23/06/2008

Problemas na mobilidade

Estará Lisboa pronta para acolher, na sua rede colectiva de transportes, os milhares de pessoas que vão deixar o carro em casa devido ao aumento do preço dos combustíveis? Os especialistas consideram que ainda há muito a fazer.
“Com o aumento do preço do petróleo, as pessoas vão mesmo deixar de poder usar o transporte privado”segundo um investigador do Instituto Superior Técnico na área do Urbanismo e Transportes, mas é reforçada pela opinião de muitos outros especialistas e pela clara tendência de aumento de passageiros nos transportes públicos verificada nos últimos meses,
O problema é que a cidade não está preparada para receber tantos utentes nos transportes colectivos. “A rede de transportes públicos de Lisboa é uma vergonha”, diz o investigador, que considera ter havido um “desinvestimento nesta área ao longo dos anos”.
O Metro alargou-se até aos arredores da cidade (Odivelas e Amadora), mas continua a não cobrir todo o concelho lisboeta e a ter alguns problemas na ligação entre linhas. A conclusão da extensão Alameda/Saldanha/São Sebastião deverá melhorar significativamente a agilidade da rede, mas não resolverá todos os problemas.
A falta de complementaridade entre meios de transporte é outra das falhas. A Carris, empresa rodoviária da capital, nem sempre se articula bem com o Metro, o comboio e o barco. “Acaba por explorar os mesmos eixos que já são servidos pelo metro, deixando muitas zonas da cidade sem transportes colectivos eficazes”. A zona Norte, do Lumiar até Carnide, a zona oriental e o Parque das Nações são algumas das zonas onde é mais complicado chegar sem recorrer ao automóvel.
Segundo o especialista, toda a lógica de organização dos transportes públicos tem sido gerida de forma errada. “Primeiro, deviam fixar-se as redes mais pesadas, mais difíceis de mudar, como o Metro e o comboio (…) depois adaptavam-se os autocarros de forma a servir de complemento e não de concorrência”, sustenta.
Outro dos graves problemas é a inexistência de um bilhete intermodal, a preço acessível. “A pessoa compre o bilhete e, durante uma hora, pode usar todos os transportes públicos, como há na maioria das cidades da Europa”, explica. Mas também os automobilistas não têm vida fácil. Os engarrafamentos são uma constante em vias como a Segunda Circular, o Eixo Norte-Sul, o IC19, a A5 ou a Ponte 25 de Abril, mas também no centro da cidade.
O alargamento do IC19, a concessão da Grande Lisboa e a conclusão da CRIL juntamente com a abertura do último lanço do Eixo Norte-Sul, inaugurado em Outubro do ano passado, deverão, segundo as previsões do Governo, retirar, até 2010, cerca de 40 mil viaturas da Segunda Circular e 20 mil da Calçada de Carriche.
Um ponto parece consensual entre ambientalistas, académicos e até autarcas: é urgente que a Autoridade Metropolitana de Transportes comece a funcionar, possibilitando uma gestão integrada dos investimentos e uma articulação entre meios de transporte hoje inexistente.

Ver
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=960800

1 comentário:

miguel disse...

Há uma coisa essencial que não é dita na notícia. Com a redução do número de automóveis, há uma redução do congestionamento, logo aumento da velocidade dos autocarros, logo aumento da sua frequência...
logo aumento da capacidade de transporte de passageiros, sem que para isso se compre um único autocarro novo.

Não estou a dizer que o sistema de transportes seja bom (longe disso), apenas que um dos principais razões de ser tão mau é o congestionamento.

Eu tenho pena de não ter a fonte, mas lembro-me de há uns 10 ou 15 anos ter estado num debate onde o presidente da Carris dizia que a Carris tinha capacidade MAIS do que suficiente para transportar todos os lisboetas se amanhã todos andássemos de transportes.