03/05/2007

Esquerda na Assembleia Municipal quer eleições intercalares

"Os líderes das bancadas dos partidos de esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa defenderam hoje a realização de eleições intercalares naquele órgão, bem como na Câmara da capital.
"O PSD está a querer condicionar o próximo executivo da Câmara Municipal", disse à Lusa o líder da bancada socialista, Miguel Coelho, referindo-se à vontade expressa pela presidente da AML, Paula Teixeira da Cruz (PSD), em não provocar eleições naquele órgão.
Paula Teixeira da Cruz, afastou hoje a hipótese de eleições intercalares para a Câmara de Lisboa que possam abranger o órgão a que preside.
"A Assembleia Municipal é um órgão que tem uma legitimidade própria", afirmou a responsável, em declarações à rádio TSF.
Segundo líder dos socialistas na assembleia municipal, "não é eticamente correcto que o PSD queira impor ao próximo presidente da Câmara, que terá necessariamente de tomar medidas complicadas para o saneamento financeiro da Câmara, um quadro institucional que poderá impedir que essas medidas sejam executadas".
O líder da bancada do PCP e antigo presidente da AML, Modesto Navarro, considera que a não convocação de eleições para a assembleia vai provocar "alguma confusão e mais dificuldades na resolução dos problemas cruciais da cidade".
"Era essencial que a haver boa-fé de Marques Mendes e Paula Teixeira da Cruz houvesse boa fé até ao fim", afirmou.
Modesto Navarro presidiu à AML no último mandato autárquico, existindo uma maioria de partidos de esquerda na assembleia e uma maioria social-democrata na Câmara.
"Tratava-se uma maioria relativa de vários grupos de esquerda que às vezes coincidiam, outras não", disse, sublinhando que o PS e o Bloco de Esquerda votaram com o PSD a aprovação da permuta dos terrenos do Parque Mayer com os da Feira Popular.
Também o líder da bancada do partido ecologista "Os Verdes" (PEV), José Luís Ferreira, considera que "por uma questão de princípio, as eleições se devem estender também à assembleia municipal".
"Tudo depende do PSD, que tem a maioria absoluta", disse.

O líder da bancada do Bloco de Esquerda, Carlos Marques, afirmou igualmente que "o mais democrático, naturalmente, é que haja eleições quer no órgão executivo quer no órgão fiscalizador".
"É verdade que não há uma crise institucional na assembleia municipal, mas há um problema político", afirmou.
"Se vamos ter um executivo que depois tem uma barragem na assembleia, significa que se pode aprofundar a crise na autarquia", acrescentou.
O líder da bancada do CDS-PP, José Rui Roque afirmou que os deputados democratas-cristãos ainda não concertaram uma posição com a concelhia de Lisboa do partido sobre esta matéria mas adiantou que "não se pode falar que exista uma crise na assembleia municipal".
Apesar das tentativas da Lusa, não foi possível contactar o líder da bancada do PSD, Saldanha Serra.
O líder do PSD, Marques Mendes reconheceu quarta-feira que já "não há condições políticas" para gerir a Câmara de Lisboa, considerando que a melhor solução será "devolver a palavra ao povo", avançando para a realização de eleições intercalares.
"Não há condições política para gerir a câmara com eficácia", disse Marques Mendes, numa declaração aos jornalistas na sede do partido sem direito a perguntas.
O líder social-democrata adiantou ainda que já transmitiu "pessoalmente" a posição do partido ao presidente da Câmara de Lisboa, constituído arguido na quinta-feira no âmbito do caso Bragaparques, que "coincidiu" na análise feita pela direcção do PSD.
O Diário de Notícias avança na sua edição de hoje que Paula Teixeira da Cruz está a ser fortemente pressionada pelo presidente do PSD, Marques Mendes, e restante direcção para ser candidata à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares.
De acordo com o jornal, Paula Teixeira da Cruz defende que a queda do executivo autárquico não deve obrigatoriamente fazer cair a AML e, por isso, pretende manter-se no cargo e não dar o salto para uma candidatura à CML. " (Lusa, 3/5)

1 comentário:

miguel disse...

Caros amigos do PEV, não pude deixar de notar que não foi só a imprensa que se esqueceu da existência do PEV. Foi até o vosso parceiro de coligação pela voz do seu principal vereador Ruben de Carvalho, que ontem repetidamente mencionou as 4 forças da oposição...
Quando é que se assumem como uma voz autónoma?
Um sincero apoiante