26/01/2009

SOS Azulejo

O aumento “considerável” do número de furtos de painéis de azulejos, sobretudo na área de Lisboa, levou o Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais a criar um programa para a sua protecção: o ‘SOS Azulejo’.
As zonas mais afectadas são a Baixa Pombalina e as quintas históricas do Lumiar. “Apesar de serem áreas urbanas, não são locais habitados e têm algum isolamento”, facilitando a actuação dos suspeitos. A maioria dos azulejos furtados encontrava-se em locais “recatados, normalmente em quintas”, de onde têm sido levados “conjuntos bastante significativos, quer em termos de quantidade, como de qualidade” 1.
Depois, são colocados à venda em feiras, como a Feira da Ladra, e mesmo na Internet, onde basta fazer uma pesquisa, por exemplo, por ‘portuguese tiles sale’, para encontrar, a preços exorbitantes, produtos que os comerciantes do alheio denominam de ‘lost treasures’ 2.
Estes são os casos classificados como “furtos profissionalizados”, em que são levados “painéis inteiros e nem migalhas deixam no chão”. Todos os indícios apontam para a existência de “redes organizadas que, ao que tudo indica, trabalham por encomenda”. É convicção da PJ que o destino deste património será o mercado exterior, existindo indivíduos com um tipo de perfil que se dedicam ao furto de bens culturais.


O “SOS Azulejo” consiste na “identificação dos problemas e apontar soluções, fazendo depois a sensibilização das pessoas através de uma exposição, do próprio trabalho que vai ser desenvolvido no terreno e de formação”.
Os painéis que normalmente são furtados pertencem a particulares que “teriam tudo a ganhar se os fotografassem e tentassem que os locais onde estão inseridos tivessem alguma segurança. É o que se pretende com o projecto” 1.
Um conselho: não compre azulejos antigos sem se certificar da sua origem lícita. Colabore na dissuasão deste tipo de comércio ambíguo. Se tiver alguma informação sobre azulejos históricos e/ou artísticos furtados, avise imediatamente a PJ, a PSP ou a GNR. Se tiver conhecimento da demolição ou remodelação de um edifício com azulejos antigos, contacte o Projecto SOS Azulejo 3. Sempre será melhor do que fazê-lo com Câmaras Municipais que deixam, lamentavelmente, o seu património ao abandono.

1. Ver http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=556932
2. Ver www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=portuguese+tiles+sale+eBay&btnG=Pesquisar&meta=
3. Ver www.sosazulejo.com/home.php
Foto do Museu Nacional do Azulejo IN www.mnazulejo-ipmuseus.pt

2 comentários:

Manuelinho disse...

Sobre o descaminho e comércio de azulejos, que tal uma visita ao site americano do ex-presidente da Associação Portuguesa de Antiquários.

http://www.solarantiquetiles.com/

Não obstante não duvidar da licitude desta actividade comercial que não ponho em causa, é pertinente interrogar-nos sobre quantas das exportações definitivas de pedras e azulejos históricos com mais de cem anos é que foram autorizadas pelo Ministério da Cultura?

Antiquário que até é consultor da PJ no programa "SOS Azulejo" (?).

http://mais.uol.com.br/view/7945qmbpogar/tradicionais-azulejos-de-lisboa-sao-cada-vez-mais-roubados-0402306ECC916326?types=A&

Sertório disse...

Peças que há cerca de duas décadas são sistematicamente furtadas em Portugal por catálogo e por encomenda, por elementos de uma organização criminosa internacional, constituida por bandos de gatunos operacionais, de etnia cigana, e seus associados italianos e dos Países Baixos, que os organizam e distribuiem a mercadoria ilícita pelo mercado mundial. Indivíduos sobejamente conhecidos das autoridades judiciais nacionais, e internacionais, e que estranhamente não são eficazmente combatidos. Sendo classificados de um "grupo de ladrões ainda não identificado" !

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Reportagem+Especial/2009/1/sospatrimonio.htm

Faz-se entretanto pesquisa na net, designadamente na Ebay, para alegadamente cumprir e explicar o desempenho de funções, onde se detectam azulejos a vulso, produto da pequena delinquência, e "esquece-se" o impune "comércio a grosso" das obras de arte valiosas.

http://video.msn.com/video.aspx?mkt=pt-br&vid=6f951fda-f648-4302-a426-462c531a269d

http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/roubo-de-azulejos-em-portugal-ameaca-patrimonio-historico-040262DCC16366?types=A&


Com consideração.