avenida de Roma/Praça de Londres, e nas avenidas do Rio de Janeiro e dos EUA 3.

Mas, lendo bem as declarações, o que de facto se propõe é que seja o peão a arriscar-se, adaptando-se aos espaços de circulação automóvel. Senão vejamos.
Porque são rebaixados passeios e lancis? Para que peões, deficientes, carrinhos, etc., desçam para a via rodoviária para fazerem o atravessamento para o outro lado da rua. Ou seja, é o peão que precisa ‘invadir’ o terreno (alcatroado) dos veículos automóveis.
Caso as medidas da CML pretendessem salvaguardar a prioridade do peão, teria de ser sempre o carro a ‘pedir’ para atravessar o espaço urbano, que é por excelência dos cidadãos. E como? Fácil.
Não é o passeio que deve ser rebaixado, mas sim a passadeira e a zebra que devem ser elevadas à altura do lancil e do passeio 4. Aqui sim, seria a viatura a ter de reduzir a velocidade para ultrapassar um obstáculo redutor de velocidade.
Aqui a circulação pedonal estaria mais protegida, cumprindo-se a promessa (afinal não cumprida) de presidente e vice-presidente da CML de “uma cidade mais amigável, onde o peão se sinta mais seguro e onde possamos circular com melhores condições”. De facto, só não esclareceu quem é o sujeito da oração gramatical 'possamos circular'. O que terá a ACA-M a dizer sobre o assunto?
Há alguma dúvida que para o município, infelizmente, o carro prevalece sobre o peão?

2 comentários:

Manuel João Ramos disse...

Em ruas locais, pelo menos, faz todo o sentido, inclusive elevando todo o cruzamento.

Sobreda disse...

Obrigado pela vossa pertinente resposta.

E o diálogo prossegue agora no URL http://viveraltadelisboa.blogspot.com/2007/10/moo-apresentada-por-cidados-por-lisboa.html