12/11/2007

Vamos levar as ciclovias a sério

Algumas autarquias reconhecem que as condições para a mobilidade a pé são diminutas. Mas as necessárias para circular de bicicleta são ainda menores.
O principal contributo à utilização da bicicleta é a criação de pistas dedicadas. Estas ciclovias devem obedecer a um desenho cuidadoso de modo a dar condições de segurança a ciclistas e peões 1.
• A criação de ciclovias deve ser pensada como uma rede, ligando centros de transportes, equipamentos públicos e zonas habitacionais. A ideia de rede e de continuidade é essencial para que exista uma dimensão crítica de vias dedicadas suficiente para atrair os adeptos. Esta rede permite também minimizar os obstáculos à circulação das bicicletas, em especial os que decorrem de conflitos com o automóvel.
• O piso das ciclovias, para além de livre de irregularidades e obstáculos, deve possuir uma clara diferenciação cromática e conter, em intervalos regulares, sinais indicativos.
• É preferível proceder a um alargamento do passeio para incorporar uma ciclovia do que a pintar, simplesmente, no arruamento. Como sabemos as transgressões por estacionamento indevido são correntes (em alguns locais chega mesmo a haver uma segunda fila de automóveis mal estacionados quase permanente!), o que inviabilizaria imediatamente a utilização da pista.
• Na intermodalidade reside um dos grandes pontos fortes da bicicleta. Pessoas que se situem a mais de 10 minutos de uma estação do metro tenderão a não ser grandes utilizadoras do mesmo. Se essa pessoa mesmo assim preferir usar o transporte público ela terá de se socorrer de um outro meio de transporte. E aqui a bicicleta apresenta um enorme potencial. Nos mesmos 10 minutos a maior parte das pessoas percorrerá de bicicleta pelo menos 2 km, mais que duplicando o raio de influência do metro (tipicamente entre 800 e 1000 m). Este raciocínio aplica-se igualmente ao comboio e camionetas e, em geral, aos interfaces multimodais.
• É necessário, contudo, instalar parques para bicicletas em todas as estações, o que representaria um acréscimo de custos absolutamente insignificante.
Algumas cidades portuguesas já avançaram entretanto, ou prometem desde já fazê-lo a curto prazo, com a implementação de ciclovias dedicadas 2.

1 comentário:

Hugo Jorge disse...

Parabéns pelas iniciativas em prol da bicicleta.


Hugo Jorge
http://dr-hugo-jorge.blogspot.com/