15/08/2008

Marche, pedale, partilhe, mexa-se!

Eis o lema do Ministério do Ambiente da Bélgica para a redução da poluição em Bruxelas. ‘Mexa-se’, pela sua e pela nossa saúde. Trata-se do programa ‘Bruxell'air’.
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“Avec la prime Bruxell'air, la Région de Bruxelles-Capitale renforce la lutte contre la pollution de l'air générée par la circulation automobile. L'objectif de cette prime est d'encourager les automobilistes bruxellois à renoncer à leur voiture au profit de moyens de déplacements plus respectueux de l'environnement: les transports publics, le vélo, la marche et le carsharing Cambio”.
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Estas medidas são ainda acompanhadas de incentivos de mobilidade alternativa: o cidadão ‘recicla’ a placa de matrícula do seu carro, deixando de circular na sua viatura, e o município cede-lhe um passe social por um ano, ou mesmo uma bicicleta a um preço mais acessível 1. O ‘carsharing’ é outra das medidas estimuladas pelo Governo belga 2.
As portagens urbanas são - já o afirmámos - discriminatórias e serão sempre os mesmos a pagá-las. É aliás um exemplo já implementado em Portugal e que não produziu resultados.
Ou seja, temos o modelo de portagens numa determinada zona de Lisboa - para os acessos de algumas pessoas e localidades da margem sul - e bem se vê que não tem qualquer efeito relativamente ao objectivo pretendido.
Isto é, não houve qualquer redução do transporte individual nas entradas das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama por causa das portagens que aí existem. Depois, o custo de um bilhete no comboio da Fertagus é mais caro do que um bilhete de quem vem de longe e usa outro tipo de transporte público 3.
Do que não há dúvidas é que a construção de mais estradas (ou pontes rodoviárias) será sempre igual a mais viaturas e mais tráfego. Aliás “Os Verdes” propuseram, nas conclusões das suas recentes Jornadas Parlamentares, a criação de uma via para bicicletas na futura terceira travessia do Tejo.
Pelo que a pergunta objectiva é: pagar portagens em Lisboa para quê? Só se o objectivo for criar uma nova taxa ‘Robin dos Bosques’ para lançar novos impostos sobre os cidadãos, quando existem tantas outras alternativas para reduzir o tráfego automóvel e baixar os níveis de poluição citadina. A resposta está a dá-la o município belga.
A CML só tem de aprender com os bons exemplos.

1. Ver
www.prime-bruxellair.be/homepage.php
2. Ver www.cambio.be/cambio/carsharing/fr/2/stdws_thema/intro/intro0.html
3. Ler entrevista no URL www.osverdes.pt/contactov.asp?edt=13&art=135

2 comentários:

miguel disse...

Esta minha divergência do PEV sempre se manterá, mas as divergências são sempre boas. Agora há uma coisa que eu não percebo. O que é que isto quer dizer:

"algumas pessoas e localidades da margem sul - e bem se vê que não tem qualquer efeito relativamente ao objectivo pretendido. Isto é, não houve qualquer redução do transporte individual nas entradas das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama por causa das portagens que aí existem."

Redução em relação a quê? Sempre houve portagens! Como é que se pode dizer que não funciona se não fazemos a mínima ideia como seria sem portagens?!

E já agora, não são sempre os mesmos a pagar. Quem é pobre não de carro. Ou será a classe média (excluindo portanto a classe pobre) é que deveria ser o centro das nossas atenções?

Cumps divergentes!

Sobreda disse...

Obrigado Miguel C. pelos habituais pertinentes comentários.
No entanto, sobre o tema 'portagens' à entrada das cidades, nós não temos dúvidas que elas são economicamente discriminatórias.
Basta ler, com atenção, o artigo "Portagens do nosso descontentamento", designadamente a resposta à pergunta 'Esta medida seria socialmente justa?', inserido na newsletter 'Contacto Verde' nº 13, IN www.osverdes.pt/contactov.asp?edt=13
A questão é que as portagens - que implicam novos impostos a sair dos bolsos dos cidadãos para os cofres do Estado - na periferia da cidade nunca deverão ser uma prioridade, quando existem, como ambos sabemos e costumamos reportar nos nossos blogues, inúmeras alternativas prioritárias para a melhoria da mobilidade, da redução de tráfego e da segurança pedonal e rodoviária. Por ex., mais faixas Bus, mais e melhores transportes públicos, passes sociais familiares, etc.
Por isso, é também discriminatória para quem vive ou fora ou dentro da cidade. Ou seja, quem já está na cidade acaba por circular livremente. Mas, para quem vive fora, a "População desespera com falta de transportes"
Ler http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Loures&Option=Interior&content_id=980018
Prioritário será criar as Autoridades Metropolitanas de Transportes e que elas urgentemente incrementem a intermodalidade.
Por ex., quem vem de Santarém trabalhar para Lisboa (e estou a falar de um caso que conheço), precisa de 3 passes sociais e paga por eles... 130 euros por mês! Sem comentários.
Um abraço verde.